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четверг, 2 сентября 2021 г.

Molecada Russa: 25% das crianças vivem abaixo da linha

Quase 25% das crianças na Rússia vivem abaixo da linha da pobreza (este número flutua, em 2015 foi de 27,4%).

Minhas filhas não figuram nesta estatística, mas há 2 anos que nós podemos ser considerados como uma família de poucos recursos, só é difícil de declarar e não tem muito sentido). Também acho que não nos podemos queixar: temos onde viver, não somos alcoólicos, eu sempre trabalho. Além disso, somos pobres pelo padrão de Moscou (que corresponde à Europa de Leste), ao mesmo tempo somos "ricos" pelo padrão das regiões mais pobres da Rússia.


Há muito que não compramos roupa nova (tudo é de segunda-terceira mão), e sempre passamos a roupa, que se torna pequena, para as crianças mais novas dos amigos. Gastamos só na alimentação, serviços comunais e transporte (mas me dou conta que muitos moscovitas já vão no ônibus elétrico clandestinamente).


O que é perigoso é que a pobreza infantil seja 2 vezes maior do que a pobreza geral.


Sendo um russo adulto a probabilidade de ser pobre em 2020 é de 13%. Sendo uma criança russa esta probabilidade sobe até 25%.


11,7% das crianças na Rússia não têm "alimentação saudável". São dados dos estudos com base nos relatórios oficiais.


Simplesmente o fato mesmo de ter filhos na Rússia quase automaticamente garante a pobreza. 21% das crianças pobres são das famílias, onde os pais já não têm recursos para pagar os serviços comunais, aluguel e créditos.


50% das crianças pobres são das famílias numerosas (a partir de 3 filhos), das familías que deveriam ostentar o padrão de vida mais alto por ser um modelo a seguir para outros!


Mas o maior risco da pobreza infantil afeta as famílias separadas (mães solitárias): apenas 39% das crianças nas famílias separadas recebem as pensões alimentícias pela autoridade judicial ou pelo acordo dos pais (as pensões por decisão de tribunal são miseráveis: variam de 5 a 100 dólares ao mês). Os governos regionais pagam certos subsídios para as crianças pobres, que não têm pensões de um dos pais: as pensões estatais são de 2-7 dólares ao mês. É lógico que a maioria das famílias nem acudam ao estado, por isso a estatística real pode ser muito pior dos dados, que comentamos neste artigo.


Números horrorosos, que demonstram a ineficiência da política demográfica do governo. A ideia recente de Putin é promover uma normalidade familiar de ter 3-4 filhos. Beleza! Porque os russos nós estamos morrendo aceleradamente: 1-2 filhos na família já não são suficientes para pausar a extinção do povo russo. Mas a prática real do governo contradiz o populismo declarativo.


Fonte: revista "Narodonaselenie" do Instituto de Sociologia da Academia de Ciências da Rússia, 30.03.2021

https://www.jour.fnisc.ru/index.php/population/article/view/7867


понедельник, 25 ноября 2019 г.

Adeus, torniquete!

autor: Olga Grómova
Ao início dos anos 2000 em Moscou foi introduzido o “sistema automátisado de controle de passageiros”. A ideia foi deixar entrar ao transporte (ônibus, trólebus, bonde) só pela primeira porta, onde inevitavelmente o passageiro deveria passar por um torniquete com validador.

O ingresso dos passageiros agora consumia muito tempo (imagine 10-30 pessoas entrando só por uma porta e assim em cada parada!). E se você não tinha ticket ou queria uma consulta do motorista, você paralisava o ingresso de outros passageiros, que ficavam tão zangados, que lhe queriam matar (é muito sério no inverno, quando por causa de frio você pode ficar doente, passando tempo demais na rua: você quer saber a rota de ônibus, e outros querem ir à casa o mais rápido possível, que conflito!). Os passageiros clandestinos entravam só de jeito humilhante de se inclinar por debaixo de torniquete.

A prefeitura automatizou o trabalho dos controladores - beleza. E também fez os moscovitas perder tempo. Ponhamos que os moscovitas perdiam uns 20 minutos por dia (ida e volta), são 7 hrs por mês (22 dias laborais), são 84 hrs por ano! Desde 2004 até 2018 cada moscovita perdeu 49 dias, entrando no ônibus! E os moscovitas pobres (os ricos usam carros ou táxis) aceitaram este sacrifício…

O absurdo durou até 2018. Quando o novo prefeito de Moscou cancelou o sistema de controle de passageiros automatizado. 

Em parte porque a população de Moscou continua crescendo e é importante subir a movilidad numa cidade superpovoada e muito estressada pelo trânsito. 

Em parte porque o novo prefeito reforçou o controle de passageiros em metrô, cuja rede foi aumentada quase 2 vezes. O estacionamento de carros se tornou pago e seu valor está crescendo cada ano. 

E o pagamento no transporte “terrâneo” (que não seja subterrâneo/metrô) se tornou quase “opcional”, porque de fato não há controladores em ônibus, trólebus, bonde, ônibus elétrico. Você entra por qualquier porta e logo procura um dos 2-3 validadores para pagar com um cartão especial. Pode ser que isso fosse um “presente” aos moscovitas pobres devido à crise (ingressos estagnados e os preços subindo os últimos 5 anos)? 

Na Estônia todo o transporte público é de graça para os residentes, bom exemplo para a Rússia, o maior país do mundo! Sería uma ótima forma de entusiasmar os russos de viajar mais e sobir sua solidaridade.

Mas por agora este jeito de viajar sem pagar em Moscou ainda é ilegitimo. E isso é só para o transporte coletivo que não seja metrô, e o metrô é fundamental. O pobre primeiro tem que usar ônibus (ou bonde, trólebus, ônibus elétrico) para chegar ao metrô - se aqui ele com certo risco pode viajar de clandestino, no metrô ele vai pagar 100%. Usando carro, o moscovita também terá que pagar pelo estacionamento… Provavelmente com esse "marqueting" os moscovitas agora pagam mais que antes...

E que passou com ex prefeito? Ele está aposentado, tem propriedades na Áustria, na Inglaterra, sua mulher milagrosamente é uma das mulheres mais ricas do mundo… E o sistema de “paralisis” automatizado foi só uma de muitas brincadeiras de esse senhor. Irónicamente esse senhor hoje até parece um prefeito ideal para muitos moscovitas, porque o prefeito novo apresenta outra fase da involução.

Ao mesmo tempo a vida em Moscou tem muitas vantagens: salários mais altos que em província, segurança, festas intermináveis, abundância de tudo. E a vida sempre pode piorar, certo? É possível que num futuro nós recordemos das primeiras décadas do século XXI como os “tempos dourados”.

суббота, 13 мая 2017 г.

Favelização e Restauração da Monarquia

Dizem que Mao Tsé-Tung quis destruir Xanghai, essa “Cidade do Pecado”, famosa pela desigualdade extrema e eclectica pro-Ocidente (Odd Arne Westard, Restless Empire). A idea de Mao [1.] foi apagar a propria memoria da desigualdade. O líder da Rússia Vladímir Putin hoje quer destruir Moscou soviética, mas seu alvo é apagar a memoria da igualdade e da classe media, que na época da URSS foi uma realidade e hoje desaparece.


Depois da queda da União Soviética (que foi a segunda potência mundial) a Rússia virou um país periférico e sofre das mesmas tendências de degradação que são próprias para todo o terceiro mundo. Graças à desindustrialização, muita gente se concentra nas cidades grandes. Moscou, a capital do maior país do mundo, hoje talvez seja também a maior cidade na Terra. Na Rússia desaparecem as cidades de 100-300 mil habitantes e a povoação de Moscou cresce por 300 mil habitantes ao ano.


Moscou obviamente está superpovoada e cada vez menos acessível para os russos. Como um câncer, Moscou está destruindo o país. Por isso muitos russos odeiam Moscou e ao mesmo tempo eles não tem outra saída como se mudar para lá, porque a civilização russa vai diminuindo de tamanho até uma super cidade república - Moscou. A vida na província é pobre e menos livre, porque lá não há muito emprego e as pessoas dependem de poucas fontes de dinheiro e por isso não podem protestar e reclamar. As pessoas viram uma espécie de “camponeses de gleba” (dependendo dos “barões locais”, que controlam pouco emprego que pode dar a província).


Quando Moscou tem muito emprego, tem luxo, tem perspectiva (teoricamente) e por isso tem mais liberdade. É muito importante compreender que com a queda da União Soviética a democracia na Rússia se acabou mediante a desindustrialização: a grosso modo, não há emprego - não há liberdade - não há democracia. Além disso, em 1993 o presidente mais querido pelo Occidente, Boris Yéltsin bombardeou o parlamento da Rússia (assim foi destruído o último “rudimento” da URSS e surgiu uma ditadura colonial). A única válvula de escape para os russos hoje é Moscou (ou poucas outras cidades grandes que têm no país). Mas “Moscou não é de borracha”, ou seja, não tem lugar para todo o mundo.


A classe média mora nos bairros periféricos muito distantes ou nas cidades satélites, quando o centro é só para os ricos e para os turistas, a classe média no centro está em extinção . O estacionamento dentro do Terceiro Anel de Transporte de Moscou desde há uns anos é pago e cada ano é mais caro. Se debate a questão da autorização paga para entrar na cidade (de carro).


Ao mesmo tempo a classe média do centro de Moscou não desapareceu por completo. Na cidade ainda há bastante prédios da época soviética. Não são palácios do século XIX, não são arranha-céus de Norman Foster, não são fábricas paradas e gentrificadas tipo loft e também não são famosos prédios estalinistas, considerados a melhor vivenda de Moscou e por isso invadidos pelos novos milionários. São prédios dos anos 50-60-70. Em comparação com a época de Gorbachov/Yéltsin/Putin são uma verdadeira obra de arte. Já explicamos que na época soviética havia mais democracia, todo o mundo era da classe média, então não havia estratificação própria para as Monarquias (quando só 2% são nobres e os demais são escravos) ou Dictaduras do Terceiro Mundo. E na época soviética as cidades eram para todos, Moscou não foi uma excessão: no centro viviam operários, engenheiros, médicos, professores e outra “gentalha”… Claro que segundo os ricos de hoje “não é justo que a gente da classe média more na cidade e não em seus quintos infernos”.


O presidente do país e o prefeito de Moscou há pouco ofereceram “renovar as áreas de Moscou”, ou seja, destruir todos os prédios dos anos 50-60 de 5 andares e também alguns prédios dos anos 70 de 9 e mais andares (embora sejam prédios de tijolo de qualidade superior a qualquer prédio novo). Os 1,6 milhão de pessoas vão ser transferidos para os prédios novos na periferia. Antes ninguém pensava na probabilidade de tal “renovação”, os prédios dos anos 50-60 são ótimos, os bancos emprestavam as hipotecas para que as pessoas pudessem comprar os apartamentos nesses prédios, estes prédios (até 5 andares) nem sempre têm elevador, mas a qualidade é ótima (ou seja - soviética, não são de cimento de contrafação como os prédios de hoje, construídos pelas construtoras criminosas e operários migrantes semi escravos sem nenhuma experiência). Além disso como os apartamentos nesses predios não são grandes, eles foram bastante accessíveis para a classe media e justo lá as pessoas compravam muito, porque os apartamentos dos prédios novos, feios e mau localizados são caros demais.


Então segundo a idea da “renovação” os proprietários de apartamentos nos prédios soviéticos destruídos vão ser transferidos ("deportados") para os prédios novos da periferia no mesmo bairro. A única exceção é o centro de Moscou: as pessoas que moram nos bairros centrais vão ser transferidas de seus bairros centrais para as periferias do distrito central (ou seja éstes vão perder tudo).


É importante compreender que aproximadamente 35% da povoação que mora nos prédios destinados a destruição são pessoas que há mais de 15-30 anos estão na fila para melhorar sua moradia (famílias disfuncionais, que não têm espaço suficiente e não têm dinheiro para comprá-lo, veteranos de guerras, heróis de trabalho, etc.), claro que essa gente está feliz com a possibilidade de melhorar as condições de sua vida - o governo promete para eles dar mais espaço segundo as leis que antes não se cumpriam (18 metros quadrados por pessoa). Ou seja o governo só promete cumprir as leis que não se cumrpiam! Que vergonha...


A prensa liberal também apoia a ideia da favelização de Moscou, porque as companhias construtoras têm muito interesse para conquistar o centro e os bairros confortáveis desenvolvidos na época soviética (têm parques, infraestrutura, tudo) e construir lá os prédios para os ricos em lugar dos bairros purgados da classe media. Obviamente só para alimentar as elites no tempo da crise foi planejada toda essa história...


Para o presidente da Rússia e o prefeito de Moscou a ideia da desoviétização de Moscou também é uma ideia chave para o ano de sua enésima reeleição: para muita gente pobre pode parecer bom receber um apartamento novo, como lhes está prometido - com o mesmo preço do mercado ou talvez um pouco superior (depende do humor dos especuladores).


Resumindo um 35% dos deslocados estão felizes, que o governo se importou com eles, que há muitos anos estão perdidos em suas filas… Alguns marginais estão felizes que vão receber um apartamento na periferia, mas um pouco mais caro que seu apartamento anterior e mais central. Claro que a gente da classe média está desesperada, mas é pouco provável que alguém na Rússia tenha simpatia para eles: todos odeiam aos moscovitas.


É interessante que o grupo governante se apoie sobre a oligarquia (os ricos que querem privatizar o centro só para eles) e a plebe (pessoas disfuncionais que não podem melhorar as condições de sua vida na cidade, mas são simples para suborná-lhes. A classe média desaparece, o que é normal para uma economia terceiro-mundista. Nesse sentido, as conversas sobre a restauração da monarquia na Rússia já não são tão ridículas… Nos anos 90 foi instalado um culto à Rússia dos Romanov que tínhamos perdido, então essa Rússia está voltando: com czar, nobreza, igreja, favelas, escravidão e fome.

A ideia de destruir as vidas de 1,6 milhão de pessoas não foi confirmada por nenhum referendum, nem pelo consultorio com os expertos. A decisão catastrófica foi tomada só pelo prefeito de Moscou e pelo presidente da Rússia. Destruição de Moscou soviética vai ser uma destruição de Moscou: para ganhar seu dinheiro as construtoras em lugar dos ótimos predios de 5 andares vão construir os predios feios e precarios de 10-15 andares, isso significa mais tránsito, mais poulição, mais sobrepovoação de Moscou, mais operarios inmigrantes, mais arquitetura feia (sem falar das favelas nas periferias)… Ou seja Moscou pode se tornar uma típica capital de um típico país do terceiro mundo.

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1. de fato a idea foi de camarada Gao Gang.

суббота, 9 января 2016 г.

Uma reflexão sobre o "automobilicídio" em Moscou, que pode virar um "automaidan"


Os automobilistas de Moscou se queixam de "automobilicídio", realizado pela Prefeitura de capital.

O que acontece é que a capital está super-sobrepovoada e com frequência fica paralisada pelo trânsito.

Se privatizamos recursos naturais, florestas, terras, moradias, setor energético, nós estamos privatizando a educação e medicina... Então por que não podemos privatizar o espaço de estacionamento em Moscou?! Claro, que a prefeitura fez isso!

Agora só as pessoas relativamente ricas podem usar os carros em Moscou, os demais tem que vendê-los e usar o transporte coletivo.

Como escrevemos antes, a coletivização é uma forma de economizar os recursos (em caso do "automobilicídio" os recursos são as rodovias).

A coletivização é uma mera ferramenta que pode ser usada tanto para o desenvolvimento como para degradação. Com a coletivização os Romanov conseguiram manter durante 3 séculos seu estilo parasitário de São Petersburgo. E com a mesma coletivização os soviéticos conseguiram industrializar o país e triunfar na II Guerra Mundial!

Parece que na situação da crise o governo de Putin tem que voltar a recorrer à coletivização ao estilo de São Petersburgo. Este período esteticamente é mais próximo aos gostos de nosso grupo governante. Pelo menos o presidente do Tribunal Constitucional da Rússia Valery Zórkin há pouco escreveu no jornal do governo da Rússia (Rossiiskaia Gazeta): "Pese a todos os custos da servidão, justo ela foi a base principal, que manteve a unidade interna da nação". Solidariedade mecânica, servidão... A pergunta é para quê?

понедельник, 28 сентября 2015 г.

Sobre a romantização dos anos 90

Faz pouco nas redes sociais da Rússia aconteceu um flashmob sobre as memórias pessoais dos anos 90 do século passado. A ideia desta ação foi dizer que os anos 90 foram um período revolucionário, da quebra do "sistema", de muitas possibilidades, da Cultura 1, etc. Dizem, que o promotor da romantização dos anos 90 era a Fundação Boris Iéltsin e midia liberal, contratista deste Fundo.

Em primeiro lugar eu lembrei dos anos 80, quando eu tinha 5-9 anos. Aquela década foi muito segura. Eu brincava na rua as vezes até 23.30-00.00 e ninguém se preocupava muito com os moleques. Eu sentia que poderia sair do meu bairro e ir até o Leste Extremo, sem que nada de ruim acontecesse comigo. Me sentia dono de minha terra, amigo de todo o mundo. É curioso que até os dissidentes mais odiosos reconhecem este estado de confiança absoluta e de segurança, no qual se encontrava a sociedade soviética. Era normal falar com os desconhecidos. 

Porém os anos 90 para meus pais foram marcados por uma tragédia familiar com minha irmã. Em razão disso, fiquei bem distante deles emocionalmente e cresci autodidata. Lembro que a sociedade começou a se destruir. Se iniciou o vandalismo, havia bandos de crianças que jogavam bolos de argila e pedras nos ônibus. Eu participava nos ataques contra os jardins da gente de meu bairro - havia casas de verão em cada bairro periférico - as atacavamos. Isso não tinha sentido nenhum, porque minha família tinha próprio jardim, eu não precisava de maçã, mas estas aventuras viraram uma normalidade. Na verdade, eu vendia as maçãs do meu jardim no mercado de bairro e com este dinheiro comprava livros. Nosso jardim foi queimado por um indigente que morava lá no inverno. Todos estes jardins que ficavam muito perto do nosso prédio foram liquidados - lá agora passa uma rodovia nova.

No porão de minha escola abriram um clube de vídeo, onde nos mostravam Tom e Jerry, filmes sobre Bruce Lee e também muita pornografia. Eu não entendia nada desse negocio, mas obviamente aquilo era muito popular. A sala estava sempre lotada de alunos, sentados em cadeiras muito desconfortáveis diante dum pequeno televisor.

Quanto aos meus pais, que eram músicos duma filarmônica estatal, lhes pagavam uma vez por ano. Para a gente sobreviver as empresas e instituições estatais deram a seus trabalhadores ...terras. Assim meus pais-músicos tinham que transformar-se em camponeses. Desde a primavera até o outono, em cada fim de semana viajavamos de ônibus por uma hora até uma mina abandonada de carvão (no ônibus nunca havia assentos livres para me sentar). A rodovia era muito ruim, me asfixiava com a poeira e depois de descer do ônibus havia que caminhar uns 45-60 minutos por um pântano... Até o lugar onde tínhamos nossos dez acres de terra com o aguaduto de verão. 

Nos outonos, depois da campanha anual de colheita, eu tinha um pouco de tempo livre e viajava pela cidade... Eu gostava de atacar uma fábrica militar semi abandonada - roubávamos alí poeirento para fabricar pequenas bombas, etc. Todo o processo era muito perigoso e também muito excitante.

Lembro que havia muitos rapazes ali que roubavam também tinturas para se intoxicar como cheiro dos compostos químicos. Por todas as partes da cidade andavam crianças abandonadas, escondendo em sua roupa sacos plásticos com tintura, acetona ou cola. Meu bairro se degradava rapidamente. Num inverno pela noite, eu voltava para casa e então vi uma jovem chorando, sem calças. Ela tinha sido violentada, mas eu, como era pequeno, não pude entender isso. Outra vez com meu pai saímos para visitar uma amiga dele e vimos uma briga de umos 30 homens contra 2. Os dois se defendiam, usando um aquecedor de ferro fundido... Acho que os 30 ganharam e assassinaram a estes 2. 

Meus vizinhos de casa perdiam o emprego e se alcoolizavam, mas não todos. Também apareceram alguns carros de chique no pátio. Um vizinho, que era um chefe local do sistema penitenciário virou um milionário (explorava aos presos e tinha amizade com os padrinhos da máfia). Antes dos 90 éramos muito amigos deste senhor. Sua filha era 10 anos maior do que eu, mas eu queria me casar com ela: a garota era simpática, gostava de brincar comigo. Depois que seu pai virou milionário, deixamos de pensar sobre nosso casamento. Ela se apaixonou por um viciado depois. 

A criminalidade crescia cada vez mais no bairro, na cidade e no pais. Uma senhora, que conheci no ônibus de 2 horas para as terras infernais de sobrevivência me convidou a apresentar os exames a uma das melhores escolhas da cidade (ela trabalhou naquela escola e se preocupou com o meu futuro).

Assim, troquei de escola. Se não tivesse feito esta troca, acabaria na prisão como muitos amigos do meu bairro. Claro que fui infeliz na nova escola, a maior parte dos alunos eram "juventude dourada" e eu tinha que brigar com ela cada dia. Alem disso, a nova escola ficava longe de casa, no centro da cidade. Uma vez estava esperando o ônibus e vi uma mulher indigente se urinar na parada de ônibus, ela se assegurou sobre um quiosque e uma poça amarela apareceu na neve debaixo dela. Isso aconteceu no centro da cidade, diante da casa do governador. 

Claro, que como eu virei muito radical, estava perto do Partido Nacional-Bolchevique, Partido Comunista e outros movimentos patrióticos. O presidente Iéltsin, o Bêbado, o governador de meu estado e o prefeito de minha cidade foram meus inimigos pessoais. O governador, renegado do comunismo, ditador asiático Aman Bashi Tuleev, começou investiga-me. Meus vizinhos foram interrogados pelos oficiais da polícia secreta e havia pressão sobre meus pais. É muito irônico, que meu governador era um dos "melhores" - roubava menos que outros, e era mais efeitivo. Simplesmente eu não sabia que as coisas estavam muito piores em outras regiões da Rússia. 

Eu mudei de cidade para uma maior, onde ingressei na universidade. Em 1999 os EUA bombardearam a Servia e até os idiotas mais lavados entenderam o que aconteceu no mundo. Outra vez reaparece a fome e eu lembro que para minha universidade uma ONG dos EUA levou vários caminhões com ajuda humanitária: azeite, conservas, etc. - das reservas expiradas do exército americano. Se iniciaram as facções protestantes, adição da droga e do alcoolismo - formas diferentes de escapar da realidade. Não havia dinheiro, trabalhavamos nas obras. Lembro que eu comia muitos cogumelos, samambaia - as coisas da floresta, onde ficava a minha universidade. Era totalmente perdido, igual aos outros 140 milhões de russos. 

Mas ou menos assim foram os anos 90 na Rússia.

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Vou mandar o dinheiro coletado com ajuda de meu blog para as ONGs civis de minha confiança em Donbass.

понедельник, 13 мая 2013 г.

Os Russos segundo Angelo Segrillo

Este livro é bom para começar a conhecer a Rússia, mas também é verdade que o autor viveu na Rússia na época de agonia, nos anos 80 - por isso o livro é cheio das ideias y modelos típicos para os anos 1980-90, quando os mesmos intelectuais russos, em sua maioria, sofreram de um transtorno do "sistema imune", resultado da derrota na Guerra Fria.

As coisas mais interessantes do livro são as próprias experiências da vida na Russia do autor - os paralelos que ele faz entre os russos e os brasileiros.



Depoimento de Angelo Segrillo no Senado Federal sobre a Russia:


вторник, 30 апреля 2013 г.

Operação Verão


agora é impossivel

Durante os verões, os moscovitas saem de Moscou e se vão para suas casas de campo ou em direção às praias do Mar Negro. Assím, a cidade passa às mãos dos turistas (russos e estrangeiros) e justo nessa época também aparecem os mendigos em grandes quantidades: pernetas, manetas, tortos, veteranos inválidos de todas as guerras, mulheres grávidas e abandonadas, em busca de dinheiro para comprar uma passagem até um lugar remoto ou para alguma operação mais complicada... Operação Verão.

É curioso que os mendigos, exatamente como os turistas russos, vêm das mesmas regiões mas é em Moscou que fazem suas transações de dinheiro, embora possam fazer isso em suas cidades. Uma vez que Moscou é um centro financeiro! 

redacção do Trinidade (http://lang-8.com)