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четверг, 12 июня 2014 г.

Maidan ou Horda?

Enquanto na praça central de Lugansk os aviões de guerra do exército ucraniano matavam aos civis com os cohetes não dirigidos (confirmado pela OSCE), no Centro Sakharov de Moscou [1] foi realizada a conferência "Maidan ou Horda?" [2], onde os liberais, nacionalistas e certos islamitas russos aplaudiram os crimes de guerra de Kiev. 

Conforme a estrela principal do ”aquelarre”, escritor Alexei Shiropaev (nacionalista étnico, torcedor do colaboracionismo de Andrei Vlásov [3]) a verdadeira Rússia é a Ucrânia atual, quando a Rússia atual é só um usurpador do nome orgulhoso "Rus’".

A Rus’ do Nordeste, já na etapa de mudança de sua capital de Kiev para Vladímir caiu para fora da tradição "democrática" de Kiev-Novgorod. Para Alexei Shiropaev o primeiro tsar autocrata da Rus’ de Nordoste Andrei, que ama a Deus, rompendo com o parlamentarismo oligárquico de Kiev e Novgorod, virou também o primeiro mongol-judeo-bolchevique antes dos mongóis e antes dos "judeo-comunistas" [4].

"Andrei, que ama a Deus é o primeiro inimigo do Maidan", - proclama Alexei Shiropaev. Se os radicais neonazistas bramam em Odessa depois de ter queimado vivos quase 100 ativistas pró-Rússia: "Putin é piroca!", Alexei Shiropaev lhes apoia desde o Centro Sakharov de Moscou: "Já Andrei, que ama a Deus também foi o mesmo piroca!"

A "Horda" para os nacionalistas, neonazistas, liberais e esquerdistas é o estatismo da Rus’ de Vladimir, cimentado no período dos mongóis, que perdura na Rússia até hoje. 

"O tsarismo de Moscou é uma mutação monstruosa da Rus’ de Kiev, que conduziu à perda total das qualidades originais", - disse Alexei Shiropaev. - Quando "Maidan" é um teste universal da russidade". 

Não comentamos aqui que a mesma palavra "Maidan" é de origem árabe, igual que os penteados e uniformes teatrais dos cossacos travestis de Maidan de hoje [5], que se supõe que são os verdadeiros russos, foram copiados das modas da Turquia medieval.

Alexei Shiropaev é um falsificador banal da história, narrador de contos de fadas para os skinheads. Já escrevemos antes, como os nacionalistas étnicos russos sonham com o status do protetorado oficial dos EUA ou pelo menos um estado nacional tipo República Tcheca ou a Estônia [6].

"A Rússia <Horda> é nosso inimigo, a isso se reduz todo nosso programa político", - expressou o credo dos liberais e etno-nacionalistas o filosofo Mikhail Verbitski.

Ideologema de "Horda"

A palavra "Horda" está carregada negativamente tanto para a maioria dos russófilos como para os russófobos. Conforme ao dicionário online de português: "horda" significa: 1) tribo tártara, 2) povo nômade, 3) bando de pessoas indisciplinadas, de malfeitores". No discurso científico "horda" é "arcaização e regresso, ocupação e saque, etc." 

A invasão do fascismo pan-europeu no tempo da Grande Guerra Patriótica na retórica soviética foi comparada com a ocupação das hordas dos mongóis.


Mas os fascistas também demonizavam aos russos, incriminando-lhes a maldição do sangue mongol. Alfred Rosenberg, ideólogo principal do nacional-socialismo alemão, expõe em sua obra "O Mito do Século XX" esta ideologema de "Horda": "Outrora a Rússia foi fundada pelos vikings, elementos germânicos erradicaram o caos da estepe russa e pressionaram aos habitantes dentro de formas estatais possibilitadoras de cultura [7]. Este rol do sangue viking em extinção o retomaram mais tarde as Hansas alemães e em geral os imigrantes ocidentais à Rússia; na época desde Pedro o Grande os bálticos alemães, para o inicio do século XX - os povos bálticos, também fortemente germanizados [8]. Mas baixo a camada superior portadora da cultura na Rússia sempre cochilava a ânsia por uma ilimitada expansão, a vontade impetuosa de pisotear todas as formas de vida, sentidas como simples barreiras. O sangue misturado com o mongol entrava em ebulição em todos os choques da vida russa, mesmo em forte diluição, e arrastava aos homens a ações que ao próprio indivíduo, muitas vezes lhe tenham parecido incompreensíveis. Esta inversão repentina de todos os sinais éticos e sociais que retomam continuamente na vida russa e na literatura russa (de Chaadaiev a Dostoievski e Gorki) são uma indicação de que as correntes sanguíneas inimigas lutam umas contra outras e que essa luta não vai acabar antes de que uma força de sangue triunfe sobre a outra. O bolchevismo significa a rebelião do mongolóide contra as formas culturais nórdicas, é o desejo pela estepe, é o ódio do nômade contra a raiz da personalidade,significa a tentativa de livrar-se da Europa em si.

A raça báltica-oriental, dotada de muitos dons poéticos, resulta - ao estar impregnada do sangue mongol - barro, dúctil nas mãos dos condutores nórdicos ou de tiranos judeus e mongóis. Ela canta e dança, mas assassina e solta sua fúria ao mesmo tempo; é devotamente fiel, mas quebrando em formas relaxadas, desenfreadamente traiçoeira. Até que é forçada dentro de novas formas, embora sejam da natureza tirânica". 

Os nazistas em sua propaganda eram muito mais claros do que seus discípulos liberais de hoje. A Ucrânia (Maidan) "canta e dança", enquanto a Rússia (Horda) "assassina e solta sua fúria, livrando-se da Europa em si". 

Os fascistas não eram os pioneiros, culpando à Rússia no asiatismo hordáico: os paralelos semelhantes são uma ideia fixe da russofobia europeia: em qualquer de suas variantes, seja o tsarismo de Ivã o Temível, o império de Pedro o Grande, a URSS de Iosif Stalin, a Rússia sempre fica a sucessora da Horda de Ouro, doente cronicamente de "asiatismo". 

Com isso a Horda de Ouro é um conceito convencional, um clichê ideológico, que geralmente significa uma inversão absoluta do Ocidente.


Por exemplo, para os liberais de hoje, a Rússia atual, a URSS, o império dos Romanov, o tsarismo de Moscou são a Horda de Ouro, pela falta de paradas gay, ou seja pela falta de assim chamada sociedade civil e o mercado. Quando "as instituições de Horda" estão enraizados muito profundo: a supremacia da propriedade estatal, a imobilidade do poder, o coletivismo, etc. 

Conforme aos etno-nacionalistas na Rússia de hoje igual que na época de Horda de Ouro os grupos de oligarcas locais oprimem o povo russo com apoio das máfias étnicas dos chechenos, dagestanêses, tártaros, etc. Igual que na URSS os grupos internacionais oprimiam aos russos com apoio das elites asiáticas e judaicas. Igual que antes da URSS os Romanov oprimiam aos russos com apoio dos castigadores-cossacos e funcionários alemães e antes dos Romanov, os tsares russos oprimiam aos russos com apoio dos mongóis. 

A demonização da "horda" pelos russófobos estrangeiros e os liberais e etno-nacionalistas russos leva ao fenómeno de que aparecem os ideólogos que até negam o fato histórico do jugo dos mongóis ou vem nele somente o lado positivo (os euroasistas de Alexandr Dugin até chegam ao culto do barão sádico Ungern von Sternberg [9]) 

"Horda" de fato 

Sem dúvidas o período da invasão mongol foi um período da ocupação, mas os mongóis não realizaram na Rússia um genocídio como na China. Ao mesmo tempo o Império Mongol não somente passou à Rússia suas superavançadas tecnologias de guerra, mas também os mongóis trouxeram para a Rússia a cultura estadista da conquistada por eles China: centralização, a severa disciplina dos funcionários, destruição da influência de nobreza tribal, meritocracia, pagamento de impostos através da responsabilidade mútua, etc. A administração na Rússia no período da Horda de Oura estava na altura, que seria possível na Europa somente no tempo de Napoleão. A China nesse tempo tem superioridade cultural absoluta sobre Europa: é importante que eram os europeus que sempre procuravam conquistar o Leste, enquanto as civilizações do Leste não tinham muitas ganas de ir para Europa. 


Repetimos que a Horda virou o condutor da modernização chinesa da Rússia. Nesse período a Rússia apreende as tecnologias chinesas de fundição de ferro, de produção de pólvora, de uso do arado chinês, etc. Copiamos a roupa chinesa (o famoso gorro "ushanka" e botas de feltro), técnicas decorativas, construção de casas com armações, etc. Da China foi trazido para a Rússia o ábaco, que vai migrar da Rússia para Europa só uns século mais tarde. 

Ao mesmo tempo a conquista da Rússia provocava uma constante resistência e para o século XIV já eram os russos que administravam os impostos no país e não os mongóis como na primeira etapa da conquista. Reconhecendo o poder dos mongóis os russos recuperaram o país e superaram a Horda de Ouro.

Por certo a cultura persa também veio a Rússia no contexto da Horda de Ouro. Pérsia e China são grandes civilizações antigas, que superavam Europa em seu tempo, não se pode comparar o estado atual dos países asiáticos com seu estado na Idade Média - é a mesma coisa que comparar os italianos de hoje com os romanos do Império de Roma. Não temos que ver nada mal nas modernizações da Rússia ao estilo chinês e persa na época dos séculos XIII-XV. Além disso, não se pode reduzir a história da Rússia ao período de horda: na época de Ivã o Temível o país se orientou à experiência da Turquia, no período de Pedro o Grande copiamos a modernização da Holanda, Nikolai I copiava a experiência da Prússia, os soviéticos aceitaram muitos elementos da industrialização americana. 

Ideologema de Maidan 

Conforme o mito histórico de Maidan - os fronteiriços Novgorod e Kiev supostamente foram menos infectados pelo "asiatismo" e, portanto, eles conseguiram conservar sua "genética europeia" (normando-bizantina ou alemã, como lhe gostaria crer a Rosenberg) no maior grau. É por isso é que a Ucrânia não é a Rússia, quando a Rússia é um mutante sino-irano-mongol. 

O herói principal desse ideologema é o príncipe Daniel Romanovich da Galícia (periferia ocidental da Rússia), que a diferencia do príncipe de Vladímir (o centro da Rússia) Alexandr Nevsky desafiou a Horda de Ouro e no resultado como creem os neonazistas ucranianos e seus simpatizantes Daniel Romanovich conservasse melhor a "verdadeira russidade". Essa "verdadeira russidade" se manifestou na traição de hetman Ivã Mazepa a Pedro o Grande, na resistência branca, pagada pelos alemães, aos bolcheviques, no colaboracionismo de Stefan Bandera com os nazistas alemães e na orientação atual de Kiev para a UE. 

Maidan de fato

É verdade que ao contrário de Alexander Nevski, Daniel Romanovich tinha uma posição geopolítica muito mais favorável e podia opor certa resistência à Horda de Ouro. Mas como é bem conhecido, sua resistência ficou sem sentido na prática: ao final das contas Daniel Romanovich foi subordinado pelo general mongol Burundai. Não lhe ajudou a coroa recebida de mãos do Papa de Roma, quando o dano sofrido pelo território da Galícia-Volínia foi significativamente maior do que o dano sofrido pela Rus’ do Nordeste (de Vladimir). Com isso o principado de Galicia-Volínia perdeu sua independência, dissolvido na Lituânia e Polônia, continuando pagar o tributo à Horda de Ouro e mais tarde ao Khanato de Crimeia.

No resultado da aventura de Daniel Romanovich seu prinicipado perdeu a identidade russa (aceitando o catolicismo), perdeu a independência e desapareceu para sempre da história. Quando no resultado da política de Alexandr Nevski a Rus’ de Vladímir superou a Horda de Ouro e se transformou na Rus’ de Moscou. Por que Alexandr Nevskiï não passou pelo caminho de Daniel Romanovich? Porque depois da batalha no rio Neva ele entendia que o "Ocidente" no plano militar não era um aliado sério, quando as consequências de sua ajuda temporal poderiam ser destrutivas para a Rússia. Como sabemos hoje ele tinha toda a razão. 

Por causa da aventura de Daniel Romanovich as periferias do Sul da Rússia viraram um polígono milenário para as inteligências ocidentais, lutando contra a Rússia. Heróis de Maidan é um panóptico dos traidores, que até se nos supomos que tenham algum sono de independência, na realidade sempre vendem seu povo à Polônia com Lituânia (Daniel Romanovich), ou à Polônia com Suécia (hetman Ivã Mazepa), ou à Alemanha (Stefan Bandera), ou aos EUA, como a elite atual da Ucrânia.

O projeto pós-soviético da nação ucraniana não tem nenhum programa positivo e se constrói só sobre a negação da "russidade", na realidade sobre a russofobia. Os russos não sentiram nada salvo a piedade aos radicais ucranianos, fanatizados pelo mito de Maidan.


A pergunta "Maidan ou Horda" não é correta, a pergunta é "Europa e sua encarnação mais radical - EUA ou a Rússia", desaparecimento ou conservação histórica. 




5. a mesma palavra "cossaco" é de origem tártara, igual que o famoso grito "hurrá" dos militares russos. Os primeiros cossacos eram os tártaros que passaram para o lado dos russos e serviam de guardas de fronteiras. Esse termo nunca teve na Rússia uma conotação étnica, os cossacos eram um estrato social: ao abandonar o serviço de guarda de fronteira (nas "ucrânias" (periferias) da Rússia no Sul (a Ucrânia atual) ou nas "ucrânias" da Rússia do Leste (o Cazaquistão atual) os cossacos deixavam de ser os cossacos).
7. É uma visão ultra simplista, olhem o contexto do inicio da Rússia:
8. O próprio Rosenberg era cidadão do Império Russo, nasceu em Reval (Tallinn), na atual Estônia, que era parte do Império Russo naquele tempo. 

вторник, 10 июня 2014 г.

Crimeia e Donbass: éxito e fracasso?


O caso da Crimeia

bandeira da República de Crimeia
A reintegração da Crimeia foi realizada como uma operação modelo. "Falam de intervenção russa na Crimeia, de uma agressão. É estranho escutar isso, - disse o presidente da Rússia Vladimir Putin (os radicais ucranianos o chamariam "o khan de hordas euroasiáticas"). – Não lembro na história de nem um só caso no qual uma intervenção tenha sido realizada sem um só disparo e sem vítimas".

A reintegração da Crimeia é aceita positivamente pela maioria dos russos, até pela maior parte dos opositores ao regime de Putin: dos libertarianos até os nacional-bolcheviques. Histórica, ética e juridicamente essa reunificação da Rússia é impecável.

Os fatores que ajudaram a essa reintegração pacífica:

- Interesse vital do Kremlin de conservar sua presência no Mar Negro

- Esmagadora orientação pró-Rússia do povo da Crimeia.

- Ausência do fator oligárquico na Crimeia (ninguém na Crimeia esta orientado às elites corruptas de Kiev, acostumadas a chantagear tanto à Rússia como à UE).

- Presença das tropas russas conforme o acordo com a Ucrânia, que puderam prever os atentados de neonazistas como em Odesa, 2 de Maio de 2014.

Queremos dar palavra ao poeta Andreï Poliakov, antissoviético e nacional-democrata, frequentemente convidado para os jornais de hipsters, morador da Crimeia (Simferopol), que deveria estar ao lado dos golpistas pró-EE.UU:

"Eu tenho que dizer, que eu nunсa em minha vida vi tal euforia, tal sentimento de festa, explosão de emoções, quando no tempo do referendo faz 2 meses. <...>. Isso foi uma euforia absoluta! Eu lembro naqueles dias eu peguei a gripe, eu tinha uma febre de 39 graus, mas embora a febre eu fui votar. Haviam pessoas ao meu redor, muitas bandeiras, muita gente. Votei naturalmente por integração com a Rússia. Logo eu mal voltei a casa... Mas eu tinha que fazer isso, porque eu não poderia não fazer isso, por assim dizer. Isso foi um ato existencial, não um ato político. Eu percebi que este meu carrapato, naturalmente, não mudaria nada, mas eu tive que dar este passo, foi importante para me entregar meu voto. Isso era um movimento existencial. <...>. A gente mudou de certa forma. A gente se concentrou, se tornou gentil, sorriente, alegre. Eu lembro de fatos cotidianos, que pareсem ser inventados... Por exemplo, eu passo pelo monumento a Bogdan Khmelnitsky, e há flores ali. Eu não sei, talvez tenha sido algum tipo de oferendas rituais, pode ter sido algum tipo de motim. Mas não havia muitas flores, parece, foi alguém que as trouxe. E no monumento está escrito: "Com a Rússia para sempre". E deste monumento se aproxima uma mulher, uma jovem mãe com sua filha. A mãe disse alguma coisa para ela, apontando para o monumento, explicando, e a criança começa a gritar: "Rússia! Rússia!". Isso não é um quadro inventado. O povo mudou de certa forma. Nós, na verdade, estavamos à beira de um abismo. Ficamos parados na beira da terrível sangue. <...> E nós só seguramos na borda do penhasco. E o fato de que voltamos à Rússia tão suavemente, "eco-friendly" - é uma grande alegria! <...> A maioria das pessoas olham para a Ucrânia com horror".


O caso das Repúblicas Autoproclamadas de Donetsk e Lugansk


bandeira da Novoróssia
Todas as pessoas não indiferentes sabem que a Ucrânia durante os últimos 2 meses está em guerra civil, o exército da Ucrânia golpista, sob pressão da Guarda Nacional, luta contra o povo das províncias de Donetsk e Lugansk, que proclamaram sua independência do governo golpista de Kiev.

Para Kiev e seus patrões dos EUA a gente das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk são separatistas e/ou terroristas. Para o povo das repúblicas autoproclamadas o governo atual de Kiev é ilegítimo: a mitade dos ministros são neonazistas dos partidos mais radicais, o presidente, cuja eleição é questionável é um oligarca, a Guarda Nacional, que serve como tropas de barreira para o Exército, também está formada pelos neonazistas. Os altos mandos do governo de Kiev mais de uma vez insultaram a gente do Sudeste do país, manifestando seu desprezo e odio: "Prometam-lhes qualquer coisa, e depois os vamos enforcar" (palavras de vice-governador de Dniepropetrovsk, Boris Filatov).

Todo o mundo viu o vídeo de uma mulher de Lugansk desmembrada por um bombardeio de avião militar do exército ucraniano. Cada dia o novo governo de Kiev aumenta sua lista de crimes de guerra:

- bombardeio do povo pacífico de aviões de guerra com os foguetes não dirigidos [1]

- fogo massivo contra as cidades de lança-foguetes múltiplos tipo GRAD [2]

- sequestro e assassinato de jornalistas [3]

- assassinato dos combatentes feridos e medicos em hospitais [4]

- tentativas de envenenamento dos rios e destruição de infraestrutura vital (hospitais, jardins de infância, etc.)

- bloqueo das cidades (Donetsk e Lugansk ja não tem suficientes medicamentos, produtos, etc.)

Resultado de crimes de guerra das marionetes dos EUA na Ucrânia são milhares dos refugiados que correm das províncias atacadas pelo exército para a Rússia e para outras províncias da Ucrânia [5.].

A rebelião de duas províncias do Leste é muito perigosa para Kiev: essas províncias pró-Rússia são as regiões mais industrializadas do país, que geram a maior parte do PIB da Ucrânia.

Além disso, no caso da vitória dessas repúblicas autoproclamadas as demais províncias do Sudeste podem se rebelar contra Kiev, que virou um governo dos oligarcas e fanáticos, dirigidos desde os EUA em interesses dos EUA (destruição do mercado energético da UE, isolamento da Rússia, "somalização" da Ucrânia, exumação do Plano Intermarium).


Também é importante que ideologicamente está ficando muito atual o projeto de Novorossiya (ou seja Nova Rússia), são territórios pró-Rússia da Ucrânia atual, que historicamente eram partes da Rússia (entraram na Ucrânia pelo voluntarismo marxista dos governos soviéticos e agora se sentem confusos), estão povoados por gente etnicamente russa, que ainda não é tão infectada pelas ideias russofóbicas. Como o nível de vida na Ucrânia pós-golpe vai deteriorar (igual que isso passou nos países bálticos ou Bulgária depois da perda de sua soberania no marco da UE), a gente dos territórios de antiga Novorossiya terão cada vez mais ressentimento e mais motivos para separação da Ucrânia. Além de isso depois do atentado em Odesa para muitos russos e ucranianos antiga "Ucrânia" ja se acabou, eles não reconhecem o novo estado neonazista, vassalo dos EUA e não querem viver em esse país.

Ao mesmo tempo pese a resistência heróica e rensсimento da ideia de Nova Rússia as repúblicas autoproclamadas ainda não dão certo!

- a rebelião não tem apoio da Rússia: presidente Vladimir Putin apelou a adiamento dos referendums por independência de Kiev [6], quando justo naquele tempo havia lacunas da legitimidade de Kiev que justificaram essas manifestações de vontade dos povos fartos de linguicídio (assimilação por lingua) e ucrainização forçada.

- no leste da Ucrânia é muito sensível o fator oligárquico: as províncias rebeldes sofrem mais com o exército privado do oligarca Igor Kolomoiski, posto por Kiev como governador de Dnepropetrovsk, do que do exército regular da Ucrânia, que não quer guerrear e se rende em massa. 

Além disso, alguns oligarcas como Rinat Akhmetov apoiam certas formações militares das repúblicas autoproclamadas e resulta que enquanto os idealistas pró-Rússia guerream exitosamente na frente, os demais não fazem nada na traseira, esperando o tempo quando eles possam vender sua resistência mais caro!

- É possível que os líderes da rebelião tenham falhado esperando em vão a ajuda do Kremlin. Seu plano era involucrar o Kremlin no conflito para ativar os processos da mobilização dentro da própria Rússia, que ficaria isolada no resultado de sua "agressão" contra a Ucrânia desestabilizada pelos EE.UU. Mas o grupo governante de Putin tem medo de perder o mercado energético da UE, eles não tem muita iniciativa, preferindo o jogo de defesa.

É curioso que os milicianos das províncias rebeldes estão dirigidos pela "literatura patriótica russa". O comandante que tem mais autoridade é um poeta e fã de recreações históricas Igor Strelkov (ministro da defesa da República Popular de Donetsk), seu braço direito é um escritor fantasta, coronel de tropas de DAA, Fiodor Berezin, entre os voluntários da Rússia (são uns 10% das milícias) estão os discípulos do escritor clássico Eduard Limonov, líder do Partido Nacional-Bolchevique (proibido pelo grupo de Putin).

- Enquanto um punhado dos românticos já mais de dois meses sem nenhuma ajuda do Kremlin guerreia exitosamente contra todo o exército da Ucrânia (consultado pelos militares de OTAN, financiado pelos créditos dos EUA, reforçado pelos mercenários de todas partes), as elites da República Popular de Donetsk perdem sua fraca legitimidade sem conseguir o controle operativo sobre a região (basta dizer que as provincias rebeldes continuam pagando 70-80% dos impostos para Kiev). Pese a referendum que disse "sim" a independência de Kiev, os grupos governantes das repúblicas autoproclamadas não estão consolidados e não conseguiram firmar um "contrato social" com o povo das repúblicas autoproclamadas. A gente (o povo) não quer fazer muito para sua independência, esperando que os russos lhes ajudem como a Rússia ajudou a Crimeia. 

Sem urgente ajuda da Rússia (militar, organizacional, financeira) a rebelião anti- golpe está fadada ao fracasso. Os jornalistas ganharão seu dinheiro e glória ("eu estive aí!"), os lideres vão ser evacuados para a Rússia ou Bielorrússia e milhares dos românticos pró-Rússia e locais pacíficos ficaram para sempre nas listas dos desaparecidos, liquidados pelos radicais neonazistas.

"Aquela ajuda, que vem da Rússia agora, foi necessária um mês atrás, quando ela pôde trazer um grande sucesso. Agora esse apoio dos voluntários mal nos ajuda ficar em pé, mas sem chance de virar o jogo a nosso favor. <...> Precisamos da ajuda da Rússia como do ar!" - escreve em seu informe de dia 8 de junho comandante Igor Strelkov.

Mas para a Rússia o custo de tal ajuda é o projeto de gasoduto "South Stream" [7]. É possível que o grupo de Putin vá trair essa rebelião pró-Rússia e 10 milhões de russos na Ucrânia se tornarão gente de 2ª classe como os russos nos países bálticos.

gasoduto russo South Stream e sua alternativa ocidental "Nabucco"
Fontes de informações:

1. http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2746941&Itemid=1

2. http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2014/06/08/recomecam-os-combates-no-leste-da-ucrania/

3. http://actualidad.rt.com/actualidad/view/130384-ucrania-desaparecer-periodistas-rusos-guardia-nacional-requisar

4. http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/exercito_assassina_milicianos_hospitalizados

5. http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/milhares-de-ucranianos-cruzaram-fronteira-diz-medvedev

6. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3849439

7. http://pt.euronews.com/2014/06/09/bulgaria-suspende-construcao-do-gasoduto-south-stream/

Redacção de Eduardo Consolo dos Santos

среда, 12 марта 2014 г.

Dividir a Ucrânia para conquistar a Rússia

Hoje, mais do que antes, está claro que a guerra fria entre a Rússia e o Ocidente ainda não acabou. Não importa o regime político da Rússia: czarismo, comunismo, capitalismo periférico, etc. - segundo os sabichões ocidentais os russos sempre são os maus! "Um povo bem-aventurado até idiotices é dirigido pelos maníacos". Acho que o nível da russofobia no Ocidente pode ser um indicador da força da Rússia.

É simbólico que os surtos da russofobia no Ocidente acompanham os êxitos culturais do "gigante simpático": a representação soviética na Exposição de Paris em 1937, o festival mundial da juventude em 1957, as Olimpíadas de Moscou de 1980 e as Olimpíadas de Sochi de 2014.


Por que a Ucrânia?


Porque a perda da Ucrânia pode desencadear a desintegração da própria Rússia! Falamos da ruptura das cadeias cooperativas (parcialmente desativadas pelo colapso da URSS), falamos da destruição do mercado comum, falamos da aproximação máxima da OTAN e da perda de nossa base militar na Crimeia. Para o demônio velho da guerra fria Zbigiew Brzezinski, a Ucrânia é uma das peças mais importantes no jogo pelo controle dos EUA sobre a Eurásia. O geo estrategista da hegemonia dos EUA só repete as ideias do político alemão Paul Rohrbach (um dos fundadores da Sociedade Thule, companhia matriz do NSDAP), para o qual a Ucrânia é a saida vital russa ao Mar Negro. Sem os países bálticos, a Polônia, Biélo-Rússia e Finlândia, mas só com a Ucrânia, a Rússia continua sendo uma ameaça para a Alemanha de Paul Rohrbach.

Alias Ucrânia é uma parte muito vulneravel do mundo russo: a Ucrânia desempenhou um papel decisivo durante o Tempo de Dificuldades no século XVI, quando ela virou um ponte da invasão polaca na Rússia. A guerra de Pedro o Grande contra Suecia (pela saida ao Mar Báltico) também acabou na Ucrânia. Só tenho que dizer que naquele tempo não foi usado muito o nome "Ucrânia" - essa parte da Rússia se chamava pelos russos com muito carinho a "Rússia Pequena", no sentido: "coração da Rússia, o centro do mundo russo", quando a Rússia Grande era so uma periferia da Rússia Pequena. O nome "Ucrânia" foi dado a essas terras pelos polacos: "ucrânia" quer dizer "margem, zona marginal, periferia" - assim com desdém os polacos chamavam esse territorio.

É importante ressaltar que a mesma ideia do estado "Ucrânia" (dos Cárpatos até o rio Volga e Cáucaso) foi desenhada pelos austríacos, alemães e polacos com objetivo de dividir aos russos para reinar a Rússia. Seus agentes principais nesse projeto de desmembramento do Império Russo eram os ucraniófilos galicianos e rutenos.

Polarização da Ucrânia

Hoje muitos sabichões descobriram que a Ucrânia está polarizada: há uma parte ocidental, economicamente muito pobre, mas politicamente radical e russofóbica (os galicianos) e há outra parte oriental que é rica, industrializada e pró Russia. As diferenças extremas se misturam no centro do país. 

Por que o Leste é pró Russia (a gente aqui fala russo e etnicamente se identifica como russos)? Porque o leste ucraniano foi a Rússia! Foi o camarada Lenin quem passou esses territórios à Ucrânia (RSSU) para aumentar o peso do proletariado nessa república agrária. É preciso lembrar que a gente do leste ucraniano é uma sub-etnia russa, nesse sentido em 1991 se desintegrou a unidade nacional dos russos!

E por que o oeste é tão russofóbico? Porque assim que ele foi desenhado pelos polacos, austríacos e alemães. A Galícia foi parte da Polônia, do Império austro-húngaro e logo do III Reich Nazista. É ali onde foi artificialmente criado e cultivado o nacionalismo ucraniano no século XIX, com grande ajuda da inteligencia da Áustria-Hungria. Além de isso o leste foi ao pé da letra desrussificado - durante a Primeira Guerra Mundial. Os austríacos organizam os primeiros campos da concentração na Europa: Thalerhof e Terezín justamente para os russos étnicos da Galícia, denunciados pelos galicianos e polacos. Durante esse genocídio dos russos, os galicianos já negam o seu etnônimo original - se antes eles eram rutenos, agora são os ucranianos. É curioso que os rutenos da Transcarpatia ucraniana, embora vivam no Oeste ucraniano,continuam sendo pró Russia, eles não aceitaram a ucranização imposta pelos austríacos.

Lenin não só entregou à Ucrânia o leste industrializado da Rússia, mas também apoiou o nacionalismo ucraniano dentro da sua lógica de luta contra o Império Russo como uma prisão dos povos. Seu plano foi transformar a luta pela liberação nacional na luta pelo socialismo. É curioso que outra marxista muito criativa - Rosa Luxemburgo até criticou Lenin por esse jogo com o nacionalismo ucraniano: "O nacionalismo ucraniano na Rússia foi muito diferente do que digamos os nacionalismos checo, polaco ou finlandês, ele foi nada mais do que uma mania, uma farsa de umas dezenas de intelectualóides pequeno-burgueses. Ele não tinha nenhumas raiz na economia, política ou campo espiritual desse país, não tinha nenhuma tradição histórica, porque a Ucrânia nunca foi nem nação, nem estado, sem nenhuma cultura nacional, se não contarmos com os poemas reacionários-românticos de Shevchenko. <...> E essa piada ridícula de uns professores universitários e seus alunos foi artificialmente exagerada pelo Lenin e seus camaradas com sua agitação doutrinária pelo "direito à autodeterminação" e foi transformada num fator político". É uma ironia histórica que hoje os "revolucionários" ucranianos destruam os monumentos a Lenin, que foi um dos pais da nação ucraniana!


A Ucrânia e seus novos heróis

no balanço com um moscovita, um fôlder de UPA





Os nacionalistas ucranianos de hoje odeiam Lênin, porque a memoria histórica é curta e eles preferem auto-identificar-se com a versão de seu nacionalismo mais nova, desenhada pelos nazistas, os quais só continuavam em sua propaganda as ideias de Paul Rohrbach e a lógica milenária de "Drang nach Osten". Por isso os santos mais venerados pelos nacionalistas ucranianos são os colaboradores nazistas que matavam as mulheres e as crianças russas, judeas e polacas durante a 2ª Guerra Mundial. Na realidade, só continuando seu trabalho de purgas étnicas, que tinham recebido durante a 1ª Guerra Mundial. Às vezes a crueldade sádica dos castigadores ucranianos se explica pela questão do "Holodomor", mas é preciso saber que a Galícia, a matriz do colaboracionismo, nem era parte da URSS, quando aconteceu aquela fome terrível (era parte da Polônia).

Também é importante dizer que os "heróis" do colaboracionismo ucraniano não lutavam por sua visão da Ucrânia, mas lutavam pelo III Reich dos nazistas, jurando fidelidade a Adolf Hitler. Não é correto pensar que essa gentalha colaborasionista lutava contra os alemães também. Um deles, Stefan Bandera, foi preso pelos nazistas em 1941, porque ele era mas útil para III Reich na prisão (como um mártir do nacionlismo ucraniano) - onde este "mártir" viveu muito bem, recebendo as prostituas. E, a coisa mais curiosa, ele foi liberado pelos nazistas em 1944! Que inimigo do III Reich mais forte! Depois de ter servido a Abwehr esse herói (responsável pela morte de centenas de milhares de polacos, russos, húngaros, judeus e ciganos) trabalha para MI6 até sua execução pela inteligência soviética em 1959.

A 2ª Guerra Mundial se acaba e a Galícia, região que na Idade Média era parte integrante da Rus’ de Kiev, mas que passou longos períodos de sua história sob jugo ocidental (polaco de 1349 a 1772 e 1918 a 1939, austríaco de 1772 a 1918 e alemão nazista de 1941 a 1944), foi integrada à Ucrânia Soviética (de direito em 1939 e de fato - em 1944) e muitos intelectuais galicianos viram um foco da atenção do governo soviético - lhes ofereceram os melhores trabalhos e moradia em Kiev (capital da Ucrânia) para que eles tenham a melhor vida possível no marco do sistema soviético. Sua gratidão de hoje são as marchas nazistas pela capital ucraniana que ficou em ruínas depois do golpe de estado, orquestrado pelos EUA e Alemanha.


A Ucrânia de 2004 e a de 2014


folhetos de Kiev e de Cairo são idénticos
Que diferença há entre a Revolução Laranja de 2004 e o golpe de estado de 2014? Na realidade se parecem muito! No fundo ambas as "revoluções" são revoluções falsas, "revoluções coloridas", é quando uma parte das elites aproveitando o descontento social-econômico do povo e os interesses geopolíticos dos EUA organiza um golpe de estado ao grupo governante sem mudar nada na situação econômica ou até mesmo piorá-lo. O mecanismo de uma "fake revolution" foi codificado na obra de Gene Sharp "Da ditadura à democracia" e experimentado na Tchecoslováquia em 1989, na Sérvia em 2000, na Geórgia em 2003, na Ucrânia em 2004, no Quirguistão em 2005, etc. Todas essas revoluções se parecem como duas ervilhas em uma vagem. Em qualquer país onde o estado é fraco e falido ("failed state") se pode organizar tal "revolução" carnavalesca duas vezes por ano.

Kiev de 2013 e Belgrad de 2000
Mas por que a intervenção estrangeira nas revoluções coloridas é tão importante? - podem perguntar os cínicos, lembrando que a partir das revoluções europeias de 1848 sempre se registra a intervenção estrangeira nos processos revolucionários. É verdade, mas o drama das revoluções coloridas é que não são democráticas - uma minoria com ajuda de mobilização da opinião pública dos jovens organiza um vácuo da legitimidade e intercepta o poder. Os próprios protagonistas das "fake revolutions" não representam os povos inteiros, senão só uma parte reduzida de seus respectivos povos.

Nesse sentido a revolução laranja de 2004 também foi um golpe de estado. Mas o golpe de estado em 2014 foi tão brutal, radical e abertamente coberto pelo Ocidente que é mais parecido às últimas agressões ocidentais contra a Líbia ou a Síria (embora se conserve a lógica da intecepção do poder: a "familia" de Yúlia Timoshénko ocupa o lugar da "familia" de Víctor Yanukóvich).




As bandeiras nazistas foram vistas na Ucrânia de 2004, mas em 2014 essas bandeiras monopolizaram o espaço urbano de Kiev! Além disso, os líderes da oposição parlamentar (que eram uma minoria no parlamento) não controlaram aos combatentes neonazistas, que atiravam as pedras contra os policias desarmados, os queimavam com os coquetéis Molotov e logo os disparavam com as armas de fogo. A oposição da rua se denominou como o "Setor de Direita", uma aliança de vários partidos, grupos paramilitares e movimentos de torcedores de futebol. Os jornais "Spiegel", "Le Figaro", canal britânico BBC, Lyndon LaRouche, Stephen Cohen, os políticos como Jean Asselborn, Heinz Fischer, etc. reconhecem que o motor principal das revoltas violentas em Kiev foram os grupos paramilitares neonazistas. Assim o terror foi a ferramenta principal do golpe de estado em 2014 (perseguição, ameaças aos familiares dos deputados, funcionários e policias, humilhação, terror físico, torturas, espancamento até a morte, censura dos meios de comunicação).


As etapas do golpe de estado


1. O presidente legítimo da Ucrânia (que não foi amigo da Rússia de maneira nenhuma) Viktor Yanukóvich, cuja legitimidade foi reconhecida por todos os organismos internacionais adiou a assinatura do acordo político de associação com a União Europeia. Foi a única coisa boa que fez esse governador, representante de um dos clãs oligárquicos do país. Segundo esse acordo a Ucrânia teria que sacrificar sua indústria, abrindo seu mercado para os produtos europeus. Além disso, o país deveria abandonar o apoio social ao povo por completo. Quando a União Europeia não ofereceu nenhuma ajuda financeira para "formatar o dísco rígido" da economia ucraniana segundo os padrões europeus. Obviamente os europeus procuram só um novo mercado de consumo e um novo exército de fura-greves para suas economias. Também eles estão interessados na rede de transporte de gás, nas plantas atômicas, nos portos e nas terras pretas da Ucrânia. Mas eles não oferecem a Yanukóvich nada. O presidente legítimo temporariamente suspende a assinatura de tal acordo absolutamente desfavorável para a Ucrânia.

2. Imediatamente Yanukóvich vira um "stalinista", fantoche dos chineses e russos (que lhe ofereceram a ajuda econômica em forma dos projetos económicos internacionais). Em Kiev começam os distúrbios. O presidente lembrando sobre a revolução laranja de 2004 tem muito medo de usar força e os policias se enfrentam com os protestantes sem armas nenhumas.

3. Os protestantes não querem esperar as eleições de 2015, querem eleições agora mesmo! Na capital da Ucrânia mais de 3 meses vivem dezenas de milhares dos "revolucionários" vindos todos da Galícia. Eles negam qualquer compromisso com o presidente Yanukóvich, eles continuam atacando os policiais, quebram suas mãos, lhes arrancam os olhos, os queimam. Os "revolucionários" ocupam umas sedes das administrações regionais, torturam os governadores. Mas o presidente Yanukóvich não usa a força.

Em Kiev entre os "manifestantes pacíficos" dão discursos os embaixadores dos EUA, França, Espanha, Alemanha, Dinamarca, vice-secretária de Estado Victoria Nuland (ela desse que os EUA pagaram 5 bilhões de dólares para promover a "democracia" na Ucrânia e querem ver os resultados), os senadores estadunidenses John McCain e Chris Murphy estão aí em Kiev, igual que o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha Guido Westerwelle, seu homólogo holandês Frans Timmermans, comissária do Comércio Europeu Catherine Ashton e muitos outros políticos da Lituânia, Polônia, República Checa, etc. Todos eles apoiando o golpe violento em Kiev e acusando à Rússia de intervir nos assuntos da Ucrânia!


4. 21 de fevereiro após a reunião com os líderes da oposição e representantes da Rússia e da UE (Alemanha, Polônia, França), o presidente ucraniano, Viktor Yanukóvich cede a todas as demandas da oposição (eleições presidenciais antecipadas incluídas), mas os "líderes" da oposição não podem controlar aos neonazistas do "Setor de Direita" que não gostam da UE e sonham com um estado nazista, puramente ucraniano! Os neonazistas continuam o terror nas ruas, o presidente Yanukóvich foge para a Rússia.

5. Ao poder sobe uma junta composta pelos opositores neoliberais e oligarcas pró-UE (e até aquí e uma clássica revolução colorida), mas também no poder agora estão presentes os neo nazistas, que controlam todos os organismos de força. Kiev é dominado por saques e caos. O povo foge da Ucrânia: 140 mil ucranianos pedem asilo na Rússia. A primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa, língua na qual 50% da população fala em casa.

6. A junta nomeia como governadores das regiões pró-Rússia de Khárkov e Donetsk oligarcas russofóbicos. Essas regiões são doadores para todo o país (valeu a pena o sacrifício de umas 100 pessoas para adiantar eleiçoes por um ano e trocar uns oligarcas por outros?).

7. O golpe de estado provoca uma serie das revoltas pró-Rússia no Sudeste do país. Surgem os governos populares que não reconhecem a junta golpista e pedem à Rússia ajuda, porque eles têm medo de um eventual genocídio, similar ao ocorrido em 1995 na região sul da Croácia contra os sérvios da região de Krajina (leia-se Kraiina), perpetrado por croatas viúvas da Ustashe de Ante Pavelich, a qual assim como a OUN-UPA de Stepan Bandera foram ativos colaboradores dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. É obvio que os EUA e a junta estão interessados só em guerra europeia. Os golpistas não podem se manter sem ajuda militar da OTAN, porque os soldados ucranianos não querem defender a junta ilegítima (quando a junta anunciou a mobilização total, só um 1,5% dos recrutas se presentaram nas caixas de recrutamento).

"pessoas gentis" na Criméia
8. A região da Criméia (assim como o sudeste habitado maioritariamente por russos étnicos) proclama sua reincorporação à Rússia e pede ajuda militar. Esta decisão vai ser confirmada no referendum do dia 15 de março. Na Criméia aparecem as "pessoas gentis" - as forças de autodefesa. Também ali estão os soldados russos: há 16 mil soldados russos na Criméia. Desde 1994 a Rússia e a Ucrânia tem um tratado que permite à Rússia ter até 25 mil soldados na região. Aliás, a Rússia está presente na Criméia desde o século XVIII, mais precisamente desde 1783, quando da anexação do Khanato da Criméia (até então um estado vassalo do Império Otomano) por parte de Catarina a Grande. É lógico que a Rússia quer garantir a integridade física dos russos na Criméia, igual que há preocupação pelas armas que o estado russo tem lá e não quer que sejam roubadas pelos neonazistas.

9. Uns milhares de soldados ucranianos passaram para o lado dos russos. Mas as tropas da Ucrânia se concentram perto da Criméia, dirigidas não pelos militares senão pelos comissários da junta, cobertos segundo certas informações pelos mercenários das empresas militares privadas dos EUA, como Xe Services LLC (ex Blackwater). Segundo os trabalhadores do aeroporto de Kiev "Boríspol" as reservas de ouro da Ucrânia ja são trasladadas para os EUA.

10. A melhor saída da crise ucraniana poderia ser criação de uma federação ou até confederação da Ucrânia para salvar as diferenças étnicas, culturais e religiosas. Mas isso é pouco provável porque o Ocidente quer comer a Ucrânia ante todo economicamente e inclui-la em seu lebensraum, da mesma forma com que Hitler tentou fazer durante a Segunda Guerra Mundial.

De qualquer modo os recursos económicos da RSSU (Ucrânia Soviética) têm sido acabados durante os últimos 20 anos e o estadismo russofóbico ucraniano demostrou uma vez mais sua incapacidade político-económica.

Uns links que podem ajudar:











четверг, 19 декабря 2013 г.

Sobre o código cultural dos russos


Todos que conhecem a Praça Vermelha lembram de um predio vermelho oposto a São Basilio, que também parece um castelo de contos de fadas: o Museu Histórico. O predio é muito lindo, mas são poucos os turistas que se atrevem a entrar no Museu. Os guias costumam dizer que é complicado demais, que o Museu interpreta a historia da Rússia a partir dos tempos dos dinosaurios. É verdade que este museu requer muitos conhecimentos de guias, eu não acredito que na Rússia haja muitos especialistas que poderiam guiar bem por este museu a menos em russo. Para dar-lhes a ideia do que falamos eu traduzi as conclusões do livro de Serguei Nefiódov "História da Rússia. Análise de fatores. Desde os tempos antigos até as Grandes Revoltas do século XVI".

O destino da Rússia, em grande medida, foi determinado pelo fator geográfico. A planície russa era uma enorme floresta, ao sul, da qual ficavam as estepes e ao noroeste - "o Deserto do Norte", Escandinávia, que naquele tempo era quase inutilizável para a agricultura.


A grande Estepe


A Estepe Pôntica era um ramo ocidental da Grande Estepe que ocupava a metade da Eurásia; isso era uma habitação dos povos nômades, que se diferem muito pelo estilo da vida dos agricultores.O nomadismo, a arte da equitação e a constante luta cruel pela existência transformaram os nômades nos centauros, que disfrutavam da total excelência militar sobre as milícias pedestres dos pacíficos povos de floresta. O papel da técnica militar com toda a força demonstrava a influência do fator tecnológico: de vez em quando as innovaçoes da aplicação da cavalaria davam aos nômades as novas vantagems militares - e como resultado do Oriente, da Grande Estepe, para a Estepe Pôntica vinha uma onda de turno da invasão dos invencíveis e crueis conquistadores.

A onda de citas foi ligada à aparência dos arqueiros a cavalo,
a onda de sármatas - à de catafratos com lanças,
a de hunos - à invenção do composto arco de huno,
a de ávaros - à aparência de estribo,
a de turcos-khazares - à criação da sela turca,
a de cumanos - à aparência do sable,
a de mongois - à criação do arco mongol (este arco era um invento tão importante na sua época que pode ser comparado com o famoso Kaláshnikov, a arma era tão terrivel que formou parte do conjunto da coroação dos czares rússos junto com o Gorro de Monómaco, etc.).

Escandinávia


Outro foco que vomitava as ondas das invações era o "Diserto do Norte": a alta pressão demográfica, atividades pecuarias e guerras constantes faziam a mentalidade escandinava parecida à mentalidade agressiva dos nômades, e de vez em quando nas mãos dos escandinavos caiam as armas novas. A onda das conquistas escandinavas foi ligada à criação de dracar, quando a invasão dos góticos - à tática da falange de lanças.

Os eslavos entre dois fogos

As áreas de floresta e de estepe da Planície Russa eram muito diferentes pelas condições das atividades econômicas. Ao contrário da Grande Estepe nas estepes do Mar Negro era possivel a agriculutra; alem disso, em comparação com a área florestal os solos aquí eram mais ferteis e o clima era mais quente, por isso os habitantes da floresta sempre quiseram se mudar para a floresta-estepe e logo - para a estepe.

Não obstante as invasões regulares dos nômades redundavam na morte dos estabelecimentos dos lavradores na estepe. Os lavradores sobreviventes fugiam para as florestas do norte, mas os nômades os perseguíam e submetíam as áreas florestais do Sul - quando as tribos florestais do norte ficavam independentes (ou quase independentes). Logo quando a situação se estabilizava, os eslavos submitos saiam das florestas e com permissão dos conquistadores voltavam a trabalhar nas florestas-estepes - mas a seguinte invasão outra vez redundava na morte destes estabelecimentos.

As ondas de invasões e catástrofes demográficas dividiram a história da Planície Russa em varios periodos. Às vezes as invasões seguíam uma à outra tão rápido, que os conquistadores não tinham tempo para criar um estado novo. Assim era no periodo das Grandes Migrações dos Povos, quando depois dos hunos vieram os ávaros, e logo - os antigos turcos (turcutos). Em outra ocasão os cumanos, que conquistaram as estepes do Mar Negro, não puderam aproveitar sua superioridade nas condições das florestas, então a planície foi dividida entre varios povos pelas fronteira das áreas naturais. Em total se conta sete períodos, quando na Planície Russa existíam relativamente estaveis organismos estatais ou tribais:

o período dos citas,

o dos sármatas,

o dos góticos,

o dos khazares,

o de Kiev,

o dos mongois,

o de Moscou.

Se tentamos achar algo comum na dinâmica histórica deles, teremos que notar que todos eles começavam depois das catástrofes demográficas, logo prosseguia o crecimento da população, que terminava com uma nova catástrofe ao final do período - de este modo, se trata dos ciclos demográficos. Nos seis casos exceto o último, o de Moscou, a causa principal da catástrofe foi uma invasão dos novos povos, originada pela criação de novas armas. O nascimento do czarstvo (reinado) de Moscou e domínio da povoação russa também estãoligados a uma inovação fundamental: o surgimento das armas de fogo, que provocou uma onda das conquistas russas. Depois do final das conquistas, começava o período da síntese social, quando entre os vencedores e os vencidos acontecia um ativo intercambio cultural. Os resultados das sínteses em todos os casos, exceto o de Moscou, foram as criações dos estados xenocráticos, onde os conquistadores se tornavam um estamento militar.

Alem disso os representantes submetidos do estamento militar anterior, que dominava antes, também entrava na nova classe governante. Na variante de Moscou, a corte russa integrou também aos tártaros, neutralizados na época de Ivã, o Severo. Às vezes, os povos submetidos tomavam o nome dos conquistadores (no período de citas e no de Kiev).

Segundo Serguei Nefiódov, no período de Kiev os eslavos foram conquistados pelos escandinavos (no século IX, os escandinavos eram um pesadelo de toda Europa: eles destruiram as maiores capitais europeias - Paris, Londres, Sevilha, Lisboa, etc. Eles conquistaram por completo a Irlanda, a Ingaterra, a Normandia. Na Normandia os vikings pouco a pouco se mezclavam com os conquistados e se adaptaram às leis da França, aportando a suas técnicas. Mas, se finalmente as nações europeias puderam resistir aos vikings com ajuda da sua cavalaria, no Leste, os eslavos, que ainda não tinham a cavalaria, falharam. Como os saxões conquistaram a Inglaterra, os vikings conquistaram aos eslavos, mas depois eles mesmos foram digeridos, absorvidos, triturados pelos eslavos e pelos seus espaços, deixando para os eslavos só o seu nome - "russos", que quer dizer na sua lingua "os remadores de drakkar".).

Mix das cultúras diferentes dentro do código cultural dos russos

A especifidade da Planície Russa é a sua proximidade com os poderosos e culturais estados do Mediterraneo e do Oriente Médio. Por isso, logo depois da estabelização do novo estado, ele começava a experimentar as fortes infulências políticas e culturais vindas do Sul. Logo ele se tranforava parcialmente segundo os padrões dos vizinhos sulinos. O período dos citas foi caracterizado pela assimilação da cultura grega, os góticos assimilavam a cultura romana, os khazares assimilavam as culturas judaicas e muçulmana do Oriente Médio, os varangos-russos - a cultura bizantina, os mongois e tártaros - a cultura persa, os moscovitas - as práticas militares e políticas dos otomanos. Em certos casos adotava-se não só a cultura, mas tambem a religião: os khazares se converteram ao judaismo, os russos - à ortodoxia, os mongóis-tártaros - ao islã. Em todos os tres casos (no quarto caso de Moscou também) a transformação segundo os padrões do Oreinte Médio levou à adoção de práticas da monarquía estatista.

<...>

As civilizações vizinhas se subordinavam à periferia pôntica também em relação comercial. Conforme a teoria dos sisitemas-mundos de Immanuel Wallerstein os novos estados da Planície Russa se integravam rápido ao mercado mundial e forneciam as mercadorias necessárias para os paises sulinos. Usualmente isso eram as peles e os escravos, capturados durante as lutas intestinas ou as repressões contra os rebeldes. O tráfico de escravos prosperava específicamente nos períodos dos citas, de Kiev e dos mongois, quando na época de Moscou o tráfico de escravos era negócio dos tártaros de Criméia, que faziam incursões na Rússia.

Os tártaros de Criméia invadiram os mercados europeius com tantos eslavos, que a mesma palavra "eslavo" nas línguas européias se transformou no "escravo".


Ainda que a elite xenócrata cobrasse da população conquistada um tributo, o tráfico de escravos era uma fonte de renda mais importante. Entretanto os chegados ao poder monarcas autocráticos não deixavam escravizar a seus súditos, quando as fontes externas dos escravos se esgotavam bastante rápido para o final da conquista. De tal maneira a elite crescente sentia a redução de suas rendas e suas aspirações lógicas eram dirigidas para subversão da autocracia e para eclosão das guerras intestinas com finalidade de captura dos escravos. Estas aspirações se convergíam com a reação tradicionalista contra as vindas do Oriente Médio práticas etatistas - no final das contas o estado desolava nos principados fragmentados e canatos. De modo natural se manifestavam também outras lógicas do ciclo de Ibn Khaldun (pesquisador das elites do século XIV): enfraquecimento da coesão social ("assabyiyah") dos conquistadores, desenvolvimento do individualismo e consumismo.


Assim foi o desenvolvimento nos períodos de Kiev e dos mongóis, ele foi determinado principalmente pelos processos da difusão e acontecia segundo o ciclo de Ibn Khaldun:

- a síntese social e criação do estado xenócrata

- a transformação pelo padrão do Oriente Médio

- o período do domínio da monarquía etatista

- a reacção tradicionalista

- a dissolução e

- a nova conquista.

Parece que por este esquema também aconteceu o desenvolvimento no período dos khazares, como deixam julgar as poucas fontes que temos. O fator demográfico nesse período não foi determinável. Nos períodos de Kiev e dos mongóis, sua manifestação se constava só na região de Noroeste, onde o nicho ecológico era pobre e a superpopulação acontecia bastante rápido. Como prediz a teoria estrutural-demográfica, a Compressão conduzia aqui ao desenvolvimento das cidades, artesanatos, ao esplhamento de latifúndios e aluguel, à paupérie dos camponeses e aos conflitos sociais nas cidades - e logo ao fome, epidemias e catástrofes demográficas. Não obstante nas outras regiões da Rússia havia suficientes terras e as causas das catástrofes aí eram as invasões dos enemigos exteriores.

Ivã o Severo, o primeiro czar da Rússia
Um andamento um pouco diferente das coisas se registra no período de Moscou. O estado de Moscou não foi resultado da conquista e seu surgimento foi relacionado não com uma onda de conquista senão com a de difusão. O abraçamento da nova tecnologia militar durante esta transformação permitiu ao czarstvo de Moscou virar um centro de força na Planície do Leste Europeu; isso desencadeou uma onda das conquistas russas, que deu inicio ao enorme estado russo. De tal maneira no ciclo descrito acima as duas primeiras etapas foram omitidas e o desenvolvimento começou diretamente desde a transformação segundo o padrão do Oriente Médio. Isso foi o primeiro caso, quando a onda de conquista saiu das terras eslavas e os eslavos obrigaram aos outros povos a copiar seus padrões. Não obstante estes padrões por sua vez foram engendrados pela transformação segundo o modelo do Império Otomano. Seguindo as etapas do ciclo descrito encima o czarstvo de Moscou sobreviveu o período do dominio de uma monarquía etatista e da reação tradicionalista, que não foi forte e não conduziu à dissolução do estado.

Quando se fala da monarquía etatista aquí se trata de Ivã, o Severo.

E a reação tradicionalista ao inicio do século XVII foi uma guerra das elites com finalidade de escravizar aos camponeses segundo o modelo da Polônia (fartos das tendências democratas de Ivã o Severo as elites quererem eleger os reis como na Polônia e manipula-os a seu gosto), as elites estavam já a ponto de eleger ao trono russo um rei polaco!