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пятница, 8 мая 2015 г.

Sobre a profanação da 2GM

Não é de se surpreender que o Ocidente menospreze o protagonismo da Rússia (a URSS) na Segunda Guerra Mundial. No resultado desta campanha vergonhosa a maioria dos cidadãos do Ocidente e de sua órbita “cultural” acham que a Segunda Guerra Mundial foi iniciada pelos monstros totalitários: a URSS e a Alemanha Nazista em 1939 - com a partição da Polônia, e que a guerra foi finalizada pela vitória dos EUA com o desembarque na Lua. É triste, porque nos primeiros anos após a guerra, a contribuição fundamental da Rússia era indiscutível, mas também o monopólio atual de Hollywood sobre a vitória é lógico: porque a Rússia ficou fraca e não conseguiu se defender adequadamente no campo informativo-memorial. 

Seja como for, o quadro fantástico pintado pela propaganda dos EUA se destrói com uma só pergunta: por que os "heroicos" aliados da URSS abriram a segunda frente apenas no final da guerra - em 1944?

A Campanha Norte-Africana de 1940-1943 e aInvasão Aliada da Itália em 1943 não podem ser um argumento sério, porque sua escala é incomparável com a situação na frente russa. É pouco provável que haja fanáticos que vão refutar este fato, mas temos que aceitar que quanto mais degradação intelectual vivermos, mais provável será a distorção destes enredos. Por ora uma das formas mais "populares" da profanação da vitória é o lend lease

A ajuda dos aliados no marco do lend lease se estendia de 4 a 10% das possibilidades da URSS. Deixamos passar em branco o fato de que os aliados não cumprissem com suas promessas sobre os volumes de fornecimento de armas, que seus armamentos em muitos casos já não eram atuais tecnicamente. “Já para a primaveira de 1943 as Forças Armadas dos EUA superaram os nossos 8,5 mlhões soldados, - escreve o historiador russo Boris Iúlin, - eles tem uma fortíssima indústria militar. E isso, só nos meados da guerra. A Inglaterra (sem contar as colônias e domínios) tem 4,8 milhões. Junto com a URSS a coalizão anti Hitler tem o dobro superioridade sobre o inimigo em terra e quatro vezes no mar e no ar. O que os atrapalhou de eliminar o inimigo com os golpes decisivos e acabar com a guerra? A URSS, na primavera de 1943, manteve em frente mais de 6 milhões de soldados – quando os aliados, que são duas vezes mais numerosos, tinham à sua frente menos de 1 milhão...

Tudo é certo – “que estes russos e alemães matem uns aos outros tanto quanto possível!”. Assim, nossos “aliados fiéis” não precisariam abrir uma segunda frente em 1942 e, ao invés disso, prometeram fazê-lo em 1943. Porém, eles não o fizeram em 1943, mas juraram em Teerã que o fariam já na primavera de 1944... Como resultado, uma segunda frente é aberta no verão de 1944, quando a eliminação da Alemanha já é evidente para todos.

Na guerra de coalizão a ajuda real pode ser uma só: as ações ativas de combate em larga escala. Não foram os aliados que nos ajudaram, mas sim nós que os ajudamos. Nós assumimos por eles a carga das principais ações de combate.

Mesmo se o lend lease não fosse de 4-10%, mas de 100%, e estes fornecimentos não fossem por dinheiro, mas sim de graça, do mesmo jeito isso não mudaria a realidade de que fomos nós que ajudamos os aliados, morremos por eles.

Seria melhor se as armas que eles nos mandavam fossem usadas na Europa pelas mãos dos soldados estadunidenses e ingleses. Essa seria uma ajuda mais adequada por parte deles". [1.]

“Desde os primeiros dias da guerra, Stalin solicitava raivosamente dos aliados anglo-americanos que abrissem imediatamente a segunda frente, - escreve o historiador Arsen Martiroçian. – Em resposta a Grã-Bretanha ofereceu-lhe permissão para introduzir suas tropas na Transcaucásia – com o baixo pretexto de proteção dos reservatórios soviéticos de petróleo. Os EUA ofereceram que lhes alugassem os aeródromos soviéticos no Oriente Extremo”. [2.]

Lembrando da ajuda "sangrenta e desinteressada" dos anglo-saxões durante a Guerra Civil, quando tivéramos que expulsar os invasores com força, estas ofertas foram rejeitadas. Os britânicos não queriam derramar a sangue e continuaram oferecendo seus serviços de guardas para os centros soviéticos da produção e processamento de petróleo (86,5% foram concentrados na Transcaucásia (Bacu) e no Cáucaso (Grozni). 

A oferta dos EUA não foi menos vil e provocativa – se a URSS deixasse aos EUA alugar os aeródromos no Oriente Extremo, ela automaticamente violaria as condições do Pacto de Neutralidade de 13 de abril de 1941. O Japão declararia a guerra à URSS! 

Resumindo - a ajuda dos aliados é tão vergonhosa como sua instigação da guerra [3.]. Não falamos aqui sobre a colaboração em massa dos países ocupados pelos Nazistas nem sobre a evacuação de certos capos de Nazistas e seus colaboradores no pós-guerra para o Ocidente.

2. Arsen Martirosian “200 mitos sobre Stalin” 
3. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/02/2gm-refresquemos-memoria.html

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воскресенье, 12 апреля 2015 г.

A Ucrânia é a mesma Rússia, só possessa pelo Ocidente

"Tempo de Dificuldades", uma constante da história russa.

Já passou um ano desde o início da guerra civil na Ucrânia, que evoca à memoria histórica dos russos o Tempo de Dificuldades do século XVII. Sofrendo de uma crise econômica e ideológica a Rússia ao final do século XVI caiu numa guerra civil total e esteve prestes de ser repartida entre a Polônia-Lituânia e a Suécia. Naquele tempo os cossacos («proto-ucranianos»), descontentes com o governo do tsar Boris Godunov, acompanharam os exércitos privados de oligarcas polacos em sua campanha contra a Rússia. É interessante que na primeira etapa o impostor Dmitri, o Falso I até foi bem recebido pelos russos, como um Dmitri “de Verdade” (como um filho legítimo do tsar-modelo Ivã IV, o Severo)!

Obviamente nos momentos da fraqueza do estado russo, suas periferias ficam vulneráveis para a manipulação dos inimigos e produzem as hordas dos cães selvagens, que levam a guerra para Moscou, ativando aos radicais políticos, elites contrariadas e grupos criminosos locais. O «Tempo de Dificuldades» se repetiu uma vez mais no início do século XX e está se repetindo agora mesmo on-line.

Sim, por um lado vemos uma transfiguração positiva da sociedade russa: os medíocres artistas de cinema viram os anjos da ajuda humanitária, os lavadores de autos viram os comandantes de tropas de elite – nossa sociedade, atomizada e humilhada durante os últimos 20 anos pela continua Reforma de Choque, depois da Criméia mostra uma surpreendente solidaridade e autoestima, produz aos verdadeiros heróis e lendas. Por outro lado também se manifestaram os nossos defeitos, se despertaram os nossos demônios. Nós continuamos no vácuo ideológico, preenchido pelo clericalismo medieval e antisovietismo vulgar do grupo governante, continuamos o curso neoliberal da econômia, quando a maioria do povo considera este curso fatal. A linguagem propagandistica do Kremlin é confusa e fraca.

Os calcanhares de Aquiles Russo

Sem dúvida a Criméia foi uma mudança radical do clima político na Rússia. A reintegração da Rússia com a Criméia colocou o grupo governante de Putin no mesmo barco com o povo. Agora não só os russos são um «povo errado» (conforme à russofobia ocidental, cuja história começa no século XI desde o Cisma da Igreja de 1054), agora o nosso líder nacional também perdeu sua coroa do “único europeu no país bárbaro”. Já não é um gerênte do capital estrangeiro, como Pinochet, mas quem é? O ditador argentino que quis reconquistar as Ilhas Malvinas, Leopoldo Galtieri? Ou um novo Lenin-Stalin, que pode re-sintetizar a grande Rússia numa forma moderna? Então, esperamos que o grupo governante e as elites também compartam o preço que pagamos por ter recuperado nossa subjetividade. Se não observamos este balanço, nos espera uma repetição das catástrofes do século XVII, dos anos 1917 e 1991, quando os grupos governantes perderam o controle sobre as elites e ao mesmo tempo perderam a confiança e respeito do povo.

Nova Ucrânia e Nova Rússia (Novorossiya)

Na dimenção global da guerra civil ucraniana vemos por um lado aos ucranianos pró-EUA e por outro lado aos ucranianos pró-Rússia.

Os pró-EUA acham que esta guerra é uma agressão da Rússia que quer liquidar a Ucrânia, porque esta Ucrânia é só um parasita intermediário do negócio entre a Rússia e a Alemanha. É lógico que esta Ucrânia parasita lute por sua sobrevivência, mobilizando seus recursos humanos com ajuda dos canais midiáticos e administrativos que ela controla. Esta Ucrânia afirma que a Rússia atual e seu negócio com a Alemanha é um nonsense, a Rússia atual deve ser destruída e substituida por uma Nova Ucrânia. Esta Ucrânia não quer tanto se associar com a UE, como ela quer destruir e substituir a Rússia, por isso ela se associa mais com os EUA.

Os pró-Rússia acham que esta guerra é uma agressão dos EUA contra a Rússia a fim de reconfigurar o mercado europeu de energia e congelar os projetos globais da Rússia (União Euroasiática, BRICS, OCX, etc.). É lógico que esta Ucrânia pró-Rússia se associe com a Rússia e tem medo da perda de controle sobre sua riqueza natural e industrial. Esta Ucrânia pró-Rússia afirma que as ambições da Ucrânia parasita são um nonsense, a Ucrânia atual deve ser reformatada e substituída por uma Nova Rússia.

A esta altura do campeonato vemos que os EUA financiam aos radicais neonazistas ucranianos, a bandeira dos EUA está colada sobre o escritório do SBU em Kiev (Serviço da Segurança Estatal), onde os consultores dos EUA ocupam um andar completo e tomam todas as decisões importantes para Kiev. Claro, que a «Ucrânia» atual é um protetorado dos EUA! Para os EUA «Ucrânia» é um “vírus trojan” que deve “crackear o disco duro” da Rússia e roubar seu dinheiro.

Ao mesmo tempo vemos que a Rússia apoia aos rebeldes do Leste, a bandeira da Rússia está colada sobre o prédio da OGA em Donetsk (Administração da RPD), os consultores do Kremlin também tomam todas as decisões importantes para as RPD e RPL. A Novorossiya atual é um protetorado da Rússia! A Novorossiya é um “vírus trojan” para “crackear o disco duro” da Ucrânia parasita e se livrar de suas comissões.

Ok, a situação esta clara ao nível global, mas na dimenção local, ao nivel molecular da movida vemos por um lado aos ucranianos russofóbicos e por outro lado - aos ucranianos russófilos. Se os primeiros lutam por uma Nova Ucrânia, purgada dos tarados elementos russos. Os segundos lutam por uma Nova Rússia, purgada dos tarados elementos ucranianos.

Washington financia a Nova Ucrânia só em parte, é possivel que a maior parte do financiamento das Forças Armadas da Ucrânia venha da sociedade da Ucrânia mesma (doações tanto voluntárias, como forçadas). E este mesmo fenômeno é característico para a Nova Rússia, que recebe a maior parte do financiamento não de Moscou, senão da sociedade russa.

Fator étnico e lingua

Fator étnico e lingua não são decisivos para esta guerra. Muitos russos étnicos lutam nas Forças Armadas da Ucrânia pró-EUA, como também muitos ucranianos étnicos lutam nas Forças Armadas da Novorossiya pró-Rússia. Há mais ucranianos étnicos nos governos da RPD e RPL que no governo da Ucrânia (que também tem aos ministros estrangeiros, criados nos tubos de ensaio da CIA – são representantes dos EUA, Lituânia, Geórgia). Ambas as partes ainda falam russo: um 83% dos cidadãos da «antiga» Ucrânia eram russo-falantes nativos em 2008 [1.] (os ministros estrangeiros falam russo também!).

Ou seja, não se enfrentam tanto as etnias ou línguas, como dois modelos de Futuro: uma Ucrânia derrussificada e pró-EUA e outra Ucrânia pró-Rússia. Os russos e ucranianos, que falam o idioma russo e lutam por uma Ucrânia pró-EUA, acham o “mito ucraniano” superior ao “mito russo” [2.], eles sendo falantes de russo querem que seus filhos num futuro próximo falem a língua ucraniana, eles estão a favor de uma ucranização e derrussificação forçadas. Mas isso não acontece na Criméia e Novorossiya, onde tem várias línguas estatais: russa, ucraniana, tártara (na Criméia), como também há ideias de introduzir a língua grega para a Novorossiya. Constamos que se enfrentam dois conceitos: assimilação forçada e um mosaico imperial. Enfrentamento esse que também se verificou na desintegração da Iugoslávia em locais como Krajina contra a Croácia Neo-Ustashe, na Republika Srpska contra a Bósnia Neo-Otomana e em Kosovo contra o Exército de Libertação de Kosovo (os três apoiados pelo Ocidente e a OTAN).

É lógico que na primeira etapa da crise se actualizasse o tema da federalização que poderia resolver as contradições. Por que não? A parte pró-EUA e a pró-Rússia se separam e vão embora cada uma para suas casas: já construídas (!) em forma das “euroregiões” [3.]. Mas o tema da federalização foi silenciada pelas elites governantes da Ucrânia: “a federalização deve ser feita desde baixo e não desde cima”. Que argumento mais ridículo (repetido por todos os presidentes da Ucrânia, menos Yanukovich) - como se a Ucrânia unitária não fosse feita desde cima! Como se a guerra civil não é suficiente “desde baixo”. Em lugar de uma separação pacífica a“comunidade mundial” recomenda ao esposos matar um ao outro, muito bom! Mas se pode entender isso: a tarefa não é colmatar diferenças, senão destruir e substituir a Rússia, como feito com a Iugoslávia, o Iraque e a Líbia anteriormente e como está tentando se fazer com a Síria.

Fator nacional vs multinacional

prefeito de Moscou conforme aos neonazistas
Os fatores étnico e linguístico não são suficientemente fortes, embora eles também estejam em jogo: a propaganda oficialista de Kiev costuma elogiar os ucranianos da Galícia (os menos russificados) como os ucranianos modelo [4.], a primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa. Mas o desafio principal deste conflito geoeconômico é nacionalização: uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL vs uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [5.], com a primeira sendo apresentada como uma espécie de barreira do Ocidente “civilizado” contra a “barbárie asiática” imputada à Rússia, uma retórica que em sua essência é a mesma da “Muralha do Cristandade Ocidental” usada pela Polônia ao longo de sua história para com seus inimigos meridionais e orientais [6.].

A propaganda ucraniana costuma falar em seu delírio sobre as tropas de chechenos, buriatos, cossacos... As hordas multinacionais da Rússia uma vez mais atacaram a pobre nação ucraniana! É oportuno recordar ao pai da Ucrânia Vladímir Lenin, que escreviu em junho de 1917: “O tsarismo maldito convertia os russos em carrascos do povo ucraniano...”. Os Lenins de hoje que destruem os monumentos aos Lenins de antes diríam em vez do “tsarismo” – “putinismo”. Seja “putinismo”, “URSSismo”, “tsarismo”, “hordismo”, sempre é um enfrentamento entre uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL e uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [7.]. Enfrentamento esse que em nada difere do enfrentamento entre a Eslovênia e a Croácia bonzinhas/européias/corretas/NACIONAIS e a Iugoslávia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL na década retrasada.

Nacionalismo russo entre EUA e EUA

É curiosa a situação na qual se encontram hoje os nacionalistas russos. Eles também odeiam a Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL e igual aos nacionalistas ucranianos querem assimilar as etnias diferentes de seu país. Uma parte deles inveja muito aos nacionalistas ucranianos, apoia aos ucranianos pró-EUA, porque eles querem destruir a Rússia de hoje, uma Rússia “errada” (conforme a eles). Ao mesmo tempo resulta que estes nacionalistas russos para destruir a Rússia multinacional sacrificam aos russos étnicos mesmos, que moram no Sudeste da Ucrânia [8.]. Outra parte dos nacionalistas russos apoia a Nova Rússia, que deve virar uma base para a revolução nacional na Rússia mesma, eles querem acabar com a Ucrânia como com um projeto anti-russo e espalhar a “primaveira russa” na mesma Rússia. Possivelmente muitos destes nacionalistas entendem que a “primaveira russa” na mesma Rússia não tenha muitos chances, eles vem que a Novorossiya está virando um protetorado da Rússia tão odiada, mas eles não podem tolerar as purgas étnicas contra os russos no Leste da Ucrânia.

Vemos que uns nacionaliatas russos apoiam o nacionalismo ucraniano, porque este é uma velha boa arma do Ocidente contra o “Império Russo”, quando os outros nacionalistas russos apoiam aos russos étnicos na Ucrânia, porque acreditam na conscientização nacional dos russos a base da luta pela liberação nacional da Novorossiya contra o chauvinismo ucraniano. Uns esperam a revolução nacional russa mediante a ajuda para Ucrânia, os outros a esperam mediante a luta contra a Ucrânia.

Contudo ambos nacionalismos: tanto russo (ucrainófilo e ucrainofóbico), como ucraniano odeiam o «Império Russo». Por isso teoricamente os EUA poderiam financiar ambos! Agora os EUA mantem o nacionalismo ucraniano, mas há idéias de “distribuição de pão e biscoitos” para os nacionalistas russos também. A confederação da Ucrânia e ajuda total ao estado nacional dos russos da Novorossiya é uma receita do jornal conservador “The American Thinker” [9.]: o Ocidente deveria abandonar o projeto “Ucrânia”, porque é uma piada de Deus, o Ocidente deveria crear uma república nacional russa em Novorossiya, um modelo a seguir para a mesma Rússia (tipo a Alemanha Ocidental para a Oriental, a Coréia do Sul para a do Norte, o Iêmen do Sul para o do Norte, Taiwan para a China)! Embora esta oferta seja exótica ela tem sua lógica, e tecnicamente é factível...

Caramba! Certos nacionalistas russos, inimigos do «Império Russo» até se sentem esquecidos pelos EUA e roubados pelos nacionalistas ucranianos. Um dos líderes dos radicais neonazis russos Dmitri Diómushkin diz que o nome “Pravi Sektor” (trademark) foi roubado dele. O redator do jornal nacionalista glamour mais popular da Rússia “Sputnik e Pogrom” Egor Prosvirnin quis abrir uma filial de seu jornal em Kiev, mas também foi roubado pelos ucranianos: afirma que lhe roubaram a idéia e o nome “Petr e Mazepa”. Os redatores de “Petr e Mazepa” reconhecem o fato de roubo e oferecem seus serviços aos EUA – de um bocal de nacionalismo russo numa Ucrânia pró-EUA. Por agora a idéia de uma Nova Rússia pró-EUA parece bizarra, mas se o projeto da “Ucrânia” falha, una Nova Rússia pró-EUA vai virar atual! De todas as formas se a Rússia «monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL» não conseguir gerar um novo projeto combinatório mais viável do que as aventuras sanguinárias dos EUA e seus lacaios da UE, é muito possível que os selvagens cães liberais e nacionalistas cheguem à guerra civil para Moscou, como já foi feito no século XVII.

Edição de Eduardo Consolo dos Santos

1. http://www.gallup.com/poll/109228/Russian-Language-Enjoying-Boost-PostSoviet-States.aspx?utm_source=Russian%20Language&utm_medium=search&utm_campaign=tiles

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/06/maidan-ou-horda.html

3. Euro-região Donbass: Lugansk, Donetsk (Ucrânia) + Rostov, Voronezh (Rússia); euro-região Dnepr: Chernigov (Ucrânia) + Briansk (Rússia) + Gomel (Bielorrússia); euro-região Slobozhanshina: Kharkov (Ucrânia) + Belgorod (Rússia); euro-região Karpaty: 19 regiões da Ucrânia, Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Euro-regi%C3%A3o

4. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/03/dividir-ucrania-para-conquistar-russia.html

5. http://www.globalresearch.ca/ukraine-military-high-command-confirms-no-russian-invasion-or-regular-troops-presence-of-nato-forces-in-donbass/5431369

6. http://en.wikipedia.org/wiki/Antemurale_myth

7. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/02/eterno-retorno-de-stalinismo.html

8. http://www.pco.org.br/internacional/lider-neonazista-diz-que-os-moradores-de-donbass-deveriam-ser-deportados/apib,o.html

9. http://www.americanthinker.com/articles/2015/04/ukraine_a_contrarian_approach.html#ixzz3WBhvkGA1

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вторник, 17 марта 2015 г.

Eurdonbass


Amigos, eu criei uma nova comunidade de facebook - Eurodonbass, uma contra-ofensiva para Euromaidan. 


A idéia dessa comunidade é promover a restauração das relações entre a Rússia e a Europa. Se o Euromaidan era uma bomba destinada a destruir uma Europa forte e independente para nos arrastar a uma nova guerra mundial, o Eurodonbass deve ser uma maneira de restaurar a soberania e paz no continente. 



Os convido a Eurodonbass para compartilhar as questões de cooperação/colaboração entre as empresas europeias e russas para superar a crise causada pelos banksters dos EUA e UE, a fim de 1) uma vez mais destruir a Europa, 2 ) uma vez mais foder a Rússia para saquear suas matérias-primas e conquistar seu mercado, visando o controle sobre os mercados asiáticos. 



Os temas da Eurodonbass: 



1) ajuda humanitária e voluntariado 
2) avaliação dos danos bilaterais causados pela crise, 
3) movimentos europeus, que se opõem à Maidan e buscam o diálogo com a Rússia, não a guerra. 
4) todas as atividades da Rússia e Europa, cujo objetivo é a paz e a restauração mútua, etc. 



Idiomas: Inglês, Espanhol, Português


Bem-vindos!

Att.,

Vitaly Liózov, Guia de Moscou.

вторник, 3 февраля 2015 г.

Eterno retorno de stalinismo

Vocês acham que Putin se parece com Stalin?
O alvo do Ocidente no teatro de operações na Ucrânia é a mudança do regime em Moscou e como consequência o congelamento dos projetos russos da União Aduaneira/União Econômica Eurasiática. Também é importante moderar BRICS/OCX, que desafiam a hegemonia dos EUA.

Para atingir esse objetivo, de um lado, o Ocidente está interessado na escalada da guerra civil na Ucrânia (ajuda militar e financeira para Kiev) - assim, se consegue polarizar a sociedade russa. De outro lado, o Ocidente proclama uma guerra econômica contra a Rússia (sanções) - assim, se ativa o cisma das elites russas.

O cisma da sociedade e a das elites nas condições do déficit de recursos deve levar a Rússia para uma decadência (no pior dos casos: desastre da guerra civil e desmoronamento).

1. O cisma da sociedade

Não é suficiente que o Serviço Federal de Segurança (ex-KGB) junto com os cossacos disfarçados passe para o lado da oposição neoliberal (Navalniï/Khodorkovskiï). Também é necessária uma cena de multidão para os canais tipo CNN. Quem não veio para a Praça de Pântano em 2012 [1]? Quem não veio para a Praça de Manezh em 2010 [2]?

Para ativar esta galera se lançam os memes como "sovok", "horda", "basta de dar de comer ao Cáucaso" (em Moscou), "basta de dar de comer a Moscou" (fora de Moscou).

O cisma da sociedade se realiza:

- por via ideológica ("sovok/horda" vs "liberais/europeus")

- por via territorial (Moscou, as repúblicas étnicas, Sibéria [3])

A degradação intelectual pós-soviética só fomenta o crescimento do ódio mútuo e a radicalização da sociedade.

Por exemplo, um "cidadão irritado" publica em seu Facebook uma foto das portas a um pequeno parque memorial, dedicado ao dia 9 de Maio. As portas estão pintadas como a bandeira da URSS e a bandeira da Rússia. O "cidadão alerta" escreve vincadamente em inglês: "Back to the Future!" Seus amigos lhe respondem em comentários: "Há de disparar uma metralhadora contra essa bosta!".

Ou uma jovem nos informa sobre a apertura de uma exposição dedicada a Lenin "Mito de nosso líder amado" e sugere para os "iniciados": "Vocês sentem os cheiros de..."?

Ao mesmo tempo, se para os liberais "tudo está claro", os patriotas estão confundidos: "Cheiros de que? Qual re-sovietização? Onde vocês vêm o retorno de stalinismo? Na política do Banco Central? Nas reuniões ultraliberais do Fórum de Gaidar? E as privatarias contínuas de tudo - isso também é o retorno de stalinismo?".

1.1 Meme do eterno retorno de stalinismo 


Os patriotas perguntam: "Vocês acreditam seriamente que os numerosos monumentos dos últimos anos a Stolypin (primeiro ministro de Nikolaï II), Alexandr I (tsar, famoso por seu liberalismo), Brodskiï (poeta dissidente), Kolchak (líder do Exército Branco), até temos um monumento ao iPhone - sério vocês acham que tudo isso é "sovok" e "eterno retorno de stalinismo"?


Os liberais mais astutos respondem que "sim". "Stalinismo" em dado caso já não tem a ver com a URSS, o stalinismo é "tudo, que tem a ver com a história do estado na Rússia". A própria visão historicista já é um elemento de stalinismo! O culturólogo Vladimir Paperniï para explicar este fenômeno desenhou o modelo da oposição "Cultura 1 vs Cultura 2".

Conforme ao "preconceito" de Paperniï toda a história da Rússia é um círculo vicioso formado por 2 ciclos. Um ciclo é "criativo", orientado para o Ocidente, chamado "Сultura1". E outro ciclo é "obscurantista", orientado para o Oriente, chamado "Cultura 2".

Cultura 1
Cultura 2
A Rus’ de Kiev e de Novgorod
A Rus’ de Vladimir e de Moscou
Danylo da Galícia
Aleksandr Nevskiï
Ivã III
Ivã IV (o Severo)
Tempo de Dificuldades e Cisma da Igreja Ortodoxa Russa em XVII
Tsar Alekseï Mikhailovich, patriarca Nikon, Pedro I (?)
Aleksandr I
Nikolaï I
Aleksandr II
Aleksandr III
Lenin e os vanguardistas
Stalin e os realistas socialistas
Krushchov e o "Degelo"
Brezhnev e a "Estagnação"
Yéltsin
Putin

A Cultura 1 está caracterizada pelo cosmopolitismo, democracia, "criatividade", espalhamento, horizontalidade, futurismo, etc. A Cultura 2 está condenada ao chauvinismo, autocracia, "imitação", solidificação, verticalidade, historicismo, etc. 

Prestemos atenção que este conceito maniqueísta é extremamente eurocentrista, os fãs de tais oposições binárias passam por cima do fato que a Rússia sempre está nas condições de uma competição/guerra com o Ocidente e Oriente. Eles gostam das palavras "Nossa cultura se desenvolve através dos traços rápidos sob fogo do inimigo". Mas nem lhes passa pela cabeça a ideia, que este fogo pode ser dos Khazares, Cumanos, Cavaleiros teutônicos, Mongóis, Tártaros, Turcos, Polacos, Lituanos, Suecos, Japoneses, Europa de Napoleão ou Europa de Hitler. Eles em sério acham que a gente russa se autodispara mesmo (no Leste da Ucrânia são os milicianos os que bombardeiam suas cidades!). 

O público russo já esta tão acostumado ao modo de pensar maniqueísta (eslavófilos e ocidentalistas, mencheviques e bolcheviques, troskos e stalinistas, liberais e "siloviki", Cultura 1 e Cultura 2), que não faz sentido de republicar 4 vez na Rússia o livro de V.Paperniï [4]. 

Ironicamente este modo de pensar maniqueísta não é nem europeu/hegeliano/moderno. Ele não aceita nenhum projeto do desenvolvimento positivo da Rússia, ele condena aos intelectuais-maniqueístas a uma síndrome do pânico e suicídio. Assim, o dissidente esquizofrénico Yakov Krótov chega até sonhar com que Putin pode realizar um ataque nuclear contra a Rússia mesma! A Rússia como a conhecemos tem que ser destruída ou integrada à Europa Católica, República das Duas Nações, Terceiro Reich ou OTAN. 

Para entender a lógica da oposição russa temos que nos pôr no lugar de um dissidente-maniqueísta que vê o mundo com a óptica da luta entre a Cultura 1 e a Cultura 2. Neste caso "em sério" vamos descobrir, que o estalinismo/Mal/Cultura 2 estão presentes na Rússia moderna por todas partes: 

- Em 2000 foi devolvida a música do hino da URSS para o hino da Rússia; 

- Em 2000-2003 foi devolvida a bandeira vermelha para as Forças Armadas da Rússia (desde 2003 na bandeira vermelha aparece uma imagem da águia bicéfala, acompanhada pelas estrelas de cinco pontas); 

- Em 2003 foi inaugurado o arranha-céus neoestalinista "Triumph Palace", neoclássica outra vez vira uma moda; 

- Os antigos brands soviéticos cada vez são mais presentes (até as companhias estrangeiras marcam seus produtos com os brands da URSS, porque assim os compradores tem mais confiança: o soviético quer dizer de ótima qualidade); 

- Por toda a parte aparecem os pequenos museus (privados!) da nostalgia soviética. Há rumores da organização de um Instituto ou Museu da URSS em Uliánovsk; 

- O governo acentua seu apoio à maternidade desde 2007; 

- Em 2010 o novo prefeito de Moscou qualificou o projeto de Moscow-City como um erro urbanístico (Moscow City é um macaqueamento de Manhattan, o símbolo principal da Rússia neoliberal, o projeto prima da época de Yéltsin, cuja família é proprietária da metade da obra); 

- Em 2012 para a festa do Dia 9 de Maio Moscou foi decorado com as bandeiras vermelhas da Vitória; 

- No cinema russo o grado tradicional de antisovietismo baixa quase até zero ("Fortaleza de Brest", "Leyenda 17", "Gagarin, o primeiro no espaço", etc.); 

- Em 2013 foi devolvido o uniforme obrigatório para os alunos de escolas; 

- Em 2013 foi proibida a propaganda LGBT; 

- Em 2013 foi restaurada a homenagem de "Herói de Trabalho" 

- Restauração dos parques públicos: Gorki, Sokólniki, VDNKh. Construção do Parque Zariadie perto do Kremlin; 

- Cerimônia da apertura das Olimpíadas em Sochi em 2014 

- Restauração de 2 pavilhões na expo VDNKh para seu aniversário de 75 anos em 2014 (também foi devolvido o nome soviético VDNKh à expo, que na época dos 90 tinha outro nome, ninguém lembra qual). 

- Folclorização da cultura POP: Igor Rasteriaev, Alexandr F. Skliar, Vovós de Buranovo. Atualização do escritor nacional-bolchevique Eduard Limónov, a popularidade do presidente da Chechênia Ramzan Kadýrov (Limónov e Kadýrov são o "Id" do povo russo); 

- O interesse para todo o soviético vira um mainstream, igual ao culto quase oficial dos Romanov: são muito exitosas as exposições "Desenho Soviético", "Vênus Soviética", "Mito do líder amado", "Infância Soviética", etc.;

Putin como Alexandr III
Mas estas coisas, que mencionamos acima são só características formais do "stalinismo eterno". Ao nível de conteúdo o stalinismo volta como um "cesaropapismo" - lhes diriam os intelectuais liberais, queixando-se das "relações" entre a Administração de Presidente e a Igreja Ortodoxa Russa. A formação da "nova aristocracia" também é uma característica de "stalinismo" para os liberais, que não vem diferencia nenhuma entre o gerente de Stalin L.Kaganovich [5] e o gerente de Pútin R.Abramovich (famoso mundialmente). A confrontação com o Império de Bem (Ocidente) também é um dos sinais mais claros de "stalinismo". 




Claro, que para a esquerda ou aquelas pessoas que ainda lembram-se do passado soviético tudo isto é um ultraje. Obviamente as formas soviéticas que "voltam" já tem um conteúdo totalmente antissoviético. Trata-se do stalinismo que será o último refúgio de canalhas. O uniforme escolar na URSS sublinhava a importância social dos estudos, quando hoje na Rússia o uniforme escolar só deve mascarar a desigualdade terrível de rendas dos pais das crianças. Embora que os diretores ultimamente acudam ao ambiente soviético para suas series e filmes, eles obrigatoriamente continuam desmascarando os "crimes de stalinismo" (às vezes eles chegam até a escala épica da bobagem como o diretor mais famoso da Rússia Nikita Mikhalkov, vencedor de Óscar e um putinoide exagerado) [6]. A mesma Igreja Ortodoxa Russa parece que a única coisa que faz é lembrar aos russos sobre os "crimes" de Stalin e "perseguição da Igreja" na URSS. A alardeada restauração do Parque Gorki o fez inacessível para os Veteranos de Trabalho de todos os tempos (pelos preços de tudo dentro do parque).

Mesmo assim, achamos que há um elemento de verdade na ideia do "retorno do stalinismo". Perguntamos a um jovem designer de roupa, porque ele não quer ir embora da Rússia, se o centro do mundo para ele é Paris e "na Rússia não inventaram nada de nada". Ele responde que justamente agora ele começou se sentir em casa na Rússia. Putin para ele é um político absolutamente europeu, que morou a metade da sua vida na Alemanha e conhece a tradição europeia. Por que até a gente eurocentrista, embora na crise econômica, se sente justamente agora 'como em casa'? 
Medvedev como Nikolai II

Claro que não há retorno nenhum de stalinismo, senão do estado. Nos termos da teoria demógrafica-estrutural [7.] vivemos a fase da "reação tradicionalista" que segue depois da fase da crise/inovação e antes da fase da síntese. O retorno das formas soviéticas com conteúdo antisoviético - é uma reação tradicionalista à catástrofe dos anos 90. A superação do antissovietismo, que estamos esperando tanto na Rússia, poderia ser uma sinal de aproximação da fase da síntese. 

É interessante como está mudando a postura do Patriarca Kirill: há pouco, ele reconheceu a façanha de Zoia Kosmodemianskaya, que era uma mártir da luta da URSS contra a Europa Fascista. Se antes a Igreja Ortodoxa Russa repetia todos os dias as besteiras antissoviéticas do tipo: "Se Lenin pudesse se benzer, ele desapareceria como um diabo acabado", hoje a Igreja descobre na experiencia soviética aos mártires e o lado positivo do projeto da URSS! 

O problema é que a oposição maniqueísta não procura nenhuma "síntese". Daí vêm a alegria e a inveja pelo motivo de "Leninemoto" na Ucrânia durante os últimos anos (depois da revolução colorida em 2004 e hoje depois do golpe de 2014). Cada vez na Rússia são mais audíveis as palavras: Talvez Hitler não fosse tão ruim para a gente... O Maidan de Kiev atrai aos "revolucionários" que se auto-identificam com a "Cultura 1": Maidan como o triunfo da arcaização, pocilga no centro duma cidade europeia, liberdade desenfrenada de niilismo. Como disse o escritor satírico neoliberal Mijail Zhvanetski: "Há de achatar a Rússia...". 

Neste sentido o caso escandaloso das Pussy Riot (ao pé das letras "a rebelião da vagina") pode ser interpretado como uma rebelião de buraco da piscina "Moscou" [8.] contra o Templo de Cristo Salvador e contra o Palaço dos Soviets que deveria ser construido aí nos anos 30. A oposição insiste: o Templo tem que ser explodido! O Palaço dos Soviets nunca deve ser construido! Precisamos da piscina, do "espalhamento, horizontalidade, futurismo"! 


1.2 A superação do cisma


Achamos que o governo deve satisfazer esta demanda! Vocês precisam de "espalhamento" - aqui tem a automovilização dos últimos anos. Aqui tem a terra de graça no Oriente Extremo (o governo ofereceu 1 hectare por pessoa no Oriente Extremo de graça para frear a despovoação da região). A cidade de Moscou está se espalhando a cada dia - administrativamente absorvendo as terras da região de Moscou e de outras regiões. As cidades se conectam com as vias férreas de trens de alta velocidade. O governo joga os ministérios federais fora de Moscou - para o Oriente Extremo. O tema de mudança de capital também surge periodicamente. A Terceira Roma deve ser espalhada por toda a Rússia: vemos, que por todas partes se construem os Coliseus das Universíadas, Olimpíadas e Campeonatos. 

Nas condições da crises e compressão demográfica para evitar a catástrofe o grupo governante precisa da redistribuição dos recursos das elites para o povo e claro que há de se relacionar com a toda a delicadeza com nossa oposição doida de maniqueísmo. 

O compromisso, síntese entre a Cultura 1 e a Cultura 2 na situação atual ao nível dos símbolos poderia ser a mudança da capital para o Oriente Extremo, precisamente para a cidade Svobodni (ao pé das letras: Livre), onde se constroi o novo cosmódromo russo. Assim, as ideias originais russas do século XX, como o cosmismo ecológico e vanguardismo soviético poderiam se combinar com a necessidade prática da Rússia de desenvolvimento do Oriente Extremo e da Sibéria, refugio seguro dos russos no caso da repetição de "Drang nah Osten". 

Notas:

1. Os distúrbios protagonizados pela oposição neoliberal em 2012; 

2. Os distúrbios protagonizados pelos radicais da direita em 2010; 

3. O separatismo da Sibéria potencialmente pode virar um problema, porque a reorientação da Rússia para a China faz menos importante o papel centralizador de Moscou (orientado para a Europa); 

4. É interessante que o autor entendeu que seu conceito é bastante primitivo e até intentou escrever um ensaio "Cultura 3", mas ninguém se importa. 

5. Kaganovich foi super-efetivo, responsável por muitos projetos da infraestrutura soviética nos anos 30-40, depois de golpe de Krushchov foi expulso de poder e morreu em 1991 depois de ter passado 34 anos como um simples moscovita, era campeão de bairro de dominó, morava entre a gente normal. Achamos que hoje é impossível imaginar a nenhum político de mundo repetir tal biografia depois de ir embora de poder.

6. Como na época de Stalin no período de Putin surge o interesse ao tempo de Ivã IV, criador do imperio russo. Aparecem o livro "Um dia de oprichnik" de Vladímir Sorókin (2006) e o filme "Tzar" de Pavel Lungin (2009). Mas há muita diferença entre a obra genial de Serguei Eisenshtein, que analiza o mito de estado, e éstas sátiras vulgares, que impõem o mito liberal da Rússia.

7. A teoria demográfica-estrutural analisa as relações entre o grupo governante, as elites e o povo no marco dos ciclos econômicos e demográficos: crescimento, compressão, catástrofe, considerando também a difusão tecnológica e as agressões mútuas pela causa de expansão na busca de novos recursos. 

8. O templo de Cristo Salvador original foi explodido na época da revolução para constuir no centro de Moscou o Palácio dos Sovietes, o projeto ciclópico que foi parado pela Grande Guerra Pátria. Depois da morte de Stalin, Krushchov em lugar do Palácio dos Sovietes construiu uma piscina - a piscina "Moscou", que funcionava até os anos 90, quando foi restaurado o Templo de Cristo Salvador. 

Editado por Eduardo Consolo dos Santos e http://lang-8.com/

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суббота, 24 января 2015 г.

Sobre os meios russos em português


Como há pouca informação confiável sobre a Rússia em português, os meios de comunicação estatais da Rússia acabam sendo quase as únicas fontes. Ao mesmo tempo, os leitores às vezes ficam surpreendidos, lendo as páginas da Gazeta Russa ou Voz da Rússia, cujos textos com freqüência estão envenenados pela clássica russofobia.

Por exemplo, a Gazeta Russa (jornal estatal financiado pelo estado russo para promover a imagem positiva da Rússia!) constantemente copia os textos do Moscow Times - um jornal holandês, editado em inglês para os estrangeiros que moram em Moscou. A Gazeta Russa simplesmente traduz os textos sarcásticos contra a Rússia do Moscow Times e os publica com o dinheiro do estado russo! A Gazeta Russa chega até a re-publicar os textos dos meios extremistas, suspendidos na Rússia, como grani.ru

Registro este absurdo, monitorando também os materiais da emissora Voz da Rússia, onde trabalham uns "especialistas" estrangeiros que dedicaram toda sua vida ao incitamento do ódio contra a Rússia (mantendo os mitos negros de Holodomor, Gulag, etc.). Este trabalho da quinta coluna só é possível graças ao caos administrativo nas estruturas midiáticas do estado russo: não há nenhum controle sobre os redatores das páginas em línguas estrangeiras, porque os chefes não sabem tantas línguas para ler seus artigos e também porque os chefes põem os redatores incompetentes em seus lugares (só via à corrupção e não através do seu profissionalismo).

Além disso, admito, também, que os textos russofóbicos nos meios de comunicação estatais da Rússia refletem a esquizofrenia da elite russa, até agora composta tanto pelos estadistas pro BRICS/OCX como pelos liberais pro Consenso de Washington. Quero dizer que é possível que os chefes responsáveis pela informação amarela contra Rússia nos meios de comunição da Rússia aprovem tal trabalho de seus jornalistas. Em qualquer caso, eles devem responder por sua atividade subversiva perante a lei.

четверг, 15 января 2015 г.

O Leviatã deve ser destruído!


O filme russo "Leviatã" de Andrei Zvyagintsev parece ao caso da novela "Doutor Jivago" de Boris Pasternak. Ambas obras aparecem nas etapas da escalada da Guerra Fria, estão dirigidas para o público ocidental (são super premiadas no Ocidente [1.]), manipulam os estereotípos sobre a Rússia e mostram o quanto é absurda a vida no país. 

Ao mesmo tempo ambas obras-primas são financiadas pelo estado russo! Boris Pasternak foi um dos lacaios da elite soviética, reconhecido e beneficiado pelo "regime" igual a Andrei Zvyagintsev, cujos filmes (não rentáveis) estão financiados pelo Ministerio da Cultura da Rússia. Irónicamente o "Leviatã", que critica o "monstro" do estado russo, é financiado pelo próprio Leviatã, pelo próprio estado russo.

Obviamente no contexto do enfrentamento civilizatório o Ocidente quer ver a Rússia só do lado negativo. Como no cinema de hoje há gêneros de filmes lacrimongêneos "sobre judeus", "sobre gays", "sobre eutanásia", etc., vai surgir também o novo gênero - "sobre russos". Mas já não são thrillers primitivos da época dos 90 (violência, alcoolismo, miséria), são filmes muito mais sofisticados, que também mostram a Rússia como um pais sem sentido, cego, surdo, mudo, onde tudo é sofrimento e pecado.

O filme "Leviatã" fala com o espectador ocidental numa lúngua natural para o Ocidente. Em primeiro lugar vemos os estereotípos (vodka, balalaica, aparatchik), mas também aqui temos as cenas duradouras como Tarkovski, os interiores ao estilo Provans, as paisagens do Norte (onde na realidade mora só cerca de 7% da povoação [2.]). Tudo é como o espectador estrgangeiro imagina a Rússia, mas como não é na realidade. Até a história que inicialmente inspirou ao diretor não tem origens russas: a idéia do filme vem da tragédia de Marvin Heemeyer, um estadounidense que proclamou uma guerra ao estado motivado pela defensa de seus direitos.


Marvin John Heemeyer foi um soldador e dono de uma oficina mecânica. Em desacordo com uma disputa de zoneamento, ele armou um bulldozer D355A da Komatsu com camadas de concreto e aço e utilizou isto para demolir a prefeitura da cidade, a casa do prefeito, e outras edificações em Granby, Colorado. A revolta apenas acabou quando o veículo emperrou por conta de um problema mecânico, e Heemeyer se suicidou. [3.] 

Outras fontes da inspiração são o texto de Thomas Hobbes (um dos pais do liberalismo) e a história bíblica de Jó.

Segundo os autores do filme a obra deveria ser universal, falar de um conflito existencial entre o "estado" e um "homem pequeno", mas na realidade é um panfleto político, estilizado para os gostos de Ocidente. Isso poderia ser uma crítica se não fosse tão direito e simples, como em tiras de quadrinhos.

Mesmo assim, como dizemos na Rússia: "como é a vida, assim são as canções". A vitória do filme "Leviatã" é segundo êxito do cinema russo depois do reconhecimento mundial da "Guerra e Paz" [4.]. Mas se no filme soviético "Guerra e Paz" de 1956 vemos um estado forte e nobre, uma sociedade madura e sana, uma familia grande e maravilhosa, um homem heróico e profundo. No filme "Leviatã" de 2014 vemos um estado-merda, sociedade-merda, familia-merda e homem-merda [5.]...

Resumindo, gostaria de tranquilizar meus leitores um pouco: russofobia furiosa e niilismo desenfreado paradoxalmente são características muito russas, que vem de um complexo psicológico da certa parte de nossos intelectuais - estou falando em sentido exagerado da culpa, hipersensibilidade e inclinação para o suicídio, rejeição radical de qualquer injustiça como um imperativo moral. Quando nos apertam os sapatos, esquecemos de que nossos chapéus e abrigos nos aquecem muito bem. "Harmonia suprema não vale nem uma lágrima de criança torturada". Ao mesmo tempo os radicais estão dispostos pelo motivo mais miserável, quebrar a melhor harmonia e fazer chorar milhões.


1. O "Leviatã" ja ganhou o "Golden Globe" (EUA), um prêmio em Cannes, outro prêmio em Munique, terceiro em Londres, etc. É possivel que também ganhe uns Oscars. 

2. http://www.gks.ru/bgd/regl/b14_22/Main.htm

3. https://pt.wikipedia.org/wiki/Marvin_Heemeyer

4. http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_e_Paz_(filme)

5. É engraçado que a gente do povoado, onde foi rodado o filme, acha este filme mentiroso. http://newsru.com/russia/13jan2015/levi.html