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среда, 20 апреля 2016 г.

Rússia: a terra separatista

<em meados do século XVIII> no tempo de paz o transporte de cargas de Arcangelsk para Londres pelo mar era mais rápido e econômico que de Arcangelsk para Moscou pela terra < O rei da Inglaterra Jaime I valorizou tanto esta região, que em 1612-1613, quando as tropas da Polônia e cossacos tomaram Moscou, ele até analisava a possibilidade da colonização direita de Arkhangelsk (Dunning 1989; Kagarlitski 2003)>. No tempo de guerra as cargas militares eram transportadas de Gibraltar para Balaclava mais rápido que de Moscou para Crimeia <A guerra da Crimeia, Inglaterra/Francia/Turquia vs Rússia>.

No início do século XIX fornecer as cargas para as bases russas no Alasca era 2-4 vezes mais econômico pelos 3 oceanos do que pela Sibéria. Além disso, pelos oceanos era mais seguro. Dessa forma, com a circunavegação de São Petersburgo ou Odessa, o Império Russo abastecia de trigo e azeite a América Russa.

O transporte de peles do Alasca para a China pela Sibéria demorava 2 anos; os navios americanos transportavam as peles em 5 meses.

Tecnicamente e psicologicamente a Índia estava mais perto de Londres do que muitas províncias do Ímperio Russo de São Petersburgo.

Os oceanos conectavam, quando a terra separava.

No mar haviam inimigos e piratas, mas não haviam súbditos. Estes últimos são povos estranhos, descontentes ou rebeldes que precisavam ser pacificados, estudados, trasladados, ilustrados, fiscalizados e recrutados pelo governo, que possuia a responsabilidade sobre eles perante o mundo.

Um fragmento do ensaio de Alexandr Etkind.

воскресенье, 12 апреля 2015 г.

A Ucrânia é a mesma Rússia, só possessa pelo Ocidente

"Tempo de Dificuldades", uma constante da história russa.

Já passou um ano desde o início da guerra civil na Ucrânia, que evoca à memoria histórica dos russos o Tempo de Dificuldades do século XVII. Sofrendo de uma crise econômica e ideológica a Rússia ao final do século XVI caiu numa guerra civil total e esteve prestes de ser repartida entre a Polônia-Lituânia e a Suécia. Naquele tempo os cossacos («proto-ucranianos»), descontentes com o governo do tsar Boris Godunov, acompanharam os exércitos privados de oligarcas polacos em sua campanha contra a Rússia. É interessante que na primeira etapa o impostor Dmitri, o Falso I até foi bem recebido pelos russos, como um Dmitri “de Verdade” (como um filho legítimo do tsar-modelo Ivã IV, o Severo)!

Obviamente nos momentos da fraqueza do estado russo, suas periferias ficam vulneráveis para a manipulação dos inimigos e produzem as hordas dos cães selvagens, que levam a guerra para Moscou, ativando aos radicais políticos, elites contrariadas e grupos criminosos locais. O «Tempo de Dificuldades» se repetiu uma vez mais no início do século XX e está se repetindo agora mesmo on-line.

Sim, por um lado vemos uma transfiguração positiva da sociedade russa: os medíocres artistas de cinema viram os anjos da ajuda humanitária, os lavadores de autos viram os comandantes de tropas de elite – nossa sociedade, atomizada e humilhada durante os últimos 20 anos pela continua Reforma de Choque, depois da Criméia mostra uma surpreendente solidaridade e autoestima, produz aos verdadeiros heróis e lendas. Por outro lado também se manifestaram os nossos defeitos, se despertaram os nossos demônios. Nós continuamos no vácuo ideológico, preenchido pelo clericalismo medieval e antisovietismo vulgar do grupo governante, continuamos o curso neoliberal da econômia, quando a maioria do povo considera este curso fatal. A linguagem propagandistica do Kremlin é confusa e fraca.

Os calcanhares de Aquiles Russo

Sem dúvida a Criméia foi uma mudança radical do clima político na Rússia. A reintegração da Rússia com a Criméia colocou o grupo governante de Putin no mesmo barco com o povo. Agora não só os russos são um «povo errado» (conforme à russofobia ocidental, cuja história começa no século XI desde o Cisma da Igreja de 1054), agora o nosso líder nacional também perdeu sua coroa do “único europeu no país bárbaro”. Já não é um gerênte do capital estrangeiro, como Pinochet, mas quem é? O ditador argentino que quis reconquistar as Ilhas Malvinas, Leopoldo Galtieri? Ou um novo Lenin-Stalin, que pode re-sintetizar a grande Rússia numa forma moderna? Então, esperamos que o grupo governante e as elites também compartam o preço que pagamos por ter recuperado nossa subjetividade. Se não observamos este balanço, nos espera uma repetição das catástrofes do século XVII, dos anos 1917 e 1991, quando os grupos governantes perderam o controle sobre as elites e ao mesmo tempo perderam a confiança e respeito do povo.

Nova Ucrânia e Nova Rússia (Novorossiya)

Na dimenção global da guerra civil ucraniana vemos por um lado aos ucranianos pró-EUA e por outro lado aos ucranianos pró-Rússia.

Os pró-EUA acham que esta guerra é uma agressão da Rússia que quer liquidar a Ucrânia, porque esta Ucrânia é só um parasita intermediário do negócio entre a Rússia e a Alemanha. É lógico que esta Ucrânia parasita lute por sua sobrevivência, mobilizando seus recursos humanos com ajuda dos canais midiáticos e administrativos que ela controla. Esta Ucrânia afirma que a Rússia atual e seu negócio com a Alemanha é um nonsense, a Rússia atual deve ser destruída e substituida por uma Nova Ucrânia. Esta Ucrânia não quer tanto se associar com a UE, como ela quer destruir e substituir a Rússia, por isso ela se associa mais com os EUA.

Os pró-Rússia acham que esta guerra é uma agressão dos EUA contra a Rússia a fim de reconfigurar o mercado europeu de energia e congelar os projetos globais da Rússia (União Euroasiática, BRICS, OCX, etc.). É lógico que esta Ucrânia pró-Rússia se associe com a Rússia e tem medo da perda de controle sobre sua riqueza natural e industrial. Esta Ucrânia pró-Rússia afirma que as ambições da Ucrânia parasita são um nonsense, a Ucrânia atual deve ser reformatada e substituída por uma Nova Rússia.

A esta altura do campeonato vemos que os EUA financiam aos radicais neonazistas ucranianos, a bandeira dos EUA está colada sobre o escritório do SBU em Kiev (Serviço da Segurança Estatal), onde os consultores dos EUA ocupam um andar completo e tomam todas as decisões importantes para Kiev. Claro, que a «Ucrânia» atual é um protetorado dos EUA! Para os EUA «Ucrânia» é um “vírus trojan” que deve “crackear o disco duro” da Rússia e roubar seu dinheiro.

Ao mesmo tempo vemos que a Rússia apoia aos rebeldes do Leste, a bandeira da Rússia está colada sobre o prédio da OGA em Donetsk (Administração da RPD), os consultores do Kremlin também tomam todas as decisões importantes para as RPD e RPL. A Novorossiya atual é um protetorado da Rússia! A Novorossiya é um “vírus trojan” para “crackear o disco duro” da Ucrânia parasita e se livrar de suas comissões.

Ok, a situação esta clara ao nível global, mas na dimenção local, ao nivel molecular da movida vemos por um lado aos ucranianos russofóbicos e por outro lado - aos ucranianos russófilos. Se os primeiros lutam por uma Nova Ucrânia, purgada dos tarados elementos russos. Os segundos lutam por uma Nova Rússia, purgada dos tarados elementos ucranianos.

Washington financia a Nova Ucrânia só em parte, é possivel que a maior parte do financiamento das Forças Armadas da Ucrânia venha da sociedade da Ucrânia mesma (doações tanto voluntárias, como forçadas). E este mesmo fenômeno é característico para a Nova Rússia, que recebe a maior parte do financiamento não de Moscou, senão da sociedade russa.

Fator étnico e lingua

Fator étnico e lingua não são decisivos para esta guerra. Muitos russos étnicos lutam nas Forças Armadas da Ucrânia pró-EUA, como também muitos ucranianos étnicos lutam nas Forças Armadas da Novorossiya pró-Rússia. Há mais ucranianos étnicos nos governos da RPD e RPL que no governo da Ucrânia (que também tem aos ministros estrangeiros, criados nos tubos de ensaio da CIA – são representantes dos EUA, Lituânia, Geórgia). Ambas as partes ainda falam russo: um 83% dos cidadãos da «antiga» Ucrânia eram russo-falantes nativos em 2008 [1.] (os ministros estrangeiros falam russo também!).

Ou seja, não se enfrentam tanto as etnias ou línguas, como dois modelos de Futuro: uma Ucrânia derrussificada e pró-EUA e outra Ucrânia pró-Rússia. Os russos e ucranianos, que falam o idioma russo e lutam por uma Ucrânia pró-EUA, acham o “mito ucraniano” superior ao “mito russo” [2.], eles sendo falantes de russo querem que seus filhos num futuro próximo falem a língua ucraniana, eles estão a favor de uma ucranização e derrussificação forçadas. Mas isso não acontece na Criméia e Novorossiya, onde tem várias línguas estatais: russa, ucraniana, tártara (na Criméia), como também há ideias de introduzir a língua grega para a Novorossiya. Constamos que se enfrentam dois conceitos: assimilação forçada e um mosaico imperial. Enfrentamento esse que também se verificou na desintegração da Iugoslávia em locais como Krajina contra a Croácia Neo-Ustashe, na Republika Srpska contra a Bósnia Neo-Otomana e em Kosovo contra o Exército de Libertação de Kosovo (os três apoiados pelo Ocidente e a OTAN).

É lógico que na primeira etapa da crise se actualizasse o tema da federalização que poderia resolver as contradições. Por que não? A parte pró-EUA e a pró-Rússia se separam e vão embora cada uma para suas casas: já construídas (!) em forma das “euroregiões” [3.]. Mas o tema da federalização foi silenciada pelas elites governantes da Ucrânia: “a federalização deve ser feita desde baixo e não desde cima”. Que argumento mais ridículo (repetido por todos os presidentes da Ucrânia, menos Yanukovich) - como se a Ucrânia unitária não fosse feita desde cima! Como se a guerra civil não é suficiente “desde baixo”. Em lugar de uma separação pacífica a“comunidade mundial” recomenda ao esposos matar um ao outro, muito bom! Mas se pode entender isso: a tarefa não é colmatar diferenças, senão destruir e substituir a Rússia, como feito com a Iugoslávia, o Iraque e a Líbia anteriormente e como está tentando se fazer com a Síria.

Fator nacional vs multinacional

prefeito de Moscou conforme aos neonazistas
Os fatores étnico e linguístico não são suficientemente fortes, embora eles também estejam em jogo: a propaganda oficialista de Kiev costuma elogiar os ucranianos da Galícia (os menos russificados) como os ucranianos modelo [4.], a primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa. Mas o desafio principal deste conflito geoeconômico é nacionalização: uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL vs uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [5.], com a primeira sendo apresentada como uma espécie de barreira do Ocidente “civilizado” contra a “barbárie asiática” imputada à Rússia, uma retórica que em sua essência é a mesma da “Muralha do Cristandade Ocidental” usada pela Polônia ao longo de sua história para com seus inimigos meridionais e orientais [6.].

A propaganda ucraniana costuma falar em seu delírio sobre as tropas de chechenos, buriatos, cossacos... As hordas multinacionais da Rússia uma vez mais atacaram a pobre nação ucraniana! É oportuno recordar ao pai da Ucrânia Vladímir Lenin, que escreviu em junho de 1917: “O tsarismo maldito convertia os russos em carrascos do povo ucraniano...”. Os Lenins de hoje que destruem os monumentos aos Lenins de antes diríam em vez do “tsarismo” – “putinismo”. Seja “putinismo”, “URSSismo”, “tsarismo”, “hordismo”, sempre é um enfrentamento entre uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL e uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [7.]. Enfrentamento esse que em nada difere do enfrentamento entre a Eslovênia e a Croácia bonzinhas/européias/corretas/NACIONAIS e a Iugoslávia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL na década retrasada.

Nacionalismo russo entre EUA e EUA

É curiosa a situação na qual se encontram hoje os nacionalistas russos. Eles também odeiam a Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL e igual aos nacionalistas ucranianos querem assimilar as etnias diferentes de seu país. Uma parte deles inveja muito aos nacionalistas ucranianos, apoia aos ucranianos pró-EUA, porque eles querem destruir a Rússia de hoje, uma Rússia “errada” (conforme a eles). Ao mesmo tempo resulta que estes nacionalistas russos para destruir a Rússia multinacional sacrificam aos russos étnicos mesmos, que moram no Sudeste da Ucrânia [8.]. Outra parte dos nacionalistas russos apoia a Nova Rússia, que deve virar uma base para a revolução nacional na Rússia mesma, eles querem acabar com a Ucrânia como com um projeto anti-russo e espalhar a “primaveira russa” na mesma Rússia. Possivelmente muitos destes nacionalistas entendem que a “primaveira russa” na mesma Rússia não tenha muitos chances, eles vem que a Novorossiya está virando um protetorado da Rússia tão odiada, mas eles não podem tolerar as purgas étnicas contra os russos no Leste da Ucrânia.

Vemos que uns nacionaliatas russos apoiam o nacionalismo ucraniano, porque este é uma velha boa arma do Ocidente contra o “Império Russo”, quando os outros nacionalistas russos apoiam aos russos étnicos na Ucrânia, porque acreditam na conscientização nacional dos russos a base da luta pela liberação nacional da Novorossiya contra o chauvinismo ucraniano. Uns esperam a revolução nacional russa mediante a ajuda para Ucrânia, os outros a esperam mediante a luta contra a Ucrânia.

Contudo ambos nacionalismos: tanto russo (ucrainófilo e ucrainofóbico), como ucraniano odeiam o «Império Russo». Por isso teoricamente os EUA poderiam financiar ambos! Agora os EUA mantem o nacionalismo ucraniano, mas há idéias de “distribuição de pão e biscoitos” para os nacionalistas russos também. A confederação da Ucrânia e ajuda total ao estado nacional dos russos da Novorossiya é uma receita do jornal conservador “The American Thinker” [9.]: o Ocidente deveria abandonar o projeto “Ucrânia”, porque é uma piada de Deus, o Ocidente deveria crear uma república nacional russa em Novorossiya, um modelo a seguir para a mesma Rússia (tipo a Alemanha Ocidental para a Oriental, a Coréia do Sul para a do Norte, o Iêmen do Sul para o do Norte, Taiwan para a China)! Embora esta oferta seja exótica ela tem sua lógica, e tecnicamente é factível...

Caramba! Certos nacionalistas russos, inimigos do «Império Russo» até se sentem esquecidos pelos EUA e roubados pelos nacionalistas ucranianos. Um dos líderes dos radicais neonazis russos Dmitri Diómushkin diz que o nome “Pravi Sektor” (trademark) foi roubado dele. O redator do jornal nacionalista glamour mais popular da Rússia “Sputnik e Pogrom” Egor Prosvirnin quis abrir uma filial de seu jornal em Kiev, mas também foi roubado pelos ucranianos: afirma que lhe roubaram a idéia e o nome “Petr e Mazepa”. Os redatores de “Petr e Mazepa” reconhecem o fato de roubo e oferecem seus serviços aos EUA – de um bocal de nacionalismo russo numa Ucrânia pró-EUA. Por agora a idéia de uma Nova Rússia pró-EUA parece bizarra, mas se o projeto da “Ucrânia” falha, una Nova Rússia pró-EUA vai virar atual! De todas as formas se a Rússia «monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL» não conseguir gerar um novo projeto combinatório mais viável do que as aventuras sanguinárias dos EUA e seus lacaios da UE, é muito possível que os selvagens cães liberais e nacionalistas cheguem à guerra civil para Moscou, como já foi feito no século XVII.

Edição de Eduardo Consolo dos Santos

1. http://www.gallup.com/poll/109228/Russian-Language-Enjoying-Boost-PostSoviet-States.aspx?utm_source=Russian%20Language&utm_medium=search&utm_campaign=tiles

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/06/maidan-ou-horda.html

3. Euro-região Donbass: Lugansk, Donetsk (Ucrânia) + Rostov, Voronezh (Rússia); euro-região Dnepr: Chernigov (Ucrânia) + Briansk (Rússia) + Gomel (Bielorrússia); euro-região Slobozhanshina: Kharkov (Ucrânia) + Belgorod (Rússia); euro-região Karpaty: 19 regiões da Ucrânia, Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Euro-regi%C3%A3o

4. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/03/dividir-ucrania-para-conquistar-russia.html

5. http://www.globalresearch.ca/ukraine-military-high-command-confirms-no-russian-invasion-or-regular-troops-presence-of-nato-forces-in-donbass/5431369

6. http://en.wikipedia.org/wiki/Antemurale_myth

7. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/02/eterno-retorno-de-stalinismo.html

8. http://www.pco.org.br/internacional/lider-neonazista-diz-que-os-moradores-de-donbass-deveriam-ser-deportados/apib,o.html

9. http://www.americanthinker.com/articles/2015/04/ukraine_a_contrarian_approach.html#ixzz3WBhvkGA1

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вторник, 29 июля 2014 г.

As guerras civis não se acabam

As guerras civis não se acabam. Pode se dizer que a guerra civil russa de 1918 a 1922 se prolongou até o período das purgas dos anos 30 e logo se transformou na Grande Guerra Patriótica (uma parte dos brancos voltou, apoiando os nazistas). Com a queda da URSS o movimento branco foi reabilitado e virou bastante atual para a nova ideologia da Rússia neoliberal. Não obstante, esperamos que o povo russo consiga sintetizar os extremos dos brancos e vermelhos, embora seja muito complicado.

O conflito no Sudeste da Ucrânia não é menos perigoso do que a guerra civil do início de século XX.


Que perspectivas tem a guerra civil na Ucrânia?


Opcão A) Novoróssia [1.]

A encarnação da ideia do novo estado chamado Novoróssia. Para isso a rebelião de Donetsk e Lugansk tem que se expandir até as cidades chave como Odessa, Dnepropetrosk e Kharkov, onde a oposição política pró-Rússia foi exterminada pela inteligência de Kiev. Ao mesmo tempo vemos que até a liberdade para Donetsk e Lugansk custa muito. Para garantir a independência das repúblicas por agora autoproclamadas é necessâria a ajuda da Rússia: não se pode guerrear contra a artilharia pesada e os aviões de Kiev com os AK-47.

Então para realizar o sono da Novoróssia:

- precisamos de ajuda decisiva da Rússia: aviões, tanques, sistemas de DAA.
- precisamos da queda do governo pouco legítimo de Kiev, aliás, precisamos de um novo "Maidan" no contexto da degradação da economia ucraniana pela causa da "euro-integração" e destruição do claster industrial no Leste. O extermínio das povoações pacíficas no Leste da Ucrânia com o exército, mandado por Kiev, deve reduzir a legitimidade do governo fantoche de Kiev aos olhos das elites europeias.

Opção B) Prolongamento do conflito

Ela pode ser benéfica para o governo de Kiev, como justificativa do declínio nos padrões de vida. Também a prolongação é benéfica para a Rússia, porque de tal jeito a Rússia desapaixona aos radicais de Kiev na relação de uma possível agressão contra a Crimeia recém-reintegrada a Rússia.

Opção C) Traição da Novoróssia e reconhecimento da Crimeia

O rechaço da ideia da Novoróssia pode ser feito por Moscou a troca do status neutro da Ucránia e reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia. Em certo sentido o projeto da Novoróssia é também perigoso para Moscou, não esqueçamos que o termo "a primavera russa" tem as origens estadunidenses (as demais primaveras dos últimos anos beneficiaram só aos EUA, nesse sentido o Kremlin tem medo da Novoróssia que não somente reconquista os territórios pro-Rússia de Kiev infectado pelo neonazismo, senão também pode virar uma base para a futura reconquista da Rússia dos oligarcas que seguem roubando o país [2.]). Faz pouco tempo "uma das torres" do Kremlin mandou a Novoróssia a um politólogo muito famoso na Rússia para difamar os heróis da resistência anti-Kiev e para semear as dúvidas entre os milicianos: assim, uma parte da elite russa manifestou seu medo de que a Novoróssia pode virar um "Maidan russo". Esse gesto de uma das torres do Kremlin foi muito animador para a quinta coluna na Rússia igual que para as elites ocidentais [3].

Opção D) Traição da Novoróssia e uma guerra pela Crimeia

Ultimamente na Rússia costumamos lembrar das palavras de Churchill dirigidas a Chamberlain depois do Munique: "Deveis escolher entre a vergonha e a guerra: escolhestes a vergonha e tereis a guerra". Assim o plano C) "Traição da Novoróssia" não leva diretamente ao reconhecimento da Crimeia, porque as palavras dos lideres da Ucrânia não custam nada, porque eles não mandam no seu país, ali manda o Serviço da Segurança, sobre a oficina da qual esta vibrando a bandeira dos EUA.

A agressão da Ucrânia contra a Crimeia não pode ser ignorada pela Rússia como o projeto da Novoróssia, obviamente essa guerra aberta dos EUA contra a Rússia vai minar a economia russa e as posições do grupo governante em Kremlin.


É muito perigosa a etnização do conflito:


Na etnização do conflito estão interessados só os radicais nacionalistas da Ucrânia e uma parte dos radicais nacionalistas russos. Não é produtiva a pratica de chamar aos militares ucranianos "ucros": não todos de eles são "ucranianos puros" (uma minoria russofóbica da Galícia, cuja consciência foi desenhada ainda pelos polacos e austríacos entre os séculos XIV a XX), muitos dos militares ucranianos e dos radicais neonazistas ucranianos são russos. A maioria esmagadora do povo da Ucrânia fala russo, por isso a etnização do conflito é perigosa, ela pode levar a criação da nação ucraniana, que nunca existiu! Por isso a guerra civil na Ucrânia trabalha antes de tudo para os EUA e também é muito desejada pelo nacionalismo ucraniano.

Se antes do conflito os nacionalistas ucranianos na realidade sonhavam apenas com a separação da Galícia do resto da Ucrânia pró-Rússia, agora eles sonham com o controle sobre toda a Ucrânia e com a conquista das regiões do sul da Rússia, criando assim a "Grande Ucrânia" tão sonhada por eles (ou seja, uma Ucrânia do Vístula ao Don e do Dnieper ao Kuban, extensão essa idealizada pelo georgiano filonazista Mikhail Tsulukidze na obra "Die Ukraine", escrita em 1939)! Por isso, a guerra civil na Ucrânia não deve ser prolongada e não deve ser cruel.

O estilo gentil da reintegração da Crimeia deve ser o estandarte das forças pró-Rússia.

É necessária a desnacionalização do conflito na Ucrânia. Os nacionalistas de ambos os lados trabalham nos interesses dos EUA. Tanto os radicais da direita ucraniana, como os da direita russa acham que a vassalagem dos EUA é melhor do que o protetorado oligárquico de Moscou. "Se a elite de Moscou investe e conserva seu dinheiro no Ocidente, manda a suas famílias a viver no Ocidente, então para que precisamos de tal elite intermediadora? Para melhorar o nível de vida na Rússia temos que trabalhar com Ocidente direito, sem intermediadores-cleptomaníacos do Kremlin!" Por isso a vassalagem aos EUA é preferível aos olhos desses elementos. Por isso os nacionalistas ucranianos estão a favor da Maidan russofóbico e os nacionalistas russos estão a favor de Maidan em Moscou e ao mesmo tempo a favor dos direitos dos russos na Ucrânia e por todas partes.

Entretanto é óbvio o absurdo dessa situação quando os nacionalistas russos e os ucranianos se matam no Leste da Ucrânia lutando por relações de vassalagem com os EUA, cimentando seus nacionalismos étnicos com o sangue derramado!


Em busca da reconciliação


Todos nós nos damos conta da guerra de propagandas. Segundo a média ucraniana 47 ativistas pró-Rússia se autoincendiaram em Odessa e não foram queimados vivos pelos radicais neonazistas, muita gente morreu na praça central de Lugansk não no resultado de um bombardeio de avião do exército ucraniano senão porque se explodiu um ar acondicionado, etc. A média russa também não é 100% pura: por exemplo, faz pouco mostraram a uma mulher que afirmava ver como os radicais da Guardia Nacional da Ucrânia crucificaram a uma criança em Slaviansk (todos viram que a mulher era muito estressada e quase louca, mas o canal não deu nenhum comentârio, como se as afirmações da mulher fossem "Sapienti Sat"). Não comentamos aqui as bobagens legendárias da porta-voz de Departamento de Estado dos EUA Jen Pskai.

Mas queremos repetir que o estilo da Rússia deve ser sumamente gentil e impecâvel. A propaganda deve ser baseada nos princípios extra-étnicos: não se trata dos ucranianos ocidentais, fanáticos de colaboracionista de Hitler Stefan Bandera, que guerream contra os imperialistas russos. Se trata de um conflito interino entre os oligarcas de Donetsk e os de Dnepropetrovsk, amplificado pelos EUA até uma guerra civil pelos projetos de futuro desse territorio.

É necessário insistir que os ucranianos e os russos se não são um só povo, pelo menos são povos irmãos e não faz nenhum sentido a aniquilação mútua nos interesses dos oligarcas e os EUA. Os milicianos guerreiam pela independência da gente pró-Rússia, que historicamente não tem a ver com a "Ucrânia", eles guerreiam contra os oligarcas (seus exércitos privados, Guarda Nacional, formada pelos fanáticos neonazistas e o Exército Regular, que virou um refém coletivo da junta de Kiev).

A propaganda coerente pode ajudar a gente entender o sentido dessa guerra, mas os resultados dela dependem apenas do Kremlin e da Casa Branca.

Achamos que uma "revolução desde arriva" no Kremlin poderia neutralizar esse conflito na Ucrânia tão desvantajoso para a Rússia. O grupo governante deve passar para o lado do povo, chegou a hora de purgar as elites. Assim tanto os nacionalistas ucranianos como os russos perderiam seus argumentos. Enquanto no centro do "mundo russo" se encontra o iate de Abramovich, não faz sentido sonhar com o renascimento russo.

1. A Novorossiya, aliás, a Nova Rússia, é uma região do norte do Mar Negro, conquistada pela Rússia durante as guerras contra a Turquia no final do século XVIII, no reinado de Catarina a Grande (r. 1762 – 1796). Até agora são territórios da Ucrânia menos infectados pelo neonazismo ucraniano, mais pró-Rússia, são regiões mais industrializadas, que geram a maior parte do PIB da Ucrânia e ao mesmo tempo são as regiões mais marginalizadas e satanizadas pelas elites de Kiev durante os últimos 20 anos.

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/05/neonazistas-legitimados-na-ucrania.html

3. http://globalvoicesonline.org/2014/07/09/russias-armchair-warrior-turns-on-ukraines-rebel-leader/

вторник, 10 июня 2014 г.

Crimeia e Donbass: éxito e fracasso?


O caso da Crimeia

bandeira da República de Crimeia
A reintegração da Crimeia foi realizada como uma operação modelo. "Falam de intervenção russa na Crimeia, de uma agressão. É estranho escutar isso, - disse o presidente da Rússia Vladimir Putin (os radicais ucranianos o chamariam "o khan de hordas euroasiáticas"). – Não lembro na história de nem um só caso no qual uma intervenção tenha sido realizada sem um só disparo e sem vítimas".

A reintegração da Crimeia é aceita positivamente pela maioria dos russos, até pela maior parte dos opositores ao regime de Putin: dos libertarianos até os nacional-bolcheviques. Histórica, ética e juridicamente essa reunificação da Rússia é impecável.

Os fatores que ajudaram a essa reintegração pacífica:

- Interesse vital do Kremlin de conservar sua presência no Mar Negro

- Esmagadora orientação pró-Rússia do povo da Crimeia.

- Ausência do fator oligárquico na Crimeia (ninguém na Crimeia esta orientado às elites corruptas de Kiev, acostumadas a chantagear tanto à Rússia como à UE).

- Presença das tropas russas conforme o acordo com a Ucrânia, que puderam prever os atentados de neonazistas como em Odesa, 2 de Maio de 2014.

Queremos dar palavra ao poeta Andreï Poliakov, antissoviético e nacional-democrata, frequentemente convidado para os jornais de hipsters, morador da Crimeia (Simferopol), que deveria estar ao lado dos golpistas pró-EE.UU:

"Eu tenho que dizer, que eu nunсa em minha vida vi tal euforia, tal sentimento de festa, explosão de emoções, quando no tempo do referendo faz 2 meses. <...>. Isso foi uma euforia absoluta! Eu lembro naqueles dias eu peguei a gripe, eu tinha uma febre de 39 graus, mas embora a febre eu fui votar. Haviam pessoas ao meu redor, muitas bandeiras, muita gente. Votei naturalmente por integração com a Rússia. Logo eu mal voltei a casa... Mas eu tinha que fazer isso, porque eu não poderia não fazer isso, por assim dizer. Isso foi um ato existencial, não um ato político. Eu percebi que este meu carrapato, naturalmente, não mudaria nada, mas eu tive que dar este passo, foi importante para me entregar meu voto. Isso era um movimento existencial. <...>. A gente mudou de certa forma. A gente se concentrou, se tornou gentil, sorriente, alegre. Eu lembro de fatos cotidianos, que pareсem ser inventados... Por exemplo, eu passo pelo monumento a Bogdan Khmelnitsky, e há flores ali. Eu não sei, talvez tenha sido algum tipo de oferendas rituais, pode ter sido algum tipo de motim. Mas não havia muitas flores, parece, foi alguém que as trouxe. E no monumento está escrito: "Com a Rússia para sempre". E deste monumento se aproxima uma mulher, uma jovem mãe com sua filha. A mãe disse alguma coisa para ela, apontando para o monumento, explicando, e a criança começa a gritar: "Rússia! Rússia!". Isso não é um quadro inventado. O povo mudou de certa forma. Nós, na verdade, estavamos à beira de um abismo. Ficamos parados na beira da terrível sangue. <...> E nós só seguramos na borda do penhasco. E o fato de que voltamos à Rússia tão suavemente, "eco-friendly" - é uma grande alegria! <...> A maioria das pessoas olham para a Ucrânia com horror".


O caso das Repúblicas Autoproclamadas de Donetsk e Lugansk


bandeira da Novoróssia
Todas as pessoas não indiferentes sabem que a Ucrânia durante os últimos 2 meses está em guerra civil, o exército da Ucrânia golpista, sob pressão da Guarda Nacional, luta contra o povo das províncias de Donetsk e Lugansk, que proclamaram sua independência do governo golpista de Kiev.

Para Kiev e seus patrões dos EUA a gente das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk são separatistas e/ou terroristas. Para o povo das repúblicas autoproclamadas o governo atual de Kiev é ilegítimo: a mitade dos ministros são neonazistas dos partidos mais radicais, o presidente, cuja eleição é questionável é um oligarca, a Guarda Nacional, que serve como tropas de barreira para o Exército, também está formada pelos neonazistas. Os altos mandos do governo de Kiev mais de uma vez insultaram a gente do Sudeste do país, manifestando seu desprezo e odio: "Prometam-lhes qualquer coisa, e depois os vamos enforcar" (palavras de vice-governador de Dniepropetrovsk, Boris Filatov).

Todo o mundo viu o vídeo de uma mulher de Lugansk desmembrada por um bombardeio de avião militar do exército ucraniano. Cada dia o novo governo de Kiev aumenta sua lista de crimes de guerra:

- bombardeio do povo pacífico de aviões de guerra com os foguetes não dirigidos [1]

- fogo massivo contra as cidades de lança-foguetes múltiplos tipo GRAD [2]

- sequestro e assassinato de jornalistas [3]

- assassinato dos combatentes feridos e medicos em hospitais [4]

- tentativas de envenenamento dos rios e destruição de infraestrutura vital (hospitais, jardins de infância, etc.)

- bloqueo das cidades (Donetsk e Lugansk ja não tem suficientes medicamentos, produtos, etc.)

Resultado de crimes de guerra das marionetes dos EUA na Ucrânia são milhares dos refugiados que correm das províncias atacadas pelo exército para a Rússia e para outras províncias da Ucrânia [5.].

A rebelião de duas províncias do Leste é muito perigosa para Kiev: essas províncias pró-Rússia são as regiões mais industrializadas do país, que geram a maior parte do PIB da Ucrânia.

Além disso, no caso da vitória dessas repúblicas autoproclamadas as demais províncias do Sudeste podem se rebelar contra Kiev, que virou um governo dos oligarcas e fanáticos, dirigidos desde os EUA em interesses dos EUA (destruição do mercado energético da UE, isolamento da Rússia, "somalização" da Ucrânia, exumação do Plano Intermarium).


Também é importante que ideologicamente está ficando muito atual o projeto de Novorossiya (ou seja Nova Rússia), são territórios pró-Rússia da Ucrânia atual, que historicamente eram partes da Rússia (entraram na Ucrânia pelo voluntarismo marxista dos governos soviéticos e agora se sentem confusos), estão povoados por gente etnicamente russa, que ainda não é tão infectada pelas ideias russofóbicas. Como o nível de vida na Ucrânia pós-golpe vai deteriorar (igual que isso passou nos países bálticos ou Bulgária depois da perda de sua soberania no marco da UE), a gente dos territórios de antiga Novorossiya terão cada vez mais ressentimento e mais motivos para separação da Ucrânia. Além de isso depois do atentado em Odesa para muitos russos e ucranianos antiga "Ucrânia" ja se acabou, eles não reconhecem o novo estado neonazista, vassalo dos EUA e não querem viver em esse país.

Ao mesmo tempo pese a resistência heróica e rensсimento da ideia de Nova Rússia as repúblicas autoproclamadas ainda não dão certo!

- a rebelião não tem apoio da Rússia: presidente Vladimir Putin apelou a adiamento dos referendums por independência de Kiev [6], quando justo naquele tempo havia lacunas da legitimidade de Kiev que justificaram essas manifestações de vontade dos povos fartos de linguicídio (assimilação por lingua) e ucrainização forçada.

- no leste da Ucrânia é muito sensível o fator oligárquico: as províncias rebeldes sofrem mais com o exército privado do oligarca Igor Kolomoiski, posto por Kiev como governador de Dnepropetrovsk, do que do exército regular da Ucrânia, que não quer guerrear e se rende em massa. 

Além disso, alguns oligarcas como Rinat Akhmetov apoiam certas formações militares das repúblicas autoproclamadas e resulta que enquanto os idealistas pró-Rússia guerream exitosamente na frente, os demais não fazem nada na traseira, esperando o tempo quando eles possam vender sua resistência mais caro!

- É possível que os líderes da rebelião tenham falhado esperando em vão a ajuda do Kremlin. Seu plano era involucrar o Kremlin no conflito para ativar os processos da mobilização dentro da própria Rússia, que ficaria isolada no resultado de sua "agressão" contra a Ucrânia desestabilizada pelos EE.UU. Mas o grupo governante de Putin tem medo de perder o mercado energético da UE, eles não tem muita iniciativa, preferindo o jogo de defesa.

É curioso que os milicianos das províncias rebeldes estão dirigidos pela "literatura patriótica russa". O comandante que tem mais autoridade é um poeta e fã de recreações históricas Igor Strelkov (ministro da defesa da República Popular de Donetsk), seu braço direito é um escritor fantasta, coronel de tropas de DAA, Fiodor Berezin, entre os voluntários da Rússia (são uns 10% das milícias) estão os discípulos do escritor clássico Eduard Limonov, líder do Partido Nacional-Bolchevique (proibido pelo grupo de Putin).

- Enquanto um punhado dos românticos já mais de dois meses sem nenhuma ajuda do Kremlin guerreia exitosamente contra todo o exército da Ucrânia (consultado pelos militares de OTAN, financiado pelos créditos dos EUA, reforçado pelos mercenários de todas partes), as elites da República Popular de Donetsk perdem sua fraca legitimidade sem conseguir o controle operativo sobre a região (basta dizer que as provincias rebeldes continuam pagando 70-80% dos impostos para Kiev). Pese a referendum que disse "sim" a independência de Kiev, os grupos governantes das repúblicas autoproclamadas não estão consolidados e não conseguiram firmar um "contrato social" com o povo das repúblicas autoproclamadas. A gente (o povo) não quer fazer muito para sua independência, esperando que os russos lhes ajudem como a Rússia ajudou a Crimeia. 

Sem urgente ajuda da Rússia (militar, organizacional, financeira) a rebelião anti- golpe está fadada ao fracasso. Os jornalistas ganharão seu dinheiro e glória ("eu estive aí!"), os lideres vão ser evacuados para a Rússia ou Bielorrússia e milhares dos românticos pró-Rússia e locais pacíficos ficaram para sempre nas listas dos desaparecidos, liquidados pelos radicais neonazistas.

"Aquela ajuda, que vem da Rússia agora, foi necessária um mês atrás, quando ela pôde trazer um grande sucesso. Agora esse apoio dos voluntários mal nos ajuda ficar em pé, mas sem chance de virar o jogo a nosso favor. <...> Precisamos da ajuda da Rússia como do ar!" - escreve em seu informe de dia 8 de junho comandante Igor Strelkov.

Mas para a Rússia o custo de tal ajuda é o projeto de gasoduto "South Stream" [7]. É possível que o grupo de Putin vá trair essa rebelião pró-Rússia e 10 milhões de russos na Ucrânia se tornarão gente de 2ª classe como os russos nos países bálticos.

gasoduto russo South Stream e sua alternativa ocidental "Nabucco"
Fontes de informações:

1. http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2746941&Itemid=1

2. http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2014/06/08/recomecam-os-combates-no-leste-da-ucrania/

3. http://actualidad.rt.com/actualidad/view/130384-ucrania-desaparecer-periodistas-rusos-guardia-nacional-requisar

4. http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/exercito_assassina_milicianos_hospitalizados

5. http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/milhares-de-ucranianos-cruzaram-fronteira-diz-medvedev

6. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3849439

7. http://pt.euronews.com/2014/06/09/bulgaria-suspende-construcao-do-gasoduto-south-stream/

Redacção de Eduardo Consolo dos Santos

суббота, 31 мая 2014 г.

os últimos Romanov seriam bolcheviques se não fossem os czares



Alexandr Mijáilovich, neto do czar Nicolai I e tio do czar Nicolai II (também foi marido da irmã de Nicolai II), chefe da Direcção da Flota Comercial do Imprio Russo nos anos 1902-1905:


"Ocorreu-me que embora eu não fosse um bolchevique, mas eu não podia concordar com meus parentes e conhecidos e de forma imprudente condenar tudo o que os Soviets fazem, só porque isso é feito pelos Soviets. Sem dúvidas eles mataram três dos meus irmãos, mas eles também salvaram a Rússia do destino de um vassalo dos aliados.

O tempo, quando eu os odiava e tinha muitas ganas de chegar até Lenin ou Trotskiï, passou, porque eu comecei obter as notícias sobre um e depois sobre outro passo construtivo do governo de Moscou e encontrei-me com o fato de que eu sussurrava: "Bravo!". 

Como todos os cristãos que "não são frios nem quentes" eu não conhecia outra forma de remediar o ódio, como inundá-lo em outro ódio, ainda mais ardente. Os polacos me ofereceram um objetivo conforme última opção.

Quando no início da primavera de 1920 vi as manchetes dos jornais franceses, anunciando uma procissão triunfante de Pilsudski sobre os campos de trigo da Maloróssia [1.], algo fraturou dentro de mim e eu esqueci sobre o fuzilamento de meus irmãos, ocorrido faz um ano. A única coisa que passava por minha cabeça foi: "Os polacos estão prestes a tomar Kiev! Eternos inimigos estão prestes a cortar as fronteiras ocidentais do Império Russo". Eu não ousei me expressar abertamente, mas ouvindo as conversas absurdas dos refugiados e olhando para seus rostos, eu desejava com toda a minha alma a vitória do Exército Vermelho.


Não importa que eu era o Grão-Duque. Eu era um oficial russo, que deu juramento para defender a Pátria de seus inimigos [2.]. Eu era o neto do homem que ameaçou arar as ruas de Varsóvia, se os polacos uma vez mais se atrevessem a quebrar a unidade de seu império. De repente, ocorreu-me uma frase desse antepassado meu, uma frase de 72 anos atrás. Direito no informe sobre os "atos ultrajantes" do ex-oficial russo de artilharia Bakunin [3.], que levou a multidão dos revolucionários alemães na Saxônia para assaltar a fortaleza, o Imperador Nicolau I escreveu com letras grandes: "Hurra a nossos artilheiros"!


A semelhança da minha e sua reação me surpreendeu. Eu senti a mesma coisa quando o comandante vermelho Budionny derrotou as legiões de Pilsudski e perseguiu-o até Varsóvia. Desta vez os elogios foram dirigidos para os cavaleiros russos, mas no resto poucas coisas mudaram desde os tempos do meu avô. 

- Mas você parece esquecer - o meu fiel secretário disse - que, entre outras coisas, a vitória de Budionny significa o fim às esperanças do Exército Branco na Crimeia. 

Sua observação razoável não abalou minhas crenças. Naquele verão inquieto do vigésimo ano ficou claro para mim, igual que é claro para mim agora no tranquilo ano de 1933, que para alcançar uma vitória decisiva sobre os polacos o governo soviético fez tudo o que era necessário fazer para um governo verdadeiramente popular. Parece irônico que os participantes da III Internacional tenham de proteger a unidade do Estado russo, mas a verdade é que desde aquele mesmo dia os soviéticos estão obrigados a realizar uma política puramente nacional, que não é outra coisa senão a política de muitos séculos, lançada por Ivã o Temível, desenhada por Pedro o Grande, que atingiu seu ponto culminante sob Nikolaiï I. Essa politica é defender as fronteiras do estado a qualquer preço e passo por passo avançar até as fronteiras naturais no Ocidente! Agora eu tenho certeza que até mesmo meus filhos vão ver o dia quando chegar o fim não só à independência absurda das repúblicas bálticas, mas quando a Bessarábia e Polônia também ser recuperadas pela Rússia e os cartógrafos terão que trabalhar duro sobre a redefinição das fronteiras no Extremo Oriente [4.].

Nos anos vinte eu não me atrevi a olhar para um futuro tão distante. Então eu estava preocupado com meu problema puramente pessoal. Eu vi que os soviéticos saiam de uma longa guerra civil como vencedores. Ouvi que eles cada vez falavam menos dos temas que ocupavam tanto a seus primeiros profetas nos dias tranquilos do "La Closerie des Lilas" [5.] e cada vez eles falavam mais dos temas que sempre foram vitais para o povo russo como um organismo unido. E eu perguntei a mim mesmo, com toda a seriedade, que você esperaria de um homem privado de sua propriedade significante e que testemunhou a liquidação da maior parte dos irmãos: "Se eu, como um produto do império, uma pessoa educada em crença na infalibilidade do Estado, se eu ainda posso condenar os atuais governantes da Rússia?”.

A minha resposta foi: "sim" e "não". O Senhor Alexander Romanov gritou "sim". O Grão-Duque Alexandre disse "não". O primeiro foi obviamente decepcionado. Ele adorava suas propriedades prósperas na Crimeia e no Cáucaso. Ele desejava entrar uma vez mais no escritório de seu palácio em São Petersburgo, onde os inúmeros estantes abarrotavam dos volumes encadernados em couro sobre a história da navegação e onde ele poderia preencher as noites com as aventuras, apreciando as antigas moedas gregas e rememorando esses anos que ele tinha passado em sua busca.

Felizmente para o Grão-Duque, ele sempre foi separado do senhor Romanov com uma face. Portador de um título muito alto, ele sabia que ele e sua turma não deveriam ter um conhecimento amplo ou exercer a imaginação e, portanto, no caso da resolução da dificuldade atual, ele não hesitou, porque simplesmente tinha que confiar em sua coleção de tradições, essencialmente banais, mas surpreendentemente eficaz para fazer soluções. Fidelidade à Patria. Exemplo dos antepassados. Conselhos dos iguais. Permanecer fiel à Rússia e seguir o exemplo dos Romanov, que nunca imaginavam-se mais do que seu império, significava aceitar que foi mister ajudar ao governo soviético, não obstaculizar seus experimentos e desejar sucesso naquilo em que os Romanov falharam".

Fonte:

http://www.ozon.ru/context/detail/id/128574/

1. Maloróssia significa em russo "Pequena Rússia", o nome carinhoso que se usava na Rússia para chamar aquelas terras que agora são conhecidas como a Ucrânia. "Pequena Rússia" quer dizer "coração da Rússia, o centro do mundo russo", quando a "Grande Rússia" era só uma periferia da Pequena Rússia. O nome "Ucrânia" foi dado a essas terras pelos polacos: "Ucrânia" quer dizer "margem, zona marginal, periferia" - assim com desdém os polacos chamavam esse território. Os russos mais tarde também usavam esse termo "Ucrânia", mas ele foi usado tanto para a "Rússia Pequena" como para o atual Cazaquistão.

2. Uns 30% dos oficiais que juravam fidelidade a Nicolai II depoís da Revolução Russa passararm para o lado do Exército Vermelho.

3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin

4. Alexandr Mijáilovich teve razão e os acontecimentos esperados por ele ocurreram.

5. Lenin e Trotski gostavam de jogar xadres nesse cafe de Paris, também o cafe foi frecuentado por Paul Verlaine, Maurice Maeterlinck, Oscar Wilde, August Strindberg, Ernest Hemingway, etc.

пятница, 30 мая 2014 г.

neonazistas: legitimados na Ucrânia, marginalizados na Rússia

São poucos os neonazistas na Ucrânia?

Os principais motores ideológicos do último "Maidan" [1] foram os liberais e nacionalistas (em toda sua gama até os neonazistas). A cor "marom" desde o início marcou as protestas populares em Kiev, provocadas pelas elites ocidentais em conluio com os interesses dos EUA.

Naturalmente a crítica das forças pró-Rússia não faz a vista grossa para a reabilitação do nazismo, que vive a Ucrânia durante os últimos 20 anos. O fato que os representantes mais radicais do nacionalismo ucraniano ganharam "só" 10,4% (o terceiro posto) nas eleições presidenciais de 25 de Maio de 2014 não ajuda aos liberais e as elites ocidentais para se limpar [2].

Em primeiro lugar, 12% é um "bom" resultado. Não sabemos se esse resultado é confiavel: não esqueçamos que as eleições não foram legítimas (crimes contra a humanidade, cometidos pela junta de Kiev em Odessa e em cidades do Leste do país, terror contra os jornalistas, manipulações em principais canais da televisão, falsificações em massa, etc.) e em segundo lugar, achamos, que os resultados foram desenhados em Washington: se Washington quisesse a vitória do mesmo diabo, ganharia o Darth Vader! Mas é importante que por agora os nazistas foram abertamente legitimados na Ucrânia. Ao mesmo tempo é verdade que eles ainda não têm seu próprio canal da televisão como o candidato ganhador das "eleições" e por isso tem só o terceiro posto.

Embora que os resultados das "eleições" não sirvam muito para entender estatisticamente o panorama político da Ucrânia, se pode dizer com "certa certeza" que 360 mil ucranianos apoiam abertamente aos neonazistas e outros 1,5 milhões simpatizam aos nacional-populistas. Acaso para um país que se encontra na guerra civil 360 mil nazistas francos é pouco? E acaso são poucos os outros 1,5 milhões que apoiam o candidato que pratica as torturas contra os insurgentes? [3].

Queremos enfatizar que os golpistas de Kiev poderiam evitar os levantamentos pro-Rússia no Sudeste do país de um jeito muito simples: se lhes deixassem o status regional da línuga russa e prometessem certa autonomia. Claro que os golpistas até poderiam enganar aos russos e os pro-Rússa, mas eles não fizeram nada para evitar a guerra civil, ao contrario desde o inicio todos os lideres do golpe usaram a retorica ultra nacionalista e russofóbica. Por isso o elemento nazista do golpe de estado na Ucrânia é tão importante, os nazistas são forças de ataque de Kiev.

Onde estão os neonazistas na Rússia?

Sobchak (afilhada de Putin), Prosvirnin e Belkovski
Nessa situação muitos estão preocupados: se a Ucrânia está tão infectada pelo nazismo e nacionalismo étnico, como está a mãe Rússia?

Na Rússia Konstantin Krylov [4], um dos principais ideólogos do nacionalismo étnico russo, líder do Partido Nacional-Democrático (não registrado), organizador das Marchas Russas sonha com uma revolução laranja de modelo ucraniano:

"O protetorado oficial dos EUA [na Rússia] seria uma significante ascensão do status atual da Erreéfe [5] (que é uma colônia do Ocidente, sem compromissos alguns de parte do Ocidente). Mas eu tenho medo que o protetorado oficial não seja possível agora. Então é mister fazer uma revolução nacional e demandar um status comparável com o dos países do Leste Europeu".

Grosso modo os nacionalistas étnicos russos consideram o grupo governante de Putin como uma junta ilegítima que com ajuda dos clãs criminosos do Cáucaso quer trocar o povo russo pelos migrantes ilegais da Ásia para continuar roubando os recursos naturais da Rússia sem perigo algum da oposição do povo russo. Os nacionalistas étnicos são favoráveis ao golpe de estado na Ucrânia, mas ao mesmo tempo eles também apoiam a reintegração da Crimeia e o levantamento dos russos no Sudeste da Ucrânia.

Outro sonhador da revolução colorida de padrão ucraniano na Rússia é Stanislav Belkovski, um intelectual bastante popular, cuja tarefa é ligar os nacionalistas com os liberais, ele repete todas as teses de Konstantin Krylov:

"Eu acho que o nacionalismo é a única maneira para desestalinizar a Rússia. Por que Stalin é popular? A desestalinização começou em 1956, logo durante a "perestroika" sobre Stalin e seus crimes foi escrito tudo o que foi possível. Por fim foi publicado numa enorme circulação o "Arquipélago Gulag"... Mas hoje há mais torcedores de Stalin do que aqueles que pelo menos leram os fragmentos do "Arquipélago Gulag"! Por que Stalin é tão popular? Porque é impossível desmerecer a ele no marco do paradigma imperial, que domina toda nossa história! Porque Stalin é um dirigente imperial.

Mas é possível demonstrar que Stalin é ruim desde as posições do nacionalismo! Para isso temos que dizer que a Rússia recusa seu próprio paradigma imperial, que o império foi um mecanismo de chupar os sumos do povo russo, mecanismo da liquidação do povo russo, que Stalin eliminou "a crema" do povo russo, nisso ele tem sua culpa histórica.

Com isso o paradigma nacionalista... traz consigo certos custos e é possível que a consciência das elites hoje ainda não esteja pronta para esses custos. Antes de tudo há que revisar os resultados da II Guerra Mundial... Porque com desmerecimento de Stalin se esclarecerá que vitória não foi necessária e que a guerra também não foi necessária. E talvez que seria melhor fazer uma trégua com Hitler? Além disso, a vitória do paradigma nacionalista deve absolver o general Vlasov. Porque se Stalin é ruim, Vlasov é bom. Vamos ter que admitir, que nos territórios ocupados os russos viveram melhor do que sob o poder dos bolcheviques. Isso significa que a vitória não correspondia aos interesses da nação russa. A nação russa deveria estar interessada na derrubada dos bolcheviques que seria possível numa aliança com Hitler.

Se a Rússia um dia se transformar de império num estado nacional, ela será parecida à República Tcheca ou a Estônia".

Não vamos comentar aqui a incoerênica e falsificação de historia, que promovem os intelectuais confundidos (além de isso não todos os nacionalistas russos estão prontos para absolver o traidor e criminoso de guerra general Vlasov). Só qeuremos presentar a lógica de sua confusão. Sua missão é reduzir a Rússia até a República Tcheca ou Estônia sob o protetorado oficial dos EUAReduzir-se ia seu tamanho aos territórios que faziam parte oriental da antiga Rus’ de Kiev (surge a questão se essa Rússia Nacionalista Reduzida até o Principado de Rostov-Suzdal tem que pagar penas por não ter pagado os impostos a Kiev desde o século XII?). 

Dessa forma, toda a obra imperial iniciada pelos príncipes moscovitas nos séculos XIII e XIV e continuada pelos tsares das dinastias Rurikida e Romanov e pelos líderes soviéticos seria jogada no lixo. Isso seria o mesmo que se, por exemplo, a China fazer o mesmo e resolver limitar-se ao controle da região sul do país, concedendo independência ao Tibete, Manchúria, Mongólia Interior e o Xinjiang (chamado de Turquestão Oriental pelos separatistas locais) e voltando a situação em que estava durante o fim da Dinastia Song (960 – 1279).

As novas gerações dos nacionalistas russos têm essas ideias apresentadas anteriormente como coisas óbvias. Egor Prosvirin, redator de um dos sites mais exitosos na internet russa diz: "Eu não vejo nada bom na vitória da URSS na Segunda Guerra Mundial. Eu acho que no caso da derrota a gente obteria a mesma Federação Russa, que temos hoje".

Os nacionalistas e liberais já pactuaram na Rússia durante as manifestações em 2012. Seu líder é Aleksei Navalni [6], um blogger bastante talentoso, preparado nos EUA, que combina em seu programa as teses dos nacionalistas e dos liberais. Ao mesmo tempo é importante que os nacionalistas, nazistas e os liberais mais odiosos por agora estão marginalizados na Rússia e não tem muito apoio. Sua atividade se limita nas fronteiras da cidade de Moscou, desafiada pela migração massiva da Ásia e das regiões do Cáucaso e infectada pelo globalismo e eurocentrismo. Entretanto sua ideologia é uma bomba-relogio que espera seu tempo, porque as elites oligárquicas ainda não estão liquidadas na Rússia e podem ativar essa bomba.

Se os nacionalistas radicais ucranianos estão desenhados para separar a Ucrânia da Rússia e para acompanhar uma agressão do Ocidente contra a Rússia. Os nacionalistas radicais russos foram sintetizados em frascos de Goebbels e Brzezinski para ser os "separadores" do Cáucaso, Sibéria, Extremo Oriente, etc.

1. "Maidan" é o nome da praça principal de Kiev, manifestações na qual servem de cobertura para os golpes do estado na Ucrânia: em 2004 e em 2014

2. Os neonazistas Tiagnibok e Yarosh obtiveram 2% e o nacional-populista Liashko ganhou 8,4%.



5. RF em russo. РФ é uma silga, que quer dizer "Fereração Russa" - os nacionalistas zombam desse título oficial, eles não reconhecem federação nenhuma igual que os nacionalistas ucranianos.



Redacção de Eduardo Consolo dos Santos

среда, 12 марта 2014 г.

Dividir a Ucrânia para conquistar a Rússia

Hoje, mais do que antes, está claro que a guerra fria entre a Rússia e o Ocidente ainda não acabou. Não importa o regime político da Rússia: czarismo, comunismo, capitalismo periférico, etc. - segundo os sabichões ocidentais os russos sempre são os maus! "Um povo bem-aventurado até idiotices é dirigido pelos maníacos". Acho que o nível da russofobia no Ocidente pode ser um indicador da força da Rússia.

É simbólico que os surtos da russofobia no Ocidente acompanham os êxitos culturais do "gigante simpático": a representação soviética na Exposição de Paris em 1937, o festival mundial da juventude em 1957, as Olimpíadas de Moscou de 1980 e as Olimpíadas de Sochi de 2014.


Por que a Ucrânia?


Porque a perda da Ucrânia pode desencadear a desintegração da própria Rússia! Falamos da ruptura das cadeias cooperativas (parcialmente desativadas pelo colapso da URSS), falamos da destruição do mercado comum, falamos da aproximação máxima da OTAN e da perda de nossa base militar na Crimeia. Para o demônio velho da guerra fria Zbigiew Brzezinski, a Ucrânia é uma das peças mais importantes no jogo pelo controle dos EUA sobre a Eurásia. O geo estrategista da hegemonia dos EUA só repete as ideias do político alemão Paul Rohrbach (um dos fundadores da Sociedade Thule, companhia matriz do NSDAP), para o qual a Ucrânia é a saida vital russa ao Mar Negro. Sem os países bálticos, a Polônia, Biélo-Rússia e Finlândia, mas só com a Ucrânia, a Rússia continua sendo uma ameaça para a Alemanha de Paul Rohrbach.

Alias Ucrânia é uma parte muito vulneravel do mundo russo: a Ucrânia desempenhou um papel decisivo durante o Tempo de Dificuldades no século XVI, quando ela virou um ponte da invasão polaca na Rússia. A guerra de Pedro o Grande contra Suecia (pela saida ao Mar Báltico) também acabou na Ucrânia. Só tenho que dizer que naquele tempo não foi usado muito o nome "Ucrânia" - essa parte da Rússia se chamava pelos russos com muito carinho a "Rússia Pequena", no sentido: "coração da Rússia, o centro do mundo russo", quando a Rússia Grande era so uma periferia da Rússia Pequena. O nome "Ucrânia" foi dado a essas terras pelos polacos: "ucrânia" quer dizer "margem, zona marginal, periferia" - assim com desdém os polacos chamavam esse territorio.

É importante ressaltar que a mesma ideia do estado "Ucrânia" (dos Cárpatos até o rio Volga e Cáucaso) foi desenhada pelos austríacos, alemães e polacos com objetivo de dividir aos russos para reinar a Rússia. Seus agentes principais nesse projeto de desmembramento do Império Russo eram os ucraniófilos galicianos e rutenos.

Polarização da Ucrânia

Hoje muitos sabichões descobriram que a Ucrânia está polarizada: há uma parte ocidental, economicamente muito pobre, mas politicamente radical e russofóbica (os galicianos) e há outra parte oriental que é rica, industrializada e pró Russia. As diferenças extremas se misturam no centro do país. 

Por que o Leste é pró Russia (a gente aqui fala russo e etnicamente se identifica como russos)? Porque o leste ucraniano foi a Rússia! Foi o camarada Lenin quem passou esses territórios à Ucrânia (RSSU) para aumentar o peso do proletariado nessa república agrária. É preciso lembrar que a gente do leste ucraniano é uma sub-etnia russa, nesse sentido em 1991 se desintegrou a unidade nacional dos russos!

E por que o oeste é tão russofóbico? Porque assim que ele foi desenhado pelos polacos, austríacos e alemães. A Galícia foi parte da Polônia, do Império austro-húngaro e logo do III Reich Nazista. É ali onde foi artificialmente criado e cultivado o nacionalismo ucraniano no século XIX, com grande ajuda da inteligencia da Áustria-Hungria. Além de isso o leste foi ao pé da letra desrussificado - durante a Primeira Guerra Mundial. Os austríacos organizam os primeiros campos da concentração na Europa: Thalerhof e Terezín justamente para os russos étnicos da Galícia, denunciados pelos galicianos e polacos. Durante esse genocídio dos russos, os galicianos já negam o seu etnônimo original - se antes eles eram rutenos, agora são os ucranianos. É curioso que os rutenos da Transcarpatia ucraniana, embora vivam no Oeste ucraniano,continuam sendo pró Russia, eles não aceitaram a ucranização imposta pelos austríacos.

Lenin não só entregou à Ucrânia o leste industrializado da Rússia, mas também apoiou o nacionalismo ucraniano dentro da sua lógica de luta contra o Império Russo como uma prisão dos povos. Seu plano foi transformar a luta pela liberação nacional na luta pelo socialismo. É curioso que outra marxista muito criativa - Rosa Luxemburgo até criticou Lenin por esse jogo com o nacionalismo ucraniano: "O nacionalismo ucraniano na Rússia foi muito diferente do que digamos os nacionalismos checo, polaco ou finlandês, ele foi nada mais do que uma mania, uma farsa de umas dezenas de intelectualóides pequeno-burgueses. Ele não tinha nenhumas raiz na economia, política ou campo espiritual desse país, não tinha nenhuma tradição histórica, porque a Ucrânia nunca foi nem nação, nem estado, sem nenhuma cultura nacional, se não contarmos com os poemas reacionários-românticos de Shevchenko. <...> E essa piada ridícula de uns professores universitários e seus alunos foi artificialmente exagerada pelo Lenin e seus camaradas com sua agitação doutrinária pelo "direito à autodeterminação" e foi transformada num fator político". É uma ironia histórica que hoje os "revolucionários" ucranianos destruam os monumentos a Lenin, que foi um dos pais da nação ucraniana!


A Ucrânia e seus novos heróis

no balanço com um moscovita, um fôlder de UPA





Os nacionalistas ucranianos de hoje odeiam Lênin, porque a memoria histórica é curta e eles preferem auto-identificar-se com a versão de seu nacionalismo mais nova, desenhada pelos nazistas, os quais só continuavam em sua propaganda as ideias de Paul Rohrbach e a lógica milenária de "Drang nach Osten". Por isso os santos mais venerados pelos nacionalistas ucranianos são os colaboradores nazistas que matavam as mulheres e as crianças russas, judeas e polacas durante a 2ª Guerra Mundial. Na realidade, só continuando seu trabalho de purgas étnicas, que tinham recebido durante a 1ª Guerra Mundial. Às vezes a crueldade sádica dos castigadores ucranianos se explica pela questão do "Holodomor", mas é preciso saber que a Galícia, a matriz do colaboracionismo, nem era parte da URSS, quando aconteceu aquela fome terrível (era parte da Polônia).

Também é importante dizer que os "heróis" do colaboracionismo ucraniano não lutavam por sua visão da Ucrânia, mas lutavam pelo III Reich dos nazistas, jurando fidelidade a Adolf Hitler. Não é correto pensar que essa gentalha colaborasionista lutava contra os alemães também. Um deles, Stefan Bandera, foi preso pelos nazistas em 1941, porque ele era mas útil para III Reich na prisão (como um mártir do nacionlismo ucraniano) - onde este "mártir" viveu muito bem, recebendo as prostituas. E, a coisa mais curiosa, ele foi liberado pelos nazistas em 1944! Que inimigo do III Reich mais forte! Depois de ter servido a Abwehr esse herói (responsável pela morte de centenas de milhares de polacos, russos, húngaros, judeus e ciganos) trabalha para MI6 até sua execução pela inteligência soviética em 1959.

A 2ª Guerra Mundial se acaba e a Galícia, região que na Idade Média era parte integrante da Rus’ de Kiev, mas que passou longos períodos de sua história sob jugo ocidental (polaco de 1349 a 1772 e 1918 a 1939, austríaco de 1772 a 1918 e alemão nazista de 1941 a 1944), foi integrada à Ucrânia Soviética (de direito em 1939 e de fato - em 1944) e muitos intelectuais galicianos viram um foco da atenção do governo soviético - lhes ofereceram os melhores trabalhos e moradia em Kiev (capital da Ucrânia) para que eles tenham a melhor vida possível no marco do sistema soviético. Sua gratidão de hoje são as marchas nazistas pela capital ucraniana que ficou em ruínas depois do golpe de estado, orquestrado pelos EUA e Alemanha.


A Ucrânia de 2004 e a de 2014


folhetos de Kiev e de Cairo são idénticos
Que diferença há entre a Revolução Laranja de 2004 e o golpe de estado de 2014? Na realidade se parecem muito! No fundo ambas as "revoluções" são revoluções falsas, "revoluções coloridas", é quando uma parte das elites aproveitando o descontento social-econômico do povo e os interesses geopolíticos dos EUA organiza um golpe de estado ao grupo governante sem mudar nada na situação econômica ou até mesmo piorá-lo. O mecanismo de uma "fake revolution" foi codificado na obra de Gene Sharp "Da ditadura à democracia" e experimentado na Tchecoslováquia em 1989, na Sérvia em 2000, na Geórgia em 2003, na Ucrânia em 2004, no Quirguistão em 2005, etc. Todas essas revoluções se parecem como duas ervilhas em uma vagem. Em qualquer país onde o estado é fraco e falido ("failed state") se pode organizar tal "revolução" carnavalesca duas vezes por ano.

Kiev de 2013 e Belgrad de 2000
Mas por que a intervenção estrangeira nas revoluções coloridas é tão importante? - podem perguntar os cínicos, lembrando que a partir das revoluções europeias de 1848 sempre se registra a intervenção estrangeira nos processos revolucionários. É verdade, mas o drama das revoluções coloridas é que não são democráticas - uma minoria com ajuda de mobilização da opinião pública dos jovens organiza um vácuo da legitimidade e intercepta o poder. Os próprios protagonistas das "fake revolutions" não representam os povos inteiros, senão só uma parte reduzida de seus respectivos povos.

Nesse sentido a revolução laranja de 2004 também foi um golpe de estado. Mas o golpe de estado em 2014 foi tão brutal, radical e abertamente coberto pelo Ocidente que é mais parecido às últimas agressões ocidentais contra a Líbia ou a Síria (embora se conserve a lógica da intecepção do poder: a "familia" de Yúlia Timoshénko ocupa o lugar da "familia" de Víctor Yanukóvich).




As bandeiras nazistas foram vistas na Ucrânia de 2004, mas em 2014 essas bandeiras monopolizaram o espaço urbano de Kiev! Além disso, os líderes da oposição parlamentar (que eram uma minoria no parlamento) não controlaram aos combatentes neonazistas, que atiravam as pedras contra os policias desarmados, os queimavam com os coquetéis Molotov e logo os disparavam com as armas de fogo. A oposição da rua se denominou como o "Setor de Direita", uma aliança de vários partidos, grupos paramilitares e movimentos de torcedores de futebol. Os jornais "Spiegel", "Le Figaro", canal britânico BBC, Lyndon LaRouche, Stephen Cohen, os políticos como Jean Asselborn, Heinz Fischer, etc. reconhecem que o motor principal das revoltas violentas em Kiev foram os grupos paramilitares neonazistas. Assim o terror foi a ferramenta principal do golpe de estado em 2014 (perseguição, ameaças aos familiares dos deputados, funcionários e policias, humilhação, terror físico, torturas, espancamento até a morte, censura dos meios de comunicação).


As etapas do golpe de estado


1. O presidente legítimo da Ucrânia (que não foi amigo da Rússia de maneira nenhuma) Viktor Yanukóvich, cuja legitimidade foi reconhecida por todos os organismos internacionais adiou a assinatura do acordo político de associação com a União Europeia. Foi a única coisa boa que fez esse governador, representante de um dos clãs oligárquicos do país. Segundo esse acordo a Ucrânia teria que sacrificar sua indústria, abrindo seu mercado para os produtos europeus. Além disso, o país deveria abandonar o apoio social ao povo por completo. Quando a União Europeia não ofereceu nenhuma ajuda financeira para "formatar o dísco rígido" da economia ucraniana segundo os padrões europeus. Obviamente os europeus procuram só um novo mercado de consumo e um novo exército de fura-greves para suas economias. Também eles estão interessados na rede de transporte de gás, nas plantas atômicas, nos portos e nas terras pretas da Ucrânia. Mas eles não oferecem a Yanukóvich nada. O presidente legítimo temporariamente suspende a assinatura de tal acordo absolutamente desfavorável para a Ucrânia.

2. Imediatamente Yanukóvich vira um "stalinista", fantoche dos chineses e russos (que lhe ofereceram a ajuda econômica em forma dos projetos económicos internacionais). Em Kiev começam os distúrbios. O presidente lembrando sobre a revolução laranja de 2004 tem muito medo de usar força e os policias se enfrentam com os protestantes sem armas nenhumas.

3. Os protestantes não querem esperar as eleições de 2015, querem eleições agora mesmo! Na capital da Ucrânia mais de 3 meses vivem dezenas de milhares dos "revolucionários" vindos todos da Galícia. Eles negam qualquer compromisso com o presidente Yanukóvich, eles continuam atacando os policiais, quebram suas mãos, lhes arrancam os olhos, os queimam. Os "revolucionários" ocupam umas sedes das administrações regionais, torturam os governadores. Mas o presidente Yanukóvich não usa a força.

Em Kiev entre os "manifestantes pacíficos" dão discursos os embaixadores dos EUA, França, Espanha, Alemanha, Dinamarca, vice-secretária de Estado Victoria Nuland (ela desse que os EUA pagaram 5 bilhões de dólares para promover a "democracia" na Ucrânia e querem ver os resultados), os senadores estadunidenses John McCain e Chris Murphy estão aí em Kiev, igual que o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha Guido Westerwelle, seu homólogo holandês Frans Timmermans, comissária do Comércio Europeu Catherine Ashton e muitos outros políticos da Lituânia, Polônia, República Checa, etc. Todos eles apoiando o golpe violento em Kiev e acusando à Rússia de intervir nos assuntos da Ucrânia!


4. 21 de fevereiro após a reunião com os líderes da oposição e representantes da Rússia e da UE (Alemanha, Polônia, França), o presidente ucraniano, Viktor Yanukóvich cede a todas as demandas da oposição (eleições presidenciais antecipadas incluídas), mas os "líderes" da oposição não podem controlar aos neonazistas do "Setor de Direita" que não gostam da UE e sonham com um estado nazista, puramente ucraniano! Os neonazistas continuam o terror nas ruas, o presidente Yanukóvich foge para a Rússia.

5. Ao poder sobe uma junta composta pelos opositores neoliberais e oligarcas pró-UE (e até aquí e uma clássica revolução colorida), mas também no poder agora estão presentes os neo nazistas, que controlam todos os organismos de força. Kiev é dominado por saques e caos. O povo foge da Ucrânia: 140 mil ucranianos pedem asilo na Rússia. A primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa, língua na qual 50% da população fala em casa.

6. A junta nomeia como governadores das regiões pró-Rússia de Khárkov e Donetsk oligarcas russofóbicos. Essas regiões são doadores para todo o país (valeu a pena o sacrifício de umas 100 pessoas para adiantar eleiçoes por um ano e trocar uns oligarcas por outros?).

7. O golpe de estado provoca uma serie das revoltas pró-Rússia no Sudeste do país. Surgem os governos populares que não reconhecem a junta golpista e pedem à Rússia ajuda, porque eles têm medo de um eventual genocídio, similar ao ocorrido em 1995 na região sul da Croácia contra os sérvios da região de Krajina (leia-se Kraiina), perpetrado por croatas viúvas da Ustashe de Ante Pavelich, a qual assim como a OUN-UPA de Stepan Bandera foram ativos colaboradores dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. É obvio que os EUA e a junta estão interessados só em guerra europeia. Os golpistas não podem se manter sem ajuda militar da OTAN, porque os soldados ucranianos não querem defender a junta ilegítima (quando a junta anunciou a mobilização total, só um 1,5% dos recrutas se presentaram nas caixas de recrutamento).

"pessoas gentis" na Criméia
8. A região da Criméia (assim como o sudeste habitado maioritariamente por russos étnicos) proclama sua reincorporação à Rússia e pede ajuda militar. Esta decisão vai ser confirmada no referendum do dia 15 de março. Na Criméia aparecem as "pessoas gentis" - as forças de autodefesa. Também ali estão os soldados russos: há 16 mil soldados russos na Criméia. Desde 1994 a Rússia e a Ucrânia tem um tratado que permite à Rússia ter até 25 mil soldados na região. Aliás, a Rússia está presente na Criméia desde o século XVIII, mais precisamente desde 1783, quando da anexação do Khanato da Criméia (até então um estado vassalo do Império Otomano) por parte de Catarina a Grande. É lógico que a Rússia quer garantir a integridade física dos russos na Criméia, igual que há preocupação pelas armas que o estado russo tem lá e não quer que sejam roubadas pelos neonazistas.

9. Uns milhares de soldados ucranianos passaram para o lado dos russos. Mas as tropas da Ucrânia se concentram perto da Criméia, dirigidas não pelos militares senão pelos comissários da junta, cobertos segundo certas informações pelos mercenários das empresas militares privadas dos EUA, como Xe Services LLC (ex Blackwater). Segundo os trabalhadores do aeroporto de Kiev "Boríspol" as reservas de ouro da Ucrânia ja são trasladadas para os EUA.

10. A melhor saída da crise ucraniana poderia ser criação de uma federação ou até confederação da Ucrânia para salvar as diferenças étnicas, culturais e religiosas. Mas isso é pouco provável porque o Ocidente quer comer a Ucrânia ante todo economicamente e inclui-la em seu lebensraum, da mesma forma com que Hitler tentou fazer durante a Segunda Guerra Mundial.

De qualquer modo os recursos económicos da RSSU (Ucrânia Soviética) têm sido acabados durante os últimos 20 anos e o estadismo russofóbico ucraniano demostrou uma vez mais sua incapacidade político-económica.

Uns links que podem ajudar: