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среда, 20 апреля 2016 г.

Rússia: a terra separatista

<em meados do século XVIII> no tempo de paz o transporte de cargas de Arcangelsk para Londres pelo mar era mais rápido e econômico que de Arcangelsk para Moscou pela terra < O rei da Inglaterra Jaime I valorizou tanto esta região, que em 1612-1613, quando as tropas da Polônia e cossacos tomaram Moscou, ele até analisava a possibilidade da colonização direita de Arkhangelsk (Dunning 1989; Kagarlitski 2003)>. No tempo de guerra as cargas militares eram transportadas de Gibraltar para Balaclava mais rápido que de Moscou para Crimeia <A guerra da Crimeia, Inglaterra/Francia/Turquia vs Rússia>.

No início do século XIX fornecer as cargas para as bases russas no Alasca era 2-4 vezes mais econômico pelos 3 oceanos do que pela Sibéria. Além disso, pelos oceanos era mais seguro. Dessa forma, com a circunavegação de São Petersburgo ou Odessa, o Império Russo abastecia de trigo e azeite a América Russa.

O transporte de peles do Alasca para a China pela Sibéria demorava 2 anos; os navios americanos transportavam as peles em 5 meses.

Tecnicamente e psicologicamente a Índia estava mais perto de Londres do que muitas províncias do Ímperio Russo de São Petersburgo.

Os oceanos conectavam, quando a terra separava.

No mar haviam inimigos e piratas, mas não haviam súbditos. Estes últimos são povos estranhos, descontentes ou rebeldes que precisavam ser pacificados, estudados, trasladados, ilustrados, fiscalizados e recrutados pelo governo, que possuia a responsabilidade sobre eles perante o mundo.

Um fragmento do ensaio de Alexandr Etkind.

вторник, 27 октября 2015 г.

Como os russos nos vestimos para o inverno

Somos um país do inverno, quando tudo está colorido branco e preto, o ar é puro, as curvas femininas estão escondidas pelos abrigos de pele, não se pode ver as formas das pessoas, sómente os olhos. Você consegui imaginar isso? Milhares de rostros lindos navegando sobre a neve! Os turistas deveriam visitar a Rússia só pelos invernos!

Mas o inverno é frio. Atenção: o frio é diferente. As temperaturas no Norte da Sibéria chegam até -50 graus, esse frio até destrói o esmalte dos dentes. Por isso a maior parte do povo mora no "Sul": entre Paralelo 70 N e Paralelo 50 N. 

É absurdo comparar a Rússia com o Canadá: 97% da população do Canadá mora ao Sul na Latitude 55 N (a mesma de Moscou). Enquando a Rússia tem 9 cidades com mais de 1 milhão de pessoas ao Norte da Latitude 55 N (sem falar de 7 cidades, onde moram mais de 500 mil habitantes, também localizadas à cima da latitude de 55 N).

O frio da Sibéria, geralmente, é um pouco mais seco que na parte central. Faz menos de 30°, mas ao mesmo tempo faz sol e é muito alegre. O frio de Moscou é úmido. Quero dizer que embora que faça entre menos 5 e menos 10, pelo efeito da umidade e também pelo vento, o inverno de Moscou é bastante frio. Pessoalmente prefiro o frio da Sibéria.

O inverno é lindo, mas o inverno nunca foi aliado da Rússia. Os mongóis atacavam nos invernos, quando os rios congelados viravam rodovias perfeitas. Os nazistas também continuaram seu avanço durante o inverno (depois de uma pausa no outono, quando tanto os nazistas como os russos ficamos paralizados pela lama das rodovias). Meus caros amigos, o mito sobre General Inverno é tão popular no Ocidente sómente para justificar os fracassos terríveis dos agressores: para dizer que não foram os russos que venceram, senão um tal General Inverno... Kkkkkkk. Como se os europeus dirigidos por Napoleão ou por Hitler fossem tão idiotas que não sabiam que na Rússia faz frio. É ridículo. 

Nós russos não somos extraterrestres, cada novo inverno é como a primeira vez. Nunca estamos preparados 100%. Sofremos por causa do frio igual as outras pessoas. Sómente temos que gastar muitos recursos para aquecer nossas moradias, fábricas, estábulos de animais (por isso centralizamos a calefacção, que foi um êxito reconhecido mundialmente).  Temos que comer bem para caminhar pela neve até o carro/ônibus/trolley/bonde/metrô. Temos que trocar os pneus dos carros para o inverno, etc.

E também temos que gastar dinheiro para comprar um conjunto de roupas de inverno!

As roupas de inverno não produzem calor, mas elas ajudam a conservar melhor o calor do nosso corpo. Não importa qual temperatura faz "fora de seu corpo": -1 ou -30, a tarefa da roupa é conservar seus 36 graus. Usamos o mesmo casaco para -10 e para -30. Mas é importante ter várias camadas de roupa, para que o efeito de termo seja melhor. Quanto mais frio faz, mais camadas de roupa usamos:

1) roupa térmica
2) calças ou saias de lã, veludo ou outro material denso, "quente" e a prova de vento, calças de esporte de inverno
3) suéter/agasalho
4) casaco com capuz de inverno (este casaco deve ter de isolamento de algodão grosso/pena de ganso/fluff artificial, etc.)
5) chapéu de inverno (pele ou qualquer outro isolamento)
6) botas impermeáveis de inverno (pele ou qualquer outro isolamento)
7) cachecol e luvas

Você pode comprar a roupa de inverno num shopping russo indo em taxi de aeroporto justo para este shopping. E se você não vai ficar na Rússia por muito tempo, você pode comprar a roupa de inverno numa loja de uniformes (para os operários) - esta roupa de inverno não é muito linda, mas é boa e barata. A melhor opção seria emprestar esta roupa de algum amigo.

Como diz um provérbio russo: "Um Sibériano não é uma pessoa que não sente frio, mas que sabe como se vestir bem".


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четверг, 1 октября 2015 г.

"Modelo russo da gerência"

Já se sabe bastante sobre os ciclos de desenvolvimento: são best selleres mundiais as obras de Broudel e Arrigi. Também é famoso e muito citado o economista russo Kondrátiev com seus “ciclos econômicos largos”. Neste blog nós apresentamos antes as teorias geniais de cliodinâmica (história matematizada) de Serguei Nefiódov e Andrei Turchin e geralmente escrevemos muito sobre o ciclismo da história russa.

Hoje lhes queremos ofereçer uma revisão do livro de Alexandr Prójorov “Modelo russo da gerência”. Este ensaio bastante superficial foi republicado na Rússia 10 vezes (!) e a interpretação de Alexandr Prójorov esta virando uma moda igual à interpretação vulgar do desenvolvimento da cultura russa de Andrei Paperni. O modelo de Alexandr Prójorov esta fundamentado em 2 fatores:

1) o fator climático

A Rússia é um dos países mais frios do mundo, por isso a idiotia milhenar da vida de camponeses russos gerou 2 regimes de trabalho: a mobilização radical de verão (3 meses) e a estagnação de inverno (6 meses). O trabalho de verão é tão duro, que 80% de bebês nascidos no verão morriam, diz Alexandr Prójorov num video. As mães não tinham nem tempo nem leite para sustentar estas crianças. O verão requer uma mobilização de todos os recursos para um período curto: a gente demonstra os milagros de trabalho COLETIVO 24 horas por dia.


Assim, o modelo russo da gerência regeita as relações de concorrência, como "um luxo que exige grandes recursos". À primeira vista tal modelo virou uma norma por causa da pobreza e ameaça permanente de guerra.

"...É certo que a concorrência conduz para uma atividade cada vez mais efetiva, mas a cada momento concreto ela não deixa usar os recursos dados completamente... Em contrapartida, a luta de concorrência temporariamente retira uma parte de recursos de circulação".

Durante as guerras feudais as tropas sofrem perdas de homens, que poderiam ser usados em proveito do Estado; a concorrência descontrolada de latifundiários pela mão de obra leva à desapropriação das terras dos proprietários fracassados; a ruína dos camponeses, que trabalham mal, reduz a quantidade dos contribuintes; a ausência do planejamento centralizado provoca subutilização da capacidade de proudção de muitas fábricas, etc.

Não por acaso, nas condições da guerra ou crise até os países de mercado ativamente estatizam suas economias. E a Rússia quando não está em crise, está na guerra, é lógico, que nossa economia seja mais estatal do que de mercado, não tivemos recursos para nos permitir o luxo de mercado.

Êxitos do modelo russo da gerência:

- evacuação de emergência da indústria para os Urais e para a parte Asiática durante a Grande Guerra Patriótica contra a Europa de Hitler.

- a mobilização de Pedro I permitiu em 1705 aumentar os gastos militares em até 96% das rendas do país (para ganhar a guerra contra a Suécia).

- Ivão, o Severo para a Guerra de Livônia conseguiu crear o maior exército de Europa num dos países mais pobres. 

No entanto o fator climático não é tão fundamental como parece à primeira vista... O fator da tradição administrativa também é muito importante.

2) tradição administrativa

O Ocidente cresceu à base do feudalismo do imperio franco de Carlo Magno, - diz Alexadr Prójorov, quando Carlo Magno conquistou um território desenvolvido já, cristianizado e obediente à lei. Por isso sua administração é caracterizada pela descentralização em cima da sociedade e pela centralização ao nível local. A tradição administrativa na Rússia (anarquista, policonfessional, multiétnica) foi bem diferente.

«Os súditos pagavam os impostos só no caso da ameaça direta do uso da força militar».

Poliudie requer a necessidade da centralização superior em cima da sociedade, quando ao nível local os clasters da sociedade russa são bastante autônomos.

O triufo histórico da centralização estatal é provado pelos resultados da competência entra a Lituânia/Polonia e a Rússia, - resume Alexandr Prójorov.

P.S.

É interessante que o balançe de mobilização e estagnação também seja próprio para o Egito Antigo (czaratos e distúrbios), a China Antiga (imperios e zhànguó, períodos dos reinos combatientes), a Roma (dualidade entre império e república), a Europa Medival (imperio de Carlo Magno e reinos bárbaros). 

Mas onde a Rússia (Ásia) se separou do Ocidente? Alexandr Prójorov não dá resposta... Conforme o autor a Rússia é condenada à oscilação entre as mobilizações (totalitarismo, estalinismo, pedrograndismo, ivanoseverismo, etc.) e estagnações (sabotagem popular contra o grupo governante: corrupção, apoio passivo de golpes palacianos, etc.).

Geralmente o ensaio de Alexandr Prójorov tem um carater abertamente russofóbico e antissoviético, embora em suas palestras públicas o autor sempre sublinhe que, se nosso estado conseguiu viver 1100 anos, isso quer dizer que nosso modelo ainda é adequado. 

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воскресенье, 6 сентября 2015 г.

Se era melhor a vida na época da URSS ou hoje?

russofobia na arte contemporânea
Com frequência recebemos a mesma pergunta, se era melhor a vida na época da URSS ou hoje?

Claro que é uma pergunta pouco razoável: o mundo está mudando constantemente, aparecem coisas que antes simplesmente não havia nem na URSS, nem em nenhum lugar: a internet, telefonia móvel, inovações tecnológicas na conservação de alimentos o que permite consumir durante o inverno os produtos do verão, etc. São coisas rotineiras que antes não existiam não somente na URSS, mas em nenhum lugar. O turismo como um fenômeno novo, motivado pelo surgimento da classe média nos países pereféricos. Tudo isso: a internet, telefonia móvel, supermercados enormes, turismo latino e chinês, etc. viria sem dúvida à URSS iguais aos que vieram à Rússia atual, como vieram estas coisas à China.

A diferença entre a URSS e a China é que a URSS quebrou e está sangrando e a China ainda segue crescendo.

Tenho 33 anos, tenho minha experiência pessoal de vida na Rússia atual, posso sentir a vida com minha pele (sou da Siberia, morei em diferentes cidades, ultimamente vivo em Moscou), e além disso tive muitas conversas com meus pais, tios, avôs, com pessoas de diferentes regiões da Rússia, com meus chefes, meus empregados, com estrangeiros que moraram na URSS, etc. E minha conclusão é que o nível de sofrimento na Rússia atual é muito maior que na época da URSS.

Como intelectual tenho acesso às estatísticas e para mim é obvio que o consumo de qualquer coisa, incluindo a liberdade, na Rússia atual caiu igual à expectativa de vida dos russos.

Qualquer pessoa que protagoniza em público com as cagadas anti-soviéticas simplesmente quer dizer que não sabe muito, que não tem nem cérebro, nem coração, que está influenciada pela imprensa amarela, que está manipulada pela gente que está satanizando o período soviético e procura legitimar a atualidade. São burros que dão pontapé em leão morto. O próximo passo depoís de chegar até o antisovietismo é uma russofobia absoluta: "não somente o período soviético era uma desviação civilizatoria, senão toda a história da Rússia é um erro".

Mas ao mesmo tempo eu reconheço que a autocrítica exagerada ou com outras palavras o "autocagadismo" não é só um fenômeno típico russo. Acaso não é um "mainstream" entre os intelectuais estadunidenses dizer que os EUA são uma tumba da Europa e pelo estilo. Os mesmos europeus enterram sua Europa a cada século...

Estou lendo o ensaio de Susan Sontag sobre a fotografia: a autora entre outros exemplos pôs a obra de Michael Lesy sobre a vida rural nos EUA nos anos 1890-1910 - Wisconsin Death Trip (1973): os EUA de Lesy estão cheios de indivíduos, prontos a se enforcar nos estábulos, jogar as crianças nos poços, decapitar as suas mulheres, queimar as colheitas dos vizinhos - o país perdeu a sanidade mental não no Vietnã, mas uns 50 anos antes...

É uma noticia ruim para nossos liberais - o Ocidente não é um modelo a seguir, as coisas são muito mais complicadas.

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вторник, 3 февраля 2015 г.

Eterno retorno de stalinismo

Vocês acham que Putin se parece com Stalin?
O alvo do Ocidente no teatro de operações na Ucrânia é a mudança do regime em Moscou e como consequência o congelamento dos projetos russos da União Aduaneira/União Econômica Eurasiática. Também é importante moderar BRICS/OCX, que desafiam a hegemonia dos EUA.

Para atingir esse objetivo, de um lado, o Ocidente está interessado na escalada da guerra civil na Ucrânia (ajuda militar e financeira para Kiev) - assim, se consegue polarizar a sociedade russa. De outro lado, o Ocidente proclama uma guerra econômica contra a Rússia (sanções) - assim, se ativa o cisma das elites russas.

O cisma da sociedade e a das elites nas condições do déficit de recursos deve levar a Rússia para uma decadência (no pior dos casos: desastre da guerra civil e desmoronamento).

1. O cisma da sociedade

Não é suficiente que o Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) junto com os cossacos disfarçados passe para o lado da oposição neoliberal (Navalniï/Khodorkovskiï). Também é necessária uma cena de multidão para os canais tipo CNN. Quem não veio para a Praça de Pântano em 2012 [1]? Quem não veio para a Praça de Manezh em 2010 [2]?

Para ativar esta galera se lançam os memes como "sovok", "horda", "basta de dar de comer ao Cáucaso" (em Moscou), "basta de dar de comer a Moscou" (fora de Moscou).

O cisma da sociedade se realiza:

- por via ideológica ("sovok/horda" vs "liberais/europeus")

- por via territorial (Moscou, as repúblicas étnicas, Sibéria [3])

A degradação intelectual pós-soviética só fomenta o crescimento do ódio mútuo e a radicalização da sociedade.

Por exemplo, um "cidadão irritado" publica em seu Facebook uma foto das portas a um pequeno parque memorial, dedicado ao dia 9 de Maio. As portas estão pintadas como a bandeira da URSS e a bandeira da Rússia. O "cidadão alerta" escreve vincadamente em inglês: "Back to the Future!" Seus amigos lhe respondem em comentários: "Há de disparar uma metralhadora contra essa bosta!".

Ou uma jovem nos informa sobre a apertura de uma exposição dedicada a Lenin "Mito de nosso líder amado" e sugere para os "iniciados": "Vocês sentem os cheiros de..."?

Ao mesmo tempo, se para os liberais "tudo está claro", os patriotas estão confundidos: "Cheiros de que? Qual re-sovietização? Onde vocês vêm o retorno de stalinismo? Na política do Banco Central? Nas reuniões ultraliberais do Fórum de Gaidar? E as privatarias contínuas de tudo - isso também é o retorno de stalinismo?".

1.1 Meme do eterno retorno de stalinismo 


Os patriotas perguntam: "Vocês acreditam seriamente que os numerosos monumentos dos últimos anos a Stolypin (primeiro ministro de Nikolaï II), Alexandr I (tsar, famoso por seu liberalismo), Brodskiï (poeta dissidente), Kolchak (líder do Exército Branco), até temos um monumento ao iPhone - sério vocês acham que tudo isso é "sovok" e "eterno retorno de stalinismo"?


Os liberais mais astutos respondem que "sim". "Stalinismo" em dado caso já não tem a ver com a URSS, o stalinismo é "tudo, que tem a ver com a história do estado na Rússia". A própria visão historicista já é um elemento de stalinismo! O culturólogo Vladimir Paperniï para explicar este fenômeno desenhou o modelo da oposição "Cultura 1 vs Cultura 2".

Conforme ao "preconceito" de Paperniï toda a história da Rússia é um círculo vicioso formado por 2 ciclos. Um ciclo é "criativo", orientado para o Ocidente, chamado "Сultura1". E outro ciclo é "obscurantista", orientado para o Oriente, chamado "Cultura 2".

Cultura 1
Cultura 2
A Rus’ de Kiev e de Novgorod
A Rus’ de Vladimir e de Moscou
Danylo da Galícia
Aleksandr Nevskiï
Ivã III
Ivã IV (o Severo)
Tempo de Dificuldades e Cisma da Igreja Ortodoxa Russa em XVII
Tsar Alekseï Mikhailovich, patriarca Nikon, Pedro I (?)
Aleksandr I
Nikolaï I
Aleksandr II
Aleksandr III
Lenin e os vanguardistas
Stalin e os realistas socialistas
Krushchov e o "Degelo"
Brezhnev e a "Estagnação"
Yéltsin
Putin

A Cultura 1 está caracterizada pelo cosmopolitismo, democracia, "criatividade", espalhamento, horizontalidade, futurismo, etc. A Cultura 2 está condenada ao chauvinismo, autocracia, "imitação", solidificação, verticalidade, historicismo, etc. 

Prestemos atenção que este conceito maniqueísta é extremamente eurocentrista, os fãs de tais oposições binárias passam por cima do fato que a Rússia sempre está nas condições de uma competição/guerra com o Ocidente e Oriente. Eles gostam das palavras "Nossa cultura se desenvolve através dos traços rápidos sob fogo do inimigo". Mas nem lhes passa pela cabeça a ideia, que este fogo pode ser dos Khazares, Cumanos, Cavaleiros teutônicos, Mongóis, Tártaros, Turcos, Polacos, Lituanos, Suecos, Japoneses, Europa de Napoleão ou Europa de Hitler. Eles em sério acham que a gente russa se autodispara mesmo (no Leste da Ucrânia são os milicianos os que bombardeiam suas cidades!). 

O público russo já esta tão acostumado ao modo de pensar maniqueísta (eslavófilos e ocidentalistas, mencheviques e bolcheviques, troskos e stalinistas, liberais e "siloviki", Cultura 1 e Cultura 2), que não faz sentido de republicar 4 vez na Rússia o livro de V.Paperniï [4]. 

Ironicamente este modo de pensar maniqueísta não é nem europeu/hegeliano/moderno. Ele não aceita nenhum projeto do desenvolvimento positivo da Rússia, ele condena aos intelectuais-maniqueístas a uma síndrome do pânico e suicídio. Assim, o dissidente esquizofrénico Yakov Krótov chega até sonhar com que Putin pode realizar um ataque nuclear contra a Rússia mesma! A Rússia como a conhecemos tem que ser destruída ou integrada à Europa Católica, República das Duas Nações, Terceiro Reich ou OTAN. 

Para entender a lógica da oposição russa temos que nos pôr no lugar de um dissidente-maniqueísta que vê o mundo com a óptica da luta entre a Cultura 1 e a Cultura 2. Neste caso "em sério" vamos descobrir, que o estalinismo/Mal/Cultura 2 estão presentes na Rússia moderna por todas partes: 

- Em 2000 foi devolvida a música do hino da URSS para o hino da Rússia; 

- Em 2000-2003 foi devolvida a bandeira vermelha para as Forças Armadas da Rússia (desde 2003 na bandeira vermelha aparece uma imagem da águia bicéfala, acompanhada pelas estrelas de cinco pontas); 

- Em 2003 foi inaugurado o arranha-céus neoestalinista "Triumph Palace", neoclássica outra vez vira uma moda; 

- Os antigos brands soviéticos cada vez são mais presentes (até as companhias estrangeiras marcam seus produtos com os brands da URSS, porque assim os compradores tem mais confiança: o soviético quer dizer de ótima qualidade); 

- Por toda a parte aparecem os pequenos museus (privados!) da nostalgia soviética. Há rumores da organização de um Instituto ou Museu da URSS em Uliánovsk; 

- O governo acentua seu apoio à maternidade desde 2007; 

- Em 2010 o novo prefeito de Moscou qualificou o projeto de Moscow-City como um erro urbanístico (Moscow City é um macaqueamento de Manhattan, o símbolo principal da Rússia neoliberal, o projeto prima da época de Yéltsin, cuja família é proprietária da metade da obra); 

- Em 2012 para a festa do Dia 9 de Maio Moscou foi decorado com as bandeiras vermelhas da Vitória; 

- No cinema russo o grado tradicional de antisovietismo baixa quase até zero ("Fortaleza de Brest", "Leyenda 17", "Gagarin, o primeiro no espaço", etc.); 

- Em 2013 foi devolvido o uniforme obrigatório para os alunos de escolas; 

- Em 2013 foi proibida a propaganda LGBT; 

- Em 2013 foi restaurada a homenagem de "Herói de Trabalho" 

- Restauração dos parques públicos: Gorki, Sokólniki, VDNKh. Construção do Parque Zariadie perto do Kremlin; 

- Cerimônia da apertura das Olimpíadas em Sochi em 2014 

- Restauração de 2 pavilhões na expo VDNKh para seu aniversário de 75 anos em 2014 (também foi devolvido o nome soviético VDNKh à expo, que na época dos 90 tinha outro nome, ninguém lembra qual). 

- Folclorização da cultura POP: Igor Rasteriaev, Alexandr F. Skliar, Vovós de Buranovo. Atualização do escritor nacional-bolchevique Eduard Limónov, a popularidade do presidente da Chechênia Ramzan Kadýrov (Limónov e Kadýrov são o "Id" do povo russo); 

- O interesse para todo o soviético vira um mainstream, igual ao culto quase oficial dos Romanov: são muito exitosas as exposições "Desenho Soviético", "Vênus Soviética", "Mito do líder amado", "Infância Soviética", etc.;

Putin como Alexandr III
Mas estas coisas, que mencionamos acima são só características formais do "stalinismo eterno". Ao nível de conteúdo o stalinismo volta como um "cesaropapismo" - lhes diriam os intelectuais liberais, queixando-se das "relações" entre a Administração de Presidente e a Igreja Ortodoxa Russa. A formação da "nova aristocracia" também é uma característica de "stalinismo" para os liberais, que não vem diferencia nenhuma entre o gerente de Stalin L.Kaganovich [5] e o gerente de Pútin R.Abramovich (famoso mundialmente). A confrontação com o Império de Bem (Ocidente) também é um dos sinais mais claros de "stalinismo". 




Claro, que para a esquerda ou aquelas pessoas que ainda lembram-se do passado soviético tudo isto é um ultraje. Obviamente as formas soviéticas que "voltam" já tem um conteúdo totalmente antissoviético. Trata-se do stalinismo que será o último refúgio de canalhas. O uniforme escolar na URSS sublinhava a importância social dos estudos, quando hoje na Rússia o uniforme escolar só deve mascarar a desigualdade terrível de rendas dos pais das crianças. Embora que os diretores ultimamente acudam ao ambiente soviético para suas series e filmes, eles obrigatoriamente continuam desmascarando os "crimes de stalinismo" (às vezes eles chegam até a escala épica da bobagem como o diretor mais famoso da Rússia Nikita Mikhalkov, vencedor de Óscar e um putinoide exagerado) [6]. A mesma Igreja Ortodoxa Russa parece que a única coisa que faz é lembrar aos russos sobre os "crimes" de Stalin e "perseguição da Igreja" na URSS. A alardeada restauração do Parque Gorki o fez inacessível para os Veteranos de Trabalho de todos os tempos (pelos preços de tudo dentro do parque).

Mesmo assim, achamos que há um elemento de verdade na ideia do "retorno do stalinismo". Perguntamos a um jovem designer de roupa, porque ele não quer ir embora da Rússia, se o centro do mundo para ele é Paris e "na Rússia não inventaram nada de nada". Ele responde que justamente agora ele começou se sentir em casa na Rússia. Putin para ele é um político absolutamente europeu, que morou a metade da sua vida na Alemanha e conhece a tradição europeia. Por que até a gente eurocentrista, embora na crise econômica, se sente justamente agora 'como em casa'? 
Medvedev como Nikolai II

Claro que não há retorno nenhum de stalinismo, senão do estado. Nos termos da teoria demógrafica-estrutural [7.] vivemos a fase da "reação tradicionalista" que segue depois da fase da crise/inovação e antes da fase da síntese. O retorno das formas soviéticas com conteúdo antisoviético - é uma reação tradicionalista à catástrofe dos anos 90. A superação do antissovietismo, que estamos esperando tanto na Rússia, poderia ser uma sinal de aproximação da fase da síntese. 

É interessante como está mudando a postura do Patriarca Kirill: há pouco, ele reconheceu a façanha de Zoia Kosmodemianskaya, que era uma mártir da luta da URSS contra a Europa Fascista. Se antes a Igreja Ortodoxa Russa repetia todos os dias as besteiras antissoviéticas do tipo: "Se Lenin pudesse se benzer, ele desapareceria como um diabo acabado", hoje a Igreja descobre na experiencia soviética aos mártires e o lado positivo do projeto da URSS! 

O problema é que a oposição maniqueísta não procura nenhuma "síntese". Daí vêm a alegria e a inveja pelo motivo de "Leninemoto" na Ucrânia durante os últimos anos (depois da revolução colorida em 2004 e hoje depois do golpe de 2014). Cada vez na Rússia são mais audíveis as palavras: Talvez Hitler não fosse tão ruim para a gente... O Maidan de Kiev atrai aos "revolucionários" que se auto-identificam com a "Cultura 1": Maidan como o triunfo da arcaização, pocilga no centro duma cidade europeia, liberdade desenfrenada de niilismo. Como disse o escritor satírico neoliberal Mijail Zhvanetski: "Há de achatar a Rússia...". 

Neste sentido o caso escandaloso das Pussy Riot (ao pé das letras "a rebelião da vagina") pode ser interpretado como uma rebelião de buraco da piscina "Moscou" [8.] contra o Templo de Cristo Salvador e contra o Palaço dos Soviets que deveria ser construido aí nos anos 30. A oposição insiste: o Templo tem que ser explodido! O Palaço dos Soviets nunca deve ser construido! Precisamos da piscina, do "espalhamento, horizontalidade, futurismo"! 


1.2 A superação do cisma


Achamos que o governo deve satisfazer esta demanda! Vocês precisam de "espalhamento" - aqui tem a automovilização dos últimos anos. Aqui tem a terra de graça no Oriente Extremo (o governo ofereceu 1 hectare por pessoa no Oriente Extremo de graça para frear a despovoação da região). A cidade de Moscou está se espalhando a cada dia - administrativamente absorvendo as terras da região de Moscou e de outras regiões. As cidades se conectam com as vias férreas de trens de alta velocidade. O governo joga os ministérios federais fora de Moscou - para o Oriente Extremo. O tema de mudança de capital também surge periodicamente. A Terceira Roma deve ser espalhada por toda a Rússia: vemos, que por todas partes se construem os Coliseus das Universíadas, Olimpíadas e Campeonatos. 

Nas condições da crises e compressão demográfica para evitar a catástrofe o grupo governante precisa da redistribuição dos recursos das elites para o povo e claro que há de se relacionar com a toda a delicadeza com nossa oposição doida de maniqueísmo. 

O compromisso, síntese entre a Cultura 1 e a Cultura 2 na situação atual ao nível dos símbolos poderia ser a mudança da capital para o Oriente Extremo, precisamente para a cidade Svobodni (ao pé das letras: Livre), onde se constroi o novo cosmódromo russo. Assim, as ideias originais russas do século XX, como o cosmismo ecológico e vanguardismo soviético poderiam se combinar com a necessidade prática da Rússia de desenvolvimento do Oriente Extremo e da Sibéria, refugio seguro dos russos no caso da repetição de "Drang nah Osten". 

Notas:

1. Os distúrbios protagonizados pela oposição neoliberal em 2012; 

2. Os distúrbios protagonizados pelos radicais da direita em 2010; 

3. O separatismo da Sibéria potencialmente pode virar um problema, porque a reorientação da Rússia para a China faz menos importante o papel centralizador de Moscou (orientado para a Europa); 

4. É interessante que o autor entendeu que seu conceito é bastante primitivo e até intentou escrever um ensaio "Cultura 3", mas ninguém se importa. 

5. Kaganovich foi super-efetivo, responsável por muitos projetos da infraestrutura soviética nos anos 30-40, depois de golpe de Krushchov foi expulso de poder e morreu em 1991 depois de ter passado 34 anos como um simples moscovita, era campeão de bairro de dominó, morava entre a gente normal. Achamos que hoje é impossível imaginar a nenhum político de mundo repetir tal biografia depois de ir embora de poder.

6. Como na época de Stalin no período de Putin surge o interesse ao tempo de Ivã IV, criador do imperio russo. Aparecem o livro "Um dia de oprichnik" de Vladímir Sorókin (2006) e o filme "Tzar" de Pavel Lungin (2009). Mas há muita diferença entre a obra genial de Serguei Eisenshtein, que analiza o mito de estado, e éstas sátiras vulgares, que impõem o mito liberal da Rússia.

7. A teoria demográfica-estrutural analisa as relações entre o grupo governante, as elites e o povo no marco dos ciclos econômicos e demográficos: crescimento, compressão, catástrofe, considerando também a difusão tecnológica e as agressões mútuas pela causa de expansão na busca de novos recursos. 

8. O templo de Cristo Salvador original foi explodido na época da revolução para constuir no centro de Moscou o Palácio dos Sovietes, o projeto ciclópico que foi parado pela Grande Guerra Pátria. Depois da morte de Stalin, Krushchov em lugar do Palácio dos Sovietes construiu uma piscina - a piscina "Moscou", que funcionava até os anos 90, quando foi restaurado o Templo de Cristo Salvador. 

Editado por Eduardo Consolo dos Santos e http://lang-8.com/

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суббота, 24 января 2015 г.

Sobre os meios russos em português


Como há pouca informação confiável sobre a Rússia em português, os meios de comunicação estatais da Rússia acabam sendo quase as únicas fontes. Ao mesmo tempo, os leitores às vezes ficam surpreendidos, lendo as páginas da Gazeta Russa ou Voz da Rússia, cujos textos com freqüência estão envenenados pela clássica russofobia.

Por exemplo, a Gazeta Russa (jornal estatal financiado pelo estado russo para promover a imagem positiva da Rússia!) constantemente copia os textos do Moscow Times - um jornal holandês, editado em inglês para os estrangeiros que moram em Moscou. A Gazeta Russa simplesmente traduz os textos sarcásticos contra a Rússia do Moscow Times e os publica com o dinheiro do estado russo! A Gazeta Russa chega até a re-publicar os textos dos meios extremistas, suspendidos na Rússia, como grani.ru

Registro este absurdo, monitorando também os materiais da emissora Voz da Rússia, onde trabalham uns "especialistas" estrangeiros que dedicaram toda sua vida ao incitamento do ódio contra a Rússia (mantendo os mitos negros de Holodomor, Gulag, etc.). Este trabalho da quinta coluna só é possível graças ao caos administrativo nas estruturas midiáticas do estado russo: não há nenhum controle sobre os redatores das páginas em línguas estrangeiras, porque os chefes não sabem tantas línguas para ler seus artigos e também porque os chefes põem os redatores incompetentes em seus lugares (só via à corrupção e não através do seu profissionalismo).

Além disso, admito, também, que os textos russofóbicos nos meios de comunicação estatais da Rússia refletem a esquizofrenia da elite russa, até agora composta tanto pelos estadistas pro BRICS/OCX como pelos liberais pro Consenso de Washington. Quero dizer que é possível que os chefes responsáveis pela informação amarela contra Rússia nos meios de comunição da Rússia aprovem tal trabalho de seus jornalistas. Em qualquer caso, eles devem responder por sua atividade subversiva perante a lei.

вторник, 29 июля 2014 г.

As guerras civis não se acabam

As guerras civis não se acabam. Pode se dizer que a guerra civil russa de 1918 a 1922 se prolongou até o período das purgas dos anos 30 e logo se transformou na Grande Guerra Patriótica (uma parte dos brancos voltou, apoiando os nazistas). Com a queda da URSS o movimento branco foi reabilitado e virou bastante atual para a nova ideologia da Rússia neoliberal. Não obstante, esperamos que o povo russo consiga sintetizar os extremos dos brancos e vermelhos, embora seja muito complicado.

O conflito no Sudeste da Ucrânia não é menos perigoso do que a guerra civil do início de século XX.


Que perspectivas tem a guerra civil na Ucrânia?


Opcão A) Novoróssia [1.]

A encarnação da ideia do novo estado chamado Novoróssia. Para isso a rebelião de Donetsk e Lugansk tem que se expandir até as cidades chave como Odessa, Dnepropetrosk e Kharkov, onde a oposição política pró-Rússia foi exterminada pela inteligência de Kiev. Ao mesmo tempo vemos que até a liberdade para Donetsk e Lugansk custa muito. Para garantir a independência das repúblicas por agora autoproclamadas é necessâria a ajuda da Rússia: não se pode guerrear contra a artilharia pesada e os aviões de Kiev com os AK-47.

Então para realizar o sono da Novoróssia:

- precisamos de ajuda decisiva da Rússia: aviões, tanques, sistemas de DAA.
- precisamos da queda do governo pouco legítimo de Kiev, aliás, precisamos de um novo "Maidan" no contexto da degradação da economia ucraniana pela causa da "euro-integração" e destruição do claster industrial no Leste. O extermínio das povoações pacíficas no Leste da Ucrânia com o exército, mandado por Kiev, deve reduzir a legitimidade do governo fantoche de Kiev aos olhos das elites europeias.

Opção B) Prolongamento do conflito

Ela pode ser benéfica para o governo de Kiev, como justificativa do declínio nos padrões de vida. Também a prolongação é benéfica para a Rússia, porque de tal jeito a Rússia desapaixona aos radicais de Kiev na relação de uma possível agressão contra a Crimeia recém-reintegrada a Rússia.

Opção C) Traição da Novoróssia e reconhecimento da Crimeia

O rechaço da ideia da Novoróssia pode ser feito por Moscou a troca do status neutro da Ucránia e reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia. Em certo sentido o projeto da Novoróssia é também perigoso para Moscou, não esqueçamos que o termo "a primavera russa" tem as origens estadunidenses (as demais primaveras dos últimos anos beneficiaram só aos EUA, nesse sentido o Kremlin tem medo da Novoróssia que não somente reconquista os territórios pro-Rússia de Kiev infectado pelo neonazismo, senão também pode virar uma base para a futura reconquista da Rússia dos oligarcas que seguem roubando o país [2.]). Faz pouco tempo "uma das torres" do Kremlin mandou a Novoróssia a um politólogo muito famoso na Rússia para difamar os heróis da resistência anti-Kiev e para semear as dúvidas entre os milicianos: assim, uma parte da elite russa manifestou seu medo de que a Novoróssia pode virar um "Maidan russo". Esse gesto de uma das torres do Kremlin foi muito animador para a quinta coluna na Rússia igual que para as elites ocidentais [3].

Opção D) Traição da Novoróssia e uma guerra pela Crimeia

Ultimamente na Rússia costumamos lembrar das palavras de Churchill dirigidas a Chamberlain depois do Munique: "Deveis escolher entre a vergonha e a guerra: escolhestes a vergonha e tereis a guerra". Assim o plano C) "Traição da Novoróssia" não leva diretamente ao reconhecimento da Crimeia, porque as palavras dos lideres da Ucrânia não custam nada, porque eles não mandam no seu país, ali manda o Serviço da Segurança, sobre a oficina da qual esta vibrando a bandeira dos EUA.

A agressão da Ucrânia contra a Crimeia não pode ser ignorada pela Rússia como o projeto da Novoróssia, obviamente essa guerra aberta dos EUA contra a Rússia vai minar a economia russa e as posições do grupo governante em Kremlin.


É muito perigosa a etnização do conflito:


Na etnização do conflito estão interessados só os radicais nacionalistas da Ucrânia e uma parte dos radicais nacionalistas russos. Não é produtiva a pratica de chamar aos militares ucranianos "ucros": não todos de eles são "ucranianos puros" (uma minoria russofóbica da Galícia, cuja consciência foi desenhada ainda pelos polacos e austríacos entre os séculos XIV a XX), muitos dos militares ucranianos e dos radicais neonazistas ucranianos são russos. A maioria esmagadora do povo da Ucrânia fala russo, por isso a etnização do conflito é perigosa, ela pode levar a criação da nação ucraniana, que nunca existiu! Por isso a guerra civil na Ucrânia trabalha antes de tudo para os EUA e também é muito desejada pelo nacionalismo ucraniano.

Se antes do conflito os nacionalistas ucranianos na realidade sonhavam apenas com a separação da Galícia do resto da Ucrânia pró-Rússia, agora eles sonham com o controle sobre toda a Ucrânia e com a conquista das regiões do sul da Rússia, criando assim a "Grande Ucrânia" tão sonhada por eles (ou seja, uma Ucrânia do Vístula ao Don e do Dnieper ao Kuban, extensão essa idealizada pelo georgiano filonazista Mikhail Tsulukidze na obra "Die Ukraine", escrita em 1939)! Por isso, a guerra civil na Ucrânia não deve ser prolongada e não deve ser cruel.

O estilo gentil da reintegração da Crimeia deve ser o estandarte das forças pró-Rússia.

É necessária a desnacionalização do conflito na Ucrânia. Os nacionalistas de ambos os lados trabalham nos interesses dos EUA. Tanto os radicais da direita ucraniana, como os da direita russa acham que a vassalagem dos EUA é melhor do que o protetorado oligárquico de Moscou. "Se a elite de Moscou investe e conserva seu dinheiro no Ocidente, manda a suas famílias a viver no Ocidente, então para que precisamos de tal elite intermediadora? Para melhorar o nível de vida na Rússia temos que trabalhar com Ocidente direito, sem intermediadores-cleptomaníacos do Kremlin!" Por isso a vassalagem aos EUA é preferível aos olhos desses elementos. Por isso os nacionalistas ucranianos estão a favor da Maidan russofóbico e os nacionalistas russos estão a favor de Maidan em Moscou e ao mesmo tempo a favor dos direitos dos russos na Ucrânia e por todas partes.

Entretanto é óbvio o absurdo dessa situação quando os nacionalistas russos e os ucranianos se matam no Leste da Ucrânia lutando por relações de vassalagem com os EUA, cimentando seus nacionalismos étnicos com o sangue derramado!


Em busca da reconciliação


Todos nós nos damos conta da guerra de propagandas. Segundo a média ucraniana 47 ativistas pró-Rússia se autoincendiaram em Odessa e não foram queimados vivos pelos radicais neonazistas, muita gente morreu na praça central de Lugansk não no resultado de um bombardeio de avião do exército ucraniano senão porque se explodiu um ar acondicionado, etc. A média russa também não é 100% pura: por exemplo, faz pouco mostraram a uma mulher que afirmava ver como os radicais da Guardia Nacional da Ucrânia crucificaram a uma criança em Slaviansk (todos viram que a mulher era muito estressada e quase louca, mas o canal não deu nenhum comentârio, como se as afirmações da mulher fossem "Sapienti Sat"). Não comentamos aqui as bobagens legendárias da porta-voz de Departamento de Estado dos EUA Jen Pskai.

Mas queremos repetir que o estilo da Rússia deve ser sumamente gentil e impecâvel. A propaganda deve ser baseada nos princípios extra-étnicos: não se trata dos ucranianos ocidentais, fanáticos de colaboracionista de Hitler Stefan Bandera, que guerream contra os imperialistas russos. Se trata de um conflito interino entre os oligarcas de Donetsk e os de Dnepropetrovsk, amplificado pelos EUA até uma guerra civil pelos projetos de futuro desse territorio.

É necessário insistir que os ucranianos e os russos se não são um só povo, pelo menos são povos irmãos e não faz nenhum sentido a aniquilação mútua nos interesses dos oligarcas e os EUA. Os milicianos guerreiam pela independência da gente pró-Rússia, que historicamente não tem a ver com a "Ucrânia", eles guerreiam contra os oligarcas (seus exércitos privados, Guarda Nacional, formada pelos fanáticos neonazistas e o Exército Regular, que virou um refém coletivo da junta de Kiev).

A propaganda coerente pode ajudar a gente entender o sentido dessa guerra, mas os resultados dela dependem apenas do Kremlin e da Casa Branca.

Achamos que uma "revolução desde arriva" no Kremlin poderia neutralizar esse conflito na Ucrânia tão desvantajoso para a Rússia. O grupo governante deve passar para o lado do povo, chegou a hora de purgar as elites. Assim tanto os nacionalistas ucranianos como os russos perderiam seus argumentos. Enquanto no centro do "mundo russo" se encontra o iate de Abramovich, não faz sentido sonhar com o renascimento russo.

1. A Novorossiya, aliás, a Nova Rússia, é uma região do norte do Mar Negro, conquistada pela Rússia durante as guerras contra a Turquia no final do século XVIII, no reinado de Catarina a Grande (r. 1762 – 1796). Até agora são territórios da Ucrânia menos infectados pelo neonazismo ucraniano, mais pró-Rússia, são regiões mais industrializadas, que geram a maior parte do PIB da Ucrânia e ao mesmo tempo são as regiões mais marginalizadas e satanizadas pelas elites de Kiev durante os últimos 20 anos.

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/05/neonazistas-legitimados-na-ucrania.html

3. http://globalvoicesonline.org/2014/07/09/russias-armchair-warrior-turns-on-ukraines-rebel-leader/

суббота, 31 мая 2014 г.

os últimos Romanov seriam bolcheviques se não fossem os czares



Alexandr Mijáilovich, neto do czar Nicolai I e tio do czar Nicolai II (também foi marido da irmã de Nicolai II), chefe da Direcção da Flota Comercial do Imprio Russo nos anos 1902-1905:


"Ocorreu-me que embora eu não fosse um bolchevique, mas eu não podia concordar com meus parentes e conhecidos e de forma imprudente condenar tudo o que os Soviets fazem, só porque isso é feito pelos Soviets. Sem dúvidas eles mataram três dos meus irmãos, mas eles também salvaram a Rússia do destino de um vassalo dos aliados.

O tempo, quando eu os odiava e tinha muitas ganas de chegar até Lenin ou Trotskiï, passou, porque eu comecei obter as notícias sobre um e depois sobre outro passo construtivo do governo de Moscou e encontrei-me com o fato de que eu sussurrava: "Bravo!". 

Como todos os cristãos que "não são frios nem quentes" eu não conhecia outra forma de remediar o ódio, como inundá-lo em outro ódio, ainda mais ardente. Os polacos me ofereceram um objetivo conforme última opção.

Quando no início da primavera de 1920 vi as manchetes dos jornais franceses, anunciando uma procissão triunfante de Pilsudski sobre os campos de trigo da Maloróssia [1.], algo fraturou dentro de mim e eu esqueci sobre o fuzilamento de meus irmãos, ocorrido faz um ano. A única coisa que passava por minha cabeça foi: "Os polacos estão prestes a tomar Kiev! Eternos inimigos estão prestes a cortar as fronteiras ocidentais do Império Russo". Eu não ousei me expressar abertamente, mas ouvindo as conversas absurdas dos refugiados e olhando para seus rostos, eu desejava com toda a minha alma a vitória do Exército Vermelho.


Não importa que eu era o Grão-Duque. Eu era um oficial russo, que deu juramento para defender a Pátria de seus inimigos [2.]. Eu era o neto do homem que ameaçou arar as ruas de Varsóvia, se os polacos uma vez mais se atrevessem a quebrar a unidade de seu império. De repente, ocorreu-me uma frase desse antepassado meu, uma frase de 72 anos atrás. Direito no informe sobre os "atos ultrajantes" do ex-oficial russo de artilharia Bakunin [3.], que levou a multidão dos revolucionários alemães na Saxônia para assaltar a fortaleza, o Imperador Nicolau I escreveu com letras grandes: "Hurra a nossos artilheiros"!


A semelhança da minha e sua reação me surpreendeu. Eu senti a mesma coisa quando o comandante vermelho Budionny derrotou as legiões de Pilsudski e perseguiu-o até Varsóvia. Desta vez os elogios foram dirigidos para os cavaleiros russos, mas no resto poucas coisas mudaram desde os tempos do meu avô. 

- Mas você parece esquecer - o meu fiel secretário disse - que, entre outras coisas, a vitória de Budionny significa o fim às esperanças do Exército Branco na Crimeia. 

Sua observação razoável não abalou minhas crenças. Naquele verão inquieto do vigésimo ano ficou claro para mim, igual que é claro para mim agora no tranquilo ano de 1933, que para alcançar uma vitória decisiva sobre os polacos o governo soviético fez tudo o que era necessário fazer para um governo verdadeiramente popular. Parece irônico que os participantes da III Internacional tenham de proteger a unidade do Estado russo, mas a verdade é que desde aquele mesmo dia os soviéticos estão obrigados a realizar uma política puramente nacional, que não é outra coisa senão a política de muitos séculos, lançada por Ivã o Temível, desenhada por Pedro o Grande, que atingiu seu ponto culminante sob Nikolaiï I. Essa politica é defender as fronteiras do estado a qualquer preço e passo por passo avançar até as fronteiras naturais no Ocidente! Agora eu tenho certeza que até mesmo meus filhos vão ver o dia quando chegar o fim não só à independência absurda das repúblicas bálticas, mas quando a Bessarábia e Polônia também ser recuperadas pela Rússia e os cartógrafos terão que trabalhar duro sobre a redefinição das fronteiras no Extremo Oriente [4.].

Nos anos vinte eu não me atrevi a olhar para um futuro tão distante. Então eu estava preocupado com meu problema puramente pessoal. Eu vi que os soviéticos saiam de uma longa guerra civil como vencedores. Ouvi que eles cada vez falavam menos dos temas que ocupavam tanto a seus primeiros profetas nos dias tranquilos do "La Closerie des Lilas" [5.] e cada vez eles falavam mais dos temas que sempre foram vitais para o povo russo como um organismo unido. E eu perguntei a mim mesmo, com toda a seriedade, que você esperaria de um homem privado de sua propriedade significante e que testemunhou a liquidação da maior parte dos irmãos: "Se eu, como um produto do império, uma pessoa educada em crença na infalibilidade do Estado, se eu ainda posso condenar os atuais governantes da Rússia?”.

A minha resposta foi: "sim" e "não". O Senhor Alexander Romanov gritou "sim". O Grão-Duque Alexandre disse "não". O primeiro foi obviamente decepcionado. Ele adorava suas propriedades prósperas na Crimeia e no Cáucaso. Ele desejava entrar uma vez mais no escritório de seu palácio em São Petersburgo, onde os inúmeros estantes abarrotavam dos volumes encadernados em couro sobre a história da navegação e onde ele poderia preencher as noites com as aventuras, apreciando as antigas moedas gregas e rememorando esses anos que ele tinha passado em sua busca.

Felizmente para o Grão-Duque, ele sempre foi separado do senhor Romanov com uma face. Portador de um título muito alto, ele sabia que ele e sua turma não deveriam ter um conhecimento amplo ou exercer a imaginação e, portanto, no caso da resolução da dificuldade atual, ele não hesitou, porque simplesmente tinha que confiar em sua coleção de tradições, essencialmente banais, mas surpreendentemente eficaz para fazer soluções. Fidelidade à Patria. Exemplo dos antepassados. Conselhos dos iguais. Permanecer fiel à Rússia e seguir o exemplo dos Romanov, que nunca imaginavam-se mais do que seu império, significava aceitar que foi mister ajudar ao governo soviético, não obstaculizar seus experimentos e desejar sucesso naquilo em que os Romanov falharam".

Fonte:

http://www.ozon.ru/context/detail/id/128574/

1. Maloróssia significa em russo "Pequena Rússia", o nome carinhoso que se usava na Rússia para chamar aquelas terras que agora são conhecidas como a Ucrânia. "Pequena Rússia" quer dizer "coração da Rússia, o centro do mundo russo", quando a "Grande Rússia" era só uma periferia da Pequena Rússia. O nome "Ucrânia" foi dado a essas terras pelos polacos: "Ucrânia" quer dizer "margem, zona marginal, periferia" - assim com desdém os polacos chamavam esse território. Os russos mais tarde também usavam esse termo "Ucrânia", mas ele foi usado tanto para a "Rússia Pequena" como para o atual Cazaquistão.

2. Uns 30% dos oficiais que juravam fidelidade a Nicolai II depoís da Revolução Russa passararm para o lado do Exército Vermelho.

3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin

4. Alexandr Mijáilovich teve razão e os acontecimentos esperados por ele ocurreram.

5. Lenin e Trotski gostavam de jogar xadres nesse cafe de Paris, também o cafe foi frecuentado por Paul Verlaine, Maurice Maeterlinck, Oscar Wilde, August Strindberg, Ernest Hemingway, etc.

четверг, 19 декабря 2013 г.

Sobre o código cultural dos russos


Todos que conhecem a Praça Vermelha lembram de um predio vermelho oposto a São Basilio, que também parece um castelo de contos de fadas: o Museu Histórico. O predio é muito lindo, mas são poucos os turistas que se atrevem a entrar no Museu. Os guias costumam dizer que é complicado demais, que o Museu interpreta a historia da Rússia a partir dos tempos dos dinosaurios. É verdade que este museu requer muitos conhecimentos de guias, eu não acredito que na Rússia haja muitos especialistas que poderiam guiar bem por este museu a menos em russo. Para dar-lhes a ideia do que falamos eu traduzi as conclusões do livro de Serguei Nefiódov "História da Rússia. Análise de fatores. Desde os tempos antigos até as Grandes Revoltas do século XVI".

O destino da Rússia, em grande medida, foi determinado pelo fator geográfico. A planície russa era uma enorme floresta, ao sul, da qual ficavam as estepes e ao noroeste - "o Deserto do Norte", Escandinávia, que naquele tempo era quase inutilizável para a agricultura.


A grande Estepe


A Estepe Pôntica era um ramo ocidental da Grande Estepe que ocupava a metade da Eurásia; isso era uma habitação dos povos nômades, que se diferem muito pelo estilo da vida dos agricultores.O nomadismo, a arte da equitação e a constante luta cruel pela existência transformaram os nômades nos centauros, que disfrutavam da total excelência militar sobre as milícias pedestres dos pacíficos povos de floresta. O papel da técnica militar com toda a força demonstrava a influência do fator tecnológico: de vez em quando as innovaçoes da aplicação da cavalaria davam aos nômades as novas vantagems militares - e como resultado do Oriente, da Grande Estepe, para a Estepe Pôntica vinha uma onda de turno da invasão dos invencíveis e crueis conquistadores.

A onda de citas foi ligada à aparência dos arqueiros a cavalo,
a onda de sármatas - à de catafratos com lanças,
a de hunos - à invenção do composto arco de huno,
a de ávaros - à aparência de estribo,
a de turcos-khazares - à criação da sela turca,
a de cumanos - à aparência do sable,
a de mongois - à criação do arco mongol (este arco era um invento tão importante na sua época que pode ser comparado com o famoso Kaláshnikov, a arma era tão terrivel que formou parte do conjunto da coroação dos czares rússos junto com o Gorro de Monómaco, etc.).

Escandinávia


Outro foco que vomitava as ondas das invações era o "Diserto do Norte": a alta pressão demográfica, atividades pecuarias e guerras constantes faziam a mentalidade escandinava parecida à mentalidade agressiva dos nômades, e de vez em quando nas mãos dos escandinavos caiam as armas novas. A onda das conquistas escandinavas foi ligada à criação de dracar, quando a invasão dos góticos - à tática da falange de lanças.

Os eslavos entre dois fogos

As áreas de floresta e de estepe da Planície Russa eram muito diferentes pelas condições das atividades econômicas. Ao contrário da Grande Estepe nas estepes do Mar Negro era possivel a agriculutra; alem disso, em comparação com a área florestal os solos aquí eram mais ferteis e o clima era mais quente, por isso os habitantes da floresta sempre quiseram se mudar para a floresta-estepe e logo - para a estepe.

Não obstante as invasões regulares dos nômades redundavam na morte dos estabelecimentos dos lavradores na estepe. Os lavradores sobreviventes fugiam para as florestas do norte, mas os nômades os perseguíam e submetíam as áreas florestais do Sul - quando as tribos florestais do norte ficavam independentes (ou quase independentes). Logo quando a situação se estabilizava, os eslavos submitos saiam das florestas e com permissão dos conquistadores voltavam a trabalhar nas florestas-estepes - mas a seguinte invasão outra vez redundava na morte destes estabelecimentos.

As ondas de invasões e catástrofes demográficas dividiram a história da Planície Russa em varios periodos. Às vezes as invasões seguíam uma à outra tão rápido, que os conquistadores não tinham tempo para criar um estado novo. Assim era no periodo das Grandes Migrações dos Povos, quando depois dos hunos vieram os ávaros, e logo - os antigos turcos (turcutos). Em outra ocasão os cumanos, que conquistaram as estepes do Mar Negro, não puderam aproveitar sua superioridade nas condições das florestas, então a planície foi dividida entre varios povos pelas fronteira das áreas naturais. Em total se conta sete períodos, quando na Planície Russa existíam relativamente estaveis organismos estatais ou tribais:

o período dos citas,

o dos sármatas,

o dos góticos,

o dos khazares,

o de Kiev,

o dos mongois,

o de Moscou.

Se tentamos achar algo comum na dinâmica histórica deles, teremos que notar que todos eles começavam depois das catástrofes demográficas, logo prosseguia o crecimento da população, que terminava com uma nova catástrofe ao final do período - de este modo, se trata dos ciclos demográficos. Nos seis casos exceto o último, o de Moscou, a causa principal da catástrofe foi uma invasão dos novos povos, originada pela criação de novas armas. O nascimento do czarstvo (reinado) de Moscou e domínio da povoação russa também estãoligados a uma inovação fundamental: o surgimento das armas de fogo, que provocou uma onda das conquistas russas. Depois do final das conquistas, começava o período da síntese social, quando entre os vencedores e os vencidos acontecia um ativo intercambio cultural. Os resultados das sínteses em todos os casos, exceto o de Moscou, foram as criações dos estados xenocráticos, onde os conquistadores se tornavam um estamento militar.

Alem disso os representantes submetidos do estamento militar anterior, que dominava antes, também entrava na nova classe governante. Na variante de Moscou, a corte russa integrou também aos tártaros, neutralizados na época de Ivã, o Severo. Às vezes, os povos submetidos tomavam o nome dos conquistadores (no período de citas e no de Kiev).

Segundo Serguei Nefiódov, no período de Kiev os eslavos foram conquistados pelos escandinavos (no século IX, os escandinavos eram um pesadelo de toda Europa: eles destruiram as maiores capitais europeias - Paris, Londres, Sevilha, Lisboa, etc. Eles conquistaram por completo a Irlanda, a Ingaterra, a Normandia. Na Normandia os vikings pouco a pouco se mezclavam com os conquistados e se adaptaram às leis da França, aportando a suas técnicas. Mas, se finalmente as nações europeias puderam resistir aos vikings com ajuda da sua cavalaria, no Leste, os eslavos, que ainda não tinham a cavalaria, falharam. Como os saxões conquistaram a Inglaterra, os vikings conquistaram aos eslavos, mas depois eles mesmos foram digeridos, absorvidos, triturados pelos eslavos e pelos seus espaços, deixando para os eslavos só o seu nome - "russos", que quer dizer na sua lingua "os remadores de drakkar".).

Mix das cultúras diferentes dentro do código cultural dos russos

A especifidade da Planície Russa é a sua proximidade com os poderosos e culturais estados do Mediterraneo e do Oriente Médio. Por isso, logo depois da estabelização do novo estado, ele começava a experimentar as fortes infulências políticas e culturais vindas do Sul. Logo ele se tranforava parcialmente segundo os padrões dos vizinhos sulinos. O período dos citas foi caracterizado pela assimilação da cultura grega, os góticos assimilavam a cultura romana, os khazares assimilavam as culturas judaicas e muçulmana do Oriente Médio, os varangos-russos - a cultura bizantina, os mongois e tártaros - a cultura persa, os moscovitas - as práticas militares e políticas dos otomanos. Em certos casos adotava-se não só a cultura, mas tambem a religião: os khazares se converteram ao judaismo, os russos - à ortodoxia, os mongóis-tártaros - ao islã. Em todos os tres casos (no quarto caso de Moscou também) a transformação segundo os padrões do Oreinte Médio levou à adoção de práticas da monarquía estatista.

<...>

As civilizações vizinhas se subordinavam à periferia pôntica também em relação comercial. Conforme a teoria dos sisitemas-mundos de Immanuel Wallerstein os novos estados da Planície Russa se integravam rápido ao mercado mundial e forneciam as mercadorias necessárias para os paises sulinos. Usualmente isso eram as peles e os escravos, capturados durante as lutas intestinas ou as repressões contra os rebeldes. O tráfico de escravos prosperava específicamente nos períodos dos citas, de Kiev e dos mongois, quando na época de Moscou o tráfico de escravos era negócio dos tártaros de Criméia, que faziam incursões na Rússia.

Os tártaros de Criméia invadiram os mercados europeius com tantos eslavos, que a mesma palavra "eslavo" nas línguas européias se transformou no "escravo".


Ainda que a elite xenócrata cobrasse da população conquistada um tributo, o tráfico de escravos era uma fonte de renda mais importante. Entretanto os chegados ao poder monarcas autocráticos não deixavam escravizar a seus súditos, quando as fontes externas dos escravos se esgotavam bastante rápido para o final da conquista. De tal maneira a elite crescente sentia a redução de suas rendas e suas aspirações lógicas eram dirigidas para subversão da autocracia e para eclosão das guerras intestinas com finalidade de captura dos escravos. Estas aspirações se convergíam com a reação tradicionalista contra as vindas do Oriente Médio práticas etatistas - no final das contas o estado desolava nos principados fragmentados e canatos. De modo natural se manifestavam também outras lógicas do ciclo de Ibn Khaldun (pesquisador das elites do século XIV): enfraquecimento da coesão social ("assabyiyah") dos conquistadores, desenvolvimento do individualismo e consumismo.


Assim foi o desenvolvimento nos períodos de Kiev e dos mongóis, ele foi determinado principalmente pelos processos da difusão e acontecia segundo o ciclo de Ibn Khaldun:

- a síntese social e criação do estado xenócrata

- a transformação pelo padrão do Oriente Médio

- o período do domínio da monarquía etatista

- a reacção tradicionalista

- a dissolução e

- a nova conquista.

Parece que por este esquema também aconteceu o desenvolvimento no período dos khazares, como deixam julgar as poucas fontes que temos. O fator demográfico nesse período não foi determinável. Nos períodos de Kiev e dos mongóis, sua manifestação se constava só na região de Noroeste, onde o nicho ecológico era pobre e a superpopulação acontecia bastante rápido. Como prediz a teoria estrutural-demográfica, a Compressão conduzia aqui ao desenvolvimento das cidades, artesanatos, ao esplhamento de latifúndios e aluguel, à paupérie dos camponeses e aos conflitos sociais nas cidades - e logo ao fome, epidemias e catástrofes demográficas. Não obstante nas outras regiões da Rússia havia suficientes terras e as causas das catástrofes aí eram as invasões dos enemigos exteriores.

Ivã o Severo, o primeiro czar da Rússia
Um andamento um pouco diferente das coisas se registra no período de Moscou. O estado de Moscou não foi resultado da conquista e seu surgimento foi relacionado não com uma onda de conquista senão com a de difusão. O abraçamento da nova tecnologia militar durante esta transformação permitiu ao czarstvo de Moscou virar um centro de força na Planície do Leste Europeu; isso desencadeou uma onda das conquistas russas, que deu inicio ao enorme estado russo. De tal maneira no ciclo descrito acima as duas primeiras etapas foram omitidas e o desenvolvimento começou diretamente desde a transformação segundo o padrão do Oriente Médio. Isso foi o primeiro caso, quando a onda de conquista saiu das terras eslavas e os eslavos obrigaram aos outros povos a copiar seus padrões. Não obstante estes padrões por sua vez foram engendrados pela transformação segundo o modelo do Império Otomano. Seguindo as etapas do ciclo descrito encima o czarstvo de Moscou sobreviveu o período do dominio de uma monarquía etatista e da reação tradicionalista, que não foi forte e não conduziu à dissolução do estado.

Quando se fala da monarquía etatista aquí se trata de Ivã, o Severo.

E a reação tradicionalista ao inicio do século XVII foi uma guerra das elites com finalidade de escravizar aos camponeses segundo o modelo da Polônia (fartos das tendências democratas de Ivã o Severo as elites quererem eleger os reis como na Polônia e manipula-os a seu gosto), as elites estavam já a ponto de eleger ao trono russo um rei polaco!