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вторник, 12 октября 2021 г.

Sentiu como se fosse preso pelos ucranianos

Continuando o tema do nacionalismo...

Há pouco assisti a um vídeo num canal nacionalista sobre um herói de Donbass, torturado num centro de detenção (na Rússia).

O protagonista diz que sentiu como se fosse preso pelos ucranianos, pelos inimigos de guerra. 


Uma vez fechadas as portas, os alto-falantes do Centro de Detenção começam a transmitir a marcha fúnebre. Depois, os detidos são espancados e humilhados pelo pessoal do Centro.


O protagonista relata, que durante sua estadia ele foi crucificado com algemas, espancado regularmente, ameaçado com estupro. Com frequência os detidos são obrigados a ouvir pela rádio de cela as gravações de choros infantis. A tortura física sempre é combinada com a tortura psicológica.


A ideia do pessoal do sistema penitenciário corrupto (todos são cúmplices) é extorquir dinheiro dos detidos, prometendo “melhorar” as condições sub-humanas. As tarifas variam, mas pelo preço de aluguel de uma habitação em Moscou lhe deixam sentar na cama e não ficar em pé o dia inteiro [*]


Outro motivo da tortura é fazer os detidos reconhecerem sua culpa.


Os nacionalistas perguntam ao protagonista convidado, que etnias eram os torturadores? Segundo os nacionalistas o pior mal é um imigrante, uma pessoa não russa, muçulmana.


Então o convidado responde que também ficou chocado, que todos os torturadores eram ...russos mesmo, igual a ele.


A epidemia de totura é ignorada pelo Kremlin, o tema não é bem-vindo nunca no campo informativo. Os torturadores publicamente reconhecidos nunca realmente são castigados. O pessoal da polícia e do sistema penitenciário é o mais desprezado e odiado pela sociedade russa.



* Os criminosos ricos até podem viver na prisão muito bem. A quadrilha de Serguei Tzapok durante 30 anos aterrorizava um povoado no Sul da Rússia (estuprando e matando a torto e a direita) e foi julgada apenas pelo massacre de 12 pessoas, incluindo 4 crianças, o que foi o auge de sua carreira. Então um membro desta gangue Viacheslav Tsepoviaz conseguiu publicar fotos da prisão, onde ele aparece comendo caviar e caranguejos. Também ele desde a prisão enviou para sua filha um presente: um Audi TT. A família deste criminoso continua vivendo no povoado numa casa grande com os empregados, heroizando seu parente e ameaçando todo o mundo com sua libertação iminente. Tudo isso acontece, mesmo que os “negócios” desta banda fossem criticados pelos ministros, governadores, presidente de parlamento… Ou seja, os canibais patenteados não são realmente castigados, nem perdem seu status social. Enquanto as pessoas inocentes podem ser torturadas para reconhecer os crimes de outros.

понедельник, 4 октября 2021 г.

Sobre a bomba migratória debaixo do edificio que se chama Rússia

Na Rússia cresce o ódio contra os migrantes. Do mesmo jeito, como nas repúblicas ex-soviéticas cresce o ódio contra os russos. Será que isso vai a mando das autoridades?

Por um lado, o governo liberal da Rússia importa a mão de obra por causa da despopulação dos russos (no resultado da Reforma de 1991-2021 a Rússia está no TOP-10 pela mortalidade). Ao mesmo tempo, a Rússia está no 2º lugar na lista dos países que recebem grandes fluxos migratórios, depois dos EUA. Naturalizando os migrantes, o governo russo esconde a mortalidade excessiva dos russos.

Por outro lado os migrantes são os bodes expiatórios perfeitos, porque eles não têm plenos direitos, são quase escravos para as grandes empresas e ao mesmo tempo a concorrência entre os migrantes e os russos muda o foco da irritação do povo para um objeto falso. Em lugar de questionar a economia de mercado como tal e a desindustrialização (a causa), os tolos atacam os migrantes (a consequência).

E o mesmo truque é explorado nas repúblicas ex-soviéticas: os russos, sendo minorias lá, abandonados pelo governo russo, também são bodes expiatórios super cómodos para as elites aborígenes.

A culpa é do migrante, os malditos bárbaros baixam os salários, trazem sua baixa cultura e roubam a gente, dizem os nacionalistas russos.

A culpa é dos russos, os malditos imperialistas russos fizeram tanto estrago para a nossa cultura autóctone e ainda continuam roubando a gente, dizem os nacionalistas cazaques/uzbeques/ucranianos/armênios/bálticos/etc.

E todos concordam, que a maior culpa é de Lenin!

Conforme os dados de Putin, Lenin colocou uma bomba atômica em baixo da Rússia, gerando a superpotência soviética.

Os nacionalistas russos aprovam. O conceito soviético da “amizade dos povos” é nojento para eles. Os “asiáticos” não são nossos amigos, segundo os nacionalistas russos estes sub-humanos compreendem só a força e seus territórios deveriam ser colônias do Império Russo e não repúblicas modernas da URSS, subsidiadas desde Moscou. Os nacionalistas, igual à oligarquia têm nostalgia pelo Império Russo.

Os nacionalistas cazaques/uzbeques/ucranianos/armênios/bálticos/etc. também aprovam a culpa de Lenin. Todos eles têm suas reclamações contra a URSS com base nos fenômenos propagandísticos tipo "olodomor", etc. mesmo que o período soviético fosse o melhor tempo na sua história por qualquer parâmetro.

Todos os presidentes dos países ex-soviéticos repetem em coro as bobagens, que se não houvesse URSS, hoje seus países teriam 3 vezes mais gente, que seria 100 vezes mais rica...

Os nacionalistas não chegam a entender que a situação lamentável em seus países é um produto de seus nacionalismos, do fatalismo da economia de mercado e da desindustrialização. O desemprego, a alta concorrência, ausência de projetos de desenvolvimento do espaço comum causam a necessidade de se refugiar na etnicidade, religião, solidariedade local de torcedores de times e outras bobagens, tão cómodas para as elites.

Quanto aos nacionalistas russos, são um presente para o governo de Putin. Tal oposição nacionalista é complementar para as elites governantes multinacionais. Nos anos 2000 o governo gerou um partido seudo social-nacionalista chamado “Patria” que depois de ter simulado a atividade opositora se integrou no governo (o líder do partido, palhaço que antes puxava Sieg Heil, depois tornou-se o embaixador na OTAN e agora é chefe da Agência Espacial Russa).

A boa notícia é que os russos em geral não caem na provocação nacionalista do governo. Até as últimas eleições parlamentares mostram que os partidos nacionalistas, gerados pelo Kremlin, estão em vias de extinção (tanto o velho Partido Liberal-Democrata, cujo líder V.Zhirinovsky é um cómico patentado, réplica pós-modernista de Mussolini, como os componentes jovens, tipo ex nacional-bolchevique castrado Z.Prilepin). Ao mesmo tempo, este jogo do governo com o nacionalismo pode ser perigoso. Cria corvos e eles te comerão os olhos.

воскресенье, 20 марта 2016 г.

Vladímir Oidupaa Oiun (1949 - 2013) é um gênio nato da República da Tuvá (Rússia). Vladímir Oidupaa Oiun foi tão genial que é considerado o criador do novo sub-estilo dentro da kargyraa (um dos estilos do canto difônico tuvano - canto efetuado com a garganta). O novo sub-estilo leva seu nome - kargyraa-oidupaa, e tem seus seguidores e admiradores.

A característica da kargyraa-oidupaa é uma sínteses da tradição tuvana do canto difônico e do romance soviético, um gênero do canto sentimental, inspirado na música cigana, acompanhado pelo bayan (acordeão russo) ou violão.

Se você gosta de Tom Waits, você vai gostar de Vladímir Oidupaa Oiun. Eu até diria que Tom Waits ao lado de Vladímir Oidupaa Oiun é um nada em comparação com o infinito.


Ao mesmo tempo Tom Waits é uma estrela internacional e Vladímir Oidupaa Oiun é pouco conhecido. Os marginais russos gostam de sua música, sim. Os japoneses também reconheceram seu talento. Ele é famoso na Europa. Mas na mesma Tuvá, sua patria, a percepção de Vladímir Oidupaa Oiun é dupla: por um lado, ele é um dos poucos tuvanos famosos mundialmente, por outro lado ele é violador da tradição, que misturou o canto sagrado com a música de profanos.

É muito interessante como Vladímir Oidupaa Oiun virou famoso.

Ele foi criminoso, foi condenado 3 vezes, sempre por crimes hediondos, e passou 33 anos nas prisões da Sibéria. Os jornalistas costumam chama-lo “Charles Manson Tuvano”. Vladímir Oidupaa Oiun em suas entrevistas comentou que foi caluniado. Mas é pouco provável, porque o cara foi caluniado 3 vezes (!) e sempre pelo mesmo motivo: estupro.
Alguns jornalistas trataram de apresentá-lo como uma vítima da URSS/GULAG/KGB, mas Vladímir Oidupaa Oiun não teve nenhum conflito político com o poder, seu pai foi presidente de um cooperativo de camponeses (koljoz), aliás formava parte do poder soviético mesmo. Achamos muito ruim que uma parte dos intelectuais nacionalistas tuvanos trata de canonizar os criminosos (sem falar de Oidupaa havia outro músico relevante tuvano - Alexandr Sarjat Ool, que também passou meia vida na prisão, mas ele em suas entrevistas reconheceu seus crimes: roubo, assassinato, etc.).

Ao mesmo tempo é verdade que a República da Tuva até agora tem um alto nível de violência pelo fator de “demographic hump”/explosão demográfica nas condições da depressão econômica e um atraso cultural. A Tuva às vezes é chamada a Chechênia da Sibéria. Contudo vale lembrar que o Ministro da Defesa da Rússia é um tuvano - Serguei Choigu.

Foi na prisão soviética, depois de ser "caluniado" pela primeira vez, onde Vladímir Oidupaa Oiun aprendeu a tocar acordeão (as aulas de música e outras formas de ressocialização nas prisões soviéticas eram uma normalidade).

Foi na prisão, depois de ser “caluniado” pela segunda vez, onde Vladímir Oidupaa Oiun se graduou à distância (educação superior à distância nas prisões soviéticas era uma normalidade, essa educação era paga, e, sendo um preso, Oidupaa obviamente deveria ganhar suficiente, trabalhando na prisão mesmo, para pagar sua educação à distância. Ele trabalhou na prisão como um gravador de metais).

No final dos anos 80, Vladímir Oidupaa Oiun ganhou a popularidade nos festivais de música étnica em Tuva. Ele fez várias turnês por sua região, fez muitos concertos nas ruas. Nesse período, Vladímir Oidupaa Oiun tinha contatos com várias seitas protestantes, onde seu talento foi descoberto pelos missionários estrangeiros: em 1991, o artista foi convidado para dar shows na Suécia. Esta turnê foi seu triunfo. Durante os concertos, os suecos mediam a temperatura do artista, aplicavam diferentes sensores na garganta dele para entender o milagre de kargyraa-oidupaa.

Então, a essa altura do campeonato, Vladímir Oidupaa Oiun foi “caluniado” a terceira vez. E foi na prisão, no escritório do chefe da prisão, onde o artista gravou seu único disco “A música divina desde a prisão”. O disco lhe deu uma popularidade mundial. Depois de voltar para casa o artista virou uma lenda do underground, mas sua saúde ficou acabada (as prisões da Rússia pós-soviética já são diferentes das prisões de antes). O homem participou na campanha eleitoral do chefe da região, foi uma lenda regional. Uma admiradora do canto difônico do Japão, Taeko Kana até viajou à Tuva para gerenciar as gravações do gênio e de fato essa mulher foi responsável pela manutenção de sua vida (tratamento médico, etc.).

O ponto culminante dessa história estranha foi a participação de Vladímir Oidupaa Oiun no show da televisão russa “Minuto da Glória”: onde um júri de 3 estrelas de TV russa (uma escritora liberal e 2 comediantes) valorizam os trabalhos artísticos das pessoas selecionadas para o show. As estrelas do júri (produto da degradação da cultura russa dos anos 90) nem deixaram Vladímir Oidupaa Oiun terminar sua canção. A interpretação do gênio tuvano foi interrompida 3 vezes! Vladímir Oidupaa Oiun foi ridicularizado pelo apresentador do show e pelo público.

среда, 24 февраля 2016 г.

os povos deportados unem os liberais, neo-nazistas e euro-comunistas

Um dos mitos negros antisoviéticos e como consequência anti russos é o mito da injusta Deportação de Povos na URSS. De grosso modo, segundo este mito, certos povos do Cáucaso (entre eles tchetchenos, ingushi), da Crimeia (tártaros) e das repúblicas bálticas foram deportados nas condições da Segunda Guerra Mundial por causa de sua "rebelião" contra o "regime totalitário de Stalin".

Celebrando os dias respectivos da deportação, os líderes das repúblicas étnicas costumam amaldiçoar o grupo governante da URSS no seu período heroico. Foram erguidos muitos monumentos que mostram a tragédia da "deportação injusta". Estes monumentos são uma base ideológica perfeita para causar, num futuro, o separatismo ou um purgatório étnico dos russos, porque os russos são "estalinistas inatos, sem dúvida". "Acaso não é uma bomba atômica baixo o predio da Rússia"?

O mito da injusta deportação é super popular tanto entre os liberais, como entre os neonazistas e euro-comunistas. A lógica deste mito é bastante primitiva:

1) Stalin igual aos piores czares, era um déspota e não podia passar nem um dia sem repressões, especialmente, durante a guerra. Stalin reprimia todos os povos da URSS, por isso são justificados qualquer ato de insurreição contra o "regime", deserção durante a guerra, colaboração de todos os níveis e o banditismo. Não importa as consequencias! A URSS de Stalin não deveria existir!

De tal jeito para os neonazistas todos os colaboradores ucranianos/russos/letonos/tchetchenos/tártaros, etc. do Terceiro Reich são heróis nacionais-socialistas. Para os liberais e euro-comunistas são heróis, que lutavam por sua "liberdade", contra o império (igual aos armênios na Turquia Otomana durante a Primeira Guerra Mundial).

2) Apesar de que o número das pessoas que participaram na "luta contra o regime" fosse "irrelevante", afirmam estes contistas, o "regime" aplicou o principio da "responsabilidade coletiva". Os povos foram deportados completamente... O direito moderno não pode aceitar este principio do direito tradicional. A responsabilidade deve ser somente individual!

Acreditamos que a construção deste mito como tal não aguenta crítica nenhuma. Mas vamos apresentar a opinião contraria:

1) É permissível a comparação do regime de Stalin com as monarquias estatistas do Ivã, o Severo, ou Pedro, o Grande. Ao mesmo tempo as repressões não foram arbitrárias e absurdas, tiveram sua lógica da conservação do estado nos interesses da maioria dos povos da Rússia/URSS. Além disso não se tratava de uma luta nacional libertadora das etnias sublevadas, senão deserção, banditismo e colaboração em massa com o inimigo.

2) A deserção, banditismo e colaboração com os nazistas entre os tchetchenos, tártaros da Crimeia, etc. eram EM MASSA (mas de 60% dos soldados tchetchenos, por exemplo), - afirmam os historiadores não tendenciosos. Se o "regime" de Stalin aplicasse o principio da responsabilidade individual, o governo deveria executar a maior parte dos homens das éntias em questão, o que seria um verdadeiro genocídio. Por isso a deportação dos povos completos, aplicação do principio da responsabilidade coletiva, foi a melhor solução, foi um jeito de salvar estes povos. Os povos deportados seguíam crescendo, os filhos desses povos não sofreram discriminação nenhuma no acesso à educação nem na ascensão social.

Por que os thetchenos ou tártaros da Crimeia desertaram em massa, preferindo a pilantragem e colaboração com os nazistas? Ninguém fala de sua "inferioridade étnica"! Simplesmente a tradição destes povos era pirata, havia ressentimento pelo choque da coletivização e a modernização soviética ainda não conseguiu liquidar nem essas tradições piratas nem esse ressentimentos até o inicio da Segunda Guerra Mundial.

P.S.

Não nos esqueçamos que o "melhor país do mundo", os EUA, também aplicaram, nas condições da Segunda Guerra Mundial, o principio da responsabilidade coletiva. Todos os japoneses étnicos, cuidadões dos EUA, foram internados nos campos de concentração devido a Pearl Harbor - eles não eram bandidos, nem colaboraram em massa com o Japão! Também os ingleses e os estadunidenses bombardearam Dresden e outras cidades da Alemanhã sem muito sentido prático, o que foi simplesmente uma missão punitiva contra o povo alemão (os anglo-saxões mataram 25-135 mil homens, mulheres e crianças lá). Os EUA atiraram 2 bombas atômicas contra o Japão simplesmente para aterrorizar o governo da URSS. Por acaso todos os 140 mil japoneses assassinados pelos EUA eram soldados do Japão? É o mesmo principio da responsabilidade coletiva.

Por que os presidentes do Japão ou da Alemanhã não amaldiçoam aos líderes dos EUA e da Inglaterra do período da guerra por seus crimes reais?

Por que os líderes dos tchetchenos, etc. na Rússia fazem isso pelos crimes inventados?

вторник, 29 декабря 2015 г.

Império de cabeça para baixo




A mitologia antisoviética vulgar (à maneira dos nazistas ou dos EUA) ultimamente não aguenta críticas, por isso logicamente surge a demanda de nova expertise sobre a Rússia. Mencionamos alguns nomes da kremlinologia ocidental, que ofereceram as opiniões alternativas ao delírio de Hannah Arendt:

Stephen Kotkin. Magnetic Mountain: Stalinism as a Civilization
Terry Martin. The Affirmative Action Empire: Nations and Nationalism in the Soviet Union, 1923-1939.
Jochen Hellbeck. Revolution on my mind.
Claudio Nun Ingerflom. O cidadão impossível: as raízes russas do leninismo.
etc.


Não dizemos, que esses livros sejam pró-soviéticos ou pró Rússia, mas seus autores variaram um pouco as interpretações obscurantistas da época da Guerra Fria. 

Sem falar dos investigadores ocidentais, neste blog já apresentamos as ideias geniais dematemático russo Serguei Nefiódov. Além disso informamos a nossos leitores sobre as teorias de Vladimir Paperny (dialética de etatismo/liberalismo), de Alexandr Prójorov (dialética de movilização/estagnação).

Hoje oferecemos a vocês uma reflexão sobre um texto curioso, que analiza o fenômeno de autocolonização da Rússia. O autor em questão, Alexander Etkind é um culturólogo de origem soviética, que mora em Cambridge, beneficiado pelas contribuições das elites da Inglaterra e dos EUA. Na véspera da guerra civil na Ucrânia Alexander Etkind foi premiado por uma bolsa recorde na histórida de Cambridge (1 milhão de euros de HERA Consortium) com fim de realizar uma expertise das relações russo-ucranianas. De tal jeito as elites de Ocidente receberam de Etkind um novo pacote de códigos para crackear o disco duro da Rússia no teatro dos países do bloque "Intermarium". Em rigor, deveríamos dizer que Etkind traduziu para a língua do inimigo as ideias que flotam no ar dos jornais patrióticos russos durante os últimos 20 anos.


De um lado, Etikind continua "desmascarando" ivão-terrorismo, pedro-grandismo, stalinismo e, claro que, putin-ismo: seu texto está cheio de palavras como: anexação, ocupação, genocídio (sem nenhumas evidências factuais). Mas de outro lado, ele não esquece que os "bárbaros" russos vacinavam e alfabetizavam os povos da Sibéria, operavam o plebe da Prússia, fizeram crescer o nível de vida na Asia, etc. É como se Etkind quisesse provar que a experiência imperial da Rússia é o mesmo banho de sangue como no caso do colonialismo europeu (no contexto da "normalização" de história russa), mas ao mesmo tempo ele puxa as ideias de que o imperialismo russo é muito mais extravagante/absurdo/anacrônico do que a experiência ocidental (no contexto da satanização tradicional da Rússia).

Abaixo vou apresentar a lógica de Etkind, usando minhas próprias palavras e meus próprios exemplos:

1) A Rússia é um país que se autocoloniza e surge do resultado da autocolonização. 

É curioso que os russos não usem o termo "colonização" mas "o-svoi-enie" que se traduz como "desenvolvimento", que literalmente significa "apropriação das coisas que não pertencem a ninguém".

2) O sujeito da autocolonização são os grupos governantes. 

Se Etkind conhecesse Sergeui Nefiódov, ele poderia dizer que os grupos governantes da Rússia em etapas diferentes tiveram sotaques diferentes (normândico, bisantino, mongol, turco, polaco, holando-sueco, americano - em função da liderança tecnológica no mundo naquele período).

3) O objeto da autocolonização são os próprios territórios e povos ainda não "apropriados" ou "desenvolvidos". É importante salientar que estes territórios e povos não ficavam além-mar, o que quer dizer que não havia fronteiras "existenciais" entre as capitais e "autocolônias". Os "autocolonizados" não eram tão distantes para os "autocolonizadores" como os indígenas ou africanos eram para os europeus. Não havia fronteiras marítimas, nem de raça!

4) Os agentes de autocolonização eram o estado-exército, a igreja e também os civis: cossacos, desertores, sectários que fugiam do estadismo centralizador.

5) O motor econômico da autocolonização foi e segue sendo a dependência de monorrecursos, fossem eles peles, madeira ou trigo como na época pré-soviética, fossem eles gás e petróleo como na época pós-soviética. É engraçado que a medida tanto para as peles como para o petróleo seja um barril.

Embora a lógica de autocolonização pareça bastante simples, de fato ela tem muitos detalhes importantes.

Racismo cultural da elite russa

A particularidade da elite russa é que ela não era nem é muito russa, caracterizada pela presença das minorias étnicas: tártaros, gente de Cáucaso, polacos, alemães bálticos, russos pequenos (proto-ucranianos), judeus... O ingresso das elites "indígenas" ao grupo governante era uma forma imperial de integração dos povos "autocolonizados". Ao mesmo tempo de tal jeito o Império não deixa suceder à nação russa (isso é um lema constante dos nacionalistas russos). Os russos, como os demais povos da Rússia são objetos de autocolonização! Com isso, é muito importante que os russos sofram dos custos principais do Império (quando os tolos falam dos "sofrimentos" dos judeus no Império Russo, limitados um pouco na liberdade de movimento, eles se esquecem de dizer que no mesmo período uns 50% dos próprios russos eram escravos!).

Então vemos que na Rússia não há um povo opressor e povos oprimidos, senão um grupo governante multiétnico e um povo multiétnico governado por este grupo. Entre governadores e governados não havia nem mar nem distancia de raça, assim surgiu o problema de um marcador hierárquico. Este problema foi resulto na época de Pedro, o Grande, quando a elite foi forçada a se mudar para São Petersburgo, fazer a barba, vestir um terno europeu e aprender umas línguas européias (uma parte de elite que se revelou contra o czar em 1825 era tão desrussificada que durante seu juízo posterior ela precisaria dos intérpretes - falamos dos dezembristas). Assim, desde Pedro I começou uma duplificação da Rússia: em capital, São Petersburgo, a cidade menos russa, uma cópia de Amsterdã, vive a elite colonial, que fala francês e inglês, coleciona arte estrangeira, faz barba, veste à maneira européia e fora de São Petersburgo ficam as colonias povoadas pelos escravos, que produzem trigo para vender ao mercado europeu (desde XVIII). Este drama de isolamento da elite no seu próprio país foi vivido pelos mesmos intelectuais russos do século XIX, que até iniciaram o movimento do "populismo" (naródnichestvo em russo), coroado pela figura de Liev Tolstói. Lénine vai chamar Liev Tolstói o "espelho da revolução russa".

Gradiente Invertido ou um Império de cabeça para baixo


A.Etkind repete a idéia evidente de F.Braudel 
e C.Leví-Strauss, que o Ocidente se construiu do material de suas colônias. Ao longo do século XIX as metrópoles viraram os estados nacionais à custa de degradação das colonias. Isso se chama o gradiente imperial "normal", quando os Impérios vivem melhor de suas colônias. A Rússia é caracterizada pelo gradiente imperial "invertido". Na Rússia só os povos formadores do estado foram escravizados (russos grandes/russos, russos pequenos/ucranianos, russos brancos/bielorrussos). "Para 1861, escreve A.Etkind, - o nível de educação, de renda, <de expectativa de vida> de polacos, finlandeses, russos pequenos, russos da Sibéria, e possivelmente, de tártaros com judeus era mais alto do que de russos da parte central". Os russos da parte central eram o material do qual foi construído o Império Russo. Com isso os povos "autocolonizados" conseguiram viver melhor que o povo "autocolonizador". "Ao final do século XIX os impostos pagos pela povoação predominantemente russa, localizada em 31 estados, eram 2 vezes maior do que os impostos pagos pela povoação predominantemente não russa, localizada em 39 estados" (Mironov, 1999). Vamos marcar, que justo a parte central da Rússia, a parte mais pauperizada virou uma base do bolchevismo durante a guerra civil de 1918-1922.

Mercado interior vs exterior

A pauperização do Centro da Rússia, como custo da expansão, é um fenômeno da economia de trigo, que se formou após a conquista dos Mares Báltico e Negro no século XVIII. Antes do século XVIII a economia era mais primitiva e dependia das exportações de peles (esquilo, zibelina, etc.) e de madeira. Nesta situação o povo não foi visto pelo estado como um recurso e foi jogado à própria sorte. Se pode dizer que o povo foi supérfluo.

"Havia períodos, quando de acordo com as palavras de V.Kluchevsky "o estado se inchava, e o povo decaía". Também havia tempos quando decaía o estado. Ao estabelecer o negócio com Arkhangelsk em 1555, os ingleses estavam interessados pela madeira, cera e outras mercadorias de floresta; as peles formaram só uma pequena parte deste comércio (Bushkovitch 1980: 68). O rei da Inglaterra Jaime I valorizou tanto esta região, que em 1612-1613, quando as tropas da Polônia e cossacos tomaram Moscou, ele até analisava a possibilidade da colonização direita de Arkhangelsk (Dunning 1989; Kagarlitski 2003). Naquele então o negociante do rio Volga Kuzma Mínin salvou a Rússia, financiando a guerra <pela independência> das rendas de produção de sal: isso foi uma vitória da economia nova, na qual os recursos se produziam não para as exportações, senão para o consumo interior em massa".

Aqui também é oportuno dizer duas palavras sobre os "velhos crentes", sectários religiosos, que não aceitaram a Reforma da Igreja do czar Alexei Mijailovich (pai de Pedro, o Grande). Perseguidos, queimados vivos pelos Romanov, os velhos crentes para o século XIX ficaram marginalizados, eles não tiveram o acesso ao crédito estatal, tinham que pagar os impostos altos, etc. Assim, que eles formaram sua própria rede de negócios, orientada ao mercado interior (a diferencia dos exportadores Romanov). Segundo o historiador Alexander Pýzhikov os ultraconservadores velhos crentes, odiando aos Romanov e seu Império de São Petersburgo, até finanсiaram aos bolcheviques e podem ser considerados igual a certos generais do Exército Imperial como um dos elementos do projeto soviético.

Auto-psicanálise do Império Russo

Igual aos Impérios ocidentais o Império Russo financiou as missões antropológicas para entender melhor suas autocolonias. Mas a antropologia russa foi necessária apenas para estudar aos próximos russos e não aos distantes indígenas. Neste sentido os ministérios autocoloniais da Rússia foram o Ministério dos Assuntos Internos e Ministério de Terras Estatais. É importante que o primeiro dicionário da língua russa foi feito justo no marco duma investigação de seu próprio povo, organizada pelo estado (dicionário de Vladimir Dal). "August von Haxthausen, antropólogo prussiano (!), contratado pelo governo russo "...descobriu a comunidade de camponeses com suas "redistribuiões" regulares - redistribuições de terra entre as famílias de camponeses em função de suas necessidades. - escreve Alexandr Etkind. - Graças a estas redistribuições a terra fica baixo controle da comunidade e não de indivíduos. <...> Quando a elite russa vivia uma vida usual, baseada na propriedade privada e vícios sociais, os camponeses russos conservavam uma tradição nobre de república, oculta e desconhecida antes: a comunidade era "uma república livre e bem organizada", escreveu Haxthausen".

Contemporâneo de Haxthausen, emigrante político russo Alexandr Herzen considerou as comunidades democratas de camponeses como inicio e coração do socialismo russo, oposto ao Império de São Petersburgo. O conflito entre a comunidade de camponeses e Império vai se resolver mediante uma revolução, esperava Herzen: "É impossível destruir a comunidade de camponeses na Rússia, somente se o governo não vai decidir exiliar ou executar a varios milhões de pessoas". A tentativa de tal destruição de comunidade vai acontecer na época de Nikolai II mediante a reforma de Pyotr Stolypin (icone dos liberais russos do período pós soviético).

Alexandr Etkind não acha, que as comunidades de camponeses sejam só uma coisa russa, as comunidades são um controle remoto universal de Impérios, que costumam deixar uma parte secundária de gestões para os níveis mais baixos de pirâmide.

"As metrópoles estavam se tornando os estados nacionais, quando em suas colonias os Impérios não lidavam com os indvíduos, senão com os grupos organizados deles. Nos Impérios entres os indivíduos e estados existe um nível intermediário, que dá a origem e sentido à vida real - às práticas religiosas e cambio das gerações, procedimentos jurídicos e direitos de propriedade, cobrança de impostos e ajuda aos necessitados. No Império Russo tais grupos se chamavam as comunidades ou sociedades. Entre os judeus da Europa do Leste e da Rússia tais grupos se chamavam kahais. No Império Otomano eles se chamavam milletos, no Áustro-Húngaro - autonomias culturais".

Se para Haxthausen as comunidades de camponeses eram uma forma do comunismo natural, próprio à raça eslava, para muitos filósofos eurocentristas posteriores tal forma de agrupamento era um jeito de melhorar a eficiência de exploração (que no caso da Rússia pôde provir tanto dos mongóis, como dos Romanov, portadores da tradição colonial do Ocidente!).

O Império tinha interesse em que suas colonias internas se construíssem com base no princípio duma comunidade fechada, - escreve Alexandr Etkind. "Nas terras virgens e num ambiente hostil prosperava a gente, reunida pelas fortes relações não econômicas e também pela incomum ética de trabalho e pelas muito originais normas de vida coletiva". Etkind considera muito importante a influência da Igreja dos Irmãos Morávios sobre os russos ortodoxos, tártaros muçulmanos e calmucos budistas na região do rio Volga (veja a história da colônia alemã em Sarepta, perto de Tsarítsino (XVIII), o lugar que no século XX vivenciou um enfrentamento épcio entre os alemães e russos na batalha de Stalingrado).

Assim o coletivismo russo foi uma ferramenta de autocolonização, uma ferramenta prestada dos Impérios ocidentais e com uso da experiência de sectários protestantes! Alexandr Etkind formulou o aforismo: colonização = coletivização (como uma forma da administração imperial indireta, usada pelos Impérios por todo o mundo para evitar as explosões de violência e para frenar o nacionalismo). As comunidades de camponeses não são uma república, - deduz Etkind, porque não são associações voluntarias, que formam uma sociedade civil com uma solidaridade orgânica, "são pequenas prisões de povo", poderia dizer Etkind.

Hegemonia negativa, Orientalização das elites e Universalidade da Literatura Russa

O Império Russo não conseguiu dar para os povos autocolonizados nada positivo, - diz Etkind, - e ressalta que outras civilizações seja britânica, francesa, etc. também não conseguiram isso. É muito estranha esta afirmação e obviamente é errada no caso do" Império de cabeça para baixo" da URSS.

Ao mesmo tempo a nação imperial russa tem uma característica surpreendente de se assimilar aos povos conquistados, - reconhece Alexandr Etkind. Seu perfil imperial é único: humilde, responsivo e cosmpolita. Alexei Jomiakov escreveu nos anos 1840: "Ninguém americano nos EUA... não fala língua dos Peles Vermelhas... <...> O russo vê a todos os povos, delimitados nas fronteiras sem limites do Czarato de Norte, como seus irmãos, e até os Siberianos durante seus discursos de noite com frecuência usam a língua de seus vizinhos, Iakutos e Boratos. O cossaco arrojado de Cáucaso se casa com uma mulher dum aul Checheno, o camponês russo se casa com uma tártara ou mordovka, e a Rússia considera como sua gloria e alegria um bisneto do negro Hannibal <poeta nacional russo Púshkin>, quando os amantes de liberdade e pregadores de escravidão em América lhe negariam o direito da cidadania".
  
A assimilação também é uma característica de certas elites russas, que igual oo povo russo, se assimilavam às elites dos povos colonizados. Eu diria que as elites russas nas etapas de desenvolvimento se avatarizavam, mas continuavam construindo seu Império, sacrificando suas vidas igual ao povo russo, que suportava o peso principal do Império estranho.

Alexandr Etkind a pesar de sua visão critica do estranho imperialismo russo, reconhece o êxito da língua russa, como uma ferramenta de conscientização. "Quando os populistas russos, judeus-sionistas, ativistas muçulmanos se encontravam nas prisões de czar, eles discutiam a arte dos grandes escritores russos, de Púshkin a Tolstói. Olhando para trás a literatura russa parece uma ferramenta da hegemonia cultural extraordinariamente exitosa. Com seus clássicos, hereges e críticos a literatura russa conquistou mais admiradores entre os russos não russos e inimigos da Rússia do que outros empreendimentos do Império. Ao estandardizar a língua, ao criar um círculo comum dos significados e de tal jeito ao reunir seus leitores multilíngues, a literatura resultou um patrimônio muito valioso. Os czares e censores pouco entenderam e pouco valorizaram isso. Por isso o Império caiu, mas a literatura o sobreviveu".

Páthos anti-imperial de radicais e sectários

Tanto os ocidentalistas como os eslavófilos partiam da necessidade de superar o Império, inspirados nas idéias de Iluminismo, revolução americana, crítica da política britânica na Índia e antes de tudo, na rebelião polaca contra o Império Russo! Apoteose desta tendência foi a escola do historiador radical marxista Mijail Pokrovski (na etapa da chefia no partido de V.Lenine), quando, grosso modo, os líderes russos como Alexandr Névski ou Dmitri Donskoi se qualificavam como "inimigos de classe". Para a primeira fase da Revolução Russa o Império Russo foi uma "prisão dos povos".

É curioso que os radicais revolucionários também vissem os sectários religiosos (oponentes da Igreja Ortodoxa Russa) como um recurso da futura revolução. Mijail Bakúnin dizia que desde os tempos antigos o socialismo foi um modo de viver para os camponeses, sectários e ...gangues de ladrões. Os elementos anti-estatais se confundem com os elementos anti-imperiais. O anarquista Bakúnin foi um dos pais da Revolução Russa, quem inspirou o movimento dos populistas, intelectuais que dedicavam sua vida à educação do povo. Os populistas e seus seguidores socialistas-revolucionarios consideravam a "comunidade de camponeses" como um núcleo da futura sociedade de justiça. Contrariamente os liberais e social-demócratas (bolcheviques de Lenine também) achavam que a "comunidade" é um elemento arcaizador que deveria ser destruído. Nos termos de Alexandr Etkind Lenine poderia-se dizer que a decolonização dos povos da Rússia deve ser feita através da descoletivização. O governo do Império sem entender isso muito bem, compartía a visão dos liberais e social-democratas euro-centristas (na Europa a comunidade já foi destruida, os camponeses se atomizaram e foram embora para as cidades, onde se tornaram operários!). O filósofo Serguei Kara-Murza até chamou ao primeiro-ministro de Nikolai II Pyotr Stolypin "o pai da revolução russa", porque Stolypin mediante a pauperização dos camponeses e estimulação da saída de comunidades quis liquidar as comunidades de camponeses e criar uma nova burguesia de campo. Sua reforma contraria ao espírito de povo fracassou absolutamente e no contexto de I Guerra Mundial levou o país para 2 revoluções de 1917, que se acabarão com o triunfo de "comunidades de camponeses", modernizados até os "koljozes" no campo e "coletivos de operários" nas cidades.

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воскресенье, 12 апреля 2015 г.

A Ucrânia é a mesma Rússia, só possessa pelo Ocidente

"Tempo de Dificuldades", uma constante da história russa.

Já passou um ano desde o início da guerra civil na Ucrânia, que evoca à memoria histórica dos russos o Tempo de Dificuldades do século XVII. Sofrendo de uma crise econômica e ideológica a Rússia ao final do século XVI caiu numa guerra civil total e esteve prestes de ser repartida entre a Polônia-Lituânia e a Suécia. Naquele tempo os cossacos («proto-ucranianos»), descontentes com o governo do tsar Boris Godunov, acompanharam os exércitos privados de oligarcas polacos em sua campanha contra a Rússia. É interessante que na primeira etapa o impostor Dmitri, o Falso I até foi bem recebido pelos russos, como um Dmitri “de Verdade” (como um filho legítimo do tsar-modelo Ivã IV, o Severo)!

Obviamente nos momentos da fraqueza do estado russo, suas periferias ficam vulneráveis para a manipulação dos inimigos e produzem as hordas dos cães selvagens, que levam a guerra para Moscou, ativando aos radicais políticos, elites contrariadas e grupos criminosos locais. O «Tempo de Dificuldades» se repetiu uma vez mais no início do século XX e está se repetindo agora mesmo on-line.

Sim, por um lado vemos uma transfiguração positiva da sociedade russa: os medíocres artistas de cinema viram os anjos da ajuda humanitária, os lavadores de autos viram os comandantes de tropas de elite – nossa sociedade, atomizada e humilhada durante os últimos 20 anos pela continua Reforma de Choque, depois da Criméia mostra uma surpreendente solidaridade e autoestima, produz aos verdadeiros heróis e lendas. Por outro lado também se manifestaram os nossos defeitos, se despertaram os nossos demônios. Nós continuamos no vácuo ideológico, preenchido pelo clericalismo medieval e antisovietismo vulgar do grupo governante, continuamos o curso neoliberal da econômia, quando a maioria do povo considera este curso fatal. A linguagem propagandistica do Kremlin é confusa e fraca.

Os calcanhares de Aquiles Russo

Sem dúvida a Criméia foi uma mudança radical do clima político na Rússia. A reintegração da Rússia com a Criméia colocou o grupo governante de Putin no mesmo barco com o povo. Agora não só os russos são um «povo errado» (conforme à russofobia ocidental, cuja história começa no século XI desde o Cisma da Igreja de 1054), agora o nosso líder nacional também perdeu sua coroa do “único europeu no país bárbaro”. Já não é um gerênte do capital estrangeiro, como Pinochet, mas quem é? O ditador argentino que quis reconquistar as Ilhas Malvinas, Leopoldo Galtieri? Ou um novo Lenin-Stalin, que pode re-sintetizar a grande Rússia numa forma moderna? Então, esperamos que o grupo governante e as elites também compartam o preço que pagamos por ter recuperado nossa subjetividade. Se não observamos este balanço, nos espera uma repetição das catástrofes do século XVII, dos anos 1917 e 1991, quando os grupos governantes perderam o controle sobre as elites e ao mesmo tempo perderam a confiança e respeito do povo.

Nova Ucrânia e Nova Rússia (Novorossiya)

Na dimenção global da guerra civil ucraniana vemos por um lado aos ucranianos pró-EUA e por outro lado aos ucranianos pró-Rússia.

Os pró-EUA acham que esta guerra é uma agressão da Rússia que quer liquidar a Ucrânia, porque esta Ucrânia é só um parasita intermediário do negócio entre a Rússia e a Alemanha. É lógico que esta Ucrânia parasita lute por sua sobrevivência, mobilizando seus recursos humanos com ajuda dos canais midiáticos e administrativos que ela controla. Esta Ucrânia afirma que a Rússia atual e seu negócio com a Alemanha é um nonsense, a Rússia atual deve ser destruída e substituida por uma Nova Ucrânia. Esta Ucrânia não quer tanto se associar com a UE, como ela quer destruir e substituir a Rússia, por isso ela se associa mais com os EUA.

Os pró-Rússia acham que esta guerra é uma agressão dos EUA contra a Rússia a fim de reconfigurar o mercado europeu de energia e congelar os projetos globais da Rússia (União Euroasiática, BRICS, OCX, etc.). É lógico que esta Ucrânia pró-Rússia se associe com a Rússia e tem medo da perda de controle sobre sua riqueza natural e industrial. Esta Ucrânia pró-Rússia afirma que as ambições da Ucrânia parasita são um nonsense, a Ucrânia atual deve ser reformatada e substituída por uma Nova Rússia.

A esta altura do campeonato vemos que os EUA financiam aos radicais neonazistas ucranianos, a bandeira dos EUA está colada sobre o escritório do SBU em Kiev (Serviço da Segurança Estatal), onde os consultores dos EUA ocupam um andar completo e tomam todas as decisões importantes para Kiev. Claro, que a «Ucrânia» atual é um protetorado dos EUA! Para os EUA «Ucrânia» é um “vírus trojan” que deve “crackear o disco duro” da Rússia e roubar seu dinheiro.

Ao mesmo tempo vemos que a Rússia apoia aos rebeldes do Leste, a bandeira da Rússia está colada sobre o prédio da OGA em Donetsk (Administração da RPD), os consultores do Kremlin também tomam todas as decisões importantes para as RPD e RPL. A Novorossiya atual é um protetorado da Rússia! A Novorossiya é um “vírus trojan” para “crackear o disco duro” da Ucrânia parasita e se livrar de suas comissões.

Ok, a situação esta clara ao nível global, mas na dimenção local, ao nivel molecular da movida vemos por um lado aos ucranianos russofóbicos e por outro lado - aos ucranianos russófilos. Se os primeiros lutam por uma Nova Ucrânia, purgada dos tarados elementos russos. Os segundos lutam por uma Nova Rússia, purgada dos tarados elementos ucranianos.

Washington financia a Nova Ucrânia só em parte, é possivel que a maior parte do financiamento das Forças Armadas da Ucrânia venha da sociedade da Ucrânia mesma (doações tanto voluntárias, como forçadas). E este mesmo fenômeno é característico para a Nova Rússia, que recebe a maior parte do financiamento não de Moscou, senão da sociedade russa.

Fator étnico e lingua

Fator étnico e lingua não são decisivos para esta guerra. Muitos russos étnicos lutam nas Forças Armadas da Ucrânia pró-EUA, como também muitos ucranianos étnicos lutam nas Forças Armadas da Novorossiya pró-Rússia. Há mais ucranianos étnicos nos governos da RPD e RPL que no governo da Ucrânia (que também tem aos ministros estrangeiros, criados nos tubos de ensaio da CIA – são representantes dos EUA, Lituânia, Geórgia). Ambas as partes ainda falam russo: um 83% dos cidadãos da «antiga» Ucrânia eram russo-falantes nativos em 2008 [1.] (os ministros estrangeiros falam russo também!).

Ou seja, não se enfrentam tanto as etnias ou línguas, como dois modelos de Futuro: uma Ucrânia derrussificada e pró-EUA e outra Ucrânia pró-Rússia. Os russos e ucranianos, que falam o idioma russo e lutam por uma Ucrânia pró-EUA, acham o “mito ucraniano” superior ao “mito russo” [2.], eles sendo falantes de russo querem que seus filhos num futuro próximo falem a língua ucraniana, eles estão a favor de uma ucranização e derrussificação forçadas. Mas isso não acontece na Criméia e Novorossiya, onde tem várias línguas estatais: russa, ucraniana, tártara (na Criméia), como também há ideias de introduzir a língua grega para a Novorossiya. Constamos que se enfrentam dois conceitos: assimilação forçada e um mosaico imperial. Enfrentamento esse que também se verificou na desintegração da Iugoslávia em locais como Krajina contra a Croácia Neo-Ustashe, na Republika Srpska contra a Bósnia Neo-Otomana e em Kosovo contra o Exército de Libertação de Kosovo (os três apoiados pelo Ocidente e a OTAN).

É lógico que na primeira etapa da crise se actualizasse o tema da federalização que poderia resolver as contradições. Por que não? A parte pró-EUA e a pró-Rússia se separam e vão embora cada uma para suas casas: já construídas (!) em forma das “euroregiões” [3.]. Mas o tema da federalização foi silenciada pelas elites governantes da Ucrânia: “a federalização deve ser feita desde baixo e não desde cima”. Que argumento mais ridículo (repetido por todos os presidentes da Ucrânia, menos Yanukovich) - como se a Ucrânia unitária não fosse feita desde cima! Como se a guerra civil não é suficiente “desde baixo”. Em lugar de uma separação pacífica a“comunidade mundial” recomenda ao esposos matar um ao outro, muito bom! Mas se pode entender isso: a tarefa não é colmatar diferenças, senão destruir e substituir a Rússia, como feito com a Iugoslávia, o Iraque e a Líbia anteriormente e como está tentando se fazer com a Síria.

Fator nacional vs multinacional

prefeito de Moscou conforme aos neonazistas
Os fatores étnico e linguístico não são suficientemente fortes, embora eles também estejam em jogo: a propaganda oficialista de Kiev costuma elogiar os ucranianos da Galícia (os menos russificados) como os ucranianos modelo [4.], a primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa. Mas o desafio principal deste conflito geoeconômico é nacionalização: uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL vs uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [5.], com a primeira sendo apresentada como uma espécie de barreira do Ocidente “civilizado” contra a “barbárie asiática” imputada à Rússia, uma retórica que em sua essência é a mesma da “Muralha do Cristandade Ocidental” usada pela Polônia ao longo de sua história para com seus inimigos meridionais e orientais [6.].

A propaganda ucraniana costuma falar em seu delírio sobre as tropas de chechenos, buriatos, cossacos... As hordas multinacionais da Rússia uma vez mais atacaram a pobre nação ucraniana! É oportuno recordar ao pai da Ucrânia Vladímir Lenin, que escreviu em junho de 1917: “O tsarismo maldito convertia os russos em carrascos do povo ucraniano...”. Os Lenins de hoje que destruem os monumentos aos Lenins de antes diríam em vez do “tsarismo” – “putinismo”. Seja “putinismo”, “URSSismo”, “tsarismo”, “hordismo”, sempre é um enfrentamento entre uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL e uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [7.]. Enfrentamento esse que em nada difere do enfrentamento entre a Eslovênia e a Croácia bonzinhas/européias/corretas/NACIONAIS e a Iugoslávia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL na década retrasada.

Nacionalismo russo entre EUA e EUA

É curiosa a situação na qual se encontram hoje os nacionalistas russos. Eles também odeiam a Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL e igual aos nacionalistas ucranianos querem assimilar as etnias diferentes de seu país. Uma parte deles inveja muito aos nacionalistas ucranianos, apoia aos ucranianos pró-EUA, porque eles querem destruir a Rússia de hoje, uma Rússia “errada” (conforme a eles). Ao mesmo tempo resulta que estes nacionalistas russos para destruir a Rússia multinacional sacrificam aos russos étnicos mesmos, que moram no Sudeste da Ucrânia [8.]. Outra parte dos nacionalistas russos apoia a Nova Rússia, que deve virar uma base para a revolução nacional na Rússia mesma, eles querem acabar com a Ucrânia como com um projeto anti-russo e espalhar a “primaveira russa” na mesma Rússia. Possivelmente muitos destes nacionalistas entendem que a “primaveira russa” na mesma Rússia não tenha muitos chances, eles vem que a Novorossiya está virando um protetorado da Rússia tão odiada, mas eles não podem tolerar as purgas étnicas contra os russos no Leste da Ucrânia.

Vemos que uns nacionaliatas russos apoiam o nacionalismo ucraniano, porque este é uma velha boa arma do Ocidente contra o “Império Russo”, quando os outros nacionalistas russos apoiam aos russos étnicos na Ucrânia, porque acreditam na conscientização nacional dos russos a base da luta pela liberação nacional da Novorossiya contra o chauvinismo ucraniano. Uns esperam a revolução nacional russa mediante a ajuda para Ucrânia, os outros a esperam mediante a luta contra a Ucrânia.

Contudo ambos nacionalismos: tanto russo (ucrainófilo e ucrainofóbico), como ucraniano odeiam o «Império Russo». Por isso teoricamente os EUA poderiam financiar ambos! Agora os EUA mantem o nacionalismo ucraniano, mas há idéias de “distribuição de pão e biscoitos” para os nacionalistas russos também. A confederação da Ucrânia e ajuda total ao estado nacional dos russos da Novorossiya é uma receita do jornal conservador “The American Thinker” [9.]: o Ocidente deveria abandonar o projeto “Ucrânia”, porque é uma piada de Deus, o Ocidente deveria crear uma república nacional russa em Novorossiya, um modelo a seguir para a mesma Rússia (tipo a Alemanha Ocidental para a Oriental, a Coréia do Sul para a do Norte, o Iêmen do Sul para o do Norte, Taiwan para a China)! Embora esta oferta seja exótica ela tem sua lógica, e tecnicamente é factível...

Caramba! Certos nacionalistas russos, inimigos do «Império Russo» até se sentem esquecidos pelos EUA e roubados pelos nacionalistas ucranianos. Um dos líderes dos radicais neonazis russos Dmitri Diómushkin diz que o nome “Pravi Sektor” (trademark) foi roubado dele. O redator do jornal nacionalista glamour mais popular da Rússia “Sputnik e Pogrom” Egor Prosvirnin quis abrir uma filial de seu jornal em Kiev, mas também foi roubado pelos ucranianos: afirma que lhe roubaram a idéia e o nome “Petr e Mazepa”. Os redatores de “Petr e Mazepa” reconhecem o fato de roubo e oferecem seus serviços aos EUA – de um bocal de nacionalismo russo numa Ucrânia pró-EUA. Por agora a idéia de uma Nova Rússia pró-EUA parece bizarra, mas se o projeto da “Ucrânia” falha, una Nova Rússia pró-EUA vai virar atual! De todas as formas se a Rússia «monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL» não conseguir gerar um novo projeto combinatório mais viável do que as aventuras sanguinárias dos EUA e seus lacaios da UE, é muito possível que os selvagens cães liberais e nacionalistas cheguem à guerra civil para Moscou, como já foi feito no século XVII.

Edição de Eduardo Consolo dos Santos

1. http://www.gallup.com/poll/109228/Russian-Language-Enjoying-Boost-PostSoviet-States.aspx?utm_source=Russian%20Language&utm_medium=search&utm_campaign=tiles

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/06/maidan-ou-horda.html

3. Euro-região Donbass: Lugansk, Donetsk (Ucrânia) + Rostov, Voronezh (Rússia); euro-região Dnepr: Chernigov (Ucrânia) + Briansk (Rússia) + Gomel (Bielorrússia); euro-região Slobozhanshina: Kharkov (Ucrânia) + Belgorod (Rússia); euro-região Karpaty: 19 regiões da Ucrânia, Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Euro-regi%C3%A3o

4. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/03/dividir-ucrania-para-conquistar-russia.html

5. http://www.globalresearch.ca/ukraine-military-high-command-confirms-no-russian-invasion-or-regular-troops-presence-of-nato-forces-in-donbass/5431369

6. http://en.wikipedia.org/wiki/Antemurale_myth

7. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/02/eterno-retorno-de-stalinismo.html

8. http://www.pco.org.br/internacional/lider-neonazista-diz-que-os-moradores-de-donbass-deveriam-ser-deportados/apib,o.html

9. http://www.americanthinker.com/articles/2015/04/ukraine_a_contrarian_approach.html#ixzz3WBhvkGA1

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вторник, 29 июля 2014 г.

As guerras civis não se acabam

As guerras civis não se acabam. Pode se dizer que a guerra civil russa de 1918 a 1922 se prolongou até o período das purgas dos anos 30 e logo se transformou na Grande Guerra Patriótica (uma parte dos brancos voltou, apoiando os nazistas). Com a queda da URSS o movimento branco foi reabilitado e virou bastante atual para a nova ideologia da Rússia neoliberal. Não obstante, esperamos que o povo russo consiga sintetizar os extremos dos brancos e vermelhos, embora seja muito complicado.

O conflito no Sudeste da Ucrânia não é menos perigoso do que a guerra civil do início de século XX.


Que perspectivas tem a guerra civil na Ucrânia?


Opcão A) Novoróssia [1.]

A encarnação da ideia do novo estado chamado Novoróssia. Para isso a rebelião de Donetsk e Lugansk tem que se expandir até as cidades chave como Odessa, Dnepropetrosk e Kharkov, onde a oposição política pró-Rússia foi exterminada pela inteligência de Kiev. Ao mesmo tempo vemos que até a liberdade para Donetsk e Lugansk custa muito. Para garantir a independência das repúblicas por agora autoproclamadas é necessâria a ajuda da Rússia: não se pode guerrear contra a artilharia pesada e os aviões de Kiev com os AK-47.

Então para realizar o sono da Novoróssia:

- precisamos de ajuda decisiva da Rússia: aviões, tanques, sistemas de DAA.
- precisamos da queda do governo pouco legítimo de Kiev, aliás, precisamos de um novo "Maidan" no contexto da degradação da economia ucraniana pela causa da "euro-integração" e destruição do claster industrial no Leste. O extermínio das povoações pacíficas no Leste da Ucrânia com o exército, mandado por Kiev, deve reduzir a legitimidade do governo fantoche de Kiev aos olhos das elites europeias.

Opção B) Prolongamento do conflito

Ela pode ser benéfica para o governo de Kiev, como justificativa do declínio nos padrões de vida. Também a prolongação é benéfica para a Rússia, porque de tal jeito a Rússia desapaixona aos radicais de Kiev na relação de uma possível agressão contra a Crimeia recém-reintegrada a Rússia.

Opção C) Traição da Novoróssia e reconhecimento da Crimeia

O rechaço da ideia da Novoróssia pode ser feito por Moscou a troca do status neutro da Ucránia e reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia. Em certo sentido o projeto da Novoróssia é também perigoso para Moscou, não esqueçamos que o termo "a primavera russa" tem as origens estadunidenses (as demais primaveras dos últimos anos beneficiaram só aos EUA, nesse sentido o Kremlin tem medo da Novoróssia que não somente reconquista os territórios pro-Rússia de Kiev infectado pelo neonazismo, senão também pode virar uma base para a futura reconquista da Rússia dos oligarcas que seguem roubando o país [2.]). Faz pouco tempo "uma das torres" do Kremlin mandou a Novoróssia a um politólogo muito famoso na Rússia para difamar os heróis da resistência anti-Kiev e para semear as dúvidas entre os milicianos: assim, uma parte da elite russa manifestou seu medo de que a Novoróssia pode virar um "Maidan russo". Esse gesto de uma das torres do Kremlin foi muito animador para a quinta coluna na Rússia igual que para as elites ocidentais [3].

Opção D) Traição da Novoróssia e uma guerra pela Crimeia

Ultimamente na Rússia costumamos lembrar das palavras de Churchill dirigidas a Chamberlain depois do Munique: "Deveis escolher entre a vergonha e a guerra: escolhestes a vergonha e tereis a guerra". Assim o plano C) "Traição da Novoróssia" não leva diretamente ao reconhecimento da Crimeia, porque as palavras dos lideres da Ucrânia não custam nada, porque eles não mandam no seu país, ali manda o Serviço da Segurança, sobre a oficina da qual esta vibrando a bandeira dos EUA.

A agressão da Ucrânia contra a Crimeia não pode ser ignorada pela Rússia como o projeto da Novoróssia, obviamente essa guerra aberta dos EUA contra a Rússia vai minar a economia russa e as posições do grupo governante em Kremlin.


É muito perigosa a etnização do conflito:


Na etnização do conflito estão interessados só os radicais nacionalistas da Ucrânia e uma parte dos radicais nacionalistas russos. Não é produtiva a pratica de chamar aos militares ucranianos "ucros": não todos de eles são "ucranianos puros" (uma minoria russofóbica da Galícia, cuja consciência foi desenhada ainda pelos polacos e austríacos entre os séculos XIV a XX), muitos dos militares ucranianos e dos radicais neonazistas ucranianos são russos. A maioria esmagadora do povo da Ucrânia fala russo, por isso a etnização do conflito é perigosa, ela pode levar a criação da nação ucraniana, que nunca existiu! Por isso a guerra civil na Ucrânia trabalha antes de tudo para os EUA e também é muito desejada pelo nacionalismo ucraniano.

Se antes do conflito os nacionalistas ucranianos na realidade sonhavam apenas com a separação da Galícia do resto da Ucrânia pró-Rússia, agora eles sonham com o controle sobre toda a Ucrânia e com a conquista das regiões do sul da Rússia, criando assim a "Grande Ucrânia" tão sonhada por eles (ou seja, uma Ucrânia do Vístula ao Don e do Dnieper ao Kuban, extensão essa idealizada pelo georgiano filonazista Mikhail Tsulukidze na obra "Die Ukraine", escrita em 1939)! Por isso, a guerra civil na Ucrânia não deve ser prolongada e não deve ser cruel.

O estilo gentil da reintegração da Crimeia deve ser o estandarte das forças pró-Rússia.

É necessária a desnacionalização do conflito na Ucrânia. Os nacionalistas de ambos os lados trabalham nos interesses dos EUA. Tanto os radicais da direita ucraniana, como os da direita russa acham que a vassalagem dos EUA é melhor do que o protetorado oligárquico de Moscou. "Se a elite de Moscou investe e conserva seu dinheiro no Ocidente, manda a suas famílias a viver no Ocidente, então para que precisamos de tal elite intermediadora? Para melhorar o nível de vida na Rússia temos que trabalhar com Ocidente direito, sem intermediadores-cleptomaníacos do Kremlin!" Por isso a vassalagem aos EUA é preferível aos olhos desses elementos. Por isso os nacionalistas ucranianos estão a favor da Maidan russofóbico e os nacionalistas russos estão a favor de Maidan em Moscou e ao mesmo tempo a favor dos direitos dos russos na Ucrânia e por todas partes.

Entretanto é óbvio o absurdo dessa situação quando os nacionalistas russos e os ucranianos se matam no Leste da Ucrânia lutando por relações de vassalagem com os EUA, cimentando seus nacionalismos étnicos com o sangue derramado!


Em busca da reconciliação


Todos nós nos damos conta da guerra de propagandas. Segundo a média ucraniana 47 ativistas pró-Rússia se autoincendiaram em Odessa e não foram queimados vivos pelos radicais neonazistas, muita gente morreu na praça central de Lugansk não no resultado de um bombardeio de avião do exército ucraniano senão porque se explodiu um ar acondicionado, etc. A média russa também não é 100% pura: por exemplo, faz pouco mostraram a uma mulher que afirmava ver como os radicais da Guardia Nacional da Ucrânia crucificaram a uma criança em Slaviansk (todos viram que a mulher era muito estressada e quase louca, mas o canal não deu nenhum comentârio, como se as afirmações da mulher fossem "Sapienti Sat"). Não comentamos aqui as bobagens legendárias da porta-voz de Departamento de Estado dos EUA Jen Pskai.

Mas queremos repetir que o estilo da Rússia deve ser sumamente gentil e impecâvel. A propaganda deve ser baseada nos princípios extra-étnicos: não se trata dos ucranianos ocidentais, fanáticos de colaboracionista de Hitler Stefan Bandera, que guerream contra os imperialistas russos. Se trata de um conflito interino entre os oligarcas de Donetsk e os de Dnepropetrovsk, amplificado pelos EUA até uma guerra civil pelos projetos de futuro desse territorio.

É necessário insistir que os ucranianos e os russos se não são um só povo, pelo menos são povos irmãos e não faz nenhum sentido a aniquilação mútua nos interesses dos oligarcas e os EUA. Os milicianos guerreiam pela independência da gente pró-Rússia, que historicamente não tem a ver com a "Ucrânia", eles guerreiam contra os oligarcas (seus exércitos privados, Guarda Nacional, formada pelos fanáticos neonazistas e o Exército Regular, que virou um refém coletivo da junta de Kiev).

A propaganda coerente pode ajudar a gente entender o sentido dessa guerra, mas os resultados dela dependem apenas do Kremlin e da Casa Branca.

Achamos que uma "revolução desde arriva" no Kremlin poderia neutralizar esse conflito na Ucrânia tão desvantajoso para a Rússia. O grupo governante deve passar para o lado do povo, chegou a hora de purgar as elites. Assim tanto os nacionalistas ucranianos como os russos perderiam seus argumentos. Enquanto no centro do "mundo russo" se encontra o iate de Abramovich, não faz sentido sonhar com o renascimento russo.

1. A Novorossiya, aliás, a Nova Rússia, é uma região do norte do Mar Negro, conquistada pela Rússia durante as guerras contra a Turquia no final do século XVIII, no reinado de Catarina a Grande (r. 1762 – 1796). Até agora são territórios da Ucrânia menos infectados pelo neonazismo ucraniano, mais pró-Rússia, são regiões mais industrializadas, que geram a maior parte do PIB da Ucrânia e ao mesmo tempo são as regiões mais marginalizadas e satanizadas pelas elites de Kiev durante os últimos 20 anos.

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/05/neonazistas-legitimados-na-ucrania.html

3. http://globalvoicesonline.org/2014/07/09/russias-armchair-warrior-turns-on-ukraines-rebel-leader/

четверг, 12 июня 2014 г.

Maidan ou Horda?

Enquanto na praça central de Lugansk os aviões de guerra do exército ucraniano matavam aos civis com os cohetes não dirigidos (confirmado pela OSCE), no Centro Sakharov de Moscou [1] foi realizada a conferência "Maidan ou Horda?" [2], onde os liberais, nacionalistas e certos islamitas russos aplaudiram os crimes de guerra de Kiev. 

Conforme a estrela principal do ”aquelarre”, escritor Alexei Shiropaev (nacionalista étnico, torcedor do colaboracionismo de Andrei Vlásov [3]) a verdadeira Rússia é a Ucrânia atual, quando a Rússia atual é só um usurpador do nome orgulhoso "Rus’".

A Rus’ do Nordeste, já na etapa de mudança de sua capital de Kiev para Vladímir caiu para fora da tradição "democrática" de Kiev-Novgorod. Para Alexei Shiropaev o primeiro tsar autocrata da Rus’ de Nordoste Andrei, que ama a Deus, rompendo com o parlamentarismo oligárquico de Kiev e Novgorod, virou também o primeiro mongol-judeo-bolchevique antes dos mongóis e antes dos "judeo-comunistas" [4].

"Andrei, que ama a Deus é o primeiro inimigo do Maidan", - proclama Alexei Shiropaev. Se os radicais neonazistas bramam em Odessa depois de ter queimado vivos quase 100 ativistas pró-Rússia: "Putin é piroca!", Alexei Shiropaev lhes apoia desde o Centro Sakharov de Moscou: "Já Andrei, que ama a Deus também foi o mesmo piroca!"

A "Horda" para os nacionalistas, neonazistas, liberais e esquerdistas é o estatismo da Rus’ de Vladimir, cimentado no período dos mongóis, que perdura na Rússia até hoje. 

"O tsarismo de Moscou é uma mutação monstruosa da Rus’ de Kiev, que conduziu à perda total das qualidades originais", - disse Alexei Shiropaev. - Quando "Maidan" é um teste universal da russidade". 

Não comentamos aqui que a mesma palavra "Maidan" é de origem árabe, igual que os penteados e uniformes teatrais dos cossacos travestis de Maidan de hoje [5], que se supõe que são os verdadeiros russos, foram copiados das modas da Turquia medieval.

Alexei Shiropaev é um falsificador banal da história, narrador de contos de fadas para os skinheads. Já escrevemos antes, como os nacionalistas étnicos russos sonham com o status do protetorado oficial dos EUA ou pelo menos um estado nacional tipo República Tcheca ou a Estônia [6].

"A Rússia <Horda> é nosso inimigo, a isso se reduz todo nosso programa político", - expressou o credo dos liberais e etno-nacionalistas o filosofo Mikhail Verbitski.

Ideologema de "Horda"

A palavra "Horda" está carregada negativamente tanto para a maioria dos russófilos como para os russófobos. Conforme ao dicionário online de português: "horda" significa: 1) tribo tártara, 2) povo nômade, 3) bando de pessoas indisciplinadas, de malfeitores". No discurso científico "horda" é "arcaização e regresso, ocupação e saque, etc." 

A invasão do fascismo pan-europeu no tempo da Grande Guerra Patriótica na retórica soviética foi comparada com a ocupação das hordas dos mongóis.


Mas os fascistas também demonizavam aos russos, incriminando-lhes a maldição do sangue mongol. Alfred Rosenberg, ideólogo principal do nacional-socialismo alemão, expõe em sua obra "O Mito do Século XX" esta ideologema de "Horda": "Outrora a Rússia foi fundada pelos vikings, elementos germânicos erradicaram o caos da estepe russa e pressionaram aos habitantes dentro de formas estatais possibilitadoras de cultura [7]. Este rol do sangue viking em extinção o retomaram mais tarde as Hansas alemães e em geral os imigrantes ocidentais à Rússia; na época desde Pedro o Grande os bálticos alemães, para o inicio do século XX - os povos bálticos, também fortemente germanizados [8]. Mas baixo a camada superior portadora da cultura na Rússia sempre cochilava a ânsia por uma ilimitada expansão, a vontade impetuosa de pisotear todas as formas de vida, sentidas como simples barreiras. O sangue misturado com o mongol entrava em ebulição em todos os choques da vida russa, mesmo em forte diluição, e arrastava aos homens a ações que ao próprio indivíduo, muitas vezes lhe tenham parecido incompreensíveis. Esta inversão repentina de todos os sinais éticos e sociais que retomam continuamente na vida russa e na literatura russa (de Chaadaiev a Dostoievski e Gorki) são uma indicação de que as correntes sanguíneas inimigas lutam umas contra outras e que essa luta não vai acabar antes de que uma força de sangue triunfe sobre a outra. O bolchevismo significa a rebelião do mongolóide contra as formas culturais nórdicas, é o desejo pela estepe, é o ódio do nômade contra a raiz da personalidade,significa a tentativa de livrar-se da Europa em si.

A raça báltica-oriental, dotada de muitos dons poéticos, resulta - ao estar impregnada do sangue mongol - barro, dúctil nas mãos dos condutores nórdicos ou de tiranos judeus e mongóis. Ela canta e dança, mas assassina e solta sua fúria ao mesmo tempo; é devotamente fiel, mas quebrando em formas relaxadas, desenfreadamente traiçoeira. Até que é forçada dentro de novas formas, embora sejam da natureza tirânica". 

Os nazistas em sua propaganda eram muito mais claros do que seus discípulos liberais de hoje. A Ucrânia (Maidan) "canta e dança", enquanto a Rússia (Horda) "assassina e solta sua fúria, livrando-se da Europa em si". 

Os fascistas não eram os pioneiros, culpando à Rússia no asiatismo hordáico: os paralelos semelhantes são uma ideia fixe da russofobia europeia: em qualquer de suas variantes, seja o tsarismo de Ivã o Temível, o império de Pedro o Grande, a URSS de Iosif Stalin, a Rússia sempre fica a sucessora da Horda de Ouro, doente cronicamente de "asiatismo". 

Com isso a Horda de Ouro é um conceito convencional, um clichê ideológico, que geralmente significa uma inversão absoluta do Ocidente.


Por exemplo, para os liberais de hoje, a Rússia atual, a URSS, o império dos Romanov, o tsarismo de Moscou são a Horda de Ouro, pela falta de paradas gay, ou seja pela falta de assim chamada sociedade civil e o mercado. Quando "as instituições de Horda" estão enraizados muito profundo: a supremacia da propriedade estatal, a imobilidade do poder, o coletivismo, etc. 

Conforme aos etno-nacionalistas na Rússia de hoje igual que na época de Horda de Ouro os grupos de oligarcas locais oprimem o povo russo com apoio das máfias étnicas dos chechenos, dagestanêses, tártaros, etc. Igual que na URSS os grupos internacionais oprimiam aos russos com apoio das elites asiáticas e judaicas. Igual que antes da URSS os Romanov oprimiam aos russos com apoio dos castigadores-cossacos e funcionários alemães e antes dos Romanov, os tsares russos oprimiam aos russos com apoio dos mongóis. 

A demonização da "horda" pelos russófobos estrangeiros e os liberais e etno-nacionalistas russos leva ao fenómeno de que aparecem os ideólogos que até negam o fato histórico do jugo dos mongóis ou vem nele somente o lado positivo (os euroasistas de Alexandr Dugin até chegam ao culto do barão sádico Ungern von Sternberg [9]) 

"Horda" de fato 

Sem dúvidas o período da invasão mongol foi um período da ocupação, mas os mongóis não realizaram na Rússia um genocídio como na China. Ao mesmo tempo o Império Mongol não somente passou à Rússia suas superavançadas tecnologias de guerra, mas também os mongóis trouxeram para a Rússia a cultura estadista da conquistada por eles China: centralização, a severa disciplina dos funcionários, destruição da influência de nobreza tribal, meritocracia, pagamento de impostos através da responsabilidade mútua, etc. A administração na Rússia no período da Horda de Oura estava na altura, que seria possível na Europa somente no tempo de Napoleão. A China nesse tempo tem superioridade cultural absoluta sobre Europa: é importante que eram os europeus que sempre procuravam conquistar o Leste, enquanto as civilizações do Leste não tinham muitas ganas de ir para Europa. 


Repetimos que a Horda virou o condutor da modernização chinesa da Rússia. Nesse período a Rússia apreende as tecnologias chinesas de fundição de ferro, de produção de pólvora, de uso do arado chinês, etc. Copiamos a roupa chinesa (o famoso gorro "ushanka" e botas de feltro), técnicas decorativas, construção de casas com armações, etc. Da China foi trazido para a Rússia o ábaco, que vai migrar da Rússia para Europa só uns século mais tarde. 

Ao mesmo tempo a conquista da Rússia provocava uma constante resistência e para o século XIV já eram os russos que administravam os impostos no país e não os mongóis como na primeira etapa da conquista. Reconhecendo o poder dos mongóis os russos recuperaram o país e superaram a Horda de Ouro.

Por certo a cultura persa também veio a Rússia no contexto da Horda de Ouro. Pérsia e China são grandes civilizações antigas, que superavam Europa em seu tempo, não se pode comparar o estado atual dos países asiáticos com seu estado na Idade Média - é a mesma coisa que comparar os italianos de hoje com os romanos do Império de Roma. Não temos que ver nada mal nas modernizações da Rússia ao estilo chinês e persa na época dos séculos XIII-XV. Além disso, não se pode reduzir a história da Rússia ao período de horda: na época de Ivã o Temível o país se orientou à experiência da Turquia, no período de Pedro o Grande copiamos a modernização da Holanda, Nikolai I copiava a experiência da Prússia, os soviéticos aceitaram muitos elementos da industrialização americana. 

Ideologema de Maidan 

Conforme o mito histórico de Maidan - os fronteiriços Novgorod e Kiev supostamente foram menos infectados pelo "asiatismo" e, portanto, eles conseguiram conservar sua "genética europeia" (normando-bizantina ou alemã, como lhe gostaria crer a Rosenberg) no maior grau. É por isso é que a Ucrânia não é a Rússia, quando a Rússia é um mutante sino-irano-mongol. 

O herói principal desse ideologema é o príncipe Daniel Romanovich da Galícia (periferia ocidental da Rússia), que a diferencia do príncipe de Vladímir (o centro da Rússia) Alexandr Nevsky desafiou a Horda de Ouro e no resultado como creem os neonazistas ucranianos e seus simpatizantes Daniel Romanovich conservasse melhor a "verdadeira russidade". Essa "verdadeira russidade" se manifestou na traição de hetman Ivã Mazepa a Pedro o Grande, na resistência branca, pagada pelos alemães, aos bolcheviques, no colaboracionismo de Stefan Bandera com os nazistas alemães e na orientação atual de Kiev para a UE. 

Maidan de fato

É verdade que ao contrário de Alexander Nevski, Daniel Romanovich tinha uma posição geopolítica muito mais favorável e podia opor certa resistência à Horda de Ouro. Mas como é bem conhecido, sua resistência ficou sem sentido na prática: ao final das contas Daniel Romanovich foi subordinado pelo general mongol Burundai. Não lhe ajudou a coroa recebida de mãos do Papa de Roma, quando o dano sofrido pelo território da Galícia-Volínia foi significativamente maior do que o dano sofrido pela Rus’ do Nordeste (de Vladimir). Com isso o principado de Galicia-Volínia perdeu sua independência, dissolvido na Lituânia e Polônia, continuando pagar o tributo à Horda de Ouro e mais tarde ao Khanato de Crimeia.

No resultado da aventura de Daniel Romanovich seu prinicipado perdeu a identidade russa (aceitando o catolicismo), perdeu a independência e desapareceu para sempre da história. Quando no resultado da política de Alexandr Nevski a Rus’ de Vladímir superou a Horda de Ouro e se transformou na Rus’ de Moscou. Por que Alexandr Nevskiï não passou pelo caminho de Daniel Romanovich? Porque depois da batalha no rio Neva ele entendia que o "Ocidente" no plano militar não era um aliado sério, quando as consequências de sua ajuda temporal poderiam ser destrutivas para a Rússia. Como sabemos hoje ele tinha toda a razão. 

Por causa da aventura de Daniel Romanovich as periferias do Sul da Rússia viraram um polígono milenário para as inteligências ocidentais, lutando contra a Rússia. Heróis de Maidan é um panóptico dos traidores, que até se nos supomos que tenham algum sono de independência, na realidade sempre vendem seu povo à Polônia com Lituânia (Daniel Romanovich), ou à Polônia com Suécia (hetman Ivã Mazepa), ou à Alemanha (Stefan Bandera), ou aos EUA, como a elite atual da Ucrânia.

O projeto pós-soviético da nação ucraniana não tem nenhum programa positivo e se constrói só sobre a negação da "russidade", na realidade sobre a russofobia. Os russos não sentiram nada salvo a piedade aos radicais ucranianos, fanatizados pelo mito de Maidan.


A pergunta "Maidan ou Horda" não é correta, a pergunta é "Europa e sua encarnação mais radical - EUA ou a Rússia", desaparecimento ou conservação histórica. 




5. a mesma palavra "cossaco" é de origem tártara, igual que o famoso grito "hurrá" dos militares russos. Os primeiros cossacos eram os tártaros que passaram para o lado dos russos e serviam de guardas de fronteiras. Esse termo nunca teve na Rússia uma conotação étnica, os cossacos eram um estrato social: ao abandonar o serviço de guarda de fronteira (nas "ucrânias" (periferias) da Rússia no Sul (a Ucrânia atual) ou nas "ucrânias" da Rússia do Leste (o Cazaquistão atual) os cossacos deixavam de ser os cossacos).
7. É uma visão ultra simplista, olhem o contexto do inicio da Rússia:
8. O próprio Rosenberg era cidadão do Império Russo, nasceu em Reval (Tallinn), na atual Estônia, que era parte do Império Russo naquele tempo.