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воскресенье, 24 января 2016 г.

Por que Putin tem medo de Lenin?


A revolução será sim televisionada! O Lênin é interpretado por Leo Di Caprio, ouviu! O autor do roteiro é Gene Sharp, caramba!


Pelo menos no famoso estúdio de cine russo Lenfilm (Len - de Lênin) não há dúvidas de que tal filme sobre Lênin Di Caprio será um grande sucesso. A revolução é um tema sério, "a coisa tá russa"! Só os russos de hoje não valorizam sua história do século XX... Não foi a Lenfilm que se lembrou de Lênin, senão um playboy de Hollywood.

E o filme sobre Lênin, um ícone da revolução, é oportuno como nunca. O núcleo do sistema-mundo está em crise: as potências grandes brigam pelos mercados esgotados (aqui entre os intelectuais volta à moda Karl Marx & Co), enquanto as periferias do mundo são formatadas conforme as novas rotas de comércio, desenhadas desde o centro (os intelectuais "periféricos" sempre andam atrasados, vestidos de "conservadores", optando pelos filósofos de direita - o "second hand" europeu).

A Rússia, mãe da Revolução, virou contra-revolucionaria

Se o núcleo do mundo sofre de uma crise de identidade, a hegemonia dos EUA esta na bancarrota (com frecuência estas crises se tornam grandes guerras), as periferias sofrem das "ondas revolucionárias", que já destruíram o espaço post soviético ("revoluções coloridas"), sacudiram o mundo árabe ("primavera árabe"), e elas já estão atingindo a Rússia, penetrando a Ásia, aproximando-se dà China.

A revolução é vista hoje como um simples “regime change”. Os “revolucionários” de hoje já não querem mudar o mundo, senão se adaptar ao mundo finalizado conforme padrões dos EUA. Os países “párias” que desafiam estes padrões são xingados como contra-revolucionários.

Como um dos obstáculos principais para a hegemonia dos EUA foi abertamente qualificada a Rússia (que honra!). O Ocidente declarou uma guerra híbrida à Russia de Putin, provocando um cisma entre as elites russas e deslegitimando o grupo governante de Putin. Para empurrar a Rússia à uma revolução, a Ucrânia é afogada numa guerra civil

Não é de surpreender que nos últimos anos o imaginário coletivo dos russos viva uma nova revisão da história da Revolução Russa de 1905-1917. Não é a primeira vez e esperamos que não seja a última.

Abaixo, à grosso modo, vamos apresentar a interpretação da Revolução Russa de 1905-1917 segundo o atual grupo governante da Rússia e seus intelectuais cortesões:

1) A Revolução de 1905-1917 na Rússia foi um Maidan, um teatralizado “regime change”, orquestrado desde estrangeiro. Como o Maidan foi só um elo da cadeia dos golpes de estados no espaço post-soviético, a Revolução Russa de 1905-1917 também foi só um dos elementos da “onda revolucionaria” do inicio do século XX (Rússia, Império Otomano, México, China).

É impressionante como certas recreações da Revolução Russa pelo cinema soviético pintem o Maidan de hoje!



2) Os beneficiários da Revolução Russa de 1905 e de Fevereiro de 1917 foram, antes de tudo, os anglosaxões e japoneses. 

As reuniões dos radicais russos do inicio do século XX se passavam em Londres e Zurique. E os radicais de hoje preferem quase as mesmas cidades: ex-oligarca Jodorkovski mora na Suiza e ex-oligarca Berezovski morou em Lóndres.

Sem dúvida os opositores receberam o dinheiro do Japão para a Revolução de 1905 (no contexto da guerra entre a Rússia e o Japão). Hoje estão ativados os mesmos enredos geopolíticos:



3) as tecnologias da mobilização revolucionaria também não mudaram muito desde 1905 (a Revolução Russa de 1905, por sua vez, foi uma copia perfeita das revoluções europeias de 1848). Gene Sharp não descobriu nada novo:

- as greves dos setores de infraestrutura para paralizar a vida normal nas cidades mais importantes
- as campanhas de banquetes para a imprensa liberal com fim de radicalizar a opinião pública
- mobilização dos estudantes para as manifestações não violentas (entre aspas), que geralmente se tornam os crueis enfrentamentos com a policia (provocados pelos radicais, infiltrados entre a molecada de estudantes).
- boicote dos intelectuais conservadores, etc.

Tudo que serve para radicalizar o povo, cismar as elites e deslegitimar o grupo governante.

Lev Tolstoi, Máximo Gorki, Vladímir Mayakovski, Vladímir Korolenko, etc. foram um coletivo Pussy Riot do inicio do século XX (sim, vivemos uma terrível degradação, mas ao mesmo tempo devemos reconhecer que hoje a oposição russa no campo cultural não é apresentada somente pelas mediocres Pussy Riot, mas também tem escritores importantes como E.Limonov (nacional-bolchevique), V.Sorókin (liberal), etc. Simplesmente, Pussy Riot são mais convenientes para a promoção. Não nos esqueçamos do último Premio Nobel por literatura do ano 2015).

4) as elites opositoras são uma chave da revolução. É sabido que depois da revolução de Fevereiro de 1917 (quando ganhou o governo provisório formado pelos masons anglófilos) o primo do czar Nikolai II - grande príncipe Kirill até põe um laço vermelho. Foram os “caras” mais próximos ao czar que o fizeram abdicar do trono russo. 

Claro, que as elites eram liberais, mas até entre elas havia também personagens radicais: por exemplo, a organizadora do atentado contra o czar Alexandr II em 1881 foi Sofia Peróvskaya, uma filha do governador de São Petersburgo! Ela não precisava de dinheiro. A diferença de Alexandr Ulianov, irmão de V.Lênin: Alexandr teve que vender sua medalha de ouro (era um estudante brilhante) para comprar os componentes da bomba, endereçada ao czar Alexandr III. 

Queremos dizer que não há nada surpreendente que a afilhada do presidente V.Putin Ksenia Sobchak fosse uma dos glamour-comandantes das revoltas em Moscou em 2012 (K.Sobchak é filha do prefeito liberal e odioso de São Petersburgo Anatolli Sobchak, V.Putin trabalhou nessa prefeitura nos anos 90, muito amigo de A.Sobchak).

5) os revolucionários sonham com uma revolução, e as revoluções acontecem nos momentos da perda da legitimidade por grupo governante. É ridículo falar da ilegitimidade das revoluções. Claro que as revoluções sempre são ilegítimas! Como os governos desafiados por revoluções sempre são os governos que têm pouca legitimidade.

E os revolucionários costumam argumentar com violência brutal (quando o governo já perdeu seu monopólio sobre o uso da força). Um dos mems do Maidan - combatente brutal do braço militar de Pravi Sektor Sashkó Bily é parecido com o marinheiro-anarquista Zhelezniak quem dissolveu com as armas a Assembleia Constituinte Russa em janeiro de 1918. Assim que os radicais russos: bolcheviques e socialistas revolucionários de esquerda conseguiram monopolizar o poder (isso não aconteceu na Ucrânia, onde os radicais são uma clássica bucha de canhão, manipulada pelos liberais).


Sim, os bolcheviques subiram ao poder por meio de um golpe (contra o Governo Provisório do capital estrangeiro).

Sim, os bolcheviques eram muito radicais, o que em parte foi uma das causas da guerra civil (não a principal): por exemplo, os bolcheviques igualizaram um voto de operário a 5 votos de camponeses.

Sim, aos bolcheviques não lhes importava a “legitimidade”.

7) Como as massas não por todas partes costumam apoiar os revolucionários é frecuente o uso dos mercenários (o que não é decisivo). Igual ao Maidan Ucraniano, segundo alguns historiadores a Revolução Russa também teve este episódio: se trata da participação no Exército Vermelho de chineses (húngaros e letôneos tiveram antes de tudo os motivos ideológicos).

Podemos continuar estes paralelos entre a Revolução Russa de 1905-1917 e o Madian da Ucrânia. Estes paralelos são possíveis iguais aos paralelos entre Israel e o Terceiro Reich.

E na Rússia é bastante comum ouvir falar desses paralelos ao presidente V.Putin, ministro da cultura V.Medínski, vice-presidente do parlamento V.Zhirinóvski, escritor N.Stárikov (presidente do movimento “Anti-Maidan”), etc.

Achamos que, sem dúvida, existe fundamento para tais paralelos, mas não se pode ignorar a específica do golpe de Outubro de 1917:


Foi a primeira vez na história quando os radicais (“marionetas”) conseguiram interceptar o poder de liberais e de seus padrinhos estrangeiros (“marionetistas”). Os bolcheviques restauraram o império russo numa forma mais moderna e muito mais justa, além disso eles conseguiram fazer seu modelo atrativo para uma significante parte do mundo.




Para sobreviver Putin deve virar bolchevique


Сada nova situação tem sua específica. A Rússia hoje não é um país de camponeses, a motivação do povo já não é tão simples como antes. Demograficamente a Rússia não sofre pressão de “уouth bulge”, como em 1905-1917. Ao mesmo tempo a geopolítica e as ferramentas de dominio não mudaram muito. É engraçado que o mesmo Putin & Co para defender sua subjetividade histórica tem que atuar justo como bolcheviques:

Os bolcheviques recusaram de pagar as dívidas do czar aos bancos estrangeiros (um dos motivos da intervenção militar da Inglaterra e França na guerra civil russa). Putin, hoje, também não quer pagar as “indemnizações” aos “inversionistas” de Yukos.

Os bolcheviques prenderam os nacionalismos étnicos oferecendo um modelo de autogestão no marco da União das RSS e antes de tudo apresentando a justiça econômico-social, satisfatória para a maioria dos camponeses multiétnicos. Putin faz a mesma coisa, desenhando a União EuroAsiana. Só o “pragmatismo econômico” de seu grupo governante é bastante hipócrita e pouco atrativo para um homem pequeno.

Os bolcheviques tiveram o problema da luta dentro do partido entre os estalinistas realistas (social-localistas) e os trotskistas fanáticos (social-globalistas). Parece que Putin também sofre desta forma de esquizofrenia dentro de seu grupo governante (estadistas-patriotas vs liberais-globalistas).

O drama da situação atual é o mutismo intelectual de Putin (apesar de sua charlataneria), é um drama de ausência da linguagem vanguardista para se explicar com confiança a seu próprio povo e aos simpatizantes estrangeiros.

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воскресенье, 12 апреля 2015 г.

A Ucrânia é a mesma Rússia, só possessa pelo Ocidente

"Tempo de Dificuldades", uma constante da história russa.

Já passou um ano desde o início da guerra civil na Ucrânia, que evoca à memoria histórica dos russos o Tempo de Dificuldades do século XVII. Sofrendo de uma crise econômica e ideológica a Rússia ao final do século XVI caiu numa guerra civil total e esteve prestes de ser repartida entre a Polônia-Lituânia e a Suécia. Naquele tempo os cossacos («proto-ucranianos»), descontentes com o governo do tsar Boris Godunov, acompanharam os exércitos privados de oligarcas polacos em sua campanha contra a Rússia. É interessante que na primeira etapa o impostor Dmitri, o Falso I até foi bem recebido pelos russos, como um Dmitri “de Verdade” (como um filho legítimo do tsar-modelo Ivã IV, o Severo)!

Obviamente nos momentos da fraqueza do estado russo, suas periferias ficam vulneráveis para a manipulação dos inimigos e produzem as hordas dos cães selvagens, que levam a guerra para Moscou, ativando aos radicais políticos, elites contrariadas e grupos criminosos locais. O «Tempo de Dificuldades» se repetiu uma vez mais no início do século XX e está se repetindo agora mesmo on-line.

Sim, por um lado vemos uma transfiguração positiva da sociedade russa: os medíocres artistas de cinema viram os anjos da ajuda humanitária, os lavadores de autos viram os comandantes de tropas de elite – nossa sociedade, atomizada e humilhada durante os últimos 20 anos pela continua Reforma de Choque, depois da Criméia mostra uma surpreendente solidaridade e autoestima, produz aos verdadeiros heróis e lendas. Por outro lado também se manifestaram os nossos defeitos, se despertaram os nossos demônios. Nós continuamos no vácuo ideológico, preenchido pelo clericalismo medieval e antisovietismo vulgar do grupo governante, continuamos o curso neoliberal da econômia, quando a maioria do povo considera este curso fatal. A linguagem propagandistica do Kremlin é confusa e fraca.

Os calcanhares de Aquiles Russo

Sem dúvida a Criméia foi uma mudança radical do clima político na Rússia. A reintegração da Rússia com a Criméia colocou o grupo governante de Putin no mesmo barco com o povo. Agora não só os russos são um «povo errado» (conforme à russofobia ocidental, cuja história começa no século XI desde o Cisma da Igreja de 1054), agora o nosso líder nacional também perdeu sua coroa do “único europeu no país bárbaro”. Já não é um gerênte do capital estrangeiro, como Pinochet, mas quem é? O ditador argentino que quis reconquistar as Ilhas Malvinas, Leopoldo Galtieri? Ou um novo Lenin-Stalin, que pode re-sintetizar a grande Rússia numa forma moderna? Então, esperamos que o grupo governante e as elites também compartam o preço que pagamos por ter recuperado nossa subjetividade. Se não observamos este balanço, nos espera uma repetição das catástrofes do século XVII, dos anos 1917 e 1991, quando os grupos governantes perderam o controle sobre as elites e ao mesmo tempo perderam a confiança e respeito do povo.

Nova Ucrânia e Nova Rússia (Novorossiya)

Na dimenção global da guerra civil ucraniana vemos por um lado aos ucranianos pró-EUA e por outro lado aos ucranianos pró-Rússia.

Os pró-EUA acham que esta guerra é uma agressão da Rússia que quer liquidar a Ucrânia, porque esta Ucrânia é só um parasita intermediário do negócio entre a Rússia e a Alemanha. É lógico que esta Ucrânia parasita lute por sua sobrevivência, mobilizando seus recursos humanos com ajuda dos canais midiáticos e administrativos que ela controla. Esta Ucrânia afirma que a Rússia atual e seu negócio com a Alemanha é um nonsense, a Rússia atual deve ser destruída e substituida por uma Nova Ucrânia. Esta Ucrânia não quer tanto se associar com a UE, como ela quer destruir e substituir a Rússia, por isso ela se associa mais com os EUA.

Os pró-Rússia acham que esta guerra é uma agressão dos EUA contra a Rússia a fim de reconfigurar o mercado europeu de energia e congelar os projetos globais da Rússia (União Euroasiática, BRICS, OCX, etc.). É lógico que esta Ucrânia pró-Rússia se associe com a Rússia e tem medo da perda de controle sobre sua riqueza natural e industrial. Esta Ucrânia pró-Rússia afirma que as ambições da Ucrânia parasita são um nonsense, a Ucrânia atual deve ser reformatada e substituída por uma Nova Rússia.

A esta altura do campeonato vemos que os EUA financiam aos radicais neonazistas ucranianos, a bandeira dos EUA está colada sobre o escritório do SBU em Kiev (Serviço da Segurança Estatal), onde os consultores dos EUA ocupam um andar completo e tomam todas as decisões importantes para Kiev. Claro, que a «Ucrânia» atual é um protetorado dos EUA! Para os EUA «Ucrânia» é um “vírus trojan” que deve “crackear o disco duro” da Rússia e roubar seu dinheiro.

Ao mesmo tempo vemos que a Rússia apoia aos rebeldes do Leste, a bandeira da Rússia está colada sobre o prédio da OGA em Donetsk (Administração da RPD), os consultores do Kremlin também tomam todas as decisões importantes para as RPD e RPL. A Novorossiya atual é um protetorado da Rússia! A Novorossiya é um “vírus trojan” para “crackear o disco duro” da Ucrânia parasita e se livrar de suas comissões.

Ok, a situação esta clara ao nível global, mas na dimenção local, ao nivel molecular da movida vemos por um lado aos ucranianos russofóbicos e por outro lado - aos ucranianos russófilos. Se os primeiros lutam por uma Nova Ucrânia, purgada dos tarados elementos russos. Os segundos lutam por uma Nova Rússia, purgada dos tarados elementos ucranianos.

Washington financia a Nova Ucrânia só em parte, é possivel que a maior parte do financiamento das Forças Armadas da Ucrânia venha da sociedade da Ucrânia mesma (doações tanto voluntárias, como forçadas). E este mesmo fenômeno é característico para a Nova Rússia, que recebe a maior parte do financiamento não de Moscou, senão da sociedade russa.

Fator étnico e lingua

Fator étnico e lingua não são decisivos para esta guerra. Muitos russos étnicos lutam nas Forças Armadas da Ucrânia pró-EUA, como também muitos ucranianos étnicos lutam nas Forças Armadas da Novorossiya pró-Rússia. Há mais ucranianos étnicos nos governos da RPD e RPL que no governo da Ucrânia (que também tem aos ministros estrangeiros, criados nos tubos de ensaio da CIA – são representantes dos EUA, Lituânia, Geórgia). Ambas as partes ainda falam russo: um 83% dos cidadãos da «antiga» Ucrânia eram russo-falantes nativos em 2008 [1.] (os ministros estrangeiros falam russo também!).

Ou seja, não se enfrentam tanto as etnias ou línguas, como dois modelos de Futuro: uma Ucrânia derrussificada e pró-EUA e outra Ucrânia pró-Rússia. Os russos e ucranianos, que falam o idioma russo e lutam por uma Ucrânia pró-EUA, acham o “mito ucraniano” superior ao “mito russo” [2.], eles sendo falantes de russo querem que seus filhos num futuro próximo falem a língua ucraniana, eles estão a favor de uma ucranização e derrussificação forçadas. Mas isso não acontece na Criméia e Novorossiya, onde tem várias línguas estatais: russa, ucraniana, tártara (na Criméia), como também há ideias de introduzir a língua grega para a Novorossiya. Constamos que se enfrentam dois conceitos: assimilação forçada e um mosaico imperial. Enfrentamento esse que também se verificou na desintegração da Iugoslávia em locais como Krajina contra a Croácia Neo-Ustashe, na Republika Srpska contra a Bósnia Neo-Otomana e em Kosovo contra o Exército de Libertação de Kosovo (os três apoiados pelo Ocidente e a OTAN).

É lógico que na primeira etapa da crise se actualizasse o tema da federalização que poderia resolver as contradições. Por que não? A parte pró-EUA e a pró-Rússia se separam e vão embora cada uma para suas casas: já construídas (!) em forma das “euroregiões” [3.]. Mas o tema da federalização foi silenciada pelas elites governantes da Ucrânia: “a federalização deve ser feita desde baixo e não desde cima”. Que argumento mais ridículo (repetido por todos os presidentes da Ucrânia, menos Yanukovich) - como se a Ucrânia unitária não fosse feita desde cima! Como se a guerra civil não é suficiente “desde baixo”. Em lugar de uma separação pacífica a“comunidade mundial” recomenda ao esposos matar um ao outro, muito bom! Mas se pode entender isso: a tarefa não é colmatar diferenças, senão destruir e substituir a Rússia, como feito com a Iugoslávia, o Iraque e a Líbia anteriormente e como está tentando se fazer com a Síria.

Fator nacional vs multinacional

prefeito de Moscou conforme aos neonazistas
Os fatores étnico e linguístico não são suficientemente fortes, embora eles também estejam em jogo: a propaganda oficialista de Kiev costuma elogiar os ucranianos da Galícia (os menos russificados) como os ucranianos modelo [4.], a primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa. Mas o desafio principal deste conflito geoeconômico é nacionalização: uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL vs uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [5.], com a primeira sendo apresentada como uma espécie de barreira do Ocidente “civilizado” contra a “barbárie asiática” imputada à Rússia, uma retórica que em sua essência é a mesma da “Muralha do Cristandade Ocidental” usada pela Polônia ao longo de sua história para com seus inimigos meridionais e orientais [6.].

A propaganda ucraniana costuma falar em seu delírio sobre as tropas de chechenos, buriatos, cossacos... As hordas multinacionais da Rússia uma vez mais atacaram a pobre nação ucraniana! É oportuno recordar ao pai da Ucrânia Vladímir Lenin, que escreviu em junho de 1917: “O tsarismo maldito convertia os russos em carrascos do povo ucraniano...”. Os Lenins de hoje que destruem os monumentos aos Lenins de antes diríam em vez do “tsarismo” – “putinismo”. Seja “putinismo”, “URSSismo”, “tsarismo”, “hordismo”, sempre é um enfrentamento entre uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL e uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [7.]. Enfrentamento esse que em nada difere do enfrentamento entre a Eslovênia e a Croácia bonzinhas/européias/corretas/NACIONAIS e a Iugoslávia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL na década retrasada.

Nacionalismo russo entre EUA e EUA

É curiosa a situação na qual se encontram hoje os nacionalistas russos. Eles também odeiam a Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL e igual aos nacionalistas ucranianos querem assimilar as etnias diferentes de seu país. Uma parte deles inveja muito aos nacionalistas ucranianos, apoia aos ucranianos pró-EUA, porque eles querem destruir a Rússia de hoje, uma Rússia “errada” (conforme a eles). Ao mesmo tempo resulta que estes nacionalistas russos para destruir a Rússia multinacional sacrificam aos russos étnicos mesmos, que moram no Sudeste da Ucrânia [8.]. Outra parte dos nacionalistas russos apoia a Nova Rússia, que deve virar uma base para a revolução nacional na Rússia mesma, eles querem acabar com a Ucrânia como com um projeto anti-russo e espalhar a “primaveira russa” na mesma Rússia. Possivelmente muitos destes nacionalistas entendem que a “primaveira russa” na mesma Rússia não tenha muitos chances, eles vem que a Novorossiya está virando um protetorado da Rússia tão odiada, mas eles não podem tolerar as purgas étnicas contra os russos no Leste da Ucrânia.

Vemos que uns nacionaliatas russos apoiam o nacionalismo ucraniano, porque este é uma velha boa arma do Ocidente contra o “Império Russo”, quando os outros nacionalistas russos apoiam aos russos étnicos na Ucrânia, porque acreditam na conscientização nacional dos russos a base da luta pela liberação nacional da Novorossiya contra o chauvinismo ucraniano. Uns esperam a revolução nacional russa mediante a ajuda para Ucrânia, os outros a esperam mediante a luta contra a Ucrânia.

Contudo ambos nacionalismos: tanto russo (ucrainófilo e ucrainofóbico), como ucraniano odeiam o «Império Russo». Por isso teoricamente os EUA poderiam financiar ambos! Agora os EUA mantem o nacionalismo ucraniano, mas há idéias de “distribuição de pão e biscoitos” para os nacionalistas russos também. A confederação da Ucrânia e ajuda total ao estado nacional dos russos da Novorossiya é uma receita do jornal conservador “The American Thinker” [9.]: o Ocidente deveria abandonar o projeto “Ucrânia”, porque é uma piada de Deus, o Ocidente deveria crear uma república nacional russa em Novorossiya, um modelo a seguir para a mesma Rússia (tipo a Alemanha Ocidental para a Oriental, a Coréia do Sul para a do Norte, o Iêmen do Sul para o do Norte, Taiwan para a China)! Embora esta oferta seja exótica ela tem sua lógica, e tecnicamente é factível...

Caramba! Certos nacionalistas russos, inimigos do «Império Russo» até se sentem esquecidos pelos EUA e roubados pelos nacionalistas ucranianos. Um dos líderes dos radicais neonazis russos Dmitri Diómushkin diz que o nome “Pravi Sektor” (trademark) foi roubado dele. O redator do jornal nacionalista glamour mais popular da Rússia “Sputnik e Pogrom” Egor Prosvirnin quis abrir uma filial de seu jornal em Kiev, mas também foi roubado pelos ucranianos: afirma que lhe roubaram a idéia e o nome “Petr e Mazepa”. Os redatores de “Petr e Mazepa” reconhecem o fato de roubo e oferecem seus serviços aos EUA – de um bocal de nacionalismo russo numa Ucrânia pró-EUA. Por agora a idéia de uma Nova Rússia pró-EUA parece bizarra, mas se o projeto da “Ucrânia” falha, una Nova Rússia pró-EUA vai virar atual! De todas as formas se a Rússia «monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL» não conseguir gerar um novo projeto combinatório mais viável do que as aventuras sanguinárias dos EUA e seus lacaios da UE, é muito possível que os selvagens cães liberais e nacionalistas cheguem à guerra civil para Moscou, como já foi feito no século XVII.

Edição de Eduardo Consolo dos Santos

1. http://www.gallup.com/poll/109228/Russian-Language-Enjoying-Boost-PostSoviet-States.aspx?utm_source=Russian%20Language&utm_medium=search&utm_campaign=tiles

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/06/maidan-ou-horda.html

3. Euro-região Donbass: Lugansk, Donetsk (Ucrânia) + Rostov, Voronezh (Rússia); euro-região Dnepr: Chernigov (Ucrânia) + Briansk (Rússia) + Gomel (Bielorrússia); euro-região Slobozhanshina: Kharkov (Ucrânia) + Belgorod (Rússia); euro-região Karpaty: 19 regiões da Ucrânia, Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Euro-regi%C3%A3o

4. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/03/dividir-ucrania-para-conquistar-russia.html

5. http://www.globalresearch.ca/ukraine-military-high-command-confirms-no-russian-invasion-or-regular-troops-presence-of-nato-forces-in-donbass/5431369

6. http://en.wikipedia.org/wiki/Antemurale_myth

7. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/02/eterno-retorno-de-stalinismo.html

8. http://www.pco.org.br/internacional/lider-neonazista-diz-que-os-moradores-de-donbass-deveriam-ser-deportados/apib,o.html

9. http://www.americanthinker.com/articles/2015/04/ukraine_a_contrarian_approach.html#ixzz3WBhvkGA1

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воскресенье, 5 апреля 2015 г.

Domingo de Chorões

em iconos russos você não vê as palmeiras, senão os chorões
O Domingo de Ramos no Brasil é distribuição de folhas de palmeiras, mas na Rússia não tem palmeiras, então aqui recorremos aos salgueiros (chorões) e na Rússia o Domingo de Ramos é conhecido como o “Domingo de Salgueiros”. Salgueiro é um símbolo da primavera e renascimento na Rússia.

Claro que nos russos gostamos de palmeiras também, não estamos satisfeitos com os chorões! Mas as palmeiras não gostam de nosso clima!

Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha. Já os czares russos estavam interessados na possibilidade de controlar o clima na Terra Russa. Daí vem o interesse da nobreza russa por estufas agrícolas que estavam muito na moda nos séculos XVIII-XIX.

uma palmiera ao lado do Mausoléu de Lenin
A grande URSS só materializava os sonhos mais fantásticos dos czares: a ideia de redirecionamento dos rios siberianos para animar nossa Ásia é um dos exemplos. Agroclimatologia virou um assunto muito atual no contexto da vanguarda russa. Se o grande Tsialkovski, pai de cosmonáutica mundial, vivendo numa casa de madeira entre a guerra civil russa, passando fome, já sonhava com os vôos ao espaço, o controle do clima também era considerado pelos sonhadores contemporâneos uma tarefa simples.

Ao lado de Mausoléu de Lenin nos primeiros anos sempre havia uma palmeira. A cidade VDNKh, que deveria apresentar o modelo da utopia soviética, tinha as palmeiras plantadas diante dos pavilhões do Sul. Todas estas palmeiras de Moscou tinham um sistema de aquecimento subterrâneo, vocês podem imaginar isso? Os arquitetos russos nos anos 20-30 costumavam pôr as palmeiras em seus projetos para Moscou, como se a mudança do clima já fosse uma questão resolvida! Que audácia!

uma palmeira diante do Teatro Bolshoi
Mas todas estas idéias vanguardistas ficaram congeladas... Tudo o que resta daquela ambição por palmeira são os chorões, salgueiros-chorões.


palmeiras na cidade de VDNKh

Redação de Lang-8

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суббота, 31 мая 2014 г.

os últimos Romanov seriam bolcheviques se não fossem os czares



Alexandr Mijáilovich, neto do czar Nicolai I e tio do czar Nicolai II (também foi marido da irmã de Nicolai II), chefe da Direcção da Flota Comercial do Imprio Russo nos anos 1902-1905:


"Ocorreu-me que embora eu não fosse um bolchevique, mas eu não podia concordar com meus parentes e conhecidos e de forma imprudente condenar tudo o que os Soviets fazem, só porque isso é feito pelos Soviets. Sem dúvidas eles mataram três dos meus irmãos, mas eles também salvaram a Rússia do destino de um vassalo dos aliados.

O tempo, quando eu os odiava e tinha muitas ganas de chegar até Lenin ou Trotskiï, passou, porque eu comecei obter as notícias sobre um e depois sobre outro passo construtivo do governo de Moscou e encontrei-me com o fato de que eu sussurrava: "Bravo!". 

Como todos os cristãos que "não são frios nem quentes" eu não conhecia outra forma de remediar o ódio, como inundá-lo em outro ódio, ainda mais ardente. Os polacos me ofereceram um objetivo conforme última opção.

Quando no início da primavera de 1920 vi as manchetes dos jornais franceses, anunciando uma procissão triunfante de Pilsudski sobre os campos de trigo da Maloróssia [1.], algo fraturou dentro de mim e eu esqueci sobre o fuzilamento de meus irmãos, ocorrido faz um ano. A única coisa que passava por minha cabeça foi: "Os polacos estão prestes a tomar Kiev! Eternos inimigos estão prestes a cortar as fronteiras ocidentais do Império Russo". Eu não ousei me expressar abertamente, mas ouvindo as conversas absurdas dos refugiados e olhando para seus rostos, eu desejava com toda a minha alma a vitória do Exército Vermelho.


Não importa que eu era o Grão-Duque. Eu era um oficial russo, que deu juramento para defender a Pátria de seus inimigos [2.]. Eu era o neto do homem que ameaçou arar as ruas de Varsóvia, se os polacos uma vez mais se atrevessem a quebrar a unidade de seu império. De repente, ocorreu-me uma frase desse antepassado meu, uma frase de 72 anos atrás. Direito no informe sobre os "atos ultrajantes" do ex-oficial russo de artilharia Bakunin [3.], que levou a multidão dos revolucionários alemães na Saxônia para assaltar a fortaleza, o Imperador Nicolau I escreveu com letras grandes: "Hurra a nossos artilheiros"!


A semelhança da minha e sua reação me surpreendeu. Eu senti a mesma coisa quando o comandante vermelho Budionny derrotou as legiões de Pilsudski e perseguiu-o até Varsóvia. Desta vez os elogios foram dirigidos para os cavaleiros russos, mas no resto poucas coisas mudaram desde os tempos do meu avô. 

- Mas você parece esquecer - o meu fiel secretário disse - que, entre outras coisas, a vitória de Budionny significa o fim às esperanças do Exército Branco na Crimeia. 

Sua observação razoável não abalou minhas crenças. Naquele verão inquieto do vigésimo ano ficou claro para mim, igual que é claro para mim agora no tranquilo ano de 1933, que para alcançar uma vitória decisiva sobre os polacos o governo soviético fez tudo o que era necessário fazer para um governo verdadeiramente popular. Parece irônico que os participantes da III Internacional tenham de proteger a unidade do Estado russo, mas a verdade é que desde aquele mesmo dia os soviéticos estão obrigados a realizar uma política puramente nacional, que não é outra coisa senão a política de muitos séculos, lançada por Ivã o Temível, desenhada por Pedro o Grande, que atingiu seu ponto culminante sob Nikolaiï I. Essa politica é defender as fronteiras do estado a qualquer preço e passo por passo avançar até as fronteiras naturais no Ocidente! Agora eu tenho certeza que até mesmo meus filhos vão ver o dia quando chegar o fim não só à independência absurda das repúblicas bálticas, mas quando a Bessarábia e Polônia também ser recuperadas pela Rússia e os cartógrafos terão que trabalhar duro sobre a redefinição das fronteiras no Extremo Oriente [4.].

Nos anos vinte eu não me atrevi a olhar para um futuro tão distante. Então eu estava preocupado com meu problema puramente pessoal. Eu vi que os soviéticos saiam de uma longa guerra civil como vencedores. Ouvi que eles cada vez falavam menos dos temas que ocupavam tanto a seus primeiros profetas nos dias tranquilos do "La Closerie des Lilas" [5.] e cada vez eles falavam mais dos temas que sempre foram vitais para o povo russo como um organismo unido. E eu perguntei a mim mesmo, com toda a seriedade, que você esperaria de um homem privado de sua propriedade significante e que testemunhou a liquidação da maior parte dos irmãos: "Se eu, como um produto do império, uma pessoa educada em crença na infalibilidade do Estado, se eu ainda posso condenar os atuais governantes da Rússia?”.

A minha resposta foi: "sim" e "não". O Senhor Alexander Romanov gritou "sim". O Grão-Duque Alexandre disse "não". O primeiro foi obviamente decepcionado. Ele adorava suas propriedades prósperas na Crimeia e no Cáucaso. Ele desejava entrar uma vez mais no escritório de seu palácio em São Petersburgo, onde os inúmeros estantes abarrotavam dos volumes encadernados em couro sobre a história da navegação e onde ele poderia preencher as noites com as aventuras, apreciando as antigas moedas gregas e rememorando esses anos que ele tinha passado em sua busca.

Felizmente para o Grão-Duque, ele sempre foi separado do senhor Romanov com uma face. Portador de um título muito alto, ele sabia que ele e sua turma não deveriam ter um conhecimento amplo ou exercer a imaginação e, portanto, no caso da resolução da dificuldade atual, ele não hesitou, porque simplesmente tinha que confiar em sua coleção de tradições, essencialmente banais, mas surpreendentemente eficaz para fazer soluções. Fidelidade à Patria. Exemplo dos antepassados. Conselhos dos iguais. Permanecer fiel à Rússia e seguir o exemplo dos Romanov, que nunca imaginavam-se mais do que seu império, significava aceitar que foi mister ajudar ao governo soviético, não obstaculizar seus experimentos e desejar sucesso naquilo em que os Romanov falharam".

Fonte:

http://www.ozon.ru/context/detail/id/128574/

1. Maloróssia significa em russo "Pequena Rússia", o nome carinhoso que se usava na Rússia para chamar aquelas terras que agora são conhecidas como a Ucrânia. "Pequena Rússia" quer dizer "coração da Rússia, o centro do mundo russo", quando a "Grande Rússia" era só uma periferia da Pequena Rússia. O nome "Ucrânia" foi dado a essas terras pelos polacos: "Ucrânia" quer dizer "margem, zona marginal, periferia" - assim com desdém os polacos chamavam esse território. Os russos mais tarde também usavam esse termo "Ucrânia", mas ele foi usado tanto para a "Rússia Pequena" como para o atual Cazaquistão.

2. Uns 30% dos oficiais que juravam fidelidade a Nicolai II depoís da Revolução Russa passararm para o lado do Exército Vermelho.

3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin

4. Alexandr Mijáilovich teve razão e os acontecimentos esperados por ele ocurreram.

5. Lenin e Trotski gostavam de jogar xadres nesse cafe de Paris, também o cafe foi frecuentado por Paul Verlaine, Maurice Maeterlinck, Oscar Wilde, August Strindberg, Ernest Hemingway, etc.

среда, 12 марта 2014 г.

Dividir a Ucrânia para conquistar a Rússia

Hoje, mais do que antes, está claro que a guerra fria entre a Rússia e o Ocidente ainda não acabou. Não importa o regime político da Rússia: czarismo, comunismo, capitalismo periférico, etc. - segundo os sabichões ocidentais os russos sempre são os maus! "Um povo bem-aventurado até idiotices é dirigido pelos maníacos". Acho que o nível da russofobia no Ocidente pode ser um indicador da força da Rússia.

É simbólico que os surtos da russofobia no Ocidente acompanham os êxitos culturais do "gigante simpático": a representação soviética na Exposição de Paris em 1937, o festival mundial da juventude em 1957, as Olimpíadas de Moscou de 1980 e as Olimpíadas de Sochi de 2014.


Por que a Ucrânia?


Porque a perda da Ucrânia pode desencadear a desintegração da própria Rússia! Falamos da ruptura das cadeias cooperativas (parcialmente desativadas pelo colapso da URSS), falamos da destruição do mercado comum, falamos da aproximação máxima da OTAN e da perda de nossa base militar na Crimeia. Para o demônio velho da guerra fria Zbigiew Brzezinski, a Ucrânia é uma das peças mais importantes no jogo pelo controle dos EUA sobre a Eurásia. O geo estrategista da hegemonia dos EUA só repete as ideias do político alemão Paul Rohrbach (um dos fundadores da Sociedade Thule, companhia matriz do NSDAP), para o qual a Ucrânia é a saida vital russa ao Mar Negro. Sem os países bálticos, a Polônia, Biélo-Rússia e Finlândia, mas só com a Ucrânia, a Rússia continua sendo uma ameaça para a Alemanha de Paul Rohrbach.

Alias Ucrânia é uma parte muito vulneravel do mundo russo: a Ucrânia desempenhou um papel decisivo durante o Tempo de Dificuldades no século XVI, quando ela virou um ponte da invasão polaca na Rússia. A guerra de Pedro o Grande contra Suecia (pela saida ao Mar Báltico) também acabou na Ucrânia. Só tenho que dizer que naquele tempo não foi usado muito o nome "Ucrânia" - essa parte da Rússia se chamava pelos russos com muito carinho a "Rússia Pequena", no sentido: "coração da Rússia, o centro do mundo russo", quando a Rússia Grande era so uma periferia da Rússia Pequena. O nome "Ucrânia" foi dado a essas terras pelos polacos: "ucrânia" quer dizer "margem, zona marginal, periferia" - assim com desdém os polacos chamavam esse territorio.

É importante ressaltar que a mesma ideia do estado "Ucrânia" (dos Cárpatos até o rio Volga e Cáucaso) foi desenhada pelos austríacos, alemães e polacos com objetivo de dividir aos russos para reinar a Rússia. Seus agentes principais nesse projeto de desmembramento do Império Russo eram os ucraniófilos galicianos e rutenos.

Polarização da Ucrânia

Hoje muitos sabichões descobriram que a Ucrânia está polarizada: há uma parte ocidental, economicamente muito pobre, mas politicamente radical e russofóbica (os galicianos) e há outra parte oriental que é rica, industrializada e pró Russia. As diferenças extremas se misturam no centro do país. 

Por que o Leste é pró Russia (a gente aqui fala russo e etnicamente se identifica como russos)? Porque o leste ucraniano foi a Rússia! Foi o camarada Lenin quem passou esses territórios à Ucrânia (RSSU) para aumentar o peso do proletariado nessa república agrária. É preciso lembrar que a gente do leste ucraniano é uma sub-etnia russa, nesse sentido em 1991 se desintegrou a unidade nacional dos russos!

E por que o oeste é tão russofóbico? Porque assim que ele foi desenhado pelos polacos, austríacos e alemães. A Galícia foi parte da Polônia, do Império austro-húngaro e logo do III Reich Nazista. É ali onde foi artificialmente criado e cultivado o nacionalismo ucraniano no século XIX, com grande ajuda da inteligencia da Áustria-Hungria. Além de isso o leste foi ao pé da letra desrussificado - durante a Primeira Guerra Mundial. Os austríacos organizam os primeiros campos da concentração na Europa: Thalerhof e Terezín justamente para os russos étnicos da Galícia, denunciados pelos galicianos e polacos. Durante esse genocídio dos russos, os galicianos já negam o seu etnônimo original - se antes eles eram rutenos, agora são os ucranianos. É curioso que os rutenos da Transcarpatia ucraniana, embora vivam no Oeste ucraniano,continuam sendo pró Russia, eles não aceitaram a ucranização imposta pelos austríacos.

Lenin não só entregou à Ucrânia o leste industrializado da Rússia, mas também apoiou o nacionalismo ucraniano dentro da sua lógica de luta contra o Império Russo como uma prisão dos povos. Seu plano foi transformar a luta pela liberação nacional na luta pelo socialismo. É curioso que outra marxista muito criativa - Rosa Luxemburgo até criticou Lenin por esse jogo com o nacionalismo ucraniano: "O nacionalismo ucraniano na Rússia foi muito diferente do que digamos os nacionalismos checo, polaco ou finlandês, ele foi nada mais do que uma mania, uma farsa de umas dezenas de intelectualóides pequeno-burgueses. Ele não tinha nenhumas raiz na economia, política ou campo espiritual desse país, não tinha nenhuma tradição histórica, porque a Ucrânia nunca foi nem nação, nem estado, sem nenhuma cultura nacional, se não contarmos com os poemas reacionários-românticos de Shevchenko. <...> E essa piada ridícula de uns professores universitários e seus alunos foi artificialmente exagerada pelo Lenin e seus camaradas com sua agitação doutrinária pelo "direito à autodeterminação" e foi transformada num fator político". É uma ironia histórica que hoje os "revolucionários" ucranianos destruam os monumentos a Lenin, que foi um dos pais da nação ucraniana!


A Ucrânia e seus novos heróis

no balanço com um moscovita, um fôlder de UPA





Os nacionalistas ucranianos de hoje odeiam Lênin, porque a memoria histórica é curta e eles preferem auto-identificar-se com a versão de seu nacionalismo mais nova, desenhada pelos nazistas, os quais só continuavam em sua propaganda as ideias de Paul Rohrbach e a lógica milenária de "Drang nach Osten". Por isso os santos mais venerados pelos nacionalistas ucranianos são os colaboradores nazistas que matavam as mulheres e as crianças russas, judeas e polacas durante a 2ª Guerra Mundial. Na realidade, só continuando seu trabalho de purgas étnicas, que tinham recebido durante a 1ª Guerra Mundial. Às vezes a crueldade sádica dos castigadores ucranianos se explica pela questão do "Holodomor", mas é preciso saber que a Galícia, a matriz do colaboracionismo, nem era parte da URSS, quando aconteceu aquela fome terrível (era parte da Polônia).

Também é importante dizer que os "heróis" do colaboracionismo ucraniano não lutavam por sua visão da Ucrânia, mas lutavam pelo III Reich dos nazistas, jurando fidelidade a Adolf Hitler. Não é correto pensar que essa gentalha colaborasionista lutava contra os alemães também. Um deles, Stefan Bandera, foi preso pelos nazistas em 1941, porque ele era mas útil para III Reich na prisão (como um mártir do nacionlismo ucraniano) - onde este "mártir" viveu muito bem, recebendo as prostituas. E, a coisa mais curiosa, ele foi liberado pelos nazistas em 1944! Que inimigo do III Reich mais forte! Depois de ter servido a Abwehr esse herói (responsável pela morte de centenas de milhares de polacos, russos, húngaros, judeus e ciganos) trabalha para MI6 até sua execução pela inteligência soviética em 1959.

A 2ª Guerra Mundial se acaba e a Galícia, região que na Idade Média era parte integrante da Rus’ de Kiev, mas que passou longos períodos de sua história sob jugo ocidental (polaco de 1349 a 1772 e 1918 a 1939, austríaco de 1772 a 1918 e alemão nazista de 1941 a 1944), foi integrada à Ucrânia Soviética (de direito em 1939 e de fato - em 1944) e muitos intelectuais galicianos viram um foco da atenção do governo soviético - lhes ofereceram os melhores trabalhos e moradia em Kiev (capital da Ucrânia) para que eles tenham a melhor vida possível no marco do sistema soviético. Sua gratidão de hoje são as marchas nazistas pela capital ucraniana que ficou em ruínas depois do golpe de estado, orquestrado pelos EUA e Alemanha.


A Ucrânia de 2004 e a de 2014


folhetos de Kiev e de Cairo são idénticos
Que diferença há entre a Revolução Laranja de 2004 e o golpe de estado de 2014? Na realidade se parecem muito! No fundo ambas as "revoluções" são revoluções falsas, "revoluções coloridas", é quando uma parte das elites aproveitando o descontento social-econômico do povo e os interesses geopolíticos dos EUA organiza um golpe de estado ao grupo governante sem mudar nada na situação econômica ou até mesmo piorá-lo. O mecanismo de uma "fake revolution" foi codificado na obra de Gene Sharp "Da ditadura à democracia" e experimentado na Tchecoslováquia em 1989, na Sérvia em 2000, na Geórgia em 2003, na Ucrânia em 2004, no Quirguistão em 2005, etc. Todas essas revoluções se parecem como duas ervilhas em uma vagem. Em qualquer país onde o estado é fraco e falido ("failed state") se pode organizar tal "revolução" carnavalesca duas vezes por ano.

Kiev de 2013 e Belgrad de 2000
Mas por que a intervenção estrangeira nas revoluções coloridas é tão importante? - podem perguntar os cínicos, lembrando que a partir das revoluções europeias de 1848 sempre se registra a intervenção estrangeira nos processos revolucionários. É verdade, mas o drama das revoluções coloridas é que não são democráticas - uma minoria com ajuda de mobilização da opinião pública dos jovens organiza um vácuo da legitimidade e intercepta o poder. Os próprios protagonistas das "fake revolutions" não representam os povos inteiros, senão só uma parte reduzida de seus respectivos povos.

Nesse sentido a revolução laranja de 2004 também foi um golpe de estado. Mas o golpe de estado em 2014 foi tão brutal, radical e abertamente coberto pelo Ocidente que é mais parecido às últimas agressões ocidentais contra a Líbia ou a Síria (embora se conserve a lógica da intecepção do poder: a "familia" de Yúlia Timoshénko ocupa o lugar da "familia" de Víctor Yanukóvich).




As bandeiras nazistas foram vistas na Ucrânia de 2004, mas em 2014 essas bandeiras monopolizaram o espaço urbano de Kiev! Além disso, os líderes da oposição parlamentar (que eram uma minoria no parlamento) não controlaram aos combatentes neonazistas, que atiravam as pedras contra os policias desarmados, os queimavam com os coquetéis Molotov e logo os disparavam com as armas de fogo. A oposição da rua se denominou como o "Setor de Direita", uma aliança de vários partidos, grupos paramilitares e movimentos de torcedores de futebol. Os jornais "Spiegel", "Le Figaro", canal britânico BBC, Lyndon LaRouche, Stephen Cohen, os políticos como Jean Asselborn, Heinz Fischer, etc. reconhecem que o motor principal das revoltas violentas em Kiev foram os grupos paramilitares neonazistas. Assim o terror foi a ferramenta principal do golpe de estado em 2014 (perseguição, ameaças aos familiares dos deputados, funcionários e policias, humilhação, terror físico, torturas, espancamento até a morte, censura dos meios de comunicação).


As etapas do golpe de estado


1. O presidente legítimo da Ucrânia (que não foi amigo da Rússia de maneira nenhuma) Viktor Yanukóvich, cuja legitimidade foi reconhecida por todos os organismos internacionais adiou a assinatura do acordo político de associação com a União Europeia. Foi a única coisa boa que fez esse governador, representante de um dos clãs oligárquicos do país. Segundo esse acordo a Ucrânia teria que sacrificar sua indústria, abrindo seu mercado para os produtos europeus. Além disso, o país deveria abandonar o apoio social ao povo por completo. Quando a União Europeia não ofereceu nenhuma ajuda financeira para "formatar o dísco rígido" da economia ucraniana segundo os padrões europeus. Obviamente os europeus procuram só um novo mercado de consumo e um novo exército de fura-greves para suas economias. Também eles estão interessados na rede de transporte de gás, nas plantas atômicas, nos portos e nas terras pretas da Ucrânia. Mas eles não oferecem a Yanukóvich nada. O presidente legítimo temporariamente suspende a assinatura de tal acordo absolutamente desfavorável para a Ucrânia.

2. Imediatamente Yanukóvich vira um "stalinista", fantoche dos chineses e russos (que lhe ofereceram a ajuda econômica em forma dos projetos económicos internacionais). Em Kiev começam os distúrbios. O presidente lembrando sobre a revolução laranja de 2004 tem muito medo de usar força e os policias se enfrentam com os protestantes sem armas nenhumas.

3. Os protestantes não querem esperar as eleições de 2015, querem eleições agora mesmo! Na capital da Ucrânia mais de 3 meses vivem dezenas de milhares dos "revolucionários" vindos todos da Galícia. Eles negam qualquer compromisso com o presidente Yanukóvich, eles continuam atacando os policiais, quebram suas mãos, lhes arrancam os olhos, os queimam. Os "revolucionários" ocupam umas sedes das administrações regionais, torturam os governadores. Mas o presidente Yanukóvich não usa a força.

Em Kiev entre os "manifestantes pacíficos" dão discursos os embaixadores dos EUA, França, Espanha, Alemanha, Dinamarca, vice-secretária de Estado Victoria Nuland (ela desse que os EUA pagaram 5 bilhões de dólares para promover a "democracia" na Ucrânia e querem ver os resultados), os senadores estadunidenses John McCain e Chris Murphy estão aí em Kiev, igual que o Ministro das Relações Exteriores da Alemanha Guido Westerwelle, seu homólogo holandês Frans Timmermans, comissária do Comércio Europeu Catherine Ashton e muitos outros políticos da Lituânia, Polônia, República Checa, etc. Todos eles apoiando o golpe violento em Kiev e acusando à Rússia de intervir nos assuntos da Ucrânia!


4. 21 de fevereiro após a reunião com os líderes da oposição e representantes da Rússia e da UE (Alemanha, Polônia, França), o presidente ucraniano, Viktor Yanukóvich cede a todas as demandas da oposição (eleições presidenciais antecipadas incluídas), mas os "líderes" da oposição não podem controlar aos neonazistas do "Setor de Direita" que não gostam da UE e sonham com um estado nazista, puramente ucraniano! Os neonazistas continuam o terror nas ruas, o presidente Yanukóvich foge para a Rússia.

5. Ao poder sobe uma junta composta pelos opositores neoliberais e oligarcas pró-UE (e até aquí e uma clássica revolução colorida), mas também no poder agora estão presentes os neo nazistas, que controlam todos os organismos de força. Kiev é dominado por saques e caos. O povo foge da Ucrânia: 140 mil ucranianos pedem asilo na Rússia. A primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa, língua na qual 50% da população fala em casa.

6. A junta nomeia como governadores das regiões pró-Rússia de Khárkov e Donetsk oligarcas russofóbicos. Essas regiões são doadores para todo o país (valeu a pena o sacrifício de umas 100 pessoas para adiantar eleiçoes por um ano e trocar uns oligarcas por outros?).

7. O golpe de estado provoca uma serie das revoltas pró-Rússia no Sudeste do país. Surgem os governos populares que não reconhecem a junta golpista e pedem à Rússia ajuda, porque eles têm medo de um eventual genocídio, similar ao ocorrido em 1995 na região sul da Croácia contra os sérvios da região de Krajina (leia-se Kraiina), perpetrado por croatas viúvas da Ustashe de Ante Pavelich, a qual assim como a OUN-UPA de Stepan Bandera foram ativos colaboradores dos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. É obvio que os EUA e a junta estão interessados só em guerra europeia. Os golpistas não podem se manter sem ajuda militar da OTAN, porque os soldados ucranianos não querem defender a junta ilegítima (quando a junta anunciou a mobilização total, só um 1,5% dos recrutas se presentaram nas caixas de recrutamento).

"pessoas gentis" na Criméia
8. A região da Criméia (assim como o sudeste habitado maioritariamente por russos étnicos) proclama sua reincorporação à Rússia e pede ajuda militar. Esta decisão vai ser confirmada no referendum do dia 15 de março. Na Criméia aparecem as "pessoas gentis" - as forças de autodefesa. Também ali estão os soldados russos: há 16 mil soldados russos na Criméia. Desde 1994 a Rússia e a Ucrânia tem um tratado que permite à Rússia ter até 25 mil soldados na região. Aliás, a Rússia está presente na Criméia desde o século XVIII, mais precisamente desde 1783, quando da anexação do Khanato da Criméia (até então um estado vassalo do Império Otomano) por parte de Catarina a Grande. É lógico que a Rússia quer garantir a integridade física dos russos na Criméia, igual que há preocupação pelas armas que o estado russo tem lá e não quer que sejam roubadas pelos neonazistas.

9. Uns milhares de soldados ucranianos passaram para o lado dos russos. Mas as tropas da Ucrânia se concentram perto da Criméia, dirigidas não pelos militares senão pelos comissários da junta, cobertos segundo certas informações pelos mercenários das empresas militares privadas dos EUA, como Xe Services LLC (ex Blackwater). Segundo os trabalhadores do aeroporto de Kiev "Boríspol" as reservas de ouro da Ucrânia ja são trasladadas para os EUA.

10. A melhor saída da crise ucraniana poderia ser criação de uma federação ou até confederação da Ucrânia para salvar as diferenças étnicas, culturais e religiosas. Mas isso é pouco provável porque o Ocidente quer comer a Ucrânia ante todo economicamente e inclui-la em seu lebensraum, da mesma forma com que Hitler tentou fazer durante a Segunda Guerra Mundial.

De qualquer modo os recursos económicos da RSSU (Ucrânia Soviética) têm sido acabados durante os últimos 20 anos e o estadismo russofóbico ucraniano demostrou uma vez mais sua incapacidade político-económica.

Uns links que podem ajudar: