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понедельник, 4 октября 2021 г.

Sobre a bomba migratória debaixo do edificio que se chama Rússia

Na Rússia cresce o ódio contra os migrantes. Do mesmo jeito, como nas repúblicas ex-soviéticas cresce o ódio contra os russos. Será que isso vai a mando das autoridades?

Por um lado, o governo liberal da Rússia importa a mão de obra por causa da despopulação dos russos (no resultado da Reforma de 1991-2021 a Rússia está no TOP-10 pela mortalidade). Ao mesmo tempo, a Rússia está no 2º lugar na lista dos países que recebem grandes fluxos migratórios, depois dos EUA. Naturalizando os migrantes, o governo russo esconde a mortalidade excessiva dos russos.

Por outro lado os migrantes são os bodes expiatórios perfeitos, porque eles não têm plenos direitos, são quase escravos para as grandes empresas e ao mesmo tempo a concorrência entre os migrantes e os russos muda o foco da irritação do povo para um objeto falso. Em lugar de questionar a economia de mercado como tal e a desindustrialização (a causa), os tolos atacam os migrantes (a consequência).

E o mesmo truque é explorado nas repúblicas ex-soviéticas: os russos, sendo minorias lá, abandonados pelo governo russo, também são bodes expiatórios super cómodos para as elites aborígenes.

A culpa é do migrante, os malditos bárbaros baixam os salários, trazem sua baixa cultura e roubam a gente, dizem os nacionalistas russos.

A culpa é dos russos, os malditos imperialistas russos fizeram tanto estrago para a nossa cultura autóctone e ainda continuam roubando a gente, dizem os nacionalistas cazaques/uzbeques/ucranianos/armênios/bálticos/etc.

E todos concordam, que a maior culpa é de Lenin!

Conforme os dados de Putin, Lenin colocou uma bomba atômica em baixo da Rússia, gerando a superpotência soviética.

Os nacionalistas russos aprovam. O conceito soviético da “amizade dos povos” é nojento para eles. Os “asiáticos” não são nossos amigos, segundo os nacionalistas russos estes sub-humanos compreendem só a força e seus territórios deveriam ser colônias do Império Russo e não repúblicas modernas da URSS, subsidiadas desde Moscou. Os nacionalistas, igual à oligarquia têm nostalgia pelo Império Russo.

Os nacionalistas cazaques/uzbeques/ucranianos/armênios/bálticos/etc. também aprovam a culpa de Lenin. Todos eles têm suas reclamações contra a URSS com base nos fenômenos propagandísticos tipo "olodomor", etc. mesmo que o período soviético fosse o melhor tempo na sua história por qualquer parâmetro.

Todos os presidentes dos países ex-soviéticos repetem em coro as bobagens, que se não houvesse URSS, hoje seus países teriam 3 vezes mais gente, que seria 100 vezes mais rica...

Os nacionalistas não chegam a entender que a situação lamentável em seus países é um produto de seus nacionalismos, do fatalismo da economia de mercado e da desindustrialização. O desemprego, a alta concorrência, ausência de projetos de desenvolvimento do espaço comum causam a necessidade de se refugiar na etnicidade, religião, solidariedade local de torcedores de times e outras bobagens, tão cómodas para as elites.

Quanto aos nacionalistas russos, são um presente para o governo de Putin. Tal oposição nacionalista é complementar para as elites governantes multinacionais. Nos anos 2000 o governo gerou um partido seudo social-nacionalista chamado “Patria” que depois de ter simulado a atividade opositora se integrou no governo (o líder do partido, palhaço que antes puxava Sieg Heil, depois tornou-se o embaixador na OTAN e agora é chefe da Agência Espacial Russa).

A boa notícia é que os russos em geral não caem na provocação nacionalista do governo. Até as últimas eleições parlamentares mostram que os partidos nacionalistas, gerados pelo Kremlin, estão em vias de extinção (tanto o velho Partido Liberal-Democrata, cujo líder V.Zhirinovsky é um cómico patentado, réplica pós-modernista de Mussolini, como os componentes jovens, tipo ex nacional-bolchevique castrado Z.Prilepin). Ao mesmo tempo, este jogo do governo com o nacionalismo pode ser perigoso. Cria corvos e eles te comerão os olhos.

понедельник, 25 ноября 2019 г.

Adeus, torniquete!

autor: Olga Grómova
Ao início dos anos 2000 em Moscou foi introduzido o “sistema automátisado de controle de passageiros”. A ideia foi deixar entrar ao transporte (ônibus, trólebus, bonde) só pela primeira porta, onde inevitavelmente o passageiro deveria passar por um torniquete com validador.

O ingresso dos passageiros agora consumia muito tempo (imagine 10-30 pessoas entrando só por uma porta e assim em cada parada!). E se você não tinha ticket ou queria uma consulta do motorista, você paralisava o ingresso de outros passageiros, que ficavam tão zangados, que lhe queriam matar (é muito sério no inverno, quando por causa de frio você pode ficar doente, passando tempo demais na rua: você quer saber a rota de ônibus, e outros querem ir à casa o mais rápido possível, que conflito!). Os passageiros clandestinos entravam só de jeito humilhante de se inclinar por debaixo de torniquete.

A prefeitura automatizou o trabalho dos controladores - beleza. E também fez os moscovitas perder tempo. Ponhamos que os moscovitas perdiam uns 20 minutos por dia (ida e volta), são 7 hrs por mês (22 dias laborais), são 84 hrs por ano! Desde 2004 até 2018 cada moscovita perdeu 49 dias, entrando no ônibus! E os moscovitas pobres (os ricos usam carros ou táxis) aceitaram este sacrifício…

O absurdo durou até 2018. Quando o novo prefeito de Moscou cancelou o sistema de controle de passageiros automatizado. 

Em parte porque a população de Moscou continua crescendo e é importante subir a movilidad numa cidade superpovoada e muito estressada pelo trânsito. 

Em parte porque o novo prefeito reforçou o controle de passageiros em metrô, cuja rede foi aumentada quase 2 vezes. O estacionamento de carros se tornou pago e seu valor está crescendo cada ano. 

E o pagamento no transporte “terrâneo” (que não seja subterrâneo/metrô) se tornou quase “opcional”, porque de fato não há controladores em ônibus, trólebus, bonde, ônibus elétrico. Você entra por qualquier porta e logo procura um dos 2-3 validadores para pagar com um cartão especial. Pode ser que isso fosse um “presente” aos moscovitas pobres devido à crise (ingressos estagnados e os preços subindo os últimos 5 anos)? 

Na Estônia todo o transporte público é de graça para os residentes, bom exemplo para a Rússia, o maior país do mundo! Sería uma ótima forma de entusiasmar os russos de viajar mais e sobir sua solidaridade.

Mas por agora este jeito de viajar sem pagar em Moscou ainda é ilegitimo. E isso é só para o transporte coletivo que não seja metrô, e o metrô é fundamental. O pobre primeiro tem que usar ônibus (ou bonde, trólebus, ônibus elétrico) para chegar ao metrô - se aqui ele com certo risco pode viajar de clandestino, no metrô ele vai pagar 100%. Usando carro, o moscovita também terá que pagar pelo estacionamento… Provavelmente com esse "marqueting" os moscovitas agora pagam mais que antes...

E que passou com ex prefeito? Ele está aposentado, tem propriedades na Áustria, na Inglaterra, sua mulher milagrosamente é uma das mulheres mais ricas do mundo… E o sistema de “paralisis” automatizado foi só uma de muitas brincadeiras de esse senhor. Irónicamente esse senhor hoje até parece um prefeito ideal para muitos moscovitas, porque o prefeito novo apresenta outra fase da involução.

Ao mesmo tempo a vida em Moscou tem muitas vantagens: salários mais altos que em província, segurança, festas intermináveis, abundância de tudo. E a vida sempre pode piorar, certo? É possível que num futuro nós recordemos das primeiras décadas do século XXI como os “tempos dourados”.

воскресенье, 14 мая 2017 г.

Liev Tolstói sobre Moscou


“Fedor, pedras, luxo, pobreza. Devassidão. Se reuniram os malfeitores, que roubaram o povo, eles recrutaram os soldados, juízes para proteger sua orgia, e banqueteiam. O povo não tem mais nada a fazer se não sacar o roubado, aproveitando-se das paixões dessa gente”.

Leia mais:
http://guiademoscu.com/?p=1077

https://www.facebook.com/events/486879685034526/?active_tab=discussion

суббота, 13 мая 2017 г.

Favelização e Restauração da Monarquia

Dizem que Mao Tsé-Tung quis destruir Xanghai, essa “Cidade do Pecado”, famosa pela desigualdade extrema e eclectica pro-Ocidente (Odd Arne Westard, Restless Empire). A idea de Mao [1.] foi apagar a propria memoria da desigualdade. O líder da Rússia Vladímir Putin hoje quer destruir Moscou soviética, mas seu alvo é apagar a memoria da igualdade e da classe media, que na época da URSS foi uma realidade e hoje desaparece.


Depois da queda da União Soviética (que foi a segunda potência mundial) a Rússia virou um país periférico e sofre das mesmas tendências de degradação que são próprias para todo o terceiro mundo. Graças à desindustrialização, muita gente se concentra nas cidades grandes. Moscou, a capital do maior país do mundo, hoje talvez seja também a maior cidade na Terra. Na Rússia desaparecem as cidades de 100-300 mil habitantes e a povoação de Moscou cresce por 300 mil habitantes ao ano.


Moscou obviamente está superpovoada e cada vez menos acessível para os russos. Como um câncer, Moscou está destruindo o país. Por isso muitos russos odeiam Moscou e ao mesmo tempo eles não tem outra saída como se mudar para lá, porque a civilização russa vai diminuindo de tamanho até uma super cidade república - Moscou. A vida na província é pobre e menos livre, porque lá não há muito emprego e as pessoas dependem de poucas fontes de dinheiro e por isso não podem protestar e reclamar. As pessoas viram uma espécie de “camponeses de gleba” (dependendo dos “barões locais”, que controlam pouco emprego que pode dar a província).


Quando Moscou tem muito emprego, tem luxo, tem perspectiva (teoricamente) e por isso tem mais liberdade. É muito importante compreender que com a queda da União Soviética a democracia na Rússia se acabou mediante a desindustrialização: a grosso modo, não há emprego - não há liberdade - não há democracia. Além disso, em 1993 o presidente mais querido pelo Occidente, Boris Yéltsin bombardeou o parlamento da Rússia (assim foi destruído o último “rudimento” da URSS e surgiu uma ditadura colonial). A única válvula de escape para os russos hoje é Moscou (ou poucas outras cidades grandes que têm no país). Mas “Moscou não é de borracha”, ou seja, não tem lugar para todo o mundo.


A classe média mora nos bairros periféricos muito distantes ou nas cidades satélites, quando o centro é só para os ricos e para os turistas, a classe média no centro está em extinção . O estacionamento dentro do Terceiro Anel de Transporte de Moscou desde há uns anos é pago e cada ano é mais caro. Se debate a questão da autorização paga para entrar na cidade (de carro).


Ao mesmo tempo a classe média do centro de Moscou não desapareceu por completo. Na cidade ainda há bastante prédios da época soviética. Não são palácios do século XIX, não são arranha-céus de Norman Foster, não são fábricas paradas e gentrificadas tipo loft e também não são famosos prédios estalinistas, considerados a melhor vivenda de Moscou e por isso invadidos pelos novos milionários. São prédios dos anos 50-60-70. Em comparação com a época de Gorbachov/Yéltsin/Putin são uma verdadeira obra de arte. Já explicamos que na época soviética havia mais democracia, todo o mundo era da classe média, então não havia estratificação própria para as Monarquias (quando só 2% são nobres e os demais são escravos) ou Dictaduras do Terceiro Mundo. E na época soviética as cidades eram para todos, Moscou não foi uma excessão: no centro viviam operários, engenheiros, médicos, professores e outra “gentalha”… Claro que segundo os ricos de hoje “não é justo que a gente da classe média more na cidade e não em seus quintos infernos”.


O presidente do país e o prefeito de Moscou há pouco ofereceram “renovar as áreas de Moscou”, ou seja, destruir todos os prédios dos anos 50-60 de 5 andares e também alguns prédios dos anos 70 de 9 e mais andares (embora sejam prédios de tijolo de qualidade superior a qualquer prédio novo). Os 1,6 milhão de pessoas vão ser transferidos para os prédios novos na periferia. Antes ninguém pensava na probabilidade de tal “renovação”, os prédios dos anos 50-60 são ótimos, os bancos emprestavam as hipotecas para que as pessoas pudessem comprar os apartamentos nesses prédios, estes prédios (até 5 andares) nem sempre têm elevador, mas a qualidade é ótima (ou seja - soviética, não são de cimento de contrafação como os prédios de hoje, construídos pelas construtoras criminosas e operários migrantes semi escravos sem nenhuma experiência). Além disso como os apartamentos nesses predios não são grandes, eles foram bastante accessíveis para a classe media e justo lá as pessoas compravam muito, porque os apartamentos dos prédios novos, feios e mau localizados são caros demais.


Então segundo a idea da “renovação” os proprietários de apartamentos nos prédios soviéticos destruídos vão ser transferidos ("deportados") para os prédios novos da periferia no mesmo bairro. A única exceção é o centro de Moscou: as pessoas que moram nos bairros centrais vão ser transferidas de seus bairros centrais para as periferias do distrito central (ou seja éstes vão perder tudo).


É importante compreender que aproximadamente 35% da povoação que mora nos prédios destinados a destruição são pessoas que há mais de 15-30 anos estão na fila para melhorar sua moradia (famílias disfuncionais, que não têm espaço suficiente e não têm dinheiro para comprá-lo, veteranos de guerras, heróis de trabalho, etc.), claro que essa gente está feliz com a possibilidade de melhorar as condições de sua vida - o governo promete para eles dar mais espaço segundo as leis que antes não se cumpriam (18 metros quadrados por pessoa). Ou seja o governo só promete cumprir as leis que não se cumrpiam! Que vergonha...


A prensa liberal também apoia a ideia da favelização de Moscou, porque as companhias construtoras têm muito interesse para conquistar o centro e os bairros confortáveis desenvolvidos na época soviética (têm parques, infraestrutura, tudo) e construir lá os prédios para os ricos em lugar dos bairros purgados da classe media. Obviamente só para alimentar as elites no tempo da crise foi planejada toda essa história...


Para o presidente da Rússia e o prefeito de Moscou a ideia da desoviétização de Moscou também é uma ideia chave para o ano de sua enésima reeleição: para muita gente pobre pode parecer bom receber um apartamento novo, como lhes está prometido - com o mesmo preço do mercado ou talvez um pouco superior (depende do humor dos especuladores).


Resumindo um 35% dos deslocados estão felizes, que o governo se importou com eles, que há muitos anos estão perdidos em suas filas… Alguns marginais estão felizes que vão receber um apartamento na periferia, mas um pouco mais caro que seu apartamento anterior e mais central. Claro que a gente da classe média está desesperada, mas é pouco provável que alguém na Rússia tenha simpatia para eles: todos odeiam aos moscovitas.


É interessante que o grupo governante se apoie sobre a oligarquia (os ricos que querem privatizar o centro só para eles) e a plebe (pessoas disfuncionais que não podem melhorar as condições de sua vida na cidade, mas são simples para suborná-lhes. A classe média desaparece, o que é normal para uma economia terceiro-mundista. Nesse sentido, as conversas sobre a restauração da monarquia na Rússia já não são tão ridículas… Nos anos 90 foi instalado um culto à Rússia dos Romanov que tínhamos perdido, então essa Rússia está voltando: com czar, nobreza, igreja, favelas, escravidão e fome.

A ideia de destruir as vidas de 1,6 milhão de pessoas não foi confirmada por nenhum referendum, nem pelo consultorio com os expertos. A decisão catastrófica foi tomada só pelo prefeito de Moscou e pelo presidente da Rússia. Destruição de Moscou soviética vai ser uma destruição de Moscou: para ganhar seu dinheiro as construtoras em lugar dos ótimos predios de 5 andares vão construir os predios feios e precarios de 10-15 andares, isso significa mais tránsito, mais poulição, mais sobrepovoação de Moscou, mais operarios inmigrantes, mais arquitetura feia (sem falar das favelas nas periferias)… Ou seja Moscou pode se tornar uma típica capital de um típico país do terceiro mundo.

______________________

1. de fato a idea foi de camarada Gao Gang.

среда, 24 февраля 2016 г.

Moscou de 1961, visto com os olhos de espião

Pese a comentarios sarcásticos dos jornalistas dos EUA, podemos ver que os moscovitas de 1961 são muito abertos, tolerantes, despreocupados por seu "privace". Prontos de ajudar, compartilhar, entender.

O ano 1961. Um ano antes da Crise Caribenha. Os mísses nucleares dos EUA já estão na Turquia, visando Moscou. 

Desde 1945 já são desenhados muitos planes da eliminação física da gente soviética: “Totality”, “Pincher”, “Dropshot”, “Broiler/Frolic”, “Charioteer”, “Halfmoon/ Fleetwood”, “Trojan”, “Off-tackle”.

пятница, 29 января 2016 г.

sobre os gêmeos: Catedral de Cristo Salvador e Moscow-City

Escrevemos muitas vezes sobre a síntese putiniana no campo cultural da Rússia: 

Dois símbolos dos anos 90 - a Catedral de Cristo Salvador e o Moscow-City (o bairro dos arranha-céus no centro da capital) nos ajudam a entender a natureza desta síntese:


A Catedral de Cristo Salvador, restaurada pelos operários turcos, reflete a tendência da arcaização:

- continuam sendo impostas as religiões e o culto dos Romanov
- voltam a moda os nomes para crianças do tempo do ronca
- desestatização provocou o interesse pela genealogia familiar, etc.

Em lugar das ideias do progresso e socialização são impostas as ideias da arcaização e atomização.

E por outro lado vemos o Moscow-City: um grupo dos arranha-céus, desenhados pelos arquitetos ocidentais da moda para as novas elites da Rússia, integradas já à casta superior dos gerentes do capitalismo global.


Há dois mundos dentro da Rússia: o mundo de Cristo Salvador (tradicionalismo) e o mundo de Moscow-City (globalismo neoliberal).

A gente do mundo da Catedral de Cristo Salvador mora em bairros feios e periféricos, perde tempo no trânsito, consume muito álcool barato, fuma nos espaços públicos e sua cultura é um "second-hand" estadunidense.

A gente do mundo de Moscow-City mora nas urbanizações de luxo na província de Moscou: "Greenfield", "Sherwood", "Riverside", "Richmond", "Pineville", "Primevill", "Forest Lake", "Forest Ville", "Ever Green", "Cotton Way" - são os nomes destas urbanizações. Até os tradicionais nomes russos se apresentam do jeito anglo-saxão: Zhukovka Hills, Veshki City, Dmitrovka Village, etc. Esta gente come nos restaurantes mais caros, seu lazer está decorado pelos shows das estrelas mais solicitadas do mundo, etc. Seus aviões privados sempre estão dispostos a levá-los a Londres ou Nova Iorque.

Tal esquizofrenia foi característica também para o período dos Romanov: a religião e os contos de fadas para a plebe e o Hermitage, coleção da arte ocidental - para a nobreza.

A novidade dos últimos anos é retorno do culto da URSS. Não como um projeto do comunismo russo, não, mas como um culto duma grande potência. 

Isso é para animar a plebe nos tempos de caída do nível de consumo. Isso é o último recurso do grupo governante. Será isso "o último refúgio dos canalhas"?

пятница, 5 июня 2015 г.

Por que em Moscou é tão importante morar a 15 minutos do metrô?

Os preços dos alugueis em Moscou variam de acordo com o tempo que os inquilinos demoram em andar da casa até o metrô. A questão é que depois do alerta do serviço de Defesa Civil os moscovitas têm somente 15 minutos para se refugiarem no metrô. O metrô de Moscou está protegido contra bombardeios atômicos, claro. 

A partir do pós-guerra, os túneis, as próprias estações e os dutos de ventilação foram construídos providos de portas herméticas. Todos os funcionários do metrô são instruídos a como atuar no caso de um possível bombardeio (muitos se perguntam para que há tantas mulheres idosas vigiando as escadas rolantes - justamente para ajudá-los a sobreviver no inverno atômico!). O metrô mais bonito do mundo é também imune às armas químicas e biológicas. Os saguões subterrâneos (lacrados, no caso de uma agressão) têm reservas de combustível, água, comida enlatada, etc. para 2 dias.

Este fato inspirou o jovem escritor russo Dmitry Glukhovsky a criar o mundo anti-utópico de "Metrô 2033", um mundo pós guerra atômica, onde a humanidade salva-se nos sistemas subterrâneos do metrô. As diferentes linhas guerreiam uma contra as outras pelo controle sobre os combustíveis. O negocio principal é o cultivo de cogumelos e porcos adaptados à escuridão. É um mundo de mutantes e ratos, iluminados com holofotes, onde o dinheiro são balas de Kalashnikov, e as pessoas andam com blusões acolchoados.


A novela do gênero diesel-punk não está livre dos estereótipos russofóbicos e anti-soviéticos, ainda mais multiplicados pelo mito do metrô mais lindo do mundo, estes estereótipos fizeram a obra bastante popular. Foi traduzida para o português.

«”Hansa” era o nome com se popularizara a Comunidade das Estações da Linha do Círculo. Estas estações estavam localizadas nos cruzamentos de todas as outras linhas e, por isso, no meio de todas as rotas comerciais». 

«...a linha <vermelha> atraiu as pessoas nostálgicas do glorioso passado soviético... Os veteranos ainda vivos, os antigos homens saídos do Komsomol, a Juventude Comunista, os dirigientes e militantes do Partido Comunista e os membros permanentes do proletariado reuniram-se todos nas estações revolucionárias... As estações repescaram os seus velhos nomes da era soviética...». 

Quando os neonazistas tomaram a estação Pushkinskaya, onde formaram “O Quarto Reich”: «...até lhe querem mudar o nome para Hitlerakaya ou Shchillerskaya... O Metro é para os rússos! Pretos para a superfície! Cada homem é um soldado e cada mulher é mãe de um soldado!». 

«...a estação da Universidade <aislada pelo rio Moskva> não teria sido destruída... E alguns dos professores, tal como alguns estudantes, conseguiram salvar-se nessa estação. Havia uma espécie de abrigo nuclear sob a própria universidade, mandado construir por Estaline, e eu acho que também havia ligações ao Metro através de túneis secretos. Mas agora existe lá outro tipo de centro intelectual... Quem esta no poder são pessoas cultas e é um reitor que governa as três estações... Os estudos, aí, não pararam... E a cultura não morreu...».

câmara de protecção de bebé


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воскресенье, 31 мая 2015 г.

Consultorio Robotizado

Meus caros amigos, ultimamente eu recebo muitas cartas, e para responder gasto cada vez mais tempo.
Lamentavelmente há gente que acha que somos um “consultório robotizado”, não está certo) Sou uma pessoa real e minhas respostas consomem meu tempo, que eu poderia dedicar a minha família.
Mas como as perguntas são bastante parecidas, eu achei que “robotizar” as respostas seria uma boa ideia)
Por favor, entendam- que guiar aos estrangeiros por Moscou é meu trabalho. Se vocês simplesmente quiserem falar sobre as opções de uma teórica viagem à Rússia, vocês podem se registrar na página de Tripadvisor e aproveitar essa ferramenta de intercambio das experiências de viagens.
Ser guiado é um privilégio, portanto os serviços de guia custam dinheiro. Se sua tarefa é economizar, antecipadamente lhes dou as seguintes dicas:
1) O city tour gratuito é assim chamado “Free Tour”, em cada hotel vocês verão as ofertas deste programa. A ideia de “Free Tour” é juntar muita gente, guiá-la umas 2 horas andando pelo centro da cidade e logo oferecer outros programas mais interessantes, desta vez pelo dinheiro. O “Free Tour” não é “free”, é uma forma de vender outros tours. Claro, o conteúdo do “Free Tour” é bastante chato e limitado. Não acho que valha a pena gastar tanto dinheiro em avião para fazer um Free Tour medíocre. O nosso city tour é de 4 horas, em carro, muito mais informativo e interessante.
2) Para até 3 pessoas pode ser bastante interessante a opção de “Hop On Hop Off”. Para 3 pessoas o custo de “Hop On Hop Off” já é quase igual a um city tour de carro real. Para 4 pessoas o “Hop On Hop Off” não faz sentido, porque um city tour de carro real é mais econômico. Um city tour de carro real cobre mais artefactos históricos, é mais exclusivo e mais interessante, enquanto que o “Hop On Hop Off” é somente um jeito de conhecer o centro da cidade. Às vezes eu recomendo a meus turistas (que queiram economizar) conhecer o centro com ajuda do «Hop On Hop Off» e logo lhes mostro as periferias da cidade por carro (Parques de Moscou, 4 horas).
3) “Onde consigo o ticket pra o ballet bolshoi?” Se não puder comprar pela página do Teatro Bolshoi, então, só medio dos revendedores, que andam pela Praça Vermelha e também sempre estão ao lado das caixas do Teatro.
Obrigado,
Vitaly

воскресенье, 5 апреля 2015 г.

Domingo de Chorões

em iconos russos você não vê as palmeiras, senão os chorões
O Domingo de Ramos no Brasil é distribuição de folhas de palmeiras, mas na Rússia não tem palmeiras, então aqui recorremos aos salgueiros (chorões) e na Rússia o Domingo de Ramos é conhecido como o “Domingo de Salgueiros”. Salgueiro é um símbolo da primavera e renascimento na Rússia.

Claro que nos russos gostamos de palmeiras também, não estamos satisfeitos com os chorões! Mas as palmeiras não gostam de nosso clima!

Se a montanha não vai a Maomé, Maomé vai à montanha. Já os czares russos estavam interessados na possibilidade de controlar o clima na Terra Russa. Daí vem o interesse da nobreza russa por estufas agrícolas que estavam muito na moda nos séculos XVIII-XIX.

uma palmiera ao lado do Mausoléu de Lenin
A grande URSS só materializava os sonhos mais fantásticos dos czares: a ideia de redirecionamento dos rios siberianos para animar nossa Ásia é um dos exemplos. Agroclimatologia virou um assunto muito atual no contexto da vanguarda russa. Se o grande Tsialkovski, pai de cosmonáutica mundial, vivendo numa casa de madeira entre a guerra civil russa, passando fome, já sonhava com os vôos ao espaço, o controle do clima também era considerado pelos sonhadores contemporâneos uma tarefa simples.

Ao lado de Mausoléu de Lenin nos primeiros anos sempre havia uma palmeira. A cidade VDNKh, que deveria apresentar o modelo da utopia soviética, tinha as palmeiras plantadas diante dos pavilhões do Sul. Todas estas palmeiras de Moscou tinham um sistema de aquecimento subterrâneo, vocês podem imaginar isso? Os arquitetos russos nos anos 20-30 costumavam pôr as palmeiras em seus projetos para Moscou, como se a mudança do clima já fosse uma questão resolvida! Que audácia!

uma palmeira diante do Teatro Bolshoi
Mas todas estas idéias vanguardistas ficaram congeladas... Tudo o que resta daquela ambição por palmeira são os chorões, salgueiros-chorões.


palmeiras na cidade de VDNKh

Redação de Lang-8

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суббота, 4 апреля 2015 г.

Moscou: o destino mais econômico e mais seguro em 2015

Moscou é uma das cidades mais seguras para o turismo na Europa. Pelo menos nossa capital não costuma aparecer nas listas das cidades-berços de trombadinhas. Os clientes do "Guia de Moscou – Private Tours” quase sempre admiram a segurança de Moscou, quando fazemos os city-tours de noite: andamos tranquilos pelos parques periféricos e vemos por todas partes os casais de namorados - ninguém mostra nenhuma preocupação com a segurança, uma coisa impossível para a maior parte dos países de LA e para muitos países de Europa.

Vamos dar uns exemplos pessoais: em 2006 perdemos nossa câmera de fotos Contax g2. Esta câmera analógica de $1000 era nosso único capital - então no dia seguinte (depois da festa), quando descobrimos que perdemos ficamos muito tristes. Fomos para a suposta área da perca e posteamos uns 5 anúncios – os donos de cães que passeiam pela manhã eram nossa única esperança. Em umas 4 horas a pessoa que encontrou a câmera nos ligou e neste mesmo dia tivemos nossa câmera recuperada.

Outro exemplo ainda mais "terrível". Nossa família não tinha carro, então não havia «culto ao carro» e quando compramos o primeiro carro em 2010 sempre esquecíamos fechar os vidros, geralmente os vidros ficavam quase fechados, então não havia problemas, mas uma vez quando chovia muito e nosso pára-brisa ficou embaçado, abaixamos  todos os vidros e depois de chegar para nosso predio, estacionamos o carro entre outros 2 e saímos correndo. Passaram uns 3 dias, que não usávamos o carro. Então um dia voltamos para casa andando e vimos nosso carro totalmente aberto! Foram embora os outros 2 carros, que nos cobriam antes, e nosso carro ficou sozinho e 100% desprotegido com todos os vidrios abaixados! Caramba! Pois não nos roubaram nada: nem pen-drive que estava dentro! Então, é verdade que Moscou graças ao nível muito alto de vida é uma das cidades mais seguras do mundo.

Ao mesmo tempo nossa capital é bastante vulnerável para o terrorismo (igual a qualquer capital européia). Estamos relativamente perto das zonas de instabilidade criadas pelos EUA, conforme a sua ideia de caos controlados: Kosovo, Ucrânia, Geórgia, Afeganistão, etc. O Global Terrorism Index em 2014 colocou a Rússia em posto № 11 (entre 124 países). Não tenham medo, meus amigos, estas estatísticas são bastante questionáveis. Atenção: elas não tem a ver com a Ucrânia: em 2011 (antes da guerra civil na Ucrânia) a Rússia já tinha o posto № 10. As causas destas alertas antiterroristas são os enfrentamentos no Cáucaso, onde passa uma das rotas de tráfico de heroína, produzida pelos EUA no Afeganistão. Obviamente este tráfico alimenta aos terroristas e saboteadores no Cáucaso. No Cáucaso, meus amigos, não em Moscou. O Cáucaso fica 2000 quilômetros da capital russa. Também é um dos destinos mais interessantes do mundo, mas agora estamos falando de Moscou.

Resumindo, queremos repetir que embora a Terceira Roma seja muito segura para o turismo, isso não significa que você tem que relaxar-se completamente. O turismo está crescendo na capital russa e não estou dizendo que aqui não haja ladrões, tem sim, embora muito menos que em São Petersburgo ou em outras cidades europeias.

Também é interessante que sendo uma das cidades mais seguras, Moscou é uma das cidades mais econômicas de Europa: os serviços de Moscou são mais econômicos do que os de Lisboa, Madrid e Barcelona: entre as 55 cidades europeias temos o posto № 20 conforme à agência estadunidense PriceoftravelQuando os tours completos para Moscou em 2015 foram considerados os mais econômicos entre todos os destinos európios (falamos não só sobre os serviços da cidade, senão também do custo de avião)*. Esperamos que a devaluação do rublo abra ainda mais nosso belo Moscou ao mundo. Bem-vindo a Moscou!

*Os aeroportos de Moscou são os mais econômicos, para voar de Nova York, Atlanta e Toronto sem falar da Europa, onde aeroportos iguais aos nossos não tem (pela barateria).