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суббота, 13 мая 2017 г.

Favelização e Restauração da Monarquia

Dizem que Mao Tsé-Tung quis destruir Xanghai, essa “Cidade do Pecado”, famosa pela desigualdade extrema e eclectica pro-Ocidente (Odd Arne Westard, Restless Empire). A idea de Mao [1.] foi apagar a propria memoria da desigualdade. O líder da Rússia Vladímir Putin hoje quer destruir Moscou soviética, mas seu alvo é apagar a memoria da igualdade e da classe media, que na época da URSS foi uma realidade e hoje desaparece.


Depois da queda da União Soviética (que foi a segunda potência mundial) a Rússia virou um país periférico e sofre das mesmas tendências de degradação que são próprias para todo o terceiro mundo. Graças à desindustrialização, muita gente se concentra nas cidades grandes. Moscou, a capital do maior país do mundo, hoje talvez seja também a maior cidade na Terra. Na Rússia desaparecem as cidades de 100-300 mil habitantes e a povoação de Moscou cresce por 300 mil habitantes ao ano.


Moscou obviamente está superpovoada e cada vez menos acessível para os russos. Como um câncer, Moscou está destruindo o país. Por isso muitos russos odeiam Moscou e ao mesmo tempo eles não tem outra saída como se mudar para lá, porque a civilização russa vai diminuindo de tamanho até uma super cidade república - Moscou. A vida na província é pobre e menos livre, porque lá não há muito emprego e as pessoas dependem de poucas fontes de dinheiro e por isso não podem protestar e reclamar. As pessoas viram uma espécie de “camponeses de gleba” (dependendo dos “barões locais”, que controlam pouco emprego que pode dar a província).


Quando Moscou tem muito emprego, tem luxo, tem perspectiva (teoricamente) e por isso tem mais liberdade. É muito importante compreender que com a queda da União Soviética a democracia na Rússia se acabou mediante a desindustrialização: a grosso modo, não há emprego - não há liberdade - não há democracia. Além disso, em 1993 o presidente mais querido pelo Occidente, Boris Yéltsin bombardeou o parlamento da Rússia (assim foi destruído o último “rudimento” da URSS e surgiu uma ditadura colonial). A única válvula de escape para os russos hoje é Moscou (ou poucas outras cidades grandes que têm no país). Mas “Moscou não é de borracha”, ou seja, não tem lugar para todo o mundo.


A classe média mora nos bairros periféricos muito distantes ou nas cidades satélites, quando o centro é só para os ricos e para os turistas, a classe média no centro está em extinção . O estacionamento dentro do Terceiro Anel de Transporte de Moscou desde há uns anos é pago e cada ano é mais caro. Se debate a questão da autorização paga para entrar na cidade (de carro).


Ao mesmo tempo a classe média do centro de Moscou não desapareceu por completo. Na cidade ainda há bastante prédios da época soviética. Não são palácios do século XIX, não são arranha-céus de Norman Foster, não são fábricas paradas e gentrificadas tipo loft e também não são famosos prédios estalinistas, considerados a melhor vivenda de Moscou e por isso invadidos pelos novos milionários. São prédios dos anos 50-60-70. Em comparação com a época de Gorbachov/Yéltsin/Putin são uma verdadeira obra de arte. Já explicamos que na época soviética havia mais democracia, todo o mundo era da classe média, então não havia estratificação própria para as Monarquias (quando só 2% são nobres e os demais são escravos) ou Dictaduras do Terceiro Mundo. E na época soviética as cidades eram para todos, Moscou não foi uma excessão: no centro viviam operários, engenheiros, médicos, professores e outra “gentalha”… Claro que segundo os ricos de hoje “não é justo que a gente da classe média more na cidade e não em seus quintos infernos”.


O presidente do país e o prefeito de Moscou há pouco ofereceram “renovar as áreas de Moscou”, ou seja, destruir todos os prédios dos anos 50-60 de 5 andares e também alguns prédios dos anos 70 de 9 e mais andares (embora sejam prédios de tijolo de qualidade superior a qualquer prédio novo). Os 1,6 milhão de pessoas vão ser transferidos para os prédios novos na periferia. Antes ninguém pensava na probabilidade de tal “renovação”, os prédios dos anos 50-60 são ótimos, os bancos emprestavam as hipotecas para que as pessoas pudessem comprar os apartamentos nesses prédios, estes prédios (até 5 andares) nem sempre têm elevador, mas a qualidade é ótima (ou seja - soviética, não são de cimento de contrafação como os prédios de hoje, construídos pelas construtoras criminosas e operários migrantes semi escravos sem nenhuma experiência). Além disso como os apartamentos nesses predios não são grandes, eles foram bastante accessíveis para a classe media e justo lá as pessoas compravam muito, porque os apartamentos dos prédios novos, feios e mau localizados são caros demais.


Então segundo a idea da “renovação” os proprietários de apartamentos nos prédios soviéticos destruídos vão ser transferidos ("deportados") para os prédios novos da periferia no mesmo bairro. A única exceção é o centro de Moscou: as pessoas que moram nos bairros centrais vão ser transferidas de seus bairros centrais para as periferias do distrito central (ou seja éstes vão perder tudo).


É importante compreender que aproximadamente 35% da povoação que mora nos prédios destinados a destruição são pessoas que há mais de 15-30 anos estão na fila para melhorar sua moradia (famílias disfuncionais, que não têm espaço suficiente e não têm dinheiro para comprá-lo, veteranos de guerras, heróis de trabalho, etc.), claro que essa gente está feliz com a possibilidade de melhorar as condições de sua vida - o governo promete para eles dar mais espaço segundo as leis que antes não se cumpriam (18 metros quadrados por pessoa). Ou seja o governo só promete cumprir as leis que não se cumrpiam! Que vergonha...


A prensa liberal também apoia a ideia da favelização de Moscou, porque as companhias construtoras têm muito interesse para conquistar o centro e os bairros confortáveis desenvolvidos na época soviética (têm parques, infraestrutura, tudo) e construir lá os prédios para os ricos em lugar dos bairros purgados da classe media. Obviamente só para alimentar as elites no tempo da crise foi planejada toda essa história...


Para o presidente da Rússia e o prefeito de Moscou a ideia da desoviétização de Moscou também é uma ideia chave para o ano de sua enésima reeleição: para muita gente pobre pode parecer bom receber um apartamento novo, como lhes está prometido - com o mesmo preço do mercado ou talvez um pouco superior (depende do humor dos especuladores).


Resumindo um 35% dos deslocados estão felizes, que o governo se importou com eles, que há muitos anos estão perdidos em suas filas… Alguns marginais estão felizes que vão receber um apartamento na periferia, mas um pouco mais caro que seu apartamento anterior e mais central. Claro que a gente da classe média está desesperada, mas é pouco provável que alguém na Rússia tenha simpatia para eles: todos odeiam aos moscovitas.


É interessante que o grupo governante se apoie sobre a oligarquia (os ricos que querem privatizar o centro só para eles) e a plebe (pessoas disfuncionais que não podem melhorar as condições de sua vida na cidade, mas são simples para suborná-lhes. A classe média desaparece, o que é normal para uma economia terceiro-mundista. Nesse sentido, as conversas sobre a restauração da monarquia na Rússia já não são tão ridículas… Nos anos 90 foi instalado um culto à Rússia dos Romanov que tínhamos perdido, então essa Rússia está voltando: com czar, nobreza, igreja, favelas, escravidão e fome.

A ideia de destruir as vidas de 1,6 milhão de pessoas não foi confirmada por nenhum referendum, nem pelo consultorio com os expertos. A decisão catastrófica foi tomada só pelo prefeito de Moscou e pelo presidente da Rússia. Destruição de Moscou soviética vai ser uma destruição de Moscou: para ganhar seu dinheiro as construtoras em lugar dos ótimos predios de 5 andares vão construir os predios feios e precarios de 10-15 andares, isso significa mais tránsito, mais poulição, mais sobrepovoação de Moscou, mais operarios inmigrantes, mais arquitetura feia (sem falar das favelas nas periferias)… Ou seja Moscou pode se tornar uma típica capital de um típico país do terceiro mundo.

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1. de fato a idea foi de camarada Gao Gang.

вторник, 4 октября 2016 г.

Ecléctica do putinismo na religião

Já escrevemos antes sobre a tendência eclética do Putinismo: "romanovisação" do período soviético. Os marginais saem para a manifestação do dia da Vitória na 2GM com os ícones de Nikolai II (como fez a heroína da Primaveira Russa na Crimeia, Natalia Poklonskaya, em 2016).Parecem loucos, e afirmam que Stalin poderia ser um filho do general Przhevalski, e que Stalin era um agente da Polícia Segreda dos czares, infiltrado no movimento revolucionário para restaurar o império depois da revolução (a ideia popular entre os euroasianos), etc. O escritor Alexandr Projánov ofereceu a ideologia do "V Império" para explicar a sucessão temporal da Rússia atual, herdeira das formas anteriores do estranho imperialismo russo: URSS, Império de São Petersburgo, Czarato de Moscou, Horda de Ouro... 

O patriarca da Igreja Ortodoxa Russa Kiril, em 2013, fez um intento de cristianizar o período soviético: ele pediu aos jovens para tomarem de exemplo os mártires da Grande Guerra Zoia Kosmodemianskay e Alexandr Matrosov - "aqueles quem sem pensar sacrificaram suas vidas para a Pátria".

É curioso que nas regiões budistas russas também haja tendências de integrar a memória soviética no contexto budista. 

Ao lado do povoado Juljuta (República da Kalmykia, sul da Rússia) durante a Batalha de Stalingrado, a paramédica Natalia Kachuévskaia quis salvar os soldados feridos, protegendo dos nazistas a entrada de refugio, até o último momento. Quando ela já não tinha balas, ativou uma granada e assim se suicidou, assassinando também a vários nazistas.

Hoje "resulta" que essa façanha aconteceu no lugar, onde antes dos anos 1930 se encontrava um jurul (templo budista) e uma estupa, ergida em cima do túmulo de um famoso Andzha-lama da Kalmykia. O refúgio dos feridos foi feito pelos budistas locais para seu culto em honra de Andzha-lama! Porque o templo e estupa originais tinham sido destruídos durante o radicalismo da guerra civil russa. Os habitantes do local hoje creem que foi Andzha-lama que ajudou os soldados russos feridos a evitar a morte. Como Natasha Kashuévskaia fez uma façanha de bodhisattva, agora ela recebeu uma boa reencarnação!

Além disso o monumento de Lenin em Elista (capital da Kalmykia) foi girado em 180 graus e agora o líder da Revolução Rússa esta olhando para a estatua de Budda Shakiamuni, que foi instalada perto. Obviamente os kalmykies estão "budisando" o período soviético.

P.S.

Os filósofos do Islã russo também oferecem sua revisão de nossa história: