четверг, 15 января 2015 г.

O Leviatã deve ser destruído!


O filme russo "Leviatã" de Andrei Zvyagintsev parece ao caso da novela "Doutor Jivago" de Boris Pasternak. Ambas obras aparecem nas etapas da escalada da Guerra Fria, estão dirigidas para o público ocidental (são super premiadas no Ocidente [1.]), manipulam os estereotípos sobre a Rússia e mostram o quanto é absurda a vida no país. 

Ao mesmo tempo ambas obras-primas são financiadas pelo estado russo! Boris Pasternak foi um dos lacaios da elite soviética, reconhecido e beneficiado pelo "regime" igual a Andrei Zvyagintsev, cujos filmes (não rentáveis) estão financiados pelo Ministerio da Cultura da Rússia. Irónicamente o "Leviatã", que critica o "monstro" do estado russo, é financiado pelo próprio Leviatã, pelo próprio estado russo.

Obviamente no contexto do enfrentamento civilizatório o Ocidente quer ver a Rússia só do lado negativo. Como no cinema de hoje há gêneros de filmes lacrimongêneos "sobre judeus", "sobre gays", "sobre eutanásia", etc., vai surgir também o novo gênero - "sobre russos". Mas já não são thrillers primitivos da época dos 90 (violência, alcoolismo, miséria), são filmes muito mais sofisticados, que também mostram a Rússia como um pais sem sentido, cego, surdo, mudo, onde tudo é sofrimento e pecado.

O filme "Leviatã" fala com o espectador ocidental numa lúngua natural para o Ocidente. Em primeiro lugar vemos os estereotípos (vodka, balalaica, aparatchik), mas também aqui temos as cenas duradouras como Tarkovski, os interiores ao estilo Provans, as paisagens do Norte (onde na realidade mora só cerca de 7% da povoação [2.]). Tudo é como o espectador estrgangeiro imagina a Rússia, mas como não é na realidade. Até a história que inicialmente inspirou ao diretor não tem origens russas: a idéia do filme vem da tragédia de Marvin Heemeyer, um estadounidense que proclamou uma guerra ao estado motivado pela defensa de seus direitos.


Marvin John Heemeyer foi um soldador e dono de uma oficina mecânica. Em desacordo com uma disputa de zoneamento, ele armou um bulldozer D355A da Komatsu com camadas de concreto e aço e utilizou isto para demolir a prefeitura da cidade, a casa do prefeito, e outras edificações em Granby, Colorado. A revolta apenas acabou quando o veículo emperrou por conta de um problema mecânico, e Heemeyer se suicidou. [3.] 

Outras fontes da inspiração são o texto de Thomas Hobbes (um dos pais do liberalismo) e a história bíblica de Jó.

Segundo os autores do filme a obra deveria ser universal, falar de um conflito existencial entre o "estado" e um "homem pequeno", mas na realidade é um panfleto político, estilizado para os gostos de Ocidente. Isso poderia ser uma crítica se não fosse tão direito e simples, como em tiras de quadrinhos.

Mesmo assim, como dizemos na Rússia: "como é a vida, assim são as canções". A vitória do filme "Leviatã" é segundo êxito do cinema russo depois do reconhecimento mundial da "Guerra e Paz" [4.]. Mas se no filme soviético "Guerra e Paz" de 1956 vemos um estado forte e nobre, uma sociedade madura e sana, uma familia grande e maravilhosa, um homem heróico e profundo. No filme "Leviatã" de 2014 vemos um estado-merda, sociedade-merda, familia-merda e homem-merda [5.]...

Resumindo, gostaria de tranquilizar meus leitores um pouco: russofobia furiosa e niilismo desenfreado paradoxalmente são características muito russas, que vem de um complexo psicológico da certa parte de nossos intelectuais - estou falando em sentido exagerado da culpa, hipersensibilidade e inclinação para o suicídio, rejeição radical de qualquer injustiça como um imperativo moral. Quando nos apertam os sapatos, esquecemos de que nossos chapéus e abrigos nos aquecem muito bem. "Harmonia suprema não vale nem uma lágrima de criança torturada". Ao mesmo tempo os radicais estão dispostos pelo motivo mais miserável, quebrar a melhor harmonia e fazer chorar milhões.


1. O "Leviatã" ja ganhou o "Golden Globe" (EUA), um prêmio em Cannes, outro prêmio em Munique, terceiro em Londres, etc. É possivel que também ganhe uns Oscars. 

2. http://www.gks.ru/bgd/regl/b14_22/Main.htm

3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Marvin_Heemeyer

4. http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_e_Paz_(filme)

5. É engraçado que a gente do povoado, onde foi rodado o filme, acha este filme mentiroso. http://newsru.com/russia/13jan2015/levi.html

2 комментария:

  1. No ocidente o único russo bom é o russo que odeia a Rússia. Mas já dizia o grande Dostoyevskiy, "se você ver um russo que odeia a Rússia pode ter certeza de uma coisa, ele não é russo".

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  2. obrigado, Cristiano, mas olhe, estas "contra elites" pro Ocidente sistemáticamente se reproduzem na Rússia desde o século XVI, acho que elas até viram um componente de nossa cultura. É venenoso este componente mas também é bastante russo. Mesmo Dostoievski também foi infectado pelo liberalismo!

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