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пятница, 8 мая 2015 г.

Sobre a profanação da 2GM

Não é de se surpreender que o Ocidente menospreze o protagonismo da Rússia (a URSS) na Segunda Guerra Mundial. No resultado desta campanha vergonhosa a maioria dos cidadãos do Ocidente e de sua órbita “cultural” acham que a Segunda Guerra Mundial foi iniciada pelos monstros totalitários: a URSS e a Alemanha Nazista em 1939 - com a partição da Polônia, e que a guerra foi finalizada pela vitória dos EUA com o desembarque na Lua. É triste, porque nos primeiros anos após a guerra, a contribuição fundamental da Rússia era indiscutível, mas também o monopólio atual de Hollywood sobre a vitória é lógico: porque a Rússia ficou fraca e não conseguiu se defender adequadamente no campo informativo-memorial. 

Seja como for, o quadro fantástico pintado pela propaganda dos EUA se destrói com uma só pergunta: por que os "heroicos" aliados da URSS abriram a segunda frente apenas no final da guerra - em 1944?

A Campanha Norte-Africana de 1940-1943 e aInvasão Aliada da Itália em 1943 não podem ser um argumento sério, porque sua escala é incomparável com a situação na frente russa. É pouco provável que haja fanáticos que vão refutar este fato, mas temos que aceitar que quanto mais degradação intelectual vivermos, mais provável será a distorção destes enredos. Por ora uma das formas mais "populares" da profanação da vitória é o lend lease

A ajuda dos aliados no marco do lend lease se estendia de 4 a 10% das possibilidades da URSS. Deixamos passar em branco o fato de que os aliados não cumprissem com suas promessas sobre os volumes de fornecimento de armas, que seus armamentos em muitos casos já não eram atuais tecnicamente. “Já para a primaveira de 1943 as Forças Armadas dos EUA superaram os nossos 8,5 mlhões soldados, - escreve o historiador russo Boris Iúlin, - eles tem uma fortíssima indústria militar. E isso, só nos meados da guerra. A Inglaterra (sem contar as colônias e domínios) tem 4,8 milhões. Junto com a URSS a coalizão anti Hitler tem o dobro superioridade sobre o inimigo em terra e quatro vezes no mar e no ar. O que os atrapalhou de eliminar o inimigo com os golpes decisivos e acabar com a guerra? A URSS, na primavera de 1943, manteve em frente mais de 6 milhões de soldados – quando os aliados, que são duas vezes mais numerosos, tinham à sua frente menos de 1 milhão...

Tudo é certo – “que estes russos e alemães matem uns aos outros tanto quanto possível!”. Assim, nossos “aliados fiéis” não precisariam abrir uma segunda frente em 1942 e, ao invés disso, prometeram fazê-lo em 1943. Porém, eles não o fizeram em 1943, mas juraram em Teerã que o fariam já na primavera de 1944... Como resultado, uma segunda frente é aberta no verão de 1944, quando a eliminação da Alemanha já é evidente para todos.

Na guerra de coalizão a ajuda real pode ser uma só: as ações ativas de combate em larga escala. Não foram os aliados que nos ajudaram, mas sim nós que os ajudamos. Nós assumimos por eles a carga das principais ações de combate.

Mesmo se o lend lease não fosse de 4-10%, mas de 100%, e estes fornecimentos não fossem por dinheiro, mas sim de graça, do mesmo jeito isso não mudaria a realidade de que fomos nós que ajudamos os aliados, morremos por eles.

Seria melhor se as armas que eles nos mandavam fossem usadas na Europa pelas mãos dos soldados estadunidenses e ingleses. Essa seria uma ajuda mais adequada por parte deles". [1.]

“Desde os primeiros dias da guerra, Stalin solicitava raivosamente dos aliados anglo-americanos que abrissem imediatamente a segunda frente, - escreve o historiador Arsen Martiroçian. – Em resposta a Grã-Bretanha ofereceu-lhe permissão para introduzir suas tropas na Transcaucásia – com o baixo pretexto de proteção dos reservatórios soviéticos de petróleo. Os EUA ofereceram que lhes alugassem os aeródromos soviéticos no Oriente Extremo”. [2.]

Lembrando da ajuda "sangrenta e desinteressada" dos anglo-saxões durante a Guerra Civil, quando tivéramos que expulsar os invasores com força, estas ofertas foram rejeitadas. Os britânicos não queriam derramar a sangue e continuaram oferecendo seus serviços de guardas para os centros soviéticos da produção e processamento de petróleo (86,5% foram concentrados na Transcaucásia (Bacu) e no Cáucaso (Grozni). 

A oferta dos EUA não foi menos vil e provocativa – se a URSS deixasse aos EUA alugar os aeródromos no Oriente Extremo, ela automaticamente violaria as condições do Pacto de Neutralidade de 13 de abril de 1941. O Japão declararia a guerra à URSS! 

Resumindo - a ajuda dos aliados é tão vergonhosa como sua instigação da guerra [3.]. Não falamos aqui sobre a colaboração em massa dos países ocupados pelos Nazistas nem sobre a evacuação de certos capos de Nazistas e seus colaboradores no pós-guerra para o Ocidente.

2. Arsen Martirosian “200 mitos sobre Stalin” 
3. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/02/2gm-refresquemos-memoria.html

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среда, 4 февраля 2015 г.

2GM: refresquemos a memoria

De vez em quando todos oimos falar as coisas tipo:


Que diabo é que celebramos a Vitória na Segunda Guerra Mundial em Moscou?


Os alunos americanos já sabem que na Segunda Guerra os EUA guerrearam contra a Alemanhã Nazista e contra a URSS comunista, só acabaram com os nazistas em 1945 e com os comunistas em 1991.

Meu Deus! Os EUA acabam com os tiranos cada ano! Por que falamos tanto da 2GM. Basta!


Estas bobagens podem ser indiscutíveis nos EUA, mas hoje elas também viram uma norma entre as elites periféricas da Europa (países como Polônia, cujos cidadãos não se consideram da "primeira classe", onde as elites preparam seus povos para a missão da bucha de canhões). Refresquemos a memoria, por favor.

Ocidente é culpado na tragédia

Em 1936 o Japão e a Alemanha assinam o Pacto Anti-Komintern, dirigido contra a URSS. O Japão e a Alemanha consideram a URSS o alvo principal de sua expansão neocolonial. Londres e Paris fazem a vista grossa sobre a militarização da Alemanha (violando o Tratado de Versalhes de 1919).

Claro, que a URSS alerta intenta criar um sistema de segurança na Europa. No dia 2 de Maio de 1935 a URSS assina o Tratado de Amizade, Cooperação e Ajuda Mútua com a França e a Checoslováquia (os objetos potenciais da agressão germânica).

Desde o abril de 1935 até 1938 a URSS oferece à Inglaterra e a França combinar um Tratado Trilateral, mas não recebe nenhuma resposta concreta até quando ambos os países ocidentais façam um tratado ...com Hitler (Acordo de Munique). "Obsequiamos a Hitler a Europa de Leste para que nos deixe em paz".

Londres e Paris observam com calma a intervenção da Alemanha na guerra civil da Espanha, a introdução das tropas alemãs na zona desmilitarizada da Renânia, o Anschluss da Áustria.


O dia 30 de setembro de 1938 é uma das páginas mais vergonhosas na história do Ocidente: foi assinado o Acordo de Munique (na historiografia russa "Conspiração de Munique"). Londres e Paris bendizeram Hitler para anexar os Sudetos da Checoslováquia.


Em 1939, já bendito pelas potencias mais fortes da Europa, Hitler decide destruir o estado da Checoslováquia. A França não reage, embora ela tenha as obrigações de aliado ante a Checoslováquia [1]!

Em agosto de 1939, Moscou outra vez intenta assinar um Acordo Trilateral com a França e Inglaterra, mas Paris e Londres não querem tomar nenhuma responsabilidade [2].

Obviamente os grupos governantes do Ocidente não viram nada ruim na agressão da Alemanha Nazista contra a URSS.

Como disse Churchil: "O Munique e muitas outras coisas convenceram o governo soviético que nem Inglaterra, nem França não iriam combater, até quando não fossem atacados, e até neste caso elas seriam inúteis".

A URSS ganha tempo, vai resistir sozinha

Em 23 de agosto de 1939 a URSS, o último de todos, assinou com a Alemanha Nazista o Pacto de Não Agressão [3]. O pacto Mólotov-Ribbentrop foi assinado nas condições da agressão da Japão (no auge dos combates no rio Khalkhin Gol) [4]. O objetivo do pacto é ganhar o tempo e se preparar por conta do inimigo.


Sublinhemos outra vez: a URSS não foi primeiro que assinou um pacto com a Alemanha:

Em 1935 a Polônia assinou o Pacto Beck-Ribbentrop;

Em 1935 a Inglaterra assinou o Pacto Hoare-Ribbentrop;

Em 1938 a França assinou o Pacto Bonnet-Ribbentrop. Este pacto foi dramático para os pequenos países da Europa Continental: se a França tem medo de Hitler, naturalmente a Hungria e a Romênia começam a se reorientar para Berlim;

Em 1938 a Dinamarca;

Em 1939 a Letônia e a Estônia assinaram os Acordos da Paz e Amizade com a Alemanha Nazista;

Em 1939 a URSS, o último de todos, assinou o Pacto Mólotov-Ribbentrop.

A histeria ao redor dos protocolos secretos do Pacto Mólotov-Ribbentrop (sobre o delineamento banal das esferas de influência) útimamente virou um pretexto para demonizar a URSS como um país agressor igual à Alemanha e Japão. Então, se a Rússia é sucessora da URSS, ela também deve pagar as indemnizações à Letônia, Lituânia, Estônia, Polônia, etc. Seria oportuno, se a Rússia fosse marginalizada e expulsada da ONU, - deduzem os "intelectuais" manipuladores.

O caso da Polônia

A URSS em certo sentido decidiu os destinos da Polônia e os Países Bálticos (para mudar a frente de suas fronteiras o máximo possível). Mas antes a Inglaterra e a França decidiram o destino da Checoslováquia em 1938! [5].

Contudo o Pacto Mólotov-Ribbentrop não pressionou o gatilho da guerra. A Diretiva de Hitler sobre a agressão contra a Polônia Fall Weiss ("Caso Branco") aparece já em três de abril de 1939 - antes do Pacto Mólotov-Ribbentrop.

Quando as tropas da URSS entraram na Bielorrússia Ocidental e na Ucrânia Ocidental a Polônia como tal já deixou de existir, seu governo fugiu do país! Não se pode falar da nenhuma "punhalada nas costas".

Também a desavergonhada elite da Polônia deve lembrar, que a Polônia em princípio não poderia se opor à Alemanha (até a França não pôde fazê-lo), a Polônia igualmente seria ocupada! A questão foi se Hitler obteve só uma parte da Polônia ou todo o país.

Além disso, o Pacto Mólotov-Ribbentrop não interferia à Inglaterra e França ajudar à Polônia, que tinha com eles os acordos respectivos. A Polônia atual, vassala dos EUA deve dirigir suas reclamações para a Inglaterra e a França.

Às vezes dizem que a URSS deveria ajudar à Polônia e a França. Mas a Inglaterra e a França mesmas evadiram as assinaturas do respectivo acordo com a URSS. A Polônia "vitimada" diretamente excluiu qualquer cooperação com a URSS. Não vamos lembrar que para 1938 a Inglaterra, a França, a Polônia já assinaram os pactos de não agressão com Hitler. A Alemanha denunciou seu pacto com a Polônia quatro meses antes do ataque: os aliados tinham bastante tempo para ajudar à Polônia.

Resumindo há de reconhecer que a Inglaterra e a França para o prazer de Hitler sacrificaram não só a Checoslováquia, mas a Polônia também. A França sonhava em dirigir a Hitler contra a URSS. Quanto à Inglaterra, ela também não estava contra a ocupação germânica da França. Como resultado de tal política dos maiores países europeus a Rússia ficou sozinha contra toda a Europa continental, reunida por um país, igual à situação de 1812.

Início da guerra

Em 17 de setembro de 1939 na situação da agressão da Alemanha contra a Polônia, quando o estado polaco quebrou, o Exército Vermelho entrou nos territórios da Ucrânia Ocidental e Bielorrússia Ocidental (terras russas ocupadas pela Polônia no resultado da guerra entre a Polônia e a URSS em 1920-1921).

A Inglaterra e França declaram guerra à Alemanha, mas não tomam nenhuma medida, esperando que a Alemanha continue seu vector oriental.

A URSS se prepara para resistir sozinha. Para mudar a linha da frente de Leningrado a URSS oferece à Finlândia uma troca de terras. A Finlândia recusa e no resultado da Guerra de Inverno em 1939-1940 a Finlândia satisfaz todas as pretensões da URSS.

Em 1940 a URSS se reintegrou com os bálticos (Lituânia, Letônia, Estónia). Os exércitos destes três estados juntos tinham 420 mil soldados, todos eles vão guerrear pela URSS. Se não fosse feito o "delineamento banal das esferas de influência", estes soldados guerreariam contra.

P.S.

Os conspirólogos que deliram publicamente sobre a suposta amizade entre Stalin e Hitler, esquecem facilmente que a URSS ainda em 1936 lutou contra os nazistas alemães e os fascistas italianos na Espanha (quando todo o establishment ocidental estava presente em Berlin, orgasmando com Hitler durante os jogos olímpicos, boicotados pela URSS, naturalmente). Ao mesmo tempo, a partir de 1937 a URSS começou a apoiar a China contra a invasão do Japão.

Notas

1. A URSS conforme ao Tratado de Amizade, Cooperação e Ajuda Mútua, assinado com a França e a Checoslováquia em 1935, deveria atuar só depois da reação da França.

2. A Checoslováquia antecipando a agressao da Alemanha enviou aproximadamente 80 toneladas de seu ouro para a Inglaterra, mas em marzo de 1939 depois de ter ocupado por compelto a Checoslováquia Hitler pediu que este ouro fosse devolto. O chefe do Banco da Inglaterra Montagu Norman e ministro de finansas John Simon fizeram o que pediu Hitler.

3. Depois de que a Inglaterra e a França em 1935-1938 ignoraram os intentos soviéticos de criar um sistema de seguridade na Europa.

4. O Japão declarou um protesta à Alemanha, interpretando o Pacto com a URSS como uma traição. O resultado foi o cambio da direção de expansão nipónica - para o Sul e não contra a URSS. Assim, graças ao Pacto Mólotov-Ribbentrop a URSS liquidou a segunda frente da guerra contra a Rússia.

5. No protocolo segredo do Acordo Halifax-Rachinski de 1939 entre a Inglaterra e a Polônia foi escrito, quando a Inglaterra e a Polônia podem atacar o terceiro país (Alemanha ou "outro país"). Neste protocolo mesmo a Inglaterra de fato obsequiou à Polônia o porto de Danzig (em polonês Gdańsk), cujo direto extraterritorial foi colocado sob a proteção da Liga das Nações. Há milhões de exemplos da intervenção das potências nos assuntos dos terceiros países.

Baseado no manual do historiador russo Vladislav Tsigankov


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вторник, 3 февраля 2015 г.

Eterno retorno de stalinismo

Vocês acham que Putin se parece com Stalin?
O alvo do Ocidente no teatro de operações na Ucrânia é a mudança do regime em Moscou e como consequência o congelamento dos projetos russos da União Aduaneira/União Econômica Eurasiática. Também é importante moderar BRICS/OCX, que desafiam a hegemonia dos EUA.

Para atingir esse objetivo, de um lado, o Ocidente está interessado na escalada da guerra civil na Ucrânia (ajuda militar e financeira para Kiev) - assim, se consegue polarizar a sociedade russa. De outro lado, o Ocidente proclama uma guerra econômica contra a Rússia (sanções) - assim, se ativa o cisma das elites russas.

O cisma da sociedade e a das elites nas condições do déficit de recursos deve levar a Rússia para uma decadência (no pior dos casos: desastre da guerra civil e desmoronamento).

1. O cisma da sociedade

Não é suficiente que o Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) junto com os cossacos disfarçados passe para o lado da oposição neoliberal (Navalniï/Khodorkovskiï). Também é necessária uma cena de multidão para os canais tipo CNN. Quem não veio para a Praça de Pântano em 2012 [1]? Quem não veio para a Praça de Manezh em 2010 [2]?

Para ativar esta galera se lançam os memes como "sovok", "horda", "basta de dar de comer ao Cáucaso" (em Moscou), "basta de dar de comer a Moscou" (fora de Moscou).

O cisma da sociedade se realiza:

- por via ideológica ("sovok/horda" vs "liberais/europeus")

- por via territorial (Moscou, as repúblicas étnicas, Sibéria [3])

A degradação intelectual pós-soviética só fomenta o crescimento do ódio mútuo e a radicalização da sociedade.

Por exemplo, um "cidadão irritado" publica em seu Facebook uma foto das portas a um pequeno parque memorial, dedicado ao dia 9 de Maio. As portas estão pintadas como a bandeira da URSS e a bandeira da Rússia. O "cidadão alerta" escreve vincadamente em inglês: "Back to the Future!" Seus amigos lhe respondem em comentários: "Há de disparar uma metralhadora contra essa bosta!".

Ou uma jovem nos informa sobre a apertura de uma exposição dedicada a Lenin "Mito de nosso líder amado" e sugere para os "iniciados": "Vocês sentem os cheiros de..."?

Ao mesmo tempo, se para os liberais "tudo está claro", os patriotas estão confundidos: "Cheiros de que? Qual re-sovietização? Onde vocês vêm o retorno de stalinismo? Na política do Banco Central? Nas reuniões ultraliberais do Fórum de Gaidar? E as privatarias contínuas de tudo - isso também é o retorno de stalinismo?".

1.1 Meme do eterno retorno de stalinismo 


Os patriotas perguntam: "Vocês acreditam seriamente que os numerosos monumentos dos últimos anos a Stolypin (primeiro ministro de Nikolaï II), Alexandr I (tsar, famoso por seu liberalismo), Brodskiï (poeta dissidente), Kolchak (líder do Exército Branco), até temos um monumento ao iPhone - sério vocês acham que tudo isso é "sovok" e "eterno retorno de stalinismo"?


Os liberais mais astutos respondem que "sim". "Stalinismo" em dado caso já não tem a ver com a URSS, o stalinismo é "tudo, que tem a ver com a história do estado na Rússia". A própria visão historicista já é um elemento de stalinismo! O culturólogo Vladimir Paperniï para explicar este fenômeno desenhou o modelo da oposição "Cultura 1 vs Cultura 2".

Conforme ao "preconceito" de Paperniï toda a história da Rússia é um círculo vicioso formado por 2 ciclos. Um ciclo é "criativo", orientado para o Ocidente, chamado "Сultura1". E outro ciclo é "obscurantista", orientado para o Oriente, chamado "Cultura 2".

Cultura 1
Cultura 2
A Rus’ de Kiev e de Novgorod
A Rus’ de Vladimir e de Moscou
Danylo da Galícia
Aleksandr Nevskiï
Ivã III
Ivã IV (o Severo)
Tempo de Dificuldades e Cisma da Igreja Ortodoxa Russa em XVII
Tsar Alekseï Mikhailovich, patriarca Nikon, Pedro I (?)
Aleksandr I
Nikolaï I
Aleksandr II
Aleksandr III
Lenin e os vanguardistas
Stalin e os realistas socialistas
Krushchov e o "Degelo"
Brezhnev e a "Estagnação"
Yéltsin
Putin

A Cultura 1 está caracterizada pelo cosmopolitismo, democracia, "criatividade", espalhamento, horizontalidade, futurismo, etc. A Cultura 2 está condenada ao chauvinismo, autocracia, "imitação", solidificação, verticalidade, historicismo, etc. 

Prestemos atenção que este conceito maniqueísta é extremamente eurocentrista, os fãs de tais oposições binárias passam por cima do fato que a Rússia sempre está nas condições de uma competição/guerra com o Ocidente e Oriente. Eles gostam das palavras "Nossa cultura se desenvolve através dos traços rápidos sob fogo do inimigo". Mas nem lhes passa pela cabeça a ideia, que este fogo pode ser dos Khazares, Cumanos, Cavaleiros teutônicos, Mongóis, Tártaros, Turcos, Polacos, Lituanos, Suecos, Japoneses, Europa de Napoleão ou Europa de Hitler. Eles em sério acham que a gente russa se autodispara mesmo (no Leste da Ucrânia são os milicianos os que bombardeiam suas cidades!). 

O público russo já esta tão acostumado ao modo de pensar maniqueísta (eslavófilos e ocidentalistas, mencheviques e bolcheviques, troskos e stalinistas, liberais e "siloviki", Cultura 1 e Cultura 2), que não faz sentido de republicar 4 vez na Rússia o livro de V.Paperniï [4]. 

Ironicamente este modo de pensar maniqueísta não é nem europeu/hegeliano/moderno. Ele não aceita nenhum projeto do desenvolvimento positivo da Rússia, ele condena aos intelectuais-maniqueístas a uma síndrome do pânico e suicídio. Assim, o dissidente esquizofrénico Yakov Krótov chega até sonhar com que Putin pode realizar um ataque nuclear contra a Rússia mesma! A Rússia como a conhecemos tem que ser destruída ou integrada à Europa Católica, República das Duas Nações, Terceiro Reich ou OTAN. 

Para entender a lógica da oposição russa temos que nos pôr no lugar de um dissidente-maniqueísta que vê o mundo com a óptica da luta entre a Cultura 1 e a Cultura 2. Neste caso "em sério" vamos descobrir, que o estalinismo/Mal/Cultura 2 estão presentes na Rússia moderna por todas partes: 

- Em 2000 foi devolvida a música do hino da URSS para o hino da Rússia; 

- Em 2000-2003 foi devolvida a bandeira vermelha para as Forças Armadas da Rússia (desde 2003 na bandeira vermelha aparece uma imagem da águia bicéfala, acompanhada pelas estrelas de cinco pontas); 

- Em 2003 foi inaugurado o arranha-céus neoestalinista "Triumph Palace", neoclássica outra vez vira uma moda; 

- Os antigos brands soviéticos cada vez são mais presentes (até as companhias estrangeiras marcam seus produtos com os brands da URSS, porque assim os compradores tem mais confiança: o soviético quer dizer de ótima qualidade); 

- Por toda a parte aparecem os pequenos museus (privados!) da nostalgia soviética. Há rumores da organização de um Instituto ou Museu da URSS em Uliánovsk; 

- O governo acentua seu apoio à maternidade desde 2007; 

- Em 2010 o novo prefeito de Moscou qualificou o projeto de Moscow-City como um erro urbanístico (Moscow City é um macaqueamento de Manhattan, o símbolo principal da Rússia neoliberal, o projeto prima da época de Yéltsin, cuja família é proprietária da metade da obra); 

- Em 2012 para a festa do Dia 9 de Maio Moscou foi decorado com as bandeiras vermelhas da Vitória; 

- No cinema russo o grado tradicional de antisovietismo baixa quase até zero ("Fortaleza de Brest", "Leyenda 17", "Gagarin, o primeiro no espaço", etc.); 

- Em 2013 foi devolvido o uniforme obrigatório para os alunos de escolas; 

- Em 2013 foi proibida a propaganda LGBT; 

- Em 2013 foi restaurada a homenagem de "Herói de Trabalho" 

- Restauração dos parques públicos: Gorki, Sokólniki, VDNKh. Construção do Parque Zariadie perto do Kremlin; 

- Cerimônia da apertura das Olimpíadas em Sochi em 2014 

- Restauração de 2 pavilhões na expo VDNKh para seu aniversário de 75 anos em 2014 (também foi devolvido o nome soviético VDNKh à expo, que na época dos 90 tinha outro nome, ninguém lembra qual). 

- Folclorização da cultura POP: Igor Rasteriaev, Alexandr F. Skliar, Vovós de Buranovo. Atualização do escritor nacional-bolchevique Eduard Limónov, a popularidade do presidente da Chechênia Ramzan Kadýrov (Limónov e Kadýrov são o "Id" do povo russo); 

- O interesse para todo o soviético vira um mainstream, igual ao culto quase oficial dos Romanov: são muito exitosas as exposições "Desenho Soviético", "Vênus Soviética", "Mito do líder amado", "Infância Soviética", etc.;

Putin como Alexandr III
Mas estas coisas, que mencionamos acima são só características formais do "stalinismo eterno". Ao nível de conteúdo o stalinismo volta como um "cesaropapismo" - lhes diriam os intelectuais liberais, queixando-se das "relações" entre a Administração de Presidente e a Igreja Ortodoxa Russa. A formação da "nova aristocracia" também é uma característica de "stalinismo" para os liberais, que não vem diferencia nenhuma entre o gerente de Stalin L.Kaganovich [5] e o gerente de Pútin R.Abramovich (famoso mundialmente). A confrontação com o Império de Bem (Ocidente) também é um dos sinais mais claros de "stalinismo". 




Claro, que para a esquerda ou aquelas pessoas que ainda lembram-se do passado soviético tudo isto é um ultraje. Obviamente as formas soviéticas que "voltam" já tem um conteúdo totalmente antissoviético. Trata-se do stalinismo que será o último refúgio de canalhas. O uniforme escolar na URSS sublinhava a importância social dos estudos, quando hoje na Rússia o uniforme escolar só deve mascarar a desigualdade terrível de rendas dos pais das crianças. Embora que os diretores ultimamente acudam ao ambiente soviético para suas series e filmes, eles obrigatoriamente continuam desmascarando os "crimes de stalinismo" (às vezes eles chegam até a escala épica da bobagem como o diretor mais famoso da Rússia Nikita Mikhalkov, vencedor de Óscar e um putinoide exagerado) [6]. A mesma Igreja Ortodoxa Russa parece que a única coisa que faz é lembrar aos russos sobre os "crimes" de Stalin e "perseguição da Igreja" na URSS. A alardeada restauração do Parque Gorki o fez inacessível para os Veteranos de Trabalho de todos os tempos (pelos preços de tudo dentro do parque).

Mesmo assim, achamos que há um elemento de verdade na ideia do "retorno do stalinismo". Perguntamos a um jovem designer de roupa, porque ele não quer ir embora da Rússia, se o centro do mundo para ele é Paris e "na Rússia não inventaram nada de nada". Ele responde que justamente agora ele começou se sentir em casa na Rússia. Putin para ele é um político absolutamente europeu, que morou a metade da sua vida na Alemanha e conhece a tradição europeia. Por que até a gente eurocentrista, embora na crise econômica, se sente justamente agora 'como em casa'? 
Medvedev como Nikolai II

Claro que não há retorno nenhum de stalinismo, senão do estado. Nos termos da teoria demógrafica-estrutural [7.] vivemos a fase da "reação tradicionalista" que segue depois da fase da crise/inovação e antes da fase da síntese. O retorno das formas soviéticas com conteúdo antisoviético - é uma reação tradicionalista à catástrofe dos anos 90. A superação do antissovietismo, que estamos esperando tanto na Rússia, poderia ser uma sinal de aproximação da fase da síntese. 

É interessante como está mudando a postura do Patriarca Kirill: há pouco, ele reconheceu a façanha de Zoia Kosmodemianskaya, que era uma mártir da luta da URSS contra a Europa Fascista. Se antes a Igreja Ortodoxa Russa repetia todos os dias as besteiras antissoviéticas do tipo: "Se Lenin pudesse se benzer, ele desapareceria como um diabo acabado", hoje a Igreja descobre na experiencia soviética aos mártires e o lado positivo do projeto da URSS! 

O problema é que a oposição maniqueísta não procura nenhuma "síntese". Daí vêm a alegria e a inveja pelo motivo de "Leninemoto" na Ucrânia durante os últimos anos (depois da revolução colorida em 2004 e hoje depois do golpe de 2014). Cada vez na Rússia são mais audíveis as palavras: Talvez Hitler não fosse tão ruim para a gente... O Maidan de Kiev atrai aos "revolucionários" que se auto-identificam com a "Cultura 1": Maidan como o triunfo da arcaização, pocilga no centro duma cidade europeia, liberdade desenfrenada de niilismo. Como disse o escritor satírico neoliberal Mijail Zhvanetski: "Há de achatar a Rússia...". 

Neste sentido o caso escandaloso das Pussy Riot (ao pé das letras "a rebelião da vagina") pode ser interpretado como uma rebelião de buraco da piscina "Moscou" [8.] contra o Templo de Cristo Salvador e contra o Palaço dos Soviets que deveria ser construido aí nos anos 30. A oposição insiste: o Templo tem que ser explodido! O Palaço dos Soviets nunca deve ser construido! Precisamos da piscina, do "espalhamento, horizontalidade, futurismo"! 


1.2 A superação do cisma


Achamos que o governo deve satisfazer esta demanda! Vocês precisam de "espalhamento" - aqui tem a automovilização dos últimos anos. Aqui tem a terra de graça no Oriente Extremo (o governo ofereceu 1 hectare por pessoa no Oriente Extremo de graça para frear a despovoação da região). A cidade de Moscou está se espalhando a cada dia - administrativamente absorvendo as terras da região de Moscou e de outras regiões. As cidades se conectam com as vias férreas de trens de alta velocidade. O governo joga os ministérios federais fora de Moscou - para o Oriente Extremo. O tema de mudança de capital também surge periodicamente. A Terceira Roma deve ser espalhada por toda a Rússia: vemos, que por todas partes se construem os Coliseus das Universíadas, Olimpíadas e Campeonatos. 

Nas condições da crises e compressão demográfica para evitar a catástrofe o grupo governante precisa da redistribuição dos recursos das elites para o povo e claro que há de se relacionar com a toda a delicadeza com nossa oposição doida de maniqueísmo. 

O compromisso, síntese entre a Cultura 1 e a Cultura 2 na situação atual ao nível dos símbolos poderia ser a mudança da capital para o Oriente Extremo, precisamente para a cidade Svobodni (ao pé das letras: Livre), onde se constroi o novo cosmódromo russo. Assim, as ideias originais russas do século XX, como o cosmismo ecológico e vanguardismo soviético poderiam se combinar com a necessidade prática da Rússia de desenvolvimento do Oriente Extremo e da Sibéria, refugio seguro dos russos no caso da repetição de "Drang nah Osten". 

Notas:

1. Os distúrbios protagonizados pela oposição neoliberal em 2012; 

2. Os distúrbios protagonizados pelos radicais da direita em 2010; 

3. O separatismo da Sibéria potencialmente pode virar um problema, porque a reorientação da Rússia para a China faz menos importante o papel centralizador de Moscou (orientado para a Europa); 

4. É interessante que o autor entendeu que seu conceito é bastante primitivo e até intentou escrever um ensaio "Cultura 3", mas ninguém se importa. 

5. Kaganovich foi super-efetivo, responsável por muitos projetos da infraestrutura soviética nos anos 30-40, depois de golpe de Krushchov foi expulso de poder e morreu em 1991 depois de ter passado 34 anos como um simples moscovita, era campeão de bairro de dominó, morava entre a gente normal. Achamos que hoje é impossível imaginar a nenhum político de mundo repetir tal biografia depois de ir embora de poder.

6. Como na época de Stalin no período de Putin surge o interesse ao tempo de Ivã IV, criador do imperio russo. Aparecem o livro "Um dia de oprichnik" de Vladímir Sorókin (2006) e o filme "Tzar" de Pavel Lungin (2009). Mas há muita diferença entre a obra genial de Serguei Eisenshtein, que analiza o mito de estado, e éstas sátiras vulgares, que impõem o mito liberal da Rússia.

7. A teoria demográfica-estrutural analisa as relações entre o grupo governante, as elites e o povo no marco dos ciclos econômicos e demográficos: crescimento, compressão, catástrofe, considerando também a difusão tecnológica e as agressões mútuas pela causa de expansão na busca de novos recursos. 

8. O templo de Cristo Salvador original foi explodido na época da revolução para constuir no centro de Moscou o Palácio dos Sovietes, o projeto ciclópico que foi parado pela Grande Guerra Pátria. Depois da morte de Stalin, Krushchov em lugar do Palácio dos Sovietes construiu uma piscina - a piscina "Moscou", que funcionava até os anos 90, quando foi restaurado o Templo de Cristo Salvador. 

Editado por Eduardo Consolo dos Santos e http://lang-8.com/

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вторник, 10 июня 2014 г.

Crimeia e Donbass: éxito e fracasso?


O caso da Crimeia

bandeira da República de Crimeia
A reintegração da Crimeia foi realizada como uma operação modelo. "Falam de intervenção russa na Crimeia, de uma agressão. É estranho escutar isso, - disse o presidente da Rússia Vladimir Putin (os radicais ucranianos o chamariam "o khan de hordas euroasiáticas"). – Não lembro na história de nem um só caso no qual uma intervenção tenha sido realizada sem um só disparo e sem vítimas".

A reintegração da Crimeia é aceita positivamente pela maioria dos russos, até pela maior parte dos opositores ao regime de Putin: dos libertarianos até os nacional-bolcheviques. Histórica, ética e juridicamente essa reunificação da Rússia é impecável.

Os fatores que ajudaram a essa reintegração pacífica:

- Interesse vital do Kremlin de conservar sua presência no Mar Negro

- Esmagadora orientação pró-Rússia do povo da Crimeia.

- Ausência do fator oligárquico na Crimeia (ninguém na Crimeia esta orientado às elites corruptas de Kiev, acostumadas a chantagear tanto à Rússia como à UE).

- Presença das tropas russas conforme o acordo com a Ucrânia, que puderam prever os atentados de neonazistas como em Odesa, 2 de Maio de 2014.

Queremos dar palavra ao poeta Andreï Poliakov, antissoviético e nacional-democrata, frequentemente convidado para os jornais de hipsters, morador da Crimeia (Simferopol), que deveria estar ao lado dos golpistas pró-EE.UU:

"Eu tenho que dizer, que eu nunсa em minha vida vi tal euforia, tal sentimento de festa, explosão de emoções, quando no tempo do referendo faz 2 meses. <...>. Isso foi uma euforia absoluta! Eu lembro naqueles dias eu peguei a gripe, eu tinha uma febre de 39 graus, mas embora a febre eu fui votar. Haviam pessoas ao meu redor, muitas bandeiras, muita gente. Votei naturalmente por integração com a Rússia. Logo eu mal voltei a casa... Mas eu tinha que fazer isso, porque eu não poderia não fazer isso, por assim dizer. Isso foi um ato existencial, não um ato político. Eu percebi que este meu carrapato, naturalmente, não mudaria nada, mas eu tive que dar este passo, foi importante para me entregar meu voto. Isso era um movimento existencial. <...>. A gente mudou de certa forma. A gente se concentrou, se tornou gentil, sorriente, alegre. Eu lembro de fatos cotidianos, que pareсem ser inventados... Por exemplo, eu passo pelo monumento a Bogdan Khmelnitsky, e há flores ali. Eu não sei, talvez tenha sido algum tipo de oferendas rituais, pode ter sido algum tipo de motim. Mas não havia muitas flores, parece, foi alguém que as trouxe. E no monumento está escrito: "Com a Rússia para sempre". E deste monumento se aproxima uma mulher, uma jovem mãe com sua filha. A mãe disse alguma coisa para ela, apontando para o monumento, explicando, e a criança começa a gritar: "Rússia! Rússia!". Isso não é um quadro inventado. O povo mudou de certa forma. Nós, na verdade, estavamos à beira de um abismo. Ficamos parados na beira da terrível sangue. <...> E nós só seguramos na borda do penhasco. E o fato de que voltamos à Rússia tão suavemente, "eco-friendly" - é uma grande alegria! <...> A maioria das pessoas olham para a Ucrânia com horror".


O caso das Repúblicas Autoproclamadas de Donetsk e Lugansk


bandeira da Novoróssia
Todas as pessoas não indiferentes sabem que a Ucrânia durante os últimos 2 meses está em guerra civil, o exército da Ucrânia golpista, sob pressão da Guarda Nacional, luta contra o povo das províncias de Donetsk e Lugansk, que proclamaram sua independência do governo golpista de Kiev.

Para Kiev e seus patrões dos EUA a gente das Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk são separatistas e/ou terroristas. Para o povo das repúblicas autoproclamadas o governo atual de Kiev é ilegítimo: a mitade dos ministros são neonazistas dos partidos mais radicais, o presidente, cuja eleição é questionável é um oligarca, a Guarda Nacional, que serve como tropas de barreira para o Exército, também está formada pelos neonazistas. Os altos mandos do governo de Kiev mais de uma vez insultaram a gente do Sudeste do país, manifestando seu desprezo e odio: "Prometam-lhes qualquer coisa, e depois os vamos enforcar" (palavras de vice-governador de Dniepropetrovsk, Boris Filatov).

Todo o mundo viu o vídeo de uma mulher de Lugansk desmembrada por um bombardeio de avião militar do exército ucraniano. Cada dia o novo governo de Kiev aumenta sua lista de crimes de guerra:

- bombardeio do povo pacífico de aviões de guerra com os foguetes não dirigidos [1]

- fogo massivo contra as cidades de lança-foguetes múltiplos tipo GRAD [2]

- sequestro e assassinato de jornalistas [3]

- assassinato dos combatentes feridos e medicos em hospitais [4]

- tentativas de envenenamento dos rios e destruição de infraestrutura vital (hospitais, jardins de infância, etc.)

- bloqueo das cidades (Donetsk e Lugansk ja não tem suficientes medicamentos, produtos, etc.)

Resultado de crimes de guerra das marionetes dos EUA na Ucrânia são milhares dos refugiados que correm das províncias atacadas pelo exército para a Rússia e para outras províncias da Ucrânia [5.].

A rebelião de duas províncias do Leste é muito perigosa para Kiev: essas províncias pró-Rússia são as regiões mais industrializadas do país, que geram a maior parte do PIB da Ucrânia.

Além disso, no caso da vitória dessas repúblicas autoproclamadas as demais províncias do Sudeste podem se rebelar contra Kiev, que virou um governo dos oligarcas e fanáticos, dirigidos desde os EUA em interesses dos EUA (destruição do mercado energético da UE, isolamento da Rússia, "somalização" da Ucrânia, exumação do Plano Intermarium).


Também é importante que ideologicamente está ficando muito atual o projeto de Novorossiya (ou seja Nova Rússia), são territórios pró-Rússia da Ucrânia atual, que historicamente eram partes da Rússia (entraram na Ucrânia pelo voluntarismo marxista dos governos soviéticos e agora se sentem confusos), estão povoados por gente etnicamente russa, que ainda não é tão infectada pelas ideias russofóbicas. Como o nível de vida na Ucrânia pós-golpe vai deteriorar (igual que isso passou nos países bálticos ou Bulgária depois da perda de sua soberania no marco da UE), a gente dos territórios de antiga Novorossiya terão cada vez mais ressentimento e mais motivos para separação da Ucrânia. Além de isso depois do atentado em Odesa para muitos russos e ucranianos antiga "Ucrânia" ja se acabou, eles não reconhecem o novo estado neonazista, vassalo dos EUA e não querem viver em esse país.

Ao mesmo tempo pese a resistência heróica e rensсimento da ideia de Nova Rússia as repúblicas autoproclamadas ainda não dão certo!

- a rebelião não tem apoio da Rússia: presidente Vladimir Putin apelou a adiamento dos referendums por independência de Kiev [6], quando justo naquele tempo havia lacunas da legitimidade de Kiev que justificaram essas manifestações de vontade dos povos fartos de linguicídio (assimilação por lingua) e ucrainização forçada.

- no leste da Ucrânia é muito sensível o fator oligárquico: as províncias rebeldes sofrem mais com o exército privado do oligarca Igor Kolomoiski, posto por Kiev como governador de Dnepropetrovsk, do que do exército regular da Ucrânia, que não quer guerrear e se rende em massa. 

Além disso, alguns oligarcas como Rinat Akhmetov apoiam certas formações militares das repúblicas autoproclamadas e resulta que enquanto os idealistas pró-Rússia guerream exitosamente na frente, os demais não fazem nada na traseira, esperando o tempo quando eles possam vender sua resistência mais caro!

- É possível que os líderes da rebelião tenham falhado esperando em vão a ajuda do Kremlin. Seu plano era involucrar o Kremlin no conflito para ativar os processos da mobilização dentro da própria Rússia, que ficaria isolada no resultado de sua "agressão" contra a Ucrânia desestabilizada pelos EE.UU. Mas o grupo governante de Putin tem medo de perder o mercado energético da UE, eles não tem muita iniciativa, preferindo o jogo de defesa.

É curioso que os milicianos das províncias rebeldes estão dirigidos pela "literatura patriótica russa". O comandante que tem mais autoridade é um poeta e fã de recreações históricas Igor Strelkov (ministro da defesa da República Popular de Donetsk), seu braço direito é um escritor fantasta, coronel de tropas de DAA, Fiodor Berezin, entre os voluntários da Rússia (são uns 10% das milícias) estão os discípulos do escritor clássico Eduard Limonov, líder do Partido Nacional-Bolchevique (proibido pelo grupo de Putin).

- Enquanto um punhado dos românticos já mais de dois meses sem nenhuma ajuda do Kremlin guerreia exitosamente contra todo o exército da Ucrânia (consultado pelos militares de OTAN, financiado pelos créditos dos EUA, reforçado pelos mercenários de todas partes), as elites da República Popular de Donetsk perdem sua fraca legitimidade sem conseguir o controle operativo sobre a região (basta dizer que as provincias rebeldes continuam pagando 70-80% dos impostos para Kiev). Pese a referendum que disse "sim" a independência de Kiev, os grupos governantes das repúblicas autoproclamadas não estão consolidados e não conseguiram firmar um "contrato social" com o povo das repúblicas autoproclamadas. A gente (o povo) não quer fazer muito para sua independência, esperando que os russos lhes ajudem como a Rússia ajudou a Crimeia. 

Sem urgente ajuda da Rússia (militar, organizacional, financeira) a rebelião anti- golpe está fadada ao fracasso. Os jornalistas ganharão seu dinheiro e glória ("eu estive aí!"), os lideres vão ser evacuados para a Rússia ou Bielorrússia e milhares dos românticos pró-Rússia e locais pacíficos ficaram para sempre nas listas dos desaparecidos, liquidados pelos radicais neonazistas.

"Aquela ajuda, que vem da Rússia agora, foi necessária um mês atrás, quando ela pôde trazer um grande sucesso. Agora esse apoio dos voluntários mal nos ajuda ficar em pé, mas sem chance de virar o jogo a nosso favor. <...> Precisamos da ajuda da Rússia como do ar!" - escreve em seu informe de dia 8 de junho comandante Igor Strelkov.

Mas para a Rússia o custo de tal ajuda é o projeto de gasoduto "South Stream" [7]. É possível que o grupo de Putin vá trair essa rebelião pró-Rússia e 10 milhões de russos na Ucrânia se tornarão gente de 2ª classe como os russos nos países bálticos.

gasoduto russo South Stream e sua alternativa ocidental "Nabucco"
Fontes de informações:

1. http://www.prensalatina.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=2746941&Itemid=1

2. http://www.diariodarussia.com.br/internacional/noticias/2014/06/08/recomecam-os-combates-no-leste-da-ucrania/

3. http://actualidad.rt.com/actualidad/view/130384-ucrania-desaparecer-periodistas-rusos-guardia-nacional-requisar

4. http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/exercito_assassina_milicianos_hospitalizados

5. http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/milhares-de-ucranianos-cruzaram-fronteira-diz-medvedev

6. http://www.jn.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=3849439

7. http://pt.euronews.com/2014/06/09/bulgaria-suspende-construcao-do-gasoduto-south-stream/

Redacção de Eduardo Consolo dos Santos

пятница, 30 мая 2014 г.

neonazistas: legitimados na Ucrânia, marginalizados na Rússia

São poucos os neonazistas na Ucrânia?

Os principais motores ideológicos do último "Maidan" [1] foram os liberais e nacionalistas (em toda sua gama até os neonazistas). A cor "marom" desde o início marcou as protestas populares em Kiev, provocadas pelas elites ocidentais em conluio com os interesses dos EUA.

Naturalmente a crítica das forças pró-Rússia não faz a vista grossa para a reabilitação do nazismo, que vive a Ucrânia durante os últimos 20 anos. O fato que os representantes mais radicais do nacionalismo ucraniano ganharam "só" 10,4% (o terceiro posto) nas eleições presidenciais de 25 de Maio de 2014 não ajuda aos liberais e as elites ocidentais para se limpar [2].

Em primeiro lugar, 12% é um "bom" resultado. Não sabemos se esse resultado é confiavel: não esqueçamos que as eleições não foram legítimas (crimes contra a humanidade, cometidos pela junta de Kiev em Odessa e em cidades do Leste do país, terror contra os jornalistas, manipulações em principais canais da televisão, falsificações em massa, etc.) e em segundo lugar, achamos, que os resultados foram desenhados em Washington: se Washington quisesse a vitória do mesmo diabo, ganharia o Darth Vader! Mas é importante que por agora os nazistas foram abertamente legitimados na Ucrânia. Ao mesmo tempo é verdade que eles ainda não têm seu próprio canal da televisão como o candidato ganhador das "eleições" e por isso tem só o terceiro posto.

Embora que os resultados das "eleições" não sirvam muito para entender estatisticamente o panorama político da Ucrânia, se pode dizer com "certa certeza" que 360 mil ucranianos apoiam abertamente aos neonazistas e outros 1,5 milhões simpatizam aos nacional-populistas. Acaso para um país que se encontra na guerra civil 360 mil nazistas francos é pouco? E acaso são poucos os outros 1,5 milhões que apoiam o candidato que pratica as torturas contra os insurgentes? [3].

Queremos enfatizar que os golpistas de Kiev poderiam evitar os levantamentos pro-Rússia no Sudeste do país de um jeito muito simples: se lhes deixassem o status regional da línuga russa e prometessem certa autonomia. Claro que os golpistas até poderiam enganar aos russos e os pro-Rússa, mas eles não fizeram nada para evitar a guerra civil, ao contrario desde o inicio todos os lideres do golpe usaram a retorica ultra nacionalista e russofóbica. Por isso o elemento nazista do golpe de estado na Ucrânia é tão importante, os nazistas são forças de ataque de Kiev.

Onde estão os neonazistas na Rússia?

Sobchak (afilhada de Putin), Prosvirnin e Belkovski
Nessa situação muitos estão preocupados: se a Ucrânia está tão infectada pelo nazismo e nacionalismo étnico, como está a mãe Rússia?

Na Rússia Konstantin Krylov [4], um dos principais ideólogos do nacionalismo étnico russo, líder do Partido Nacional-Democrático (não registrado), organizador das Marchas Russas sonha com uma revolução laranja de modelo ucraniano:

"O protetorado oficial dos EUA [na Rússia] seria uma significante ascensão do status atual da Erreéfe [5] (que é uma colônia do Ocidente, sem compromissos alguns de parte do Ocidente). Mas eu tenho medo que o protetorado oficial não seja possível agora. Então é mister fazer uma revolução nacional e demandar um status comparável com o dos países do Leste Europeu".

Grosso modo os nacionalistas étnicos russos consideram o grupo governante de Putin como uma junta ilegítima que com ajuda dos clãs criminosos do Cáucaso quer trocar o povo russo pelos migrantes ilegais da Ásia para continuar roubando os recursos naturais da Rússia sem perigo algum da oposição do povo russo. Os nacionalistas étnicos são favoráveis ao golpe de estado na Ucrânia, mas ao mesmo tempo eles também apoiam a reintegração da Crimeia e o levantamento dos russos no Sudeste da Ucrânia.

Outro sonhador da revolução colorida de padrão ucraniano na Rússia é Stanislav Belkovski, um intelectual bastante popular, cuja tarefa é ligar os nacionalistas com os liberais, ele repete todas as teses de Konstantin Krylov:

"Eu acho que o nacionalismo é a única maneira para desestalinizar a Rússia. Por que Stalin é popular? A desestalinização começou em 1956, logo durante a "perestroika" sobre Stalin e seus crimes foi escrito tudo o que foi possível. Por fim foi publicado numa enorme circulação o "Arquipélago Gulag"... Mas hoje há mais torcedores de Stalin do que aqueles que pelo menos leram os fragmentos do "Arquipélago Gulag"! Por que Stalin é tão popular? Porque é impossível desmerecer a ele no marco do paradigma imperial, que domina toda nossa história! Porque Stalin é um dirigente imperial.

Mas é possível demonstrar que Stalin é ruim desde as posições do nacionalismo! Para isso temos que dizer que a Rússia recusa seu próprio paradigma imperial, que o império foi um mecanismo de chupar os sumos do povo russo, mecanismo da liquidação do povo russo, que Stalin eliminou "a crema" do povo russo, nisso ele tem sua culpa histórica.

Com isso o paradigma nacionalista... traz consigo certos custos e é possível que a consciência das elites hoje ainda não esteja pronta para esses custos. Antes de tudo há que revisar os resultados da II Guerra Mundial... Porque com desmerecimento de Stalin se esclarecerá que vitória não foi necessária e que a guerra também não foi necessária. E talvez que seria melhor fazer uma trégua com Hitler? Além disso, a vitória do paradigma nacionalista deve absolver o general Vlasov. Porque se Stalin é ruim, Vlasov é bom. Vamos ter que admitir, que nos territórios ocupados os russos viveram melhor do que sob o poder dos bolcheviques. Isso significa que a vitória não correspondia aos interesses da nação russa. A nação russa deveria estar interessada na derrubada dos bolcheviques que seria possível numa aliança com Hitler.

Se a Rússia um dia se transformar de império num estado nacional, ela será parecida à República Tcheca ou a Estônia".

Não vamos comentar aqui a incoerênica e falsificação de historia, que promovem os intelectuais confundidos (além de isso não todos os nacionalistas russos estão prontos para absolver o traidor e criminoso de guerra general Vlasov). Só qeuremos presentar a lógica de sua confusão. Sua missão é reduzir a Rússia até a República Tcheca ou Estônia sob o protetorado oficial dos EUAReduzir-se ia seu tamanho aos territórios que faziam parte oriental da antiga Rus’ de Kiev (surge a questão se essa Rússia Nacionalista Reduzida até o Principado de Rostov-Suzdal tem que pagar penas por não ter pagado os impostos a Kiev desde o século XII?). 

Dessa forma, toda a obra imperial iniciada pelos príncipes moscovitas nos séculos XIII e XIV e continuada pelos tsares das dinastias Rurikida e Romanov e pelos líderes soviéticos seria jogada no lixo. Isso seria o mesmo que se, por exemplo, a China fazer o mesmo e resolver limitar-se ao controle da região sul do país, concedendo independência ao Tibete, Manchúria, Mongólia Interior e o Xinjiang (chamado de Turquestão Oriental pelos separatistas locais) e voltando a situação em que estava durante o fim da Dinastia Song (960 – 1279).

As novas gerações dos nacionalistas russos têm essas ideias apresentadas anteriormente como coisas óbvias. Egor Prosvirin, redator de um dos sites mais exitosos na internet russa diz: "Eu não vejo nada bom na vitória da URSS na Segunda Guerra Mundial. Eu acho que no caso da derrota a gente obteria a mesma Federação Russa, que temos hoje".

Os nacionalistas e liberais já pactuaram na Rússia durante as manifestações em 2012. Seu líder é Aleksei Navalni [6], um blogger bastante talentoso, preparado nos EUA, que combina em seu programa as teses dos nacionalistas e dos liberais. Ao mesmo tempo é importante que os nacionalistas, nazistas e os liberais mais odiosos por agora estão marginalizados na Rússia e não tem muito apoio. Sua atividade se limita nas fronteiras da cidade de Moscou, desafiada pela migração massiva da Ásia e das regiões do Cáucaso e infectada pelo globalismo e eurocentrismo. Entretanto sua ideologia é uma bomba-relogio que espera seu tempo, porque as elites oligárquicas ainda não estão liquidadas na Rússia e podem ativar essa bomba.

Se os nacionalistas radicais ucranianos estão desenhados para separar a Ucrânia da Rússia e para acompanhar uma agressão do Ocidente contra a Rússia. Os nacionalistas radicais russos foram sintetizados em frascos de Goebbels e Brzezinski para ser os "separadores" do Cáucaso, Sibéria, Extremo Oriente, etc.

1. "Maidan" é o nome da praça principal de Kiev, manifestações na qual servem de cobertura para os golpes do estado na Ucrânia: em 2004 e em 2014

2. Os neonazistas Tiagnibok e Yarosh obtiveram 2% e o nacional-populista Liashko ganhou 8,4%.



5. RF em russo. РФ é uma silga, que quer dizer "Fereração Russa" - os nacionalistas zombam desse título oficial, eles não reconhecem federação nenhuma igual que os nacionalistas ucranianos.



Redacção de Eduardo Consolo dos Santos