четверг, 18 мая 2017 г.

Um dos mitos sobre o “totalitarismo inerente” dos russos diz que os russos são totalitários, ou seja “fechados, rudes, com cara de poucos amigos, aborrecidos, atrasados mentalmente, super introvertidos e por isso propensos para uma monarquia absoluta ou um sistema unipartidário”, etc. porque as mães russas costumam enrolar seus bebês em cueiros apertados demais. Os cueiros apertados levam as pessoas para um regime apertado…
É ridículo este mito. Desde há muito as mães russas não praticam mais o “embrulhamento apertado”. Além disso a teoria de totalitarismo atualmente é considerada obsoleta, primitiva demais no próprio Ocidente.
Ao mesmo tempo é certo que as camponesas russas na época do pesadelo dos Romanov praticavam o “embrulhamento apertado” de bebês. Por que? Porque elas não tiveram tempo para cuidar de seus bebês! Para a segurança do bebê, a mãe o deixava “preso em cueiros”. As mães assim como os pais tinham que trabalhar muito, porque os camponeses eram literalmente escravos dos latifundiários “nobres”. Além disso o trabalho de verão era tão duro, que 80% dos bebês nascidos durante o verão morriam. As mães não tinham nem tempo nem leite para sustentar estas crianças. Os donos das escravas por seu capricho também puderam fazê-las amamentar com seu leite seus cachorros de lebréus.

воскресенье, 14 мая 2017 г.

Liev Tolstói sobre Moscou

Liev Tolstói sobre Moscou:
“Fedor, pedras, luxo, pobreza. Devassidão. Se reuniram os malfeitores, que roubaram o povo, eles recrutaram os soldados, juízes para proteger sua orgia, e banqueteiam. O povo não tem mais nada a fazer se não sacar o roubado, aproveitando-se das paixões dessa gente”.

Leia mais: 

http://guiademoscu.com/?p=1077 

https://www.facebook.com/events/486879685034526/?active_tab=discussion

Fiódor Dostoiévski sobre a Rússia dos Romanov

Um monólogo modelo de um liberal russo do século XIX, desenhado por Fiódor Dostoiévski:
“…em todo o mundo é principalmente na Rússia que hoje qualquer coisa pode acontecer sem a mínima resistência. Compreendo bem demais porque os russos de condição estão todos debandando para o estrangeiro, e em número cada vez maior a cada ano que passa. Simplesmente por instinto. Se o navio está afundando, os ratos são os primeiros a fugir. A Santa Rússia é um país de madeira, miserável e… perigoso, um país de miseráveis orgulhosos em suas camadas superiores, enquanto a imensa maioria mora em pequenas isbás de alicerces instáveis. Ela ficará contente com qualquer saída, basta apenas que lhe expliquem bem. Só o governo ainda quer resistir, mas fica agitando um porrete no escuro e batendo sua própria gente. Aqui tudo esta sentenciado e condenado. A Rússia como é não tem futuro. Eu me tornei alemão e considero isso uma honra para mim” (extraído do livro “Os demônios”).
É surpreendente como essa posição ainda seja atual hoje, no século XXI, por causa da restauração do capitalismo periférico nos anos 1991-2017, muito semelhante ao estilo dos últimos Romanov.

Mar de minha filhinha

Minha filhinha de 3 anos me pergunta sobre a grande âncora na Praça Cesar Kúnikov… Hmmm. Lhe explico que antes na Praça Cesar Kúnikov havia um cinema, chamado “Novorossiysk” – em honra de uma cidade portuária do Mar Negro. Assim, a conexão entre a âncora e o mar fica bastante evidente.

Minha filha sabe o que é uma âncora, só não entende porque a âncora está na praça. Hoje o cinema “Novorossiysk” já não existe. Mas a âncora perdura em seu lugar.

Não contei a ela que a Praça Cesar Kúnikov tem o nome de um herói da Grande Guerra Pátria. Cesar Kúnikov foi comandante de um pelotão de desembarque que conseguiu retomar dos nazistas um ponto estratégico no Mar Negro justo ao lado da cidade de Novorossiysk. Só falei da cidade portuária, mar, cinema, que já não existe. Mas minha filha não aceitou uma explicação tão chata…

Não, pai, você está errado! Antes aqui não havia nem rodovia, nem prédios, nem cinema, nem esse bairro – nada, senão um mar! Então essa âncora é de um barco, que navegou por esse mar. O barco afundou, todos os passageiros morreram e a âncora ficou nesse lugar. Depois a água foi embora, veio a gente e a gente construiu tudo que temos agora aqui: rodovia, prédios, cinema, etc. Entendeu?

Eu entendi que minha filha é uma guia instintiva, sabe inventar as histórias melhor que seu pai…

Fonte: http://guiademoscu.com/?p=1094

суббота, 13 мая 2017 г.

Favelização e Restauração da Monarquia

Dizem que Mao Tsé-Tung quis destruir Xanghai, essa “Cidade do Pecado”, famosa pela desigualdade extrema e eclectica pro-Ocidente (Odd Arne Westard, Restless Empire). A idea de Mao [1.] foi apagar a propria memoria da desigualdade. O líder da Rússia Vladímir Putin hoje quer destruir Moscou soviética, mas seu alvo é apagar a memoria da igualdade e da classe media, que na época da URSS foi uma realidade e hoje desaparece.


Depois da queda da União Soviética (que foi a segunda potência mundial) a Rússia virou um país periférico e sofre das mesmas tendências de degradação que são próprias para todo o terceiro mundo. Graças à desindustrialização, muita gente se concentra nas cidades grandes. Moscou, a capital do maior país do mundo, hoje talvez seja também a maior cidade na Terra. Na Rússia desaparecem as cidades de 100-300 mil habitantes e a povoação de Moscou cresce por 300 mil habitantes ao ano.


Moscou obviamente está superpovoada e cada vez menos acessível para os russos. Como um câncer, Moscou está destruindo o país. Por isso muitos russos odeiam Moscou e ao mesmo tempo eles não tem outra saída como se mudar para lá, porque a civilização russa vai diminuindo de tamanho até uma super cidade república - Moscou. A vida na província é pobre e menos livre, porque lá não há muito emprego e as pessoas dependem de poucas fontes de dinheiro e por isso não podem protestar e reclamar. As pessoas viram uma espécie de “camponeses de gleba” (dependendo dos “barões locais”, que controlam pouco emprego que pode dar a província).


Quando Moscou tem muito emprego, tem luxo, tem perspectiva (teoricamente) e por isso tem mais liberdade. É muito importante compreender que com a queda da União Soviética a democracia na Rússia se acabou mediante a desindustrialização: a grosso modo, não há emprego - não há liberdade - não há democracia. Além disso, em 1993 o presidente mais querido pelo Occidente, Boris Yéltsin bombardeou o parlamento da Rússia (assim foi destruído o último “rudimento” da URSS e surgiu uma ditadura colonial). A única válvula de escape para os russos hoje é Moscou (ou poucas outras cidades grandes que têm no país). Mas “Moscou não é de borracha”, ou seja, não tem lugar para todo o mundo.


A classe média mora nos bairros periféricos muito distantes ou nas cidades satélites, quando o centro é só para os ricos e para os turistas, a classe média no centro está em extinção . O estacionamento dentro do Terceiro Anel de Transporte de Moscou desde há uns anos é pago e cada ano é mais caro. Se debate a questão da autorização paga para entrar na cidade (de carro).


Ao mesmo tempo a classe média do centro de Moscou não desapareceu por completo. Na cidade ainda há bastante prédios da época soviética. Não são palácios do século XIX, não são arranha-céus de Norman Foster, não são fábricas paradas e gentrificadas tipo loft e também não são famosos prédios estalinistas, considerados a melhor vivenda de Moscou e por isso invadidos pelos novos milionários. São prédios dos anos 50-60-70. Em comparação com a época de Gorbachov/Yéltsin/Putin são uma verdadeira obra de arte. Já explicamos que na época soviética havia mais democracia, todo o mundo era da classe média, então não havia estratificação própria para as Monarquias (quando só 2% são nobres e os demais são escravos) ou Dictaduras do Terceiro Mundo. E na época soviética as cidades eram para todos, Moscou não foi uma excessão: no centro viviam operários, engenheiros, médicos, professores e outra “gentalha”… Claro que segundo os ricos de hoje “não é justo que a gente da classe média more na cidade e não em seus quintos infernos”.


O presidente do país e o prefeito de Moscou há pouco ofereceram “renovar as áreas de Moscou”, ou seja, destruir todos os prédios dos anos 50-60 de 5 andares e também alguns prédios dos anos 70 de 9 e mais andares (embora sejam prédios de tijolo de qualidade superior a qualquer prédio novo). Os 1,6 milhão de pessoas vão ser transferidos para os prédios novos na periferia. Antes ninguém pensava na probabilidade de tal “renovação”, os prédios dos anos 50-60 são ótimos, os bancos emprestavam as hipotecas para que as pessoas pudessem comprar os apartamentos nesses prédios, estes prédios (até 5 andares) nem sempre têm elevador, mas a qualidade é ótima (ou seja - soviética, não são de cimento de contrafação como os prédios de hoje, construídos pelas construtoras criminosas e operários migrantes semi escravos sem nenhuma experiência). Além disso como os apartamentos nesses predios não são grandes, eles foram bastante accessíveis para a classe media e justo lá as pessoas compravam muito, porque os apartamentos dos prédios novos, feios e mau localizados são caros demais.


Então segundo a idea da “renovação” os proprietários de apartamentos nos prédios soviéticos destruídos vão ser transferidos ("deportados") para os prédios novos da periferia no mesmo bairro. A única exceção é o centro de Moscou: as pessoas que moram nos bairros centrais vão ser transferidas de seus bairros centrais para as periferias do distrito central (ou seja éstes vão perder tudo).


É importante compreender que aproximadamente 35% da povoação que mora nos prédios destinados a destruição são pessoas que há mais de 15-30 anos estão na fila para melhorar sua moradia (famílias disfuncionais, que não têm espaço suficiente e não têm dinheiro para comprá-lo, veteranos de guerras, heróis de trabalho, etc.), claro que essa gente está feliz com a possibilidade de melhorar as condições de sua vida - o governo promete para eles dar mais espaço segundo as leis que antes não se cumpriam (18 metros quadrados por pessoa). Ou seja o governo só promete cumprir as leis que não se cumrpiam! Que vergonha...


A prensa liberal também apoia a ideia da favelização de Moscou, porque as companhias construtoras têm muito interesse para conquistar o centro e os bairros confortáveis desenvolvidos na época soviética (têm parques, infraestrutura, tudo) e construir lá os prédios para os ricos em lugar dos bairros purgados da classe media. Obviamente só para alimentar as elites no tempo da crise foi planejada toda essa história...


Para o presidente da Rússia e o prefeito de Moscou a ideia da desoviétização de Moscou também é uma ideia chave para o ano de sua enésima reeleição: para muita gente pobre pode parecer bom receber um apartamento novo, como lhes está prometido - com o mesmo preço do mercado ou talvez um pouco superior (depende do humor dos especuladores).


Resumindo um 35% dos deslocados estão felizes, que o governo se importou com eles, que há muitos anos estão perdidos em suas filas… Alguns marginais estão felizes que vão receber um apartamento na periferia, mas um pouco mais caro que seu apartamento anterior e mais central. Claro que a gente da classe média está desesperada, mas é pouco provável que alguém na Rússia tenha simpatia para eles: todos odeiam aos moscovitas.


É interessante que o grupo governante se apoie sobre a oligarquia (os ricos que querem privatizar o centro só para eles) e a plebe (pessoas disfuncionais que não podem melhorar as condições de sua vida na cidade, mas são simples para suborná-lhes. A classe média desaparece, o que é normal para uma economia terceiro-mundista. Nesse sentido, as conversas sobre a restauração da monarquia na Rússia já não são tão ridículas… Nos anos 90 foi instalado um culto à Rússia dos Romanov que tínhamos perdido, então essa Rússia está voltando: com czar, nobreza, igreja, favelas, escravidão e fome.

A ideia de destruir as vidas de 1,6 milhão de pessoas não foi confirmada por nenhum referendum, nem pelo consultorio com os expertos. A decisão catastrófica foi tomada só pelo prefeito de Moscou e pelo presidente da Rússia. Destruição de Moscou soviética vai ser uma destruição de Moscou: para ganhar seu dinheiro as construtoras em lugar dos ótimos predios de 5 andares vão construir os predios feios e precarios de 10-15 andares, isso significa mais tránsito, mais poulição, mais sobrepovoação de Moscou, mais operarios inmigrantes, mais arquitetura feia (sem falar das favelas nas periferias)… Ou seja Moscou pode se tornar uma típica capital de um típico país do terceiro mundo.

______________________

1. de fato a idea foi de camarada Gao Gang.

пятница, 30 декабря 2016 г.

Feliz Ano Novo! Grande 2017 para vocês!

O ano de 2016 foi um ano bissexto e foi um ano da confusão:

a Europa ficou confusa com Brexit,
os EUA ficaram confusos com o protagonismo de Trump e Sanders,
a Rússia fica confusa pela guerra civil na Ucrânia.

Os cisnes pretos de Taleb continuam voando sobre o mundo. O fantasma de nazismo volta a rondar pelos países do "centro do sistema-mundo".

Ao mesmo tempo o ano 2016 não foi ruim para a Rússia em que pese a pressão do Ocidente. Os padrões duplos das elites do Ocidente já são evidentes para os mesmos povos ocidentais, os povos demandam a mudança de suas elites. Neste sentido a Rússia, como sempre, está na moda, é um sistema alternativo e mítico.

O prestígio geopolítico da Rússia é alto: o grupo governante de Putin não traiu nem aos pró-Rússia na Ucrânia, nem ao grupo de Assad na Síria.

A Rússia faz tudo que é possível para manter a paz com a Turquia, o Japão e a China - que são frentes possíveis da guerra pela Sucessão Russa.
A legitimidade do grupo de Putin também é bastante alta dentro do país. O exemplo da Ucrânia está diante dos olhos: ninguém quer a arcaização da sociedade mediante um golpe dos radicais neonazistas semicriminais, ninguém quer a destruição de seu país.

A legitimidade do grupo de Putin é alta, em que pesem os muitos problemas que são óbvios para todo o mundo. A degradação do sistema de controle é um destes problemas: aí está a tragédia com avião militar Tu-154, os 2 acidentes com os Su-33 do porta-aviões "Admiral Kuznetsov", a morte em massa de mais de 70 indigentes pela intoxicação com metanol, etc.).

Ideologicamente o grupo de Putin continua trabalhando sem estratégia séria: não há entendimento de nossa sociedade, nem diálogo sobre o nosso futuro. Eles continuam a restauração/clericalização e des-sovietização/des-modernização forçadas. Ao mesmo tempo Putin sempre está disposto a se refugiar na nostalgia da URSS. O putinismo é "vermelho" para a plebe e "branco" para as elites [*.]

Nesse contexto o ano 2017 promete uma dinâmica da polarização da sociedade russa. No ano 2017 vamos celebrar o aniversário 100 da Grande Revolução de Outubro de 1917. O período soviético vilipendiado pelas elites virou um mito para a maioria aplastante dos russos, que não encontraram seu lugar depois da Reforma Devastadora dos anos 90. Vamos ver uma "guerra de narrativas" entre os liberais, nacionalistas, patriotas e comunistas.

Além disso o auto-análise dos russos vai coincidir com uma abertura global: entre 17 de junho e 2 de julho de 2017 a Rússia sediará a Copa das Confederações FIFA de 2017.

Resumindo, o ano de 2017 é um ano em que, mais do que nunca, vale a pena vir para a Rússia! Vai ser muito interessante! 

O mundo está mudando sua pele, a Rússia é o melhor lugar para sentir essa dinâmica.

*. Leia mais sobre a ecléctica de putinismo:






вторник, 4 октября 2016 г.

Ecléctica do putinismo na religião

Já escrevemos antes sobre a tendência eclética do Putinismo: "romanovisação" do período soviético. Os marginais saem para a manifestação do dia da Vitória na 2GM com os ícones de Nikolai II (como fez a heroína da Primaveira Russa na Crimeia, Natalia Poklonskaya, em 2016).Parecem loucos, e afirmam que Stalin poderia ser um filho do general Przhevalski, e que Stalin era um agente da Polícia Segreda dos czares, infiltrado no movimento revolucionário para restaurar o império depois da revolução (a ideia popular entre os euroasianos), etc. O escritor Alexandr Projánov ofereceu a ideologia do "V Império" para explicar a sucessão temporal da Rússia atual, herdeira das formas anteriores do estranho imperialismo russo: URSS, Império de São Petersburgo, Czarato de Moscou, Horda de Ouro... 

O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa Kiril, em 2013, fez um intento de cristianizar o período soviético: ele pediu aos jovens para tomarem de exemplo os mártires da Grande Guerra Zoia Kosmodemianskay e Alexandr Matrosov - "aqueles quem sem pensar sacrificaram suas vidas para a Pátria".

É curioso que nas regiões budistas russas também haja tendências de integrar a memória soviética no contexto budista. 

Ao lado do povoado Juljuta (República da Kalmykia, sul da Rússia) durante a Batalha de Stalingrado, a paramédica Natalia Kachuévskaia quis salvar os soldados feridos, protegendo dos nazistas a entrada de refugio, até o último momento. Quando ela já não tinha balas, ativou uma granada e assim se suicidou, assassinando também a vários nazistas.

Hoje "resulta" que essa façanha aconteceu no lugar, onde antes dos anos 1930 se encontrava um jurul (templo budista) e uma estupa, ergida em cima do túmulo de um famoso Andzha-lama da Kalmykia. O refúgio dos feridos foi feito pelos budistas locais para seu culto em honra de Andzha-lama! Porque o templo e estupa originais tinham sido destruídos durante o radicalismo da guerra civil russa. Os habitantes do local hoje creem que foi Andzha-lama que ajudou os soldados russos feridos a evitar a morte. Como Natasha Kashuévskaia fez uma façanha de bodhisattva, agora ela recebeu uma boa reencarnação!

Além disso o monumento de Lenin em Elista (capital da Kalmykia) foi girado em 180 graus e agora o líder da Revolução Rússa esta olhando para a estatua de Budda Shakiamuni, que foi instalada perto. Obviamente os kalmykies estão "budisando" o período soviético.

P.S.

Os filósofos do Islã russo também oferecem sua revisão de nossa história: