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воскресенье, 12 апреля 2015 г.

A Ucrânia é a mesma Rússia, só possessa pelo Ocidente

"Tempo de Dificuldades", uma constante da história russa.

Já passou um ano desde o início da guerra civil na Ucrânia, que evoca à memoria histórica dos russos o Tempo de Dificuldades do século XVII. Sofrendo de uma crise econômica e ideológica a Rússia ao final do século XVI caiu numa guerra civil total e esteve prestes de ser repartida entre a Polônia-Lituânia e a Suécia. Naquele tempo os cossacos («proto-ucranianos»), descontentes com o governo do tsar Boris Godunov, acompanharam os exércitos privados de oligarcas polacos em sua campanha contra a Rússia. É interessante que na primeira etapa o impostor Dmitri, o Falso I até foi bem recebido pelos russos, como um Dmitri “de Verdade” (como um filho legítimo do tsar-modelo Ivã IV, o Severo)!

Obviamente nos momentos da fraqueza do estado russo, suas periferias ficam vulneráveis para a manipulação dos inimigos e produzem as hordas dos cães selvagens, que levam a guerra para Moscou, ativando aos radicais políticos, elites contrariadas e grupos criminosos locais. O «Tempo de Dificuldades» se repetiu uma vez mais no início do século XX e está se repetindo agora mesmo on-line.

Sim, por um lado vemos uma transfiguração positiva da sociedade russa: os medíocres artistas de cinema viram os anjos da ajuda humanitária, os lavadores de autos viram os comandantes de tropas de elite – nossa sociedade, atomizada e humilhada durante os últimos 20 anos pela continua Reforma de Choque, depois da Criméia mostra uma surpreendente solidaridade e autoestima, produz aos verdadeiros heróis e lendas. Por outro lado também se manifestaram os nossos defeitos, se despertaram os nossos demônios. Nós continuamos no vácuo ideológico, preenchido pelo clericalismo medieval e antisovietismo vulgar do grupo governante, continuamos o curso neoliberal da econômia, quando a maioria do povo considera este curso fatal. A linguagem propagandistica do Kremlin é confusa e fraca.

Os calcanhares de Aquiles Russo

Sem dúvida a Criméia foi uma mudança radical do clima político na Rússia. A reintegração da Rússia com a Criméia colocou o grupo governante de Putin no mesmo barco com o povo. Agora não só os russos são um «povo errado» (conforme à russofobia ocidental, cuja história começa no século XI desde o Cisma da Igreja de 1054), agora o nosso líder nacional também perdeu sua coroa do “único europeu no país bárbaro”. Já não é um gerênte do capital estrangeiro, como Pinochet, mas quem é? O ditador argentino que quis reconquistar as Ilhas Malvinas, Leopoldo Galtieri? Ou um novo Lenin-Stalin, que pode re-sintetizar a grande Rússia numa forma moderna? Então, esperamos que o grupo governante e as elites também compartam o preço que pagamos por ter recuperado nossa subjetividade. Se não observamos este balanço, nos espera uma repetição das catástrofes do século XVII, dos anos 1917 e 1991, quando os grupos governantes perderam o controle sobre as elites e ao mesmo tempo perderam a confiança e respeito do povo.

Nova Ucrânia e Nova Rússia (Novorossiya)

Na dimenção global da guerra civil ucraniana vemos por um lado aos ucranianos pró-EUA e por outro lado aos ucranianos pró-Rússia.

Os pró-EUA acham que esta guerra é uma agressão da Rússia que quer liquidar a Ucrânia, porque esta Ucrânia é só um parasita intermediário do negócio entre a Rússia e a Alemanha. É lógico que esta Ucrânia parasita lute por sua sobrevivência, mobilizando seus recursos humanos com ajuda dos canais midiáticos e administrativos que ela controla. Esta Ucrânia afirma que a Rússia atual e seu negócio com a Alemanha é um nonsense, a Rússia atual deve ser destruída e substituida por uma Nova Ucrânia. Esta Ucrânia não quer tanto se associar com a UE, como ela quer destruir e substituir a Rússia, por isso ela se associa mais com os EUA.

Os pró-Rússia acham que esta guerra é uma agressão dos EUA contra a Rússia a fim de reconfigurar o mercado europeu de energia e congelar os projetos globais da Rússia (União Euroasiática, BRICS, OCX, etc.). É lógico que esta Ucrânia pró-Rússia se associe com a Rússia e tem medo da perda de controle sobre sua riqueza natural e industrial. Esta Ucrânia pró-Rússia afirma que as ambições da Ucrânia parasita são um nonsense, a Ucrânia atual deve ser reformatada e substituída por uma Nova Rússia.

A esta altura do campeonato vemos que os EUA financiam aos radicais neonazistas ucranianos, a bandeira dos EUA está colada sobre o escritório do SBU em Kiev (Serviço da Segurança Estatal), onde os consultores dos EUA ocupam um andar completo e tomam todas as decisões importantes para Kiev. Claro, que a «Ucrânia» atual é um protetorado dos EUA! Para os EUA «Ucrânia» é um “vírus trojan” que deve “crackear o disco duro” da Rússia e roubar seu dinheiro.

Ao mesmo tempo vemos que a Rússia apoia aos rebeldes do Leste, a bandeira da Rússia está colada sobre o prédio da OGA em Donetsk (Administração da RPD), os consultores do Kremlin também tomam todas as decisões importantes para as RPD e RPL. A Novorossiya atual é um protetorado da Rússia! A Novorossiya é um “vírus trojan” para “crackear o disco duro” da Ucrânia parasita e se livrar de suas comissões.

Ok, a situação esta clara ao nível global, mas na dimenção local, ao nivel molecular da movida vemos por um lado aos ucranianos russofóbicos e por outro lado - aos ucranianos russófilos. Se os primeiros lutam por uma Nova Ucrânia, purgada dos tarados elementos russos. Os segundos lutam por uma Nova Rússia, purgada dos tarados elementos ucranianos.

Washington financia a Nova Ucrânia só em parte, é possivel que a maior parte do financiamento das Forças Armadas da Ucrânia venha da sociedade da Ucrânia mesma (doações tanto voluntárias, como forçadas). E este mesmo fenômeno é característico para a Nova Rússia, que recebe a maior parte do financiamento não de Moscou, senão da sociedade russa.

Fator étnico e lingua

Fator étnico e lingua não são decisivos para esta guerra. Muitos russos étnicos lutam nas Forças Armadas da Ucrânia pró-EUA, como também muitos ucranianos étnicos lutam nas Forças Armadas da Novorossiya pró-Rússia. Há mais ucranianos étnicos nos governos da RPD e RPL que no governo da Ucrânia (que também tem aos ministros estrangeiros, criados nos tubos de ensaio da CIA – são representantes dos EUA, Lituânia, Geórgia). Ambas as partes ainda falam russo: um 83% dos cidadãos da «antiga» Ucrânia eram russo-falantes nativos em 2008 [1.] (os ministros estrangeiros falam russo também!).

Ou seja, não se enfrentam tanto as etnias ou línguas, como dois modelos de Futuro: uma Ucrânia derrussificada e pró-EUA e outra Ucrânia pró-Rússia. Os russos e ucranianos, que falam o idioma russo e lutam por uma Ucrânia pró-EUA, acham o “mito ucraniano” superior ao “mito russo” [2.], eles sendo falantes de russo querem que seus filhos num futuro próximo falem a língua ucraniana, eles estão a favor de uma ucranização e derrussificação forçadas. Mas isso não acontece na Criméia e Novorossiya, onde tem várias línguas estatais: russa, ucraniana, tártara (na Criméia), como também há ideias de introduzir a língua grega para a Novorossiya. Constamos que se enfrentam dois conceitos: assimilação forçada e um mosaico imperial. Enfrentamento esse que também se verificou na desintegração da Iugoslávia em locais como Krajina contra a Croácia Neo-Ustashe, na Republika Srpska contra a Bósnia Neo-Otomana e em Kosovo contra o Exército de Libertação de Kosovo (os três apoiados pelo Ocidente e a OTAN).

É lógico que na primeira etapa da crise se actualizasse o tema da federalização que poderia resolver as contradições. Por que não? A parte pró-EUA e a pró-Rússia se separam e vão embora cada uma para suas casas: já construídas (!) em forma das “euroregiões” [3.]. Mas o tema da federalização foi silenciada pelas elites governantes da Ucrânia: “a federalização deve ser feita desde baixo e não desde cima”. Que argumento mais ridículo (repetido por todos os presidentes da Ucrânia, menos Yanukovich) - como se a Ucrânia unitária não fosse feita desde cima! Como se a guerra civil não é suficiente “desde baixo”. Em lugar de uma separação pacífica a“comunidade mundial” recomenda ao esposos matar um ao outro, muito bom! Mas se pode entender isso: a tarefa não é colmatar diferenças, senão destruir e substituir a Rússia, como feito com a Iugoslávia, o Iraque e a Líbia anteriormente e como está tentando se fazer com a Síria.

Fator nacional vs multinacional

prefeito de Moscou conforme aos neonazistas
Os fatores étnico e linguístico não são suficientemente fortes, embora eles também estejam em jogo: a propaganda oficialista de Kiev costuma elogiar os ucranianos da Galícia (os menos russificados) como os ucranianos modelo [4.], a primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa. Mas o desafio principal deste conflito geoeconômico é nacionalização: uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL vs uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [5.], com a primeira sendo apresentada como uma espécie de barreira do Ocidente “civilizado” contra a “barbárie asiática” imputada à Rússia, uma retórica que em sua essência é a mesma da “Muralha do Cristandade Ocidental” usada pela Polônia ao longo de sua história para com seus inimigos meridionais e orientais [6.].

A propaganda ucraniana costuma falar em seu delírio sobre as tropas de chechenos, buriatos, cossacos... As hordas multinacionais da Rússia uma vez mais atacaram a pobre nação ucraniana! É oportuno recordar ao pai da Ucrânia Vladímir Lenin, que escreviu em junho de 1917: “O tsarismo maldito convertia os russos em carrascos do povo ucraniano...”. Os Lenins de hoje que destruem os monumentos aos Lenins de antes diríam em vez do “tsarismo” – “putinismo”. Seja “putinismo”, “URSSismo”, “tsarismo”, “hordismo”, sempre é um enfrentamento entre uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL e uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [7.]. Enfrentamento esse que em nada difere do enfrentamento entre a Eslovênia e a Croácia bonzinhas/européias/corretas/NACIONAIS e a Iugoslávia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL na década retrasada.

Nacionalismo russo entre EUA e EUA

É curiosa a situação na qual se encontram hoje os nacionalistas russos. Eles também odeiam a Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL e igual aos nacionalistas ucranianos querem assimilar as etnias diferentes de seu país. Uma parte deles inveja muito aos nacionalistas ucranianos, apoia aos ucranianos pró-EUA, porque eles querem destruir a Rússia de hoje, uma Rússia “errada” (conforme a eles). Ao mesmo tempo resulta que estes nacionalistas russos para destruir a Rússia multinacional sacrificam aos russos étnicos mesmos, que moram no Sudeste da Ucrânia [8.]. Outra parte dos nacionalistas russos apoia a Nova Rússia, que deve virar uma base para a revolução nacional na Rússia mesma, eles querem acabar com a Ucrânia como com um projeto anti-russo e espalhar a “primaveira russa” na mesma Rússia. Possivelmente muitos destes nacionalistas entendem que a “primaveira russa” na mesma Rússia não tenha muitos chances, eles vem que a Novorossiya está virando um protetorado da Rússia tão odiada, mas eles não podem tolerar as purgas étnicas contra os russos no Leste da Ucrânia.

Vemos que uns nacionaliatas russos apoiam o nacionalismo ucraniano, porque este é uma velha boa arma do Ocidente contra o “Império Russo”, quando os outros nacionalistas russos apoiam aos russos étnicos na Ucrânia, porque acreditam na conscientização nacional dos russos a base da luta pela liberação nacional da Novorossiya contra o chauvinismo ucraniano. Uns esperam a revolução nacional russa mediante a ajuda para Ucrânia, os outros a esperam mediante a luta contra a Ucrânia.

Contudo ambos nacionalismos: tanto russo (ucrainófilo e ucrainofóbico), como ucraniano odeiam o «Império Russo». Por isso teoricamente os EUA poderiam financiar ambos! Agora os EUA mantem o nacionalismo ucraniano, mas há idéias de “distribuição de pão e biscoitos” para os nacionalistas russos também. A confederação da Ucrânia e ajuda total ao estado nacional dos russos da Novorossiya é uma receita do jornal conservador “The American Thinker” [9.]: o Ocidente deveria abandonar o projeto “Ucrânia”, porque é uma piada de Deus, o Ocidente deveria crear uma república nacional russa em Novorossiya, um modelo a seguir para a mesma Rússia (tipo a Alemanha Ocidental para a Oriental, a Coréia do Sul para a do Norte, o Iêmen do Sul para o do Norte, Taiwan para a China)! Embora esta oferta seja exótica ela tem sua lógica, e tecnicamente é factível...

Caramba! Certos nacionalistas russos, inimigos do «Império Russo» até se sentem esquecidos pelos EUA e roubados pelos nacionalistas ucranianos. Um dos líderes dos radicais neonazis russos Dmitri Diómushkin diz que o nome “Pravi Sektor” (trademark) foi roubado dele. O redator do jornal nacionalista glamour mais popular da Rússia “Sputnik e Pogrom” Egor Prosvirnin quis abrir uma filial de seu jornal em Kiev, mas também foi roubado pelos ucranianos: afirma que lhe roubaram a idéia e o nome “Petr e Mazepa”. Os redatores de “Petr e Mazepa” reconhecem o fato de roubo e oferecem seus serviços aos EUA – de um bocal de nacionalismo russo numa Ucrânia pró-EUA. Por agora a idéia de uma Nova Rússia pró-EUA parece bizarra, mas se o projeto da “Ucrânia” falha, una Nova Rússia pró-EUA vai virar atual! De todas as formas se a Rússia «monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL» não conseguir gerar um novo projeto combinatório mais viável do que as aventuras sanguinárias dos EUA e seus lacaios da UE, é muito possível que os selvagens cães liberais e nacionalistas cheguem à guerra civil para Moscou, como já foi feito no século XVII.

Edição de Eduardo Consolo dos Santos

1. http://www.gallup.com/poll/109228/Russian-Language-Enjoying-Boost-PostSoviet-States.aspx?utm_source=Russian%20Language&utm_medium=search&utm_campaign=tiles

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/06/maidan-ou-horda.html

3. Euro-região Donbass: Lugansk, Donetsk (Ucrânia) + Rostov, Voronezh (Rússia); euro-região Dnepr: Chernigov (Ucrânia) + Briansk (Rússia) + Gomel (Bielorrússia); euro-região Slobozhanshina: Kharkov (Ucrânia) + Belgorod (Rússia); euro-região Karpaty: 19 regiões da Ucrânia, Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Euro-regi%C3%A3o

4. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/03/dividir-ucrania-para-conquistar-russia.html

5. http://www.globalresearch.ca/ukraine-military-high-command-confirms-no-russian-invasion-or-regular-troops-presence-of-nato-forces-in-donbass/5431369

6. http://en.wikipedia.org/wiki/Antemurale_myth

7. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/02/eterno-retorno-de-stalinismo.html

8. http://www.pco.org.br/internacional/lider-neonazista-diz-que-os-moradores-de-donbass-deveriam-ser-deportados/apib,o.html

9. http://www.americanthinker.com/articles/2015/04/ukraine_a_contrarian_approach.html#ixzz3WBhvkGA1

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вторник, 29 июля 2014 г.

As guerras civis não se acabam

As guerras civis não se acabam. Pode se dizer que a guerra civil russa de 1918 a 1922 se prolongou até o período das purgas dos anos 30 e logo se transformou na Grande Guerra Patriótica (uma parte dos brancos voltou, apoiando os nazistas). Com a queda da URSS o movimento branco foi reabilitado e virou bastante atual para a nova ideologia da Rússia neoliberal. Não obstante, esperamos que o povo russo consiga sintetizar os extremos dos brancos e vermelhos, embora seja muito complicado.

O conflito no Sudeste da Ucrânia não é menos perigoso do que a guerra civil do início de século XX.


Que perspectivas tem a guerra civil na Ucrânia?


Opcão A) Novoróssia [1.]

A encarnação da ideia do novo estado chamado Novoróssia. Para isso a rebelião de Donetsk e Lugansk tem que se expandir até as cidades chave como Odessa, Dnepropetrosk e Kharkov, onde a oposição política pró-Rússia foi exterminada pela inteligência de Kiev. Ao mesmo tempo vemos que até a liberdade para Donetsk e Lugansk custa muito. Para garantir a independência das repúblicas por agora autoproclamadas é necessâria a ajuda da Rússia: não se pode guerrear contra a artilharia pesada e os aviões de Kiev com os AK-47.

Então para realizar o sono da Novoróssia:

- precisamos de ajuda decisiva da Rússia: aviões, tanques, sistemas de DAA.
- precisamos da queda do governo pouco legítimo de Kiev, aliás, precisamos de um novo "Maidan" no contexto da degradação da economia ucraniana pela causa da "euro-integração" e destruição do claster industrial no Leste. O extermínio das povoações pacíficas no Leste da Ucrânia com o exército, mandado por Kiev, deve reduzir a legitimidade do governo fantoche de Kiev aos olhos das elites europeias.

Opção B) Prolongamento do conflito

Ela pode ser benéfica para o governo de Kiev, como justificativa do declínio nos padrões de vida. Também a prolongação é benéfica para a Rússia, porque de tal jeito a Rússia desapaixona aos radicais de Kiev na relação de uma possível agressão contra a Crimeia recém-reintegrada a Rússia.

Opção C) Traição da Novoróssia e reconhecimento da Crimeia

O rechaço da ideia da Novoróssia pode ser feito por Moscou a troca do status neutro da Ucránia e reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia. Em certo sentido o projeto da Novoróssia é também perigoso para Moscou, não esqueçamos que o termo "a primavera russa" tem as origens estadunidenses (as demais primaveras dos últimos anos beneficiaram só aos EUA, nesse sentido o Kremlin tem medo da Novoróssia que não somente reconquista os territórios pro-Rússia de Kiev infectado pelo neonazismo, senão também pode virar uma base para a futura reconquista da Rússia dos oligarcas que seguem roubando o país [2.]). Faz pouco tempo "uma das torres" do Kremlin mandou a Novoróssia a um politólogo muito famoso na Rússia para difamar os heróis da resistência anti-Kiev e para semear as dúvidas entre os milicianos: assim, uma parte da elite russa manifestou seu medo de que a Novoróssia pode virar um "Maidan russo". Esse gesto de uma das torres do Kremlin foi muito animador para a quinta coluna na Rússia igual que para as elites ocidentais [3].

Opção D) Traição da Novoróssia e uma guerra pela Crimeia

Ultimamente na Rússia costumamos lembrar das palavras de Churchill dirigidas a Chamberlain depois do Munique: "Deveis escolher entre a vergonha e a guerra: escolhestes a vergonha e tereis a guerra". Assim o plano C) "Traição da Novoróssia" não leva diretamente ao reconhecimento da Crimeia, porque as palavras dos lideres da Ucrânia não custam nada, porque eles não mandam no seu país, ali manda o Serviço da Segurança, sobre a oficina da qual esta vibrando a bandeira dos EUA.

A agressão da Ucrânia contra a Crimeia não pode ser ignorada pela Rússia como o projeto da Novoróssia, obviamente essa guerra aberta dos EUA contra a Rússia vai minar a economia russa e as posições do grupo governante em Kremlin.


É muito perigosa a etnização do conflito:


Na etnização do conflito estão interessados só os radicais nacionalistas da Ucrânia e uma parte dos radicais nacionalistas russos. Não é produtiva a pratica de chamar aos militares ucranianos "ucros": não todos de eles são "ucranianos puros" (uma minoria russofóbica da Galícia, cuja consciência foi desenhada ainda pelos polacos e austríacos entre os séculos XIV a XX), muitos dos militares ucranianos e dos radicais neonazistas ucranianos são russos. A maioria esmagadora do povo da Ucrânia fala russo, por isso a etnização do conflito é perigosa, ela pode levar a criação da nação ucraniana, que nunca existiu! Por isso a guerra civil na Ucrânia trabalha antes de tudo para os EUA e também é muito desejada pelo nacionalismo ucraniano.

Se antes do conflito os nacionalistas ucranianos na realidade sonhavam apenas com a separação da Galícia do resto da Ucrânia pró-Rússia, agora eles sonham com o controle sobre toda a Ucrânia e com a conquista das regiões do sul da Rússia, criando assim a "Grande Ucrânia" tão sonhada por eles (ou seja, uma Ucrânia do Vístula ao Don e do Dnieper ao Kuban, extensão essa idealizada pelo georgiano filonazista Mikhail Tsulukidze na obra "Die Ukraine", escrita em 1939)! Por isso, a guerra civil na Ucrânia não deve ser prolongada e não deve ser cruel.

O estilo gentil da reintegração da Crimeia deve ser o estandarte das forças pró-Rússia.

É necessária a desnacionalização do conflito na Ucrânia. Os nacionalistas de ambos os lados trabalham nos interesses dos EUA. Tanto os radicais da direita ucraniana, como os da direita russa acham que a vassalagem dos EUA é melhor do que o protetorado oligárquico de Moscou. "Se a elite de Moscou investe e conserva seu dinheiro no Ocidente, manda a suas famílias a viver no Ocidente, então para que precisamos de tal elite intermediadora? Para melhorar o nível de vida na Rússia temos que trabalhar com Ocidente direito, sem intermediadores-cleptomaníacos do Kremlin!" Por isso a vassalagem aos EUA é preferível aos olhos desses elementos. Por isso os nacionalistas ucranianos estão a favor da Maidan russofóbico e os nacionalistas russos estão a favor de Maidan em Moscou e ao mesmo tempo a favor dos direitos dos russos na Ucrânia e por todas partes.

Entretanto é óbvio o absurdo dessa situação quando os nacionalistas russos e os ucranianos se matam no Leste da Ucrânia lutando por relações de vassalagem com os EUA, cimentando seus nacionalismos étnicos com o sangue derramado!


Em busca da reconciliação


Todos nós nos damos conta da guerra de propagandas. Segundo a média ucraniana 47 ativistas pró-Rússia se autoincendiaram em Odessa e não foram queimados vivos pelos radicais neonazistas, muita gente morreu na praça central de Lugansk não no resultado de um bombardeio de avião do exército ucraniano senão porque se explodiu um ar acondicionado, etc. A média russa também não é 100% pura: por exemplo, faz pouco mostraram a uma mulher que afirmava ver como os radicais da Guardia Nacional da Ucrânia crucificaram a uma criança em Slaviansk (todos viram que a mulher era muito estressada e quase louca, mas o canal não deu nenhum comentârio, como se as afirmações da mulher fossem "Sapienti Sat"). Não comentamos aqui as bobagens legendárias da porta-voz de Departamento de Estado dos EUA Jen Pskai.

Mas queremos repetir que o estilo da Rússia deve ser sumamente gentil e impecâvel. A propaganda deve ser baseada nos princípios extra-étnicos: não se trata dos ucranianos ocidentais, fanáticos de colaboracionista de Hitler Stefan Bandera, que guerream contra os imperialistas russos. Se trata de um conflito interino entre os oligarcas de Donetsk e os de Dnepropetrovsk, amplificado pelos EUA até uma guerra civil pelos projetos de futuro desse territorio.

É necessário insistir que os ucranianos e os russos se não são um só povo, pelo menos são povos irmãos e não faz nenhum sentido a aniquilação mútua nos interesses dos oligarcas e os EUA. Os milicianos guerreiam pela independência da gente pró-Rússia, que historicamente não tem a ver com a "Ucrânia", eles guerreiam contra os oligarcas (seus exércitos privados, Guarda Nacional, formada pelos fanáticos neonazistas e o Exército Regular, que virou um refém coletivo da junta de Kiev).

A propaganda coerente pode ajudar a gente entender o sentido dessa guerra, mas os resultados dela dependem apenas do Kremlin e da Casa Branca.

Achamos que uma "revolução desde arriva" no Kremlin poderia neutralizar esse conflito na Ucrânia tão desvantajoso para a Rússia. O grupo governante deve passar para o lado do povo, chegou a hora de purgar as elites. Assim tanto os nacionalistas ucranianos como os russos perderiam seus argumentos. Enquanto no centro do "mundo russo" se encontra o iate de Abramovich, não faz sentido sonhar com o renascimento russo.

1. A Novorossiya, aliás, a Nova Rússia, é uma região do norte do Mar Negro, conquistada pela Rússia durante as guerras contra a Turquia no final do século XVIII, no reinado de Catarina a Grande (r. 1762 – 1796). Até agora são territórios da Ucrânia menos infectados pelo neonazismo ucraniano, mais pró-Rússia, são regiões mais industrializadas, que geram a maior parte do PIB da Ucrânia e ao mesmo tempo são as regiões mais marginalizadas e satanizadas pelas elites de Kiev durante os últimos 20 anos.

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/05/neonazistas-legitimados-na-ucrania.html

3. http://globalvoicesonline.org/2014/07/09/russias-armchair-warrior-turns-on-ukraines-rebel-leader/

четверг, 12 июня 2014 г.

Maidan ou Horda?

Enquanto na praça central de Lugansk os aviões de guerra do exército ucraniano matavam aos civis com os cohetes não dirigidos (confirmado pela OSCE), no Centro Sakharov de Moscou [1] foi realizada a conferência "Maidan ou Horda?" [2], onde os liberais, nacionalistas e certos islamitas russos aplaudiram os crimes de guerra de Kiev. 

Conforme a estrela principal do ”aquelarre”, escritor Alexei Shiropaev (nacionalista étnico, torcedor do colaboracionismo de Andrei Vlásov [3]) a verdadeira Rússia é a Ucrânia atual, quando a Rússia atual é só um usurpador do nome orgulhoso "Rus’".

A Rus’ do Nordeste, já na etapa de mudança de sua capital de Kiev para Vladímir caiu para fora da tradição "democrática" de Kiev-Novgorod. Para Alexei Shiropaev o primeiro tsar autocrata da Rus’ de Nordoste Andrei, que ama a Deus, rompendo com o parlamentarismo oligárquico de Kiev e Novgorod, virou também o primeiro mongol-judeo-bolchevique antes dos mongóis e antes dos "judeo-comunistas" [4].

"Andrei, que ama a Deus é o primeiro inimigo do Maidan", - proclama Alexei Shiropaev. Se os radicais neonazistas bramam em Odessa depois de ter queimado vivos quase 100 ativistas pró-Rússia: "Putin é piroca!", Alexei Shiropaev lhes apoia desde o Centro Sakharov de Moscou: "Já Andrei, que ama a Deus também foi o mesmo piroca!"

A "Horda" para os nacionalistas, neonazistas, liberais e esquerdistas é o estatismo da Rus’ de Vladimir, cimentado no período dos mongóis, que perdura na Rússia até hoje. 

"O tsarismo de Moscou é uma mutação monstruosa da Rus’ de Kiev, que conduziu à perda total das qualidades originais", - disse Alexei Shiropaev. - Quando "Maidan" é um teste universal da russidade". 

Não comentamos aqui que a mesma palavra "Maidan" é de origem árabe, igual que os penteados e uniformes teatrais dos cossacos travestis de Maidan de hoje [5], que se supõe que são os verdadeiros russos, foram copiados das modas da Turquia medieval.

Alexei Shiropaev é um falsificador banal da história, narrador de contos de fadas para os skinheads. Já escrevemos antes, como os nacionalistas étnicos russos sonham com o status do protetorado oficial dos EUA ou pelo menos um estado nacional tipo República Tcheca ou a Estônia [6].

"A Rússia <Horda> é nosso inimigo, a isso se reduz todo nosso programa político", - expressou o credo dos liberais e etno-nacionalistas o filosofo Mikhail Verbitski.

Ideologema de "Horda"

A palavra "Horda" está carregada negativamente tanto para a maioria dos russófilos como para os russófobos. Conforme ao dicionário online de português: "horda" significa: 1) tribo tártara, 2) povo nômade, 3) bando de pessoas indisciplinadas, de malfeitores". No discurso científico "horda" é "arcaização e regresso, ocupação e saque, etc." 

A invasão do fascismo pan-europeu no tempo da Grande Guerra Patriótica na retórica soviética foi comparada com a ocupação das hordas dos mongóis.


Mas os fascistas também demonizavam aos russos, incriminando-lhes a maldição do sangue mongol. Alfred Rosenberg, ideólogo principal do nacional-socialismo alemão, expõe em sua obra "O Mito do Século XX" esta ideologema de "Horda": "Outrora a Rússia foi fundada pelos vikings, elementos germânicos erradicaram o caos da estepe russa e pressionaram aos habitantes dentro de formas estatais possibilitadoras de cultura [7]. Este rol do sangue viking em extinção o retomaram mais tarde as Hansas alemães e em geral os imigrantes ocidentais à Rússia; na época desde Pedro o Grande os bálticos alemães, para o inicio do século XX - os povos bálticos, também fortemente germanizados [8]. Mas baixo a camada superior portadora da cultura na Rússia sempre cochilava a ânsia por uma ilimitada expansão, a vontade impetuosa de pisotear todas as formas de vida, sentidas como simples barreiras. O sangue misturado com o mongol entrava em ebulição em todos os choques da vida russa, mesmo em forte diluição, e arrastava aos homens a ações que ao próprio indivíduo, muitas vezes lhe tenham parecido incompreensíveis. Esta inversão repentina de todos os sinais éticos e sociais que retomam continuamente na vida russa e na literatura russa (de Chaadaiev a Dostoievski e Gorki) são uma indicação de que as correntes sanguíneas inimigas lutam umas contra outras e que essa luta não vai acabar antes de que uma força de sangue triunfe sobre a outra. O bolchevismo significa a rebelião do mongolóide contra as formas culturais nórdicas, é o desejo pela estepe, é o ódio do nômade contra a raiz da personalidade,significa a tentativa de livrar-se da Europa em si.

A raça báltica-oriental, dotada de muitos dons poéticos, resulta - ao estar impregnada do sangue mongol - barro, dúctil nas mãos dos condutores nórdicos ou de tiranos judeus e mongóis. Ela canta e dança, mas assassina e solta sua fúria ao mesmo tempo; é devotamente fiel, mas quebrando em formas relaxadas, desenfreadamente traiçoeira. Até que é forçada dentro de novas formas, embora sejam da natureza tirânica". 

Os nazistas em sua propaganda eram muito mais claros do que seus discípulos liberais de hoje. A Ucrânia (Maidan) "canta e dança", enquanto a Rússia (Horda) "assassina e solta sua fúria, livrando-se da Europa em si". 

Os fascistas não eram os pioneiros, culpando à Rússia no asiatismo hordáico: os paralelos semelhantes são uma ideia fixe da russofobia europeia: em qualquer de suas variantes, seja o tsarismo de Ivã o Temível, o império de Pedro o Grande, a URSS de Iosif Stalin, a Rússia sempre fica a sucessora da Horda de Ouro, doente cronicamente de "asiatismo". 

Com isso a Horda de Ouro é um conceito convencional, um clichê ideológico, que geralmente significa uma inversão absoluta do Ocidente.


Por exemplo, para os liberais de hoje, a Rússia atual, a URSS, o império dos Romanov, o tsarismo de Moscou são a Horda de Ouro, pela falta de paradas gay, ou seja pela falta de assim chamada sociedade civil e o mercado. Quando "as instituições de Horda" estão enraizados muito profundo: a supremacia da propriedade estatal, a imobilidade do poder, o coletivismo, etc. 

Conforme aos etno-nacionalistas na Rússia de hoje igual que na época de Horda de Ouro os grupos de oligarcas locais oprimem o povo russo com apoio das máfias étnicas dos chechenos, dagestanêses, tártaros, etc. Igual que na URSS os grupos internacionais oprimiam aos russos com apoio das elites asiáticas e judaicas. Igual que antes da URSS os Romanov oprimiam aos russos com apoio dos castigadores-cossacos e funcionários alemães e antes dos Romanov, os tsares russos oprimiam aos russos com apoio dos mongóis. 

A demonização da "horda" pelos russófobos estrangeiros e os liberais e etno-nacionalistas russos leva ao fenómeno de que aparecem os ideólogos que até negam o fato histórico do jugo dos mongóis ou vem nele somente o lado positivo (os euroasistas de Alexandr Dugin até chegam ao culto do barão sádico Ungern von Sternberg [9]) 

"Horda" de fato 

Sem dúvidas o período da invasão mongol foi um período da ocupação, mas os mongóis não realizaram na Rússia um genocídio como na China. Ao mesmo tempo o Império Mongol não somente passou à Rússia suas superavançadas tecnologias de guerra, mas também os mongóis trouxeram para a Rússia a cultura estadista da conquistada por eles China: centralização, a severa disciplina dos funcionários, destruição da influência de nobreza tribal, meritocracia, pagamento de impostos através da responsabilidade mútua, etc. A administração na Rússia no período da Horda de Oura estava na altura, que seria possível na Europa somente no tempo de Napoleão. A China nesse tempo tem superioridade cultural absoluta sobre Europa: é importante que eram os europeus que sempre procuravam conquistar o Leste, enquanto as civilizações do Leste não tinham muitas ganas de ir para Europa. 


Repetimos que a Horda virou o condutor da modernização chinesa da Rússia. Nesse período a Rússia apreende as tecnologias chinesas de fundição de ferro, de produção de pólvora, de uso do arado chinês, etc. Copiamos a roupa chinesa (o famoso gorro "ushanka" e botas de feltro), técnicas decorativas, construção de casas com armações, etc. Da China foi trazido para a Rússia o ábaco, que vai migrar da Rússia para Europa só uns século mais tarde. 

Ao mesmo tempo a conquista da Rússia provocava uma constante resistência e para o século XIV já eram os russos que administravam os impostos no país e não os mongóis como na primeira etapa da conquista. Reconhecendo o poder dos mongóis os russos recuperaram o país e superaram a Horda de Ouro.

Por certo a cultura persa também veio a Rússia no contexto da Horda de Ouro. Pérsia e China são grandes civilizações antigas, que superavam Europa em seu tempo, não se pode comparar o estado atual dos países asiáticos com seu estado na Idade Média - é a mesma coisa que comparar os italianos de hoje com os romanos do Império de Roma. Não temos que ver nada mal nas modernizações da Rússia ao estilo chinês e persa na época dos séculos XIII-XV. Além disso, não se pode reduzir a história da Rússia ao período de horda: na época de Ivã o Temível o país se orientou à experiência da Turquia, no período de Pedro o Grande copiamos a modernização da Holanda, Nikolai I copiava a experiência da Prússia, os soviéticos aceitaram muitos elementos da industrialização americana. 

Ideologema de Maidan 

Conforme o mito histórico de Maidan - os fronteiriços Novgorod e Kiev supostamente foram menos infectados pelo "asiatismo" e, portanto, eles conseguiram conservar sua "genética europeia" (normando-bizantina ou alemã, como lhe gostaria crer a Rosenberg) no maior grau. É por isso é que a Ucrânia não é a Rússia, quando a Rússia é um mutante sino-irano-mongol. 

O herói principal desse ideologema é o príncipe Daniel Romanovich da Galícia (periferia ocidental da Rússia), que a diferencia do príncipe de Vladímir (o centro da Rússia) Alexandr Nevsky desafiou a Horda de Ouro e no resultado como creem os neonazistas ucranianos e seus simpatizantes Daniel Romanovich conservasse melhor a "verdadeira russidade". Essa "verdadeira russidade" se manifestou na traição de hetman Ivã Mazepa a Pedro o Grande, na resistência branca, pagada pelos alemães, aos bolcheviques, no colaboracionismo de Stefan Bandera com os nazistas alemães e na orientação atual de Kiev para a UE. 

Maidan de fato

É verdade que ao contrário de Alexander Nevski, Daniel Romanovich tinha uma posição geopolítica muito mais favorável e podia opor certa resistência à Horda de Ouro. Mas como é bem conhecido, sua resistência ficou sem sentido na prática: ao final das contas Daniel Romanovich foi subordinado pelo general mongol Burundai. Não lhe ajudou a coroa recebida de mãos do Papa de Roma, quando o dano sofrido pelo território da Galícia-Volínia foi significativamente maior do que o dano sofrido pela Rus’ do Nordeste (de Vladimir). Com isso o principado de Galicia-Volínia perdeu sua independência, dissolvido na Lituânia e Polônia, continuando pagar o tributo à Horda de Ouro e mais tarde ao Khanato de Crimeia.

No resultado da aventura de Daniel Romanovich seu prinicipado perdeu a identidade russa (aceitando o catolicismo), perdeu a independência e desapareceu para sempre da história. Quando no resultado da política de Alexandr Nevski a Rus’ de Vladímir superou a Horda de Ouro e se transformou na Rus’ de Moscou. Por que Alexandr Nevskiï não passou pelo caminho de Daniel Romanovich? Porque depois da batalha no rio Neva ele entendia que o "Ocidente" no plano militar não era um aliado sério, quando as consequências de sua ajuda temporal poderiam ser destrutivas para a Rússia. Como sabemos hoje ele tinha toda a razão. 

Por causa da aventura de Daniel Romanovich as periferias do Sul da Rússia viraram um polígono milenário para as inteligências ocidentais, lutando contra a Rússia. Heróis de Maidan é um panóptico dos traidores, que até se nos supomos que tenham algum sono de independência, na realidade sempre vendem seu povo à Polônia com Lituânia (Daniel Romanovich), ou à Polônia com Suécia (hetman Ivã Mazepa), ou à Alemanha (Stefan Bandera), ou aos EUA, como a elite atual da Ucrânia.

O projeto pós-soviético da nação ucraniana não tem nenhum programa positivo e se constrói só sobre a negação da "russidade", na realidade sobre a russofobia. Os russos não sentiram nada salvo a piedade aos radicais ucranianos, fanatizados pelo mito de Maidan.


A pergunta "Maidan ou Horda" não é correta, a pergunta é "Europa e sua encarnação mais radical - EUA ou a Rússia", desaparecimento ou conservação histórica. 




5. a mesma palavra "cossaco" é de origem tártara, igual que o famoso grito "hurrá" dos militares russos. Os primeiros cossacos eram os tártaros que passaram para o lado dos russos e serviam de guardas de fronteiras. Esse termo nunca teve na Rússia uma conotação étnica, os cossacos eram um estrato social: ao abandonar o serviço de guarda de fronteira (nas "ucrânias" (periferias) da Rússia no Sul (a Ucrânia atual) ou nas "ucrânias" da Rússia do Leste (o Cazaquistão atual) os cossacos deixavam de ser os cossacos).
7. É uma visão ultra simplista, olhem o contexto do inicio da Rússia:
8. O próprio Rosenberg era cidadão do Império Russo, nasceu em Reval (Tallinn), na atual Estônia, que era parte do Império Russo naquele tempo. 

суббота, 31 мая 2014 г.

os últimos Romanov seriam bolcheviques se não fossem os czares



Alexandr Mijáilovich, neto do czar Nicolai I e tio do czar Nicolai II (também foi marido da irmã de Nicolai II), chefe da Direcção da Flota Comercial do Imprio Russo nos anos 1902-1905:


"Ocorreu-me que embora eu não fosse um bolchevique, mas eu não podia concordar com meus parentes e conhecidos e de forma imprudente condenar tudo o que os Soviets fazem, só porque isso é feito pelos Soviets. Sem dúvidas eles mataram três dos meus irmãos, mas eles também salvaram a Rússia do destino de um vassalo dos aliados.

O tempo, quando eu os odiava e tinha muitas ganas de chegar até Lenin ou Trotskiï, passou, porque eu comecei obter as notícias sobre um e depois sobre outro passo construtivo do governo de Moscou e encontrei-me com o fato de que eu sussurrava: "Bravo!". 

Como todos os cristãos que "não são frios nem quentes" eu não conhecia outra forma de remediar o ódio, como inundá-lo em outro ódio, ainda mais ardente. Os polacos me ofereceram um objetivo conforme última opção.

Quando no início da primavera de 1920 vi as manchetes dos jornais franceses, anunciando uma procissão triunfante de Pilsudski sobre os campos de trigo da Maloróssia [1.], algo fraturou dentro de mim e eu esqueci sobre o fuzilamento de meus irmãos, ocorrido faz um ano. A única coisa que passava por minha cabeça foi: "Os polacos estão prestes a tomar Kiev! Eternos inimigos estão prestes a cortar as fronteiras ocidentais do Império Russo". Eu não ousei me expressar abertamente, mas ouvindo as conversas absurdas dos refugiados e olhando para seus rostos, eu desejava com toda a minha alma a vitória do Exército Vermelho.


Não importa que eu era o Grão-Duque. Eu era um oficial russo, que deu juramento para defender a Pátria de seus inimigos [2.]. Eu era o neto do homem que ameaçou arar as ruas de Varsóvia, se os polacos uma vez mais se atrevessem a quebrar a unidade de seu império. De repente, ocorreu-me uma frase desse antepassado meu, uma frase de 72 anos atrás. Direito no informe sobre os "atos ultrajantes" do ex-oficial russo de artilharia Bakunin [3.], que levou a multidão dos revolucionários alemães na Saxônia para assaltar a fortaleza, o Imperador Nicolau I escreveu com letras grandes: "Hurra a nossos artilheiros"!


A semelhança da minha e sua reação me surpreendeu. Eu senti a mesma coisa quando o comandante vermelho Budionny derrotou as legiões de Pilsudski e perseguiu-o até Varsóvia. Desta vez os elogios foram dirigidos para os cavaleiros russos, mas no resto poucas coisas mudaram desde os tempos do meu avô. 

- Mas você parece esquecer - o meu fiel secretário disse - que, entre outras coisas, a vitória de Budionny significa o fim às esperanças do Exército Branco na Crimeia. 

Sua observação razoável não abalou minhas crenças. Naquele verão inquieto do vigésimo ano ficou claro para mim, igual que é claro para mim agora no tranquilo ano de 1933, que para alcançar uma vitória decisiva sobre os polacos o governo soviético fez tudo o que era necessário fazer para um governo verdadeiramente popular. Parece irônico que os participantes da III Internacional tenham de proteger a unidade do Estado russo, mas a verdade é que desde aquele mesmo dia os soviéticos estão obrigados a realizar uma política puramente nacional, que não é outra coisa senão a política de muitos séculos, lançada por Ivã o Temível, desenhada por Pedro o Grande, que atingiu seu ponto culminante sob Nikolaiï I. Essa politica é defender as fronteiras do estado a qualquer preço e passo por passo avançar até as fronteiras naturais no Ocidente! Agora eu tenho certeza que até mesmo meus filhos vão ver o dia quando chegar o fim não só à independência absurda das repúblicas bálticas, mas quando a Bessarábia e Polônia também ser recuperadas pela Rússia e os cartógrafos terão que trabalhar duro sobre a redefinição das fronteiras no Extremo Oriente [4.].

Nos anos vinte eu não me atrevi a olhar para um futuro tão distante. Então eu estava preocupado com meu problema puramente pessoal. Eu vi que os soviéticos saiam de uma longa guerra civil como vencedores. Ouvi que eles cada vez falavam menos dos temas que ocupavam tanto a seus primeiros profetas nos dias tranquilos do "La Closerie des Lilas" [5.] e cada vez eles falavam mais dos temas que sempre foram vitais para o povo russo como um organismo unido. E eu perguntei a mim mesmo, com toda a seriedade, que você esperaria de um homem privado de sua propriedade significante e que testemunhou a liquidação da maior parte dos irmãos: "Se eu, como um produto do império, uma pessoa educada em crença na infalibilidade do Estado, se eu ainda posso condenar os atuais governantes da Rússia?”.

A minha resposta foi: "sim" e "não". O Senhor Alexander Romanov gritou "sim". O Grão-Duque Alexandre disse "não". O primeiro foi obviamente decepcionado. Ele adorava suas propriedades prósperas na Crimeia e no Cáucaso. Ele desejava entrar uma vez mais no escritório de seu palácio em São Petersburgo, onde os inúmeros estantes abarrotavam dos volumes encadernados em couro sobre a história da navegação e onde ele poderia preencher as noites com as aventuras, apreciando as antigas moedas gregas e rememorando esses anos que ele tinha passado em sua busca.

Felizmente para o Grão-Duque, ele sempre foi separado do senhor Romanov com uma face. Portador de um título muito alto, ele sabia que ele e sua turma não deveriam ter um conhecimento amplo ou exercer a imaginação e, portanto, no caso da resolução da dificuldade atual, ele não hesitou, porque simplesmente tinha que confiar em sua coleção de tradições, essencialmente banais, mas surpreendentemente eficaz para fazer soluções. Fidelidade à Patria. Exemplo dos antepassados. Conselhos dos iguais. Permanecer fiel à Rússia e seguir o exemplo dos Romanov, que nunca imaginavam-se mais do que seu império, significava aceitar que foi mister ajudar ao governo soviético, não obstaculizar seus experimentos e desejar sucesso naquilo em que os Romanov falharam".

Fonte:

http://www.ozon.ru/context/detail/id/128574/

1. Maloróssia significa em russo "Pequena Rússia", o nome carinhoso que se usava na Rússia para chamar aquelas terras que agora são conhecidas como a Ucrânia. "Pequena Rússia" quer dizer "coração da Rússia, o centro do mundo russo", quando a "Grande Rússia" era só uma periferia da Pequena Rússia. O nome "Ucrânia" foi dado a essas terras pelos polacos: "Ucrânia" quer dizer "margem, zona marginal, periferia" - assim com desdém os polacos chamavam esse território. Os russos mais tarde também usavam esse termo "Ucrânia", mas ele foi usado tanto para a "Rússia Pequena" como para o atual Cazaquistão.

2. Uns 30% dos oficiais que juravam fidelidade a Nicolai II depoís da Revolução Russa passararm para o lado do Exército Vermelho.

3. http://pt.wikipedia.org/wiki/Mikhail_Bakunin

4. Alexandr Mijáilovich teve razão e os acontecimentos esperados por ele ocurreram.

5. Lenin e Trotski gostavam de jogar xadres nesse cafe de Paris, também o cafe foi frecuentado por Paul Verlaine, Maurice Maeterlinck, Oscar Wilde, August Strindberg, Ernest Hemingway, etc.

пятница, 30 мая 2014 г.

neonazistas: legitimados na Ucrânia, marginalizados na Rússia

São poucos os neonazistas na Ucrânia?

Os principais motores ideológicos do último "Maidan" [1] foram os liberais e nacionalistas (em toda sua gama até os neonazistas). A cor "marom" desde o início marcou as protestas populares em Kiev, provocadas pelas elites ocidentais em conluio com os interesses dos EUA.

Naturalmente a crítica das forças pró-Rússia não faz a vista grossa para a reabilitação do nazismo, que vive a Ucrânia durante os últimos 20 anos. O fato que os representantes mais radicais do nacionalismo ucraniano ganharam "só" 10,4% (o terceiro posto) nas eleições presidenciais de 25 de Maio de 2014 não ajuda aos liberais e as elites ocidentais para se limpar [2].

Em primeiro lugar, 12% é um "bom" resultado. Não sabemos se esse resultado é confiavel: não esqueçamos que as eleições não foram legítimas (crimes contra a humanidade, cometidos pela junta de Kiev em Odessa e em cidades do Leste do país, terror contra os jornalistas, manipulações em principais canais da televisão, falsificações em massa, etc.) e em segundo lugar, achamos, que os resultados foram desenhados em Washington: se Washington quisesse a vitória do mesmo diabo, ganharia o Darth Vader! Mas é importante que por agora os nazistas foram abertamente legitimados na Ucrânia. Ao mesmo tempo é verdade que eles ainda não têm seu próprio canal da televisão como o candidato ganhador das "eleições" e por isso tem só o terceiro posto.

Embora que os resultados das "eleições" não sirvam muito para entender estatisticamente o panorama político da Ucrânia, se pode dizer com "certa certeza" que 360 mil ucranianos apoiam abertamente aos neonazistas e outros 1,5 milhões simpatizam aos nacional-populistas. Acaso para um país que se encontra na guerra civil 360 mil nazistas francos é pouco? E acaso são poucos os outros 1,5 milhões que apoiam o candidato que pratica as torturas contra os insurgentes? [3].

Queremos enfatizar que os golpistas de Kiev poderiam evitar os levantamentos pro-Rússia no Sudeste do país de um jeito muito simples: se lhes deixassem o status regional da línuga russa e prometessem certa autonomia. Claro que os golpistas até poderiam enganar aos russos e os pro-Rússa, mas eles não fizeram nada para evitar a guerra civil, ao contrario desde o inicio todos os lideres do golpe usaram a retorica ultra nacionalista e russofóbica. Por isso o elemento nazista do golpe de estado na Ucrânia é tão importante, os nazistas são forças de ataque de Kiev.

Onde estão os neonazistas na Rússia?

Sobchak (afilhada de Putin), Prosvirnin e Belkovski
Nessa situação muitos estão preocupados: se a Ucrânia está tão infectada pelo nazismo e nacionalismo étnico, como está a mãe Rússia?

Na Rússia Konstantin Krylov [4], um dos principais ideólogos do nacionalismo étnico russo, líder do Partido Nacional-Democrático (não registrado), organizador das Marchas Russas sonha com uma revolução laranja de modelo ucraniano:

"O protetorado oficial dos EUA [na Rússia] seria uma significante ascensão do status atual da Erreéfe [5] (que é uma colônia do Ocidente, sem compromissos alguns de parte do Ocidente). Mas eu tenho medo que o protetorado oficial não seja possível agora. Então é mister fazer uma revolução nacional e demandar um status comparável com o dos países do Leste Europeu".

Grosso modo os nacionalistas étnicos russos consideram o grupo governante de Putin como uma junta ilegítima que com ajuda dos clãs criminosos do Cáucaso quer trocar o povo russo pelos migrantes ilegais da Ásia para continuar roubando os recursos naturais da Rússia sem perigo algum da oposição do povo russo. Os nacionalistas étnicos são favoráveis ao golpe de estado na Ucrânia, mas ao mesmo tempo eles também apoiam a reintegração da Crimeia e o levantamento dos russos no Sudeste da Ucrânia.

Outro sonhador da revolução colorida de padrão ucraniano na Rússia é Stanislav Belkovski, um intelectual bastante popular, cuja tarefa é ligar os nacionalistas com os liberais, ele repete todas as teses de Konstantin Krylov:

"Eu acho que o nacionalismo é a única maneira para desestalinizar a Rússia. Por que Stalin é popular? A desestalinização começou em 1956, logo durante a "perestroika" sobre Stalin e seus crimes foi escrito tudo o que foi possível. Por fim foi publicado numa enorme circulação o "Arquipélago Gulag"... Mas hoje há mais torcedores de Stalin do que aqueles que pelo menos leram os fragmentos do "Arquipélago Gulag"! Por que Stalin é tão popular? Porque é impossível desmerecer a ele no marco do paradigma imperial, que domina toda nossa história! Porque Stalin é um dirigente imperial.

Mas é possível demonstrar que Stalin é ruim desde as posições do nacionalismo! Para isso temos que dizer que a Rússia recusa seu próprio paradigma imperial, que o império foi um mecanismo de chupar os sumos do povo russo, mecanismo da liquidação do povo russo, que Stalin eliminou "a crema" do povo russo, nisso ele tem sua culpa histórica.

Com isso o paradigma nacionalista... traz consigo certos custos e é possível que a consciência das elites hoje ainda não esteja pronta para esses custos. Antes de tudo há que revisar os resultados da II Guerra Mundial... Porque com desmerecimento de Stalin se esclarecerá que vitória não foi necessária e que a guerra também não foi necessária. E talvez que seria melhor fazer uma trégua com Hitler? Além disso, a vitória do paradigma nacionalista deve absolver o general Vlasov. Porque se Stalin é ruim, Vlasov é bom. Vamos ter que admitir, que nos territórios ocupados os russos viveram melhor do que sob o poder dos bolcheviques. Isso significa que a vitória não correspondia aos interesses da nação russa. A nação russa deveria estar interessada na derrubada dos bolcheviques que seria possível numa aliança com Hitler.

Se a Rússia um dia se transformar de império num estado nacional, ela será parecida à República Tcheca ou a Estônia".

Não vamos comentar aqui a incoerênica e falsificação de historia, que promovem os intelectuais confundidos (além de isso não todos os nacionalistas russos estão prontos para absolver o traidor e criminoso de guerra general Vlasov). Só qeuremos presentar a lógica de sua confusão. Sua missão é reduzir a Rússia até a República Tcheca ou Estônia sob o protetorado oficial dos EUAReduzir-se ia seu tamanho aos territórios que faziam parte oriental da antiga Rus’ de Kiev (surge a questão se essa Rússia Nacionalista Reduzida até o Principado de Rostov-Suzdal tem que pagar penas por não ter pagado os impostos a Kiev desde o século XII?). 

Dessa forma, toda a obra imperial iniciada pelos príncipes moscovitas nos séculos XIII e XIV e continuada pelos tsares das dinastias Rurikida e Romanov e pelos líderes soviéticos seria jogada no lixo. Isso seria o mesmo que se, por exemplo, a China fazer o mesmo e resolver limitar-se ao controle da região sul do país, concedendo independência ao Tibete, Manchúria, Mongólia Interior e o Xinjiang (chamado de Turquestão Oriental pelos separatistas locais) e voltando a situação em que estava durante o fim da Dinastia Song (960 – 1279).

As novas gerações dos nacionalistas russos têm essas ideias apresentadas anteriormente como coisas óbvias. Egor Prosvirin, redator de um dos sites mais exitosos na internet russa diz: "Eu não vejo nada bom na vitória da URSS na Segunda Guerra Mundial. Eu acho que no caso da derrota a gente obteria a mesma Federação Russa, que temos hoje".

Os nacionalistas e liberais já pactuaram na Rússia durante as manifestações em 2012. Seu líder é Aleksei Navalni [6], um blogger bastante talentoso, preparado nos EUA, que combina em seu programa as teses dos nacionalistas e dos liberais. Ao mesmo tempo é importante que os nacionalistas, nazistas e os liberais mais odiosos por agora estão marginalizados na Rússia e não tem muito apoio. Sua atividade se limita nas fronteiras da cidade de Moscou, desafiada pela migração massiva da Ásia e das regiões do Cáucaso e infectada pelo globalismo e eurocentrismo. Entretanto sua ideologia é uma bomba-relogio que espera seu tempo, porque as elites oligárquicas ainda não estão liquidadas na Rússia e podem ativar essa bomba.

Se os nacionalistas radicais ucranianos estão desenhados para separar a Ucrânia da Rússia e para acompanhar uma agressão do Ocidente contra a Rússia. Os nacionalistas radicais russos foram sintetizados em frascos de Goebbels e Brzezinski para ser os "separadores" do Cáucaso, Sibéria, Extremo Oriente, etc.

1. "Maidan" é o nome da praça principal de Kiev, manifestações na qual servem de cobertura para os golpes do estado na Ucrânia: em 2004 e em 2014

2. Os neonazistas Tiagnibok e Yarosh obtiveram 2% e o nacional-populista Liashko ganhou 8,4%.



5. RF em russo. РФ é uma silga, que quer dizer "Fereração Russa" - os nacionalistas zombam desse título oficial, eles não reconhecem federação nenhuma igual que os nacionalistas ucranianos.



Redacção de Eduardo Consolo dos Santos

воскресенье, 25 мая 2014 г.

Quem são os separatistas na Ucrânia?


frases (protestas "pacificas", democracia, etc.) e ...bases
Agora é moda comparar as repúblicas autoproclamadas pró-russas no Sudeste de "estado falido (failed state)" da Ucrânia com a República Chechena de Ichkeria, autoproclamada pelos fanáticos muçulmanos no Cáucaso Russo [1].

A lógica é seguinte: a Rússia lutava (e continua lutando) contra o separatismo gerado no Cáucaso pela quebra da legitimidade do governo federal nos anos 90. A capital da república autoproclamada de Ichkeria foi apagada da face da Terra com a técnica pesada do exército russo (e reconstruída faz pouco tempo). Então, por que a Ucrânia pese a crise da legitimidade, não pode exercer a operação antiterrorista em seu território? Essa lógica, desenhada dentro do Departamento do Estado dos EUA, se repete pela propaganda de Kiev e por todos os opositores do grupo governante de Putin dentro da Rússia.

Assim os críticos incriminam a Rússia uma moralidade de duplo padrão.

Até um dos principais canais da Rússia pela confusão de seus redatores estúpidos usou um vídeo da operação antiterrorista, exercida pelas tropas russas em Kabardino-Balkária (uma república da Federação Russa situada no sul do país, mais precisamente no norte do Cáucaso) para ilustrar a missão punitiva de Kiev na cidade de Slaviansk. "Não acham isso o cúmulo da hipocrisia"? - dizem os torcedores do golpe de estado na Ucrânia.

Não, não achamos.

Achamos que a Rússia tem um problema bastante grave dos trabalhadores incompetentes em muitas esferas, o jornalismo incluso. Obviamente os erros dos jornalistas são como "fogo amigo" durante as batalhas informativas, esses erros custam muito, mas não achamos parecidos os casos da guerra na Chechênia (e em outras repúplicas muçulmanas infectadas pelos radicais) com a guerra civil na Ucrânia.

1. É verdade que a Ucrânia atualmente vive uma terrível crise da legitimidade, mas essa crise não começou no inverno de 2013, nem durante a Revolução Laranja em 2004, senão em 1991, se falamos do século XX (na realidade essa crise acompanha a história da nação ucraniana a partir do século XVI, mas foi superada nos períodos de estabilidade da Rússia [2]). Uma significante parte do povo ucraniano se identifica com a Rússia. As palavras "o mundo russo" não são um som vazio. Mas de 80% dos cidadãos da Ucrânia afirmavam em 2008 que a língua russa é sua língua materna [3].

um fôlder goebbeliano para a Ucrânia

Então os verdadeiros separatistas são as elites ucranianas que querem separar uma grande parte do povo ucraniano do sistema-mundo da Rússia em termos de Wallerstein (e elas conseguiram lavar os cérebros de muitos jovens. É curioso que muitos neonazistas ucranianos não falam a língua ucraniana, senão a russa, ao mesmo tempo odiando a Rússia).


Aliás, não pode ser assim que todo o mundo na Ucrânia aceite a ucranização forçada, imposta por Kiev durante os últimos 20 anos.

Se os separatistas chechenos realizaram um genocídio físico dos russos na Chechênia e queriam impor a Sharia a todos os chechenos, a nova elite ucraniana acudiu à assimilação forçada linguística dos ucranianos pró-Rússia - ao linguicídio - e quer lhes impor sua própria visão de história.

2. A elite atual da Ucrânia esta inspirada na experiência da parte ocidental da Ucrânia - a Galícia. Mas justo ali na Galícia, igual que na Chechênia, durante a Segunda Guerra Mundial foi notável o colaboracionismo em massa com os nazistas (a ponto de uma divisão local da Waffen SS ter sido criada), justificado pelo separatismo contra URSS!

Agora os sucessores da divisão SS Halychyna e do Legião do Cáucaso do Norte da Wehrmacht continuam lutando pela separação da Rússia, e eles lutam juntos ao pé das letras (as novas gerações de UNA-UNSO [4] participaram na guerra da Chechênia contra a Rússia) [5]. Os lideres dos neonazistas ucranianos abertamente pedem aos terroristas do Caúcaso russo que lhes ajudem contra a Rússia [6].

3. A nova elite de Kiev pratica o terror contra o povo pacífico igual que os terroristas chechenos: a missão punitiva contra a cidade de Odessa é parecida aos atentados terroristas mais cruéis que praticaram os radicais muçulmanos na Rússia [7].

4. A Ucrânia Ocidental, o motor da russofobia separatista ucraniana é muito parecida ao Cáucaso russo: são regiões fronteiriças, atrasadas, agrícolas, com alta tensão demográfica e apadrinhadas tradicionalmente pelas inteligências estrangeiras.

5. A nova elite de Kiev, igual que os vahhabis da Chechênia, guerreiam contra seu próprio povo: os primeiros desumanizaram uma parte dos ucranianos pró-Rússia, dando-lhes as alcunhas humilhantes como os "сolorados" (pela cinta de São Jorge, símbolo da vitória na Segunda Guerra Mundial, que conforme aos neonazistas é parecida ao besouro do Colorado), quando os vahhabis chechenos desumanizam a seus compatriotas, marcando-lhes como os "cafres".


6. O separatismo russofóbico da Ucrânia atual, igual que o separatismo dos terroristas do Cáucaso, não esta orientado só à separação da Rússia (do sistema-mundo da Rússia). Os radicais ucranianos sonham com uma Ucrânia dos Cárpatos até o rio Volga e o norte do Cáucaso (Vale lembrar que os atuais radicais não foram os primeiros a advogar tal ideia. Em seu livro “Die Ukraine” [publicado na Alemanha em 1939], o georgiano pró-nazista Mikhail Tsulukidze advoga uma Ucrânia com tal extensão territorial [8]) e tem reivindicações territoriais para a Rússia. Igual que os separatistas radicais do Cáucaso não guerreiam pela independência da Chechênia ou do Daguestão (são repúblicas étnicas dentro da Federação Russa e tem suficiente independência), senão pelo Emirado do Cáucaso, que também tem reivindicações territoriais para a Rússia, visando à restauração do Califado do Norte da África até o rio Volga.

7. A Ucrânia Ocidental tem seu solo cultural cheio de bombas e além disso tem muitos motivos para manter seus povos estressados: as comunidades dessas regiões já estão fartas da criminalidade desenfreada, coberta pelas inteligências estrangeiras para alimentar as tendências extremistas locais. E são os mesmos crimes - aqueles que castigam as duas regiões - o tráfico de drogas e venda de álcool falso.

Os leitores podem ver que a mesma junta de Kiev é mais parecida por seu gênesis e modo de atuar aos separatistas radicais do Cáucaso Russo

Também é importante dizer que as repúblicas do Cáucaso tem muita autonomia dentro da Rússia e na realidade não tem motivos suficientes para se separar da Rússia, porque a Rússia é uma federação, enquanto a Ucrânia recusa as autonomias culturais para suas regiões do Sudeste.

Achamos que a situação na Ucrânia é mais parecida à agressão da OTAN contra a República Federal da Iugoslávia [9]: os radicais chechenos fazem no Cáucaso Russo o mesmo papel dos kosovares albaneses, passando a faca em todos os russos (igual que os albaneses organizaram uma purga étnica dos sérvios no Kosovo), os radicais ucranianos tem que transformar a Ucrânia numa nova Croácia. O sudeste da Ucrânia nessa situação vira a República Sérvia de Krajina, que ficou ilhada dentro da Croácia neo-ustashista [10]. Os esquemas da radicalização da Ucrânia são idénticas aos esquemas experimentados na Croacia [11].

Fontes de informações: