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понедельник, 25 ноября 2019 г.

Adeus, torniquete!

autor: Olga Grómova
Ao início dos anos 2000 em Moscou foi introduzido o “sistema automátisado de controle de passageiros”. A ideia foi deixar entrar ao transporte (ônibus, trólebus, bonde) só pela primeira porta, onde inevitavelmente o passageiro deveria passar por um torniquete com validador.

O ingresso dos passageiros agora consumia muito tempo (imagine 10-30 pessoas entrando só por uma porta e assim em cada parada!). E se você não tinha ticket ou queria uma consulta do motorista, você paralisava o ingresso de outros passageiros, que ficavam tão zangados, que lhe queriam matar (é muito sério no inverno, quando por causa de frio você pode ficar doente, passando tempo demais na rua: você quer saber a rota de ônibus, e outros querem ir à casa o mais rápido possível, que conflito!). Os passageiros clandestinos entravam só de jeito humilhante de se inclinar por debaixo de torniquete.

A prefeitura automatizou o trabalho dos controladores - beleza. E também fez os moscovitas perder tempo. Ponhamos que os moscovitas perdiam uns 20 minutos por dia (ida e volta), são 7 hrs por mês (22 dias laborais), são 84 hrs por ano! Desde 2004 até 2018 cada moscovita perdeu 49 dias, entrando no ônibus! E os moscovitas pobres (os ricos usam carros ou táxis) aceitaram este sacrifício…

O absurdo durou até 2018. Quando o novo prefeito de Moscou cancelou o sistema de controle de passageiros automatizado. 

Em parte porque a população de Moscou continua crescendo e é importante subir a movilidad numa cidade superpovoada e muito estressada pelo trânsito. 

Em parte porque o novo prefeito reforçou o controle de passageiros em metrô, cuja rede foi aumentada quase 2 vezes. O estacionamento de carros se tornou pago e seu valor está crescendo cada ano. 

E o pagamento no transporte “terrâneo” (que não seja subterrâneo/metrô) se tornou quase “opcional”, porque de fato não há controladores em ônibus, trólebus, bonde, ônibus elétrico. Você entra por qualquier porta e logo procura um dos 2-3 validadores para pagar com um cartão especial. Pode ser que isso fosse um “presente” aos moscovitas pobres devido à crise (ingressos estagnados e os preços subindo os últimos 5 anos)? 

Na Estônia todo o transporte público é de graça para os residentes, bom exemplo para a Rússia, o maior país do mundo! Sería uma ótima forma de entusiasmar os russos de viajar mais e sobir sua solidaridade.

Mas por agora este jeito de viajar sem pagar em Moscou ainda é ilegitimo. E isso é só para o transporte coletivo que não seja metrô, e o metrô é fundamental. O pobre primeiro tem que usar ônibus (ou bonde, trólebus, ônibus elétrico) para chegar ao metrô - se aqui ele com certo risco pode viajar de clandestino, no metrô ele vai pagar 100%. Usando carro, o moscovita também terá que pagar pelo estacionamento… Provavelmente com esse "marqueting" os moscovitas agora pagam mais que antes...

E que passou com ex prefeito? Ele está aposentado, tem propriedades na Áustria, na Inglaterra, sua mulher milagrosamente é uma das mulheres mais ricas do mundo… E o sistema de “paralisis” automatizado foi só uma de muitas brincadeiras de esse senhor. Irónicamente esse senhor hoje até parece um prefeito ideal para muitos moscovitas, porque o prefeito novo apresenta outra fase da involução.

Ao mesmo tempo a vida em Moscou tem muitas vantagens: salários mais altos que em província, segurança, festas intermináveis, abundância de tudo. E a vida sempre pode piorar, certo? É possível que num futuro nós recordemos das primeiras décadas do século XXI como os “tempos dourados”.

суббота, 13 мая 2017 г.

Favelização e Restauração da Monarquia

Dizem que Mao Tsé-Tung quis destruir Xanghai, essa “Cidade do Pecado”, famosa pela desigualdade extrema e eclectica pro-Ocidente (Odd Arne Westard, Restless Empire). A idea de Mao [1.] foi apagar a propria memoria da desigualdade. O líder da Rússia Vladímir Putin hoje quer destruir Moscou soviética, mas seu alvo é apagar a memoria da igualdade e da classe media, que na época da URSS foi uma realidade e hoje desaparece.


Depois da queda da União Soviética (que foi a segunda potência mundial) a Rússia virou um país periférico e sofre das mesmas tendências de degradação que são próprias para todo o terceiro mundo. Graças à desindustrialização, muita gente se concentra nas cidades grandes. Moscou, a capital do maior país do mundo, hoje talvez seja também a maior cidade na Terra. Na Rússia desaparecem as cidades de 100-300 mil habitantes e a povoação de Moscou cresce por 300 mil habitantes ao ano.


Moscou obviamente está superpovoada e cada vez menos acessível para os russos. Como um câncer, Moscou está destruindo o país. Por isso muitos russos odeiam Moscou e ao mesmo tempo eles não tem outra saída como se mudar para lá, porque a civilização russa vai diminuindo de tamanho até uma super cidade república - Moscou. A vida na província é pobre e menos livre, porque lá não há muito emprego e as pessoas dependem de poucas fontes de dinheiro e por isso não podem protestar e reclamar. As pessoas viram uma espécie de “camponeses de gleba” (dependendo dos “barões locais”, que controlam pouco emprego que pode dar a província).


Quando Moscou tem muito emprego, tem luxo, tem perspectiva (teoricamente) e por isso tem mais liberdade. É muito importante compreender que com a queda da União Soviética a democracia na Rússia se acabou mediante a desindustrialização: a grosso modo, não há emprego - não há liberdade - não há democracia. Além disso, em 1993 o presidente mais querido pelo Occidente, Boris Yéltsin bombardeou o parlamento da Rússia (assim foi destruído o último “rudimento” da URSS e surgiu uma ditadura colonial). A única válvula de escape para os russos hoje é Moscou (ou poucas outras cidades grandes que têm no país). Mas “Moscou não é de borracha”, ou seja, não tem lugar para todo o mundo.


A classe média mora nos bairros periféricos muito distantes ou nas cidades satélites, quando o centro é só para os ricos e para os turistas, a classe média no centro está em extinção . O estacionamento dentro do Terceiro Anel de Transporte de Moscou desde há uns anos é pago e cada ano é mais caro. Se debate a questão da autorização paga para entrar na cidade (de carro).


Ao mesmo tempo a classe média do centro de Moscou não desapareceu por completo. Na cidade ainda há bastante prédios da época soviética. Não são palácios do século XIX, não são arranha-céus de Norman Foster, não são fábricas paradas e gentrificadas tipo loft e também não são famosos prédios estalinistas, considerados a melhor vivenda de Moscou e por isso invadidos pelos novos milionários. São prédios dos anos 50-60-70. Em comparação com a época de Gorbachov/Yéltsin/Putin são uma verdadeira obra de arte. Já explicamos que na época soviética havia mais democracia, todo o mundo era da classe média, então não havia estratificação própria para as Monarquias (quando só 2% são nobres e os demais são escravos) ou Dictaduras do Terceiro Mundo. E na época soviética as cidades eram para todos, Moscou não foi uma excessão: no centro viviam operários, engenheiros, médicos, professores e outra “gentalha”… Claro que segundo os ricos de hoje “não é justo que a gente da classe média more na cidade e não em seus quintos infernos”.


O presidente do país e o prefeito de Moscou há pouco ofereceram “renovar as áreas de Moscou”, ou seja, destruir todos os prédios dos anos 50-60 de 5 andares e também alguns prédios dos anos 70 de 9 e mais andares (embora sejam prédios de tijolo de qualidade superior a qualquer prédio novo). Os 1,6 milhão de pessoas vão ser transferidos para os prédios novos na periferia. Antes ninguém pensava na probabilidade de tal “renovação”, os prédios dos anos 50-60 são ótimos, os bancos emprestavam as hipotecas para que as pessoas pudessem comprar os apartamentos nesses prédios, estes prédios (até 5 andares) nem sempre têm elevador, mas a qualidade é ótima (ou seja - soviética, não são de cimento de contrafação como os prédios de hoje, construídos pelas construtoras criminosas e operários migrantes semi escravos sem nenhuma experiência). Além disso como os apartamentos nesses predios não são grandes, eles foram bastante accessíveis para a classe media e justo lá as pessoas compravam muito, porque os apartamentos dos prédios novos, feios e mau localizados são caros demais.


Então segundo a idea da “renovação” os proprietários de apartamentos nos prédios soviéticos destruídos vão ser transferidos ("deportados") para os prédios novos da periferia no mesmo bairro. A única exceção é o centro de Moscou: as pessoas que moram nos bairros centrais vão ser transferidas de seus bairros centrais para as periferias do distrito central (ou seja éstes vão perder tudo).


É importante compreender que aproximadamente 35% da povoação que mora nos prédios destinados a destruição são pessoas que há mais de 15-30 anos estão na fila para melhorar sua moradia (famílias disfuncionais, que não têm espaço suficiente e não têm dinheiro para comprá-lo, veteranos de guerras, heróis de trabalho, etc.), claro que essa gente está feliz com a possibilidade de melhorar as condições de sua vida - o governo promete para eles dar mais espaço segundo as leis que antes não se cumpriam (18 metros quadrados por pessoa). Ou seja o governo só promete cumprir as leis que não se cumrpiam! Que vergonha...


A prensa liberal também apoia a ideia da favelização de Moscou, porque as companhias construtoras têm muito interesse para conquistar o centro e os bairros confortáveis desenvolvidos na época soviética (têm parques, infraestrutura, tudo) e construir lá os prédios para os ricos em lugar dos bairros purgados da classe media. Obviamente só para alimentar as elites no tempo da crise foi planejada toda essa história...


Para o presidente da Rússia e o prefeito de Moscou a ideia da desoviétização de Moscou também é uma ideia chave para o ano de sua enésima reeleição: para muita gente pobre pode parecer bom receber um apartamento novo, como lhes está prometido - com o mesmo preço do mercado ou talvez um pouco superior (depende do humor dos especuladores).


Resumindo um 35% dos deslocados estão felizes, que o governo se importou com eles, que há muitos anos estão perdidos em suas filas… Alguns marginais estão felizes que vão receber um apartamento na periferia, mas um pouco mais caro que seu apartamento anterior e mais central. Claro que a gente da classe média está desesperada, mas é pouco provável que alguém na Rússia tenha simpatia para eles: todos odeiam aos moscovitas.


É interessante que o grupo governante se apoie sobre a oligarquia (os ricos que querem privatizar o centro só para eles) e a plebe (pessoas disfuncionais que não podem melhorar as condições de sua vida na cidade, mas são simples para suborná-lhes. A classe média desaparece, o que é normal para uma economia terceiro-mundista. Nesse sentido, as conversas sobre a restauração da monarquia na Rússia já não são tão ridículas… Nos anos 90 foi instalado um culto à Rússia dos Romanov que tínhamos perdido, então essa Rússia está voltando: com czar, nobreza, igreja, favelas, escravidão e fome.

A ideia de destruir as vidas de 1,6 milhão de pessoas não foi confirmada por nenhum referendum, nem pelo consultorio com os expertos. A decisão catastrófica foi tomada só pelo prefeito de Moscou e pelo presidente da Rússia. Destruição de Moscou soviética vai ser uma destruição de Moscou: para ganhar seu dinheiro as construtoras em lugar dos ótimos predios de 5 andares vão construir os predios feios e precarios de 10-15 andares, isso significa mais tránsito, mais poulição, mais sobrepovoação de Moscou, mais operarios inmigrantes, mais arquitetura feia (sem falar das favelas nas periferias)… Ou seja Moscou pode se tornar uma típica capital de um típico país do terceiro mundo.

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1. de fato a idea foi de camarada Gao Gang.

воскресенье, 20 марта 2016 г.

Vladímir Oidupaa Oiun (1949 - 2013) é um gênio nato da República da Tuvá (Rússia). Vladímir Oidupaa Oiun foi tão genial que é considerado o criador do novo sub-estilo dentro da kargyraa (um dos estilos do canto difônico tuvano - canto efetuado com a garganta). O novo sub-estilo leva seu nome - kargyraa-oidupaa, e tem seus seguidores e admiradores.

A característica da kargyraa-oidupaa é uma sínteses da tradição tuvana do canto difônico e do romance soviético, um gênero do canto sentimental, inspirado na música cigana, acompanhado pelo bayan (acordeão russo) ou violão.

Se você gosta de Tom Waits, você vai gostar de Vladímir Oidupaa Oiun. Eu até diria que Tom Waits ao lado de Vladímir Oidupaa Oiun é um nada em comparação com o infinito.


Ao mesmo tempo Tom Waits é uma estrela internacional e Vladímir Oidupaa Oiun é pouco conhecido. Os marginais russos gostam de sua música, sim. Os japoneses também reconheceram seu talento. Ele é famoso na Europa. Mas na mesma Tuvá, sua patria, a percepção de Vladímir Oidupaa Oiun é dupla: por um lado, ele é um dos poucos tuvanos famosos mundialmente, por outro lado ele é violador da tradição, que misturou o canto sagrado com a música de profanos.

É muito interessante como Vladímir Oidupaa Oiun virou famoso.

Ele foi criminoso, foi condenado 3 vezes, sempre por crimes hediondos, e passou 33 anos nas prisões da Sibéria. Os jornalistas costumam chama-lo “Charles Manson Tuvano”. Vladímir Oidupaa Oiun em suas entrevistas comentou que foi caluniado. Mas é pouco provável, porque o cara foi caluniado 3 vezes (!) e sempre pelo mesmo motivo: estupro.
Alguns jornalistas trataram de apresentá-lo como uma vítima da URSS/GULAG/KGB, mas Vladímir Oidupaa Oiun não teve nenhum conflito político com o poder, seu pai foi presidente de um cooperativo de camponeses (koljoz), aliás formava parte do poder soviético mesmo. Achamos muito ruim que uma parte dos intelectuais nacionalistas tuvanos trata de canonizar os criminosos (sem falar de Oidupaa havia outro músico relevante tuvano - Alexandr Sarjat Ool, que também passou meia vida na prisão, mas ele em suas entrevistas reconheceu seus crimes: roubo, assassinato, etc.).

Ao mesmo tempo é verdade que a República da Tuva até agora tem um alto nível de violência pelo fator de “demographic hump”/explosão demográfica nas condições da depressão econômica e um atraso cultural. A Tuva às vezes é chamada a Chechênia da Sibéria. Contudo vale lembrar que o Ministro da Defesa da Rússia é um tuvano - Serguei Choigu.

Foi na prisão soviética, depois de ser "caluniado" pela primeira vez, onde Vladímir Oidupaa Oiun aprendeu a tocar acordeão (as aulas de música e outras formas de ressocialização nas prisões soviéticas eram uma normalidade).

Foi na prisão, depois de ser “caluniado” pela segunda vez, onde Vladímir Oidupaa Oiun se graduou à distância (educação superior à distância nas prisões soviéticas era uma normalidade, essa educação era paga, e, sendo um preso, Oidupaa obviamente deveria ganhar suficiente, trabalhando na prisão mesmo, para pagar sua educação à distância. Ele trabalhou na prisão como um gravador de metais).

No final dos anos 80, Vladímir Oidupaa Oiun ganhou a popularidade nos festivais de música étnica em Tuva. Ele fez várias turnês por sua região, fez muitos concertos nas ruas. Nesse período, Vladímir Oidupaa Oiun tinha contatos com várias seitas protestantes, onde seu talento foi descoberto pelos missionários estrangeiros: em 1991, o artista foi convidado para dar shows na Suécia. Esta turnê foi seu triunfo. Durante os concertos, os suecos mediam a temperatura do artista, aplicavam diferentes sensores na garganta dele para entender o milagre de kargyraa-oidupaa.

Então, a essa altura do campeonato, Vladímir Oidupaa Oiun foi “caluniado” a terceira vez. E foi na prisão, no escritório do chefe da prisão, onde o artista gravou seu único disco “A música divina desde a prisão”. O disco lhe deu uma popularidade mundial. Depois de voltar para casa o artista virou uma lenda do underground, mas sua saúde ficou acabada (as prisões da Rússia pós-soviética já são diferentes das prisões de antes). O homem participou na campanha eleitoral do chefe da região, foi uma lenda regional. Uma admiradora do canto difônico do Japão, Taeko Kana até viajou à Tuva para gerenciar as gravações do gênio e de fato essa mulher foi responsável pela manutenção de sua vida (tratamento médico, etc.).

O ponto culminante dessa história estranha foi a participação de Vladímir Oidupaa Oiun no show da televisão russa “Minuto da Glória”: onde um júri de 3 estrelas de TV russa (uma escritora liberal e 2 comediantes) valorizam os trabalhos artísticos das pessoas selecionadas para o show. As estrelas do júri (produto da degradação da cultura russa dos anos 90) nem deixaram Vladímir Oidupaa Oiun terminar sua canção. A interpretação do gênio tuvano foi interrompida 3 vezes! Vladímir Oidupaa Oiun foi ridicularizado pelo apresentador do show e pelo público.

среда, 24 февраля 2016 г.

Moscou de 1961, visto com os olhos de espião

Pese a comentarios sarcásticos dos jornalistas dos EUA, podemos ver que os moscovitas de 1961 são muito abertos, tolerantes, despreocupados por seu "privace". Prontos de ajudar, compartilhar, entender.

O ano 1961. Um ano antes da Crise Caribenha. Os mísses nucleares dos EUA já estão na Turquia, visando Moscou. 

Desde 1945 já são desenhados muitos planes da eliminação física da gente soviética: “Totality”, “Pincher”, “Dropshot”, “Broiler/Frolic”, “Charioteer”, “Halfmoon/ Fleetwood”, “Trojan”, “Off-tackle”.

пятница, 29 января 2016 г.

sobre os gêmeos: Catedral de Cristo Salvador e Moscow-City

Escrevemos muitas vezes sobre a síntese putiniana no campo cultural da Rússia: 

Dois símbolos dos anos 90 - a Catedral de Cristo Salvador e o Moscow-City (o bairro dos arranha-céus no centro da capital) nos ajudam a entender a natureza desta síntese:


A Catedral de Cristo Salvador, restaurada pelos operários turcos, reflete a tendência da arcaização:

- continuam sendo impostas as religiões e o culto dos Romanov
- voltam a moda os nomes para crianças do tempo do ronca
- desestatização provocou o interesse pela genealogia familiar, etc.

Em lugar das ideias do progresso e socialização são impostas as ideias da arcaização e atomização.

E por outro lado vemos o Moscow-City: um grupo dos arranha-céus, desenhados pelos arquitetos ocidentais da moda para as novas elites da Rússia, integradas já à casta superior dos gerentes do capitalismo global.


Há dois mundos dentro da Rússia: o mundo de Cristo Salvador (tradicionalismo) e o mundo de Moscow-City (globalismo neoliberal).

A gente do mundo da Catedral de Cristo Salvador mora em bairros feios e periféricos, perde tempo no trânsito, consume muito álcool barato, fuma nos espaços públicos e sua cultura é um "second-hand" estadunidense.

A gente do mundo de Moscow-City mora nas urbanizações de luxo na província de Moscou: "Greenfield", "Sherwood", "Riverside", "Richmond", "Pineville", "Primevill", "Forest Lake", "Forest Ville", "Ever Green", "Cotton Way" - são os nomes destas urbanizações. Até os tradicionais nomes russos se apresentam do jeito anglo-saxão: Zhukovka Hills, Veshki City, Dmitrovka Village, etc. Esta gente come nos restaurantes mais caros, seu lazer está decorado pelos shows das estrelas mais solicitadas do mundo, etc. Seus aviões privados sempre estão dispostos a levá-los a Londres ou Nova Iorque.

Tal esquizofrenia foi característica também para o período dos Romanov: a religião e os contos de fadas para a plebe e o Hermitage, coleção da arte ocidental - para a nobreza.

A novidade dos últimos anos é retorno do culto da URSS. Não como um projeto do comunismo russo, não, mas como um culto duma grande potência. 

Isso é para animar a plebe nos tempos de caída do nível de consumo. Isso é o último recurso do grupo governante. Será isso "o último refúgio dos canalhas"?

воскресенье, 24 января 2016 г.

Por que Putin tem medo de Lenin?


A revolução será sim televisionada! O Lênin é interpretado por Leo Di Caprio, ouviu! O autor do roteiro é Gene Sharp, caramba!


Pelo menos no famoso estúdio de cine russo Lenfilm (Len - de Lênin) não há dúvidas de que tal filme sobre Lênin Di Caprio será um grande sucesso. A revolução é um tema sério, "a coisa tá russa"! Só os russos de hoje não valorizam sua história do século XX... Não foi a Lenfilm que se lembrou de Lênin, senão um playboy de Hollywood.

E o filme sobre Lênin, um ícone da revolução, é oportuno como nunca. O núcleo do sistema-mundo está em crise: as potências grandes brigam pelos mercados esgotados (aqui entre os intelectuais volta à moda Karl Marx & Co), enquanto as periferias do mundo são formatadas conforme as novas rotas de comércio, desenhadas desde o centro (os intelectuais "periféricos" sempre andam atrasados, vestidos de "conservadores", optando pelos filósofos de direita - o "second hand" europeu).

A Rússia, mãe da Revolução, virou contra-revolucionaria

Se o núcleo do mundo sofre de uma crise de identidade, a hegemonia dos EUA esta na bancarrota (com frecuência estas crises se tornam grandes guerras), as periferias sofrem das "ondas revolucionárias", que já destruíram o espaço post soviético ("revoluções coloridas"), sacudiram o mundo árabe ("primavera árabe"), e elas já estão atingindo a Rússia, penetrando a Ásia, aproximando-se dà China.

A revolução é vista hoje como um simples “regime change”. Os “revolucionários” de hoje já não querem mudar o mundo, senão se adaptar ao mundo finalizado conforme padrões dos EUA. Os países “párias” que desafiam estes padrões são xingados como contra-revolucionários.

Como um dos obstáculos principais para a hegemonia dos EUA foi abertamente qualificada a Rússia (que honra!). O Ocidente declarou uma guerra híbrida à Russia de Putin, provocando um cisma entre as elites russas e deslegitimando o grupo governante de Putin. Para empurrar a Rússia à uma revolução, a Ucrânia é afogada numa guerra civil

Não é de surpreender que nos últimos anos o imaginário coletivo dos russos viva uma nova revisão da história da Revolução Russa de 1905-1917. Não é a primeira vez e esperamos que não seja a última.

Abaixo, à grosso modo, vamos apresentar a interpretação da Revolução Russa de 1905-1917 segundo o atual grupo governante da Rússia e seus intelectuais cortesões:

1) A Revolução de 1905-1917 na Rússia foi um Maidan, um teatralizado “regime change”, orquestrado desde estrangeiro. Como o Maidan foi só um elo da cadeia dos golpes de estados no espaço post-soviético, a Revolução Russa de 1905-1917 também foi só um dos elementos da “onda revolucionaria” do inicio do século XX (Rússia, Império Otomano, México, China).

É impressionante como certas recreações da Revolução Russa pelo cinema soviético pintem o Maidan de hoje!



2) Os beneficiários da Revolução Russa de 1905 e de Fevereiro de 1917 foram, antes de tudo, os anglosaxões e japoneses. 

As reuniões dos radicais russos do inicio do século XX se passavam em Londres e Zurique. E os radicais de hoje preferem quase as mesmas cidades: ex-oligarca Jodorkovski mora na Suiza e ex-oligarca Berezovski morou em Lóndres.

Sem dúvida os opositores receberam o dinheiro do Japão para a Revolução de 1905 (no contexto da guerra entre a Rússia e o Japão). Hoje estão ativados os mesmos enredos geopolíticos:



3) as tecnologias da mobilização revolucionaria também não mudaram muito desde 1905 (a Revolução Russa de 1905, por sua vez, foi uma copia perfeita das revoluções europeias de 1848). Gene Sharp não descobriu nada novo:

- as greves dos setores de infraestrutura para paralizar a vida normal nas cidades mais importantes
- as campanhas de banquetes para a imprensa liberal com fim de radicalizar a opinião pública
- mobilização dos estudantes para as manifestações não violentas (entre aspas), que geralmente se tornam os crueis enfrentamentos com a policia (provocados pelos radicais, infiltrados entre a molecada de estudantes).
- boicote dos intelectuais conservadores, etc.

Tudo que serve para radicalizar o povo, cismar as elites e deslegitimar o grupo governante.

Lev Tolstoi, Máximo Gorki, Vladímir Mayakovski, Vladímir Korolenko, etc. foram um coletivo Pussy Riot do inicio do século XX (sim, vivemos uma terrível degradação, mas ao mesmo tempo devemos reconhecer que hoje a oposição russa no campo cultural não é apresentada somente pelas mediocres Pussy Riot, mas também tem escritores importantes como E.Limonov (nacional-bolchevique), V.Sorókin (liberal), etc. Simplesmente, Pussy Riot são mais convenientes para a promoção. Não nos esqueçamos do último Premio Nobel por literatura do ano 2015).

4) as elites opositoras são uma chave da revolução. É sabido que depois da revolução de Fevereiro de 1917 (quando ganhou o governo provisório formado pelos masons anglófilos) o primo do czar Nikolai II - grande príncipe Kirill até põe um laço vermelho. Foram os “caras” mais próximos ao czar que o fizeram abdicar do trono russo. 

Claro, que as elites eram liberais, mas até entre elas havia também personagens radicais: por exemplo, a organizadora do atentado contra o czar Alexandr II em 1881 foi Sofia Peróvskaya, uma filha do governador de São Petersburgo! Ela não precisava de dinheiro. A diferença de Alexandr Ulianov, irmão de V.Lênin: Alexandr teve que vender sua medalha de ouro (era um estudante brilhante) para comprar os componentes da bomba, endereçada ao czar Alexandr III. 

Queremos dizer que não há nada surpreendente que a afilhada do presidente V.Putin Ksenia Sobchak fosse uma dos glamour-comandantes das revoltas em Moscou em 2012 (K.Sobchak é filha do prefeito liberal e odioso de São Petersburgo Anatolli Sobchak, V.Putin trabalhou nessa prefeitura nos anos 90, muito amigo de A.Sobchak).

5) os revolucionários sonham com uma revolução, e as revoluções acontecem nos momentos da perda da legitimidade por grupo governante. É ridículo falar da ilegitimidade das revoluções. Claro que as revoluções sempre são ilegítimas! Como os governos desafiados por revoluções sempre são os governos que têm pouca legitimidade.

E os revolucionários costumam argumentar com violência brutal (quando o governo já perdeu seu monopólio sobre o uso da força). Um dos mems do Maidan - combatente brutal do braço militar de Pravi Sektor Sashkó Bily é parecido com o marinheiro-anarquista Zhelezniak quem dissolveu com as armas a Assembleia Constituinte Russa em janeiro de 1918. Assim que os radicais russos: bolcheviques e socialistas revolucionários de esquerda conseguiram monopolizar o poder (isso não aconteceu na Ucrânia, onde os radicais são uma clássica bucha de canhão, manipulada pelos liberais).


Sim, os bolcheviques subiram ao poder por meio de um golpe (contra o Governo Provisório do capital estrangeiro).

Sim, os bolcheviques eram muito radicais, o que em parte foi uma das causas da guerra civil (não a principal): por exemplo, os bolcheviques igualizaram um voto de operário a 5 votos de camponeses.

Sim, aos bolcheviques não lhes importava a “legitimidade”.

7) Como as massas não por todas partes costumam apoiar os revolucionários é frecuente o uso dos mercenários (o que não é decisivo). Igual ao Maidan Ucraniano, segundo alguns historiadores a Revolução Russa também teve este episódio: se trata da participação no Exército Vermelho de chineses (húngaros e letôneos tiveram antes de tudo os motivos ideológicos).

Podemos continuar estes paralelos entre a Revolução Russa de 1905-1917 e o Madian da Ucrânia. Estes paralelos são possíveis iguais aos paralelos entre Israel e o Terceiro Reich.

E na Rússia é bastante comum ouvir falar desses paralelos ao presidente V.Putin, ministro da cultura V.Medínski, vice-presidente do parlamento V.Zhirinóvski, escritor N.Stárikov (presidente do movimento “Anti-Maidan”), etc.

Achamos que, sem dúvida, existe fundamento para tais paralelos, mas não se pode ignorar a específica do golpe de Outubro de 1917:


Foi a primeira vez na história quando os radicais (“marionetas”) conseguiram interceptar o poder de liberais e de seus padrinhos estrangeiros (“marionetistas”). Os bolcheviques restauraram o império russo numa forma mais moderna e muito mais justa, além disso eles conseguiram fazer seu modelo atrativo para uma significante parte do mundo.




Para sobreviver Putin deve virar bolchevique


Сada nova situação tem sua específica. A Rússia hoje não é um país de camponeses, a motivação do povo já não é tão simples como antes. Demograficamente a Rússia não sofre pressão de “уouth bulge”, como em 1905-1917. Ao mesmo tempo a geopolítica e as ferramentas de dominio não mudaram muito. É engraçado que o mesmo Putin & Co para defender sua subjetividade histórica tem que atuar justo como bolcheviques:

Os bolcheviques recusaram de pagar as dívidas do czar aos bancos estrangeiros (um dos motivos da intervenção militar da Inglaterra e França na guerra civil russa). Putin, hoje, também não quer pagar as “indemnizações” aos “inversionistas” de Yukos.

Os bolcheviques prenderam os nacionalismos étnicos oferecendo um modelo de autogestão no marco da União das RSS e antes de tudo apresentando a justiça econômico-social, satisfatória para a maioria dos camponeses multiétnicos. Putin faz a mesma coisa, desenhando a União EuroAsiana. Só o “pragmatismo econômico” de seu grupo governante é bastante hipócrita e pouco atrativo para um homem pequeno.

Os bolcheviques tiveram o problema da luta dentro do partido entre os estalinistas realistas (social-localistas) e os trotskistas fanáticos (social-globalistas). Parece que Putin também sofre desta forma de esquizofrenia dentro de seu grupo governante (estadistas-patriotas vs liberais-globalistas).

O drama da situação atual é o mutismo intelectual de Putin (apesar de sua charlataneria), é um drama de ausência da linguagem vanguardista para se explicar com confiança a seu próprio povo e aos simpatizantes estrangeiros.

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вторник, 27 октября 2015 г.

Como os russos nos vestimos para o inverno

Somos um país do inverno, quando tudo está colorido branco e preto, o ar é puro, as curvas femininas estão escondidas pelos abrigos de pele, não se pode ver as formas das pessoas, sómente os olhos. Você consegui imaginar isso? Milhares de rostros lindos navegando sobre a neve! Os turistas deveriam visitar a Rússia só pelos invernos!

Mas o inverno é frio. Atenção: o frio é diferente. As temperaturas no Norte da Sibéria chegam até -50 graus, esse frio até destrói o esmalte dos dentes. Por isso a maior parte do povo mora no "Sul": entre Paralelo 70 N e Paralelo 50 N. 

É absurdo comparar a Rússia com o Canadá: 97% da população do Canadá mora ao Sul na Latitude 55 N (a mesma de Moscou). Enquando a Rússia tem 9 cidades com mais de 1 milhão de pessoas ao Norte da Latitude 55 N (sem falar de 7 cidades, onde moram mais de 500 mil habitantes, também localizadas à cima da latitude de 55 N).

O frio da Sibéria, geralmente, é um pouco mais seco que na parte central. Faz menos de 30°, mas ao mesmo tempo faz sol e é muito alegre. O frio de Moscou é úmido. Quero dizer que embora que faça entre menos 5 e menos 10, pelo efeito da umidade e também pelo vento, o inverno de Moscou é bastante frio. Pessoalmente prefiro o frio da Sibéria.

O inverno é lindo, mas o inverno nunca foi aliado da Rússia. Os mongóis atacavam nos invernos, quando os rios congelados viravam rodovias perfeitas. Os nazistas também continuaram seu avanço durante o inverno (depois de uma pausa no outono, quando tanto os nazistas como os russos ficamos paralizados pela lama das rodovias). Meus caros amigos, o mito sobre General Inverno é tão popular no Ocidente sómente para justificar os fracassos terríveis dos agressores: para dizer que não foram os russos que venceram, senão um tal General Inverno... Kkkkkkk. Como se os europeus dirigidos por Napoleão ou por Hitler fossem tão idiotas que não sabiam que na Rússia faz frio. É ridículo. 

Nós russos não somos extraterrestres, cada novo inverno é como a primeira vez. Nunca estamos preparados 100%. Sofremos por causa do frio igual as outras pessoas. Sómente temos que gastar muitos recursos para aquecer nossas moradias, fábricas, estábulos de animais (por isso centralizamos a calefacção, que foi um êxito reconhecido mundialmente).  Temos que comer bem para caminhar pela neve até o carro/ônibus/trolley/bonde/metrô. Temos que trocar os pneus dos carros para o inverno, etc.

E também temos que gastar dinheiro para comprar um conjunto de roupas de inverno!

As roupas de inverno não produzem calor, mas elas ajudam a conservar melhor o calor do nosso corpo. Não importa qual temperatura faz "fora de seu corpo": -1 ou -30, a tarefa da roupa é conservar seus 36 graus. Usamos o mesmo casaco para -10 e para -30. Mas é importante ter várias camadas de roupa, para que o efeito de termo seja melhor. Quanto mais frio faz, mais camadas de roupa usamos:

1) roupa térmica
2) calças ou saias de lã, veludo ou outro material denso, "quente" e a prova de vento, calças de esporte de inverno
3) suéter/agasalho
4) casaco com capuz de inverno (este casaco deve ter de isolamento de algodão grosso/pena de ganso/fluff artificial, etc.)
5) chapéu de inverno (pele ou qualquer outro isolamento)
6) botas impermeáveis de inverno (pele ou qualquer outro isolamento)
7) cachecol e luvas

Você pode comprar a roupa de inverno num shopping russo indo em taxi de aeroporto justo para este shopping. E se você não vai ficar na Rússia por muito tempo, você pode comprar a roupa de inverno numa loja de uniformes (para os operários) - esta roupa de inverno não é muito linda, mas é boa e barata. A melhor opção seria emprestar esta roupa de algum amigo.

Como diz um provérbio russo: "Um Sibériano não é uma pessoa que não sente frio, mas que sabe como se vestir bem".


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четверг, 1 октября 2015 г.

"Modelo russo da gerência"

Já se sabe bastante sobre os ciclos de desenvolvimento: são best selleres mundiais as obras de Broudel e Arrigi. Também é famoso e muito citado o economista russo Kondrátiev com seus “ciclos econômicos largos”. Neste blog nós apresentamos antes as teorias geniais de cliodinâmica (história matematizada) de Serguei Nefiódov e Andrei Turchin e geralmente escrevemos muito sobre o ciclismo da história russa.

Hoje lhes queremos ofereçer uma revisão do livro de Alexandr Prójorov “Modelo russo da gerência”. Este ensaio bastante superficial foi republicado na Rússia 10 vezes (!) e a interpretação de Alexandr Prójorov esta virando uma moda igual à interpretação vulgar do desenvolvimento da cultura russa de Andrei Paperni. O modelo de Alexandr Prójorov esta fundamentado em 2 fatores:

1) o fator climático

A Rússia é um dos países mais frios do mundo, por isso a idiotia milhenar da vida de camponeses russos gerou 2 regimes de trabalho: a mobilização radical de verão (3 meses) e a estagnação de inverno (6 meses). O trabalho de verão é tão duro, que 80% de bebês nascidos no verão morriam, diz Alexandr Prójorov num video. As mães não tinham nem tempo nem leite para sustentar estas crianças. O verão requer uma mobilização de todos os recursos para um período curto: a gente demonstra os milagros de trabalho COLETIVO 24 horas por dia.


Assim, o modelo russo da gerência regeita as relações de concorrência, como "um luxo que exige grandes recursos". À primeira vista tal modelo virou uma norma por causa da pobreza e ameaça permanente de guerra.

"...É certo que a concorrência conduz para uma atividade cada vez mais efetiva, mas a cada momento concreto ela não deixa usar os recursos dados completamente... Em contrapartida, a luta de concorrência temporariamente retira uma parte de recursos de circulação".

Durante as guerras feudais as tropas sofrem perdas de homens, que poderiam ser usados em proveito do Estado; a concorrência descontrolada de latifundiários pela mão de obra leva à desapropriação das terras dos proprietários fracassados; a ruína dos camponeses, que trabalham mal, reduz a quantidade dos contribuintes; a ausência do planejamento centralizado provoca subutilização da capacidade de proudção de muitas fábricas, etc.

Não por acaso, nas condições da guerra ou crise até os países de mercado ativamente estatizam suas economias. E a Rússia quando não está em crise, está na guerra, é lógico, que nossa economia seja mais estatal do que de mercado, não tivemos recursos para nos permitir o luxo de mercado.

Êxitos do modelo russo da gerência:

- evacuação de emergência da indústria para os Urais e para a parte Asiática durante a Grande Guerra Patriótica contra a Europa de Hitler.

- a mobilização de Pedro I permitiu em 1705 aumentar os gastos militares em até 96% das rendas do país (para ganhar a guerra contra a Suécia).

- Ivão, o Severo para a Guerra de Livônia conseguiu crear o maior exército de Europa num dos países mais pobres. 

No entanto o fator climático não é tão fundamental como parece à primeira vista... O fator da tradição administrativa também é muito importante.

2) tradição administrativa

O Ocidente cresceu à base do feudalismo do imperio franco de Carlo Magno, - diz Alexadr Prójorov, quando Carlo Magno conquistou um território desenvolvido já, cristianizado e obediente à lei. Por isso sua administração é caracterizada pela descentralização em cima da sociedade e pela centralização ao nível local. A tradição administrativa na Rússia (anarquista, policonfessional, multiétnica) foi bem diferente.

«Os súditos pagavam os impostos só no caso da ameaça direta do uso da força militar».

Poliudie requer a necessidade da centralização superior em cima da sociedade, quando ao nível local os clasters da sociedade russa são bastante autônomos.

O triufo histórico da centralização estatal é provado pelos resultados da competência entra a Lituânia/Polonia e a Rússia, - resume Alexandr Prójorov.

P.S.

É interessante que o balançe de mobilização e estagnação também seja próprio para o Egito Antigo (czaratos e distúrbios), a China Antiga (imperios e zhànguó, períodos dos reinos combatientes), a Roma (dualidade entre império e república), a Europa Medival (imperio de Carlo Magno e reinos bárbaros). 

Mas onde a Rússia (Ásia) se separou do Ocidente? Alexandr Prójorov não dá resposta... Conforme o autor a Rússia é condenada à oscilação entre as mobilizações (totalitarismo, estalinismo, pedrograndismo, ivanoseverismo, etc.) e estagnações (sabotagem popular contra o grupo governante: corrupção, apoio passivo de golpes palacianos, etc.).

Geralmente o ensaio de Alexandr Prójorov tem um carater abertamente russofóbico e antissoviético, embora em suas palestras públicas o autor sempre sublinhe que, se nosso estado conseguiu viver 1100 anos, isso quer dizer que nosso modelo ainda é adequado. 

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понедельник, 28 сентября 2015 г.

Sobre a romantização dos anos 90

Faz pouco nas redes sociais da Rússia aconteceu um flashmob sobre as memórias pessoais dos anos 90 do século passado. A ideia desta ação foi dizer que os anos 90 foram um período revolucionário, da quebra do "sistema", de muitas possibilidades, da Cultura 1, etc. Dizem, que o promotor da romantização dos anos 90 era a Fundação Boris Iéltsin e midia liberal, contratista deste Fundo.

Em primeiro lugar eu lembrei dos anos 80, quando eu tinha 5-9 anos. Aquela década foi muito segura. Eu brincava na rua as vezes até 23.30-00.00 e ninguém se preocupava muito com os moleques. Eu sentia que poderia sair do meu bairro e ir até o Leste Extremo, sem que nada de ruim acontecesse comigo. Me sentia dono de minha terra, amigo de todo o mundo. É curioso que até os dissidentes mais odiosos reconhecem este estado de confiança absoluta e de segurança, no qual se encontrava a sociedade soviética. Era normal falar com os desconhecidos. 

Porém os anos 90 para meus pais foram marcados por uma tragédia familiar com minha irmã. Em razão disso, fiquei bem distante deles emocionalmente e cresci autodidata. Lembro que a sociedade começou a se destruir. Se iniciou o vandalismo, havia bandos de crianças que jogavam bolos de argila e pedras nos ônibus. Eu participava nos ataques contra os jardins da gente de meu bairro - havia casas de verão em cada bairro periférico - as atacavamos. Isso não tinha sentido nenhum, porque minha família tinha próprio jardim, eu não precisava de maçã, mas estas aventuras viraram uma normalidade. Na verdade, eu vendia as maçãs do meu jardim no mercado de bairro e com este dinheiro comprava livros. Nosso jardim foi queimado por um indigente que morava lá no inverno. Todos estes jardins que ficavam muito perto do nosso prédio foram liquidados - lá agora passa uma rodovia nova.

No porão de minha escola abriram um clube de vídeo, onde nos mostravam Tom e Jerry, filmes sobre Bruce Lee e também muita pornografia. Eu não entendia nada desse negocio, mas obviamente aquilo era muito popular. A sala estava sempre lotada de alunos, sentados em cadeiras muito desconfortáveis diante dum pequeno televisor.

Quanto aos meus pais, que eram músicos duma filarmônica estatal, lhes pagavam uma vez por ano. Para a gente sobreviver as empresas e instituições estatais deram a seus trabalhadores ...terras. Assim meus pais-músicos tinham que transformar-se em camponeses. Desde a primavera até o outono, em cada fim de semana viajavamos de ônibus por uma hora até uma mina abandonada de carvão (no ônibus nunca havia assentos livres para me sentar). A rodovia era muito ruim, me asfixiava com a poeira e depois de descer do ônibus havia que caminhar uns 45-60 minutos por um pântano... Até o lugar onde tínhamos nossos dez acres de terra com o aguaduto de verão. 

Nos outonos, depois da campanha anual de colheita, eu tinha um pouco de tempo livre e viajava pela cidade... Eu gostava de atacar uma fábrica militar semi abandonada - roubávamos alí poeirento para fabricar pequenas bombas, etc. Todo o processo era muito perigoso e também muito excitante.

Lembro que havia muitos rapazes ali que roubavam também tinturas para se intoxicar como cheiro dos compostos químicos. Por todas as partes da cidade andavam crianças abandonadas, escondendo em sua roupa sacos plásticos com tintura, acetona ou cola. Meu bairro se degradava rapidamente. Num inverno pela noite, eu voltava para casa e então vi uma jovem chorando, sem calças. Ela tinha sido violentada, mas eu, como era pequeno, não pude entender isso. Outra vez com meu pai saímos para visitar uma amiga dele e vimos uma briga de umos 30 homens contra 2. Os dois se defendiam, usando um aquecedor de ferro fundido... Acho que os 30 ganharam e assassinaram a estes 2. 

Meus vizinhos de casa perdiam o emprego e se alcoolizavam, mas não todos. Também apareceram alguns carros de chique no pátio. Um vizinho, que era um chefe local do sistema penitenciário virou um milionário (explorava aos presos e tinha amizade com os padrinhos da máfia). Antes dos 90 éramos muito amigos deste senhor. Sua filha era 10 anos maior do que eu, mas eu queria me casar com ela: a garota era simpática, gostava de brincar comigo. Depois que seu pai virou milionário, deixamos de pensar sobre nosso casamento. Ela se apaixonou por um viciado depois. 

A criminalidade crescia cada vez mais no bairro, na cidade e no pais. Uma senhora, que conheci no ônibus de 2 horas para as terras infernais de sobrevivência me convidou a apresentar os exames a uma das melhores escolhas da cidade (ela trabalhou naquela escola e se preocupou com o meu futuro).

Assim, troquei de escola. Se não tivesse feito esta troca, acabaria na prisão como muitos amigos do meu bairro. Claro que fui infeliz na nova escola, a maior parte dos alunos eram "juventude dourada" e eu tinha que brigar com ela cada dia. Alem disso, a nova escola ficava longe de casa, no centro da cidade. Uma vez estava esperando o ônibus e vi uma mulher indigente se urinar na parada de ônibus, ela se assegurou sobre um quiosque e uma poça amarela apareceu na neve debaixo dela. Isso aconteceu no centro da cidade, diante da casa do governador. 

Claro, que como eu virei muito radical, estava perto do Partido Nacional-Bolchevique, Partido Comunista e outros movimentos patrióticos. O presidente Iéltsin, o Bêbado, o governador de meu estado e o prefeito de minha cidade foram meus inimigos pessoais. O governador, renegado do comunismo, ditador asiático Aman Bashi Tuleev, começou investiga-me. Meus vizinhos foram interrogados pelos oficiais da polícia secreta e havia pressão sobre meus pais. É muito irônico, que meu governador era um dos "melhores" - roubava menos que outros, e era mais efeitivo. Simplesmente eu não sabia que as coisas estavam muito piores em outras regiões da Rússia. 

Eu mudei de cidade para uma maior, onde ingressei na universidade. Em 1999 os EUA bombardearam a Servia e até os idiotas mais lavados entenderam o que aconteceu no mundo. Outra vez reaparece a fome e eu lembro que para minha universidade uma ONG dos EUA levou vários caminhões com ajuda humanitária: azeite, conservas, etc. - das reservas expiradas do exército americano. Se iniciaram as facções protestantes, adição da droga e do alcoolismo - formas diferentes de escapar da realidade. Não havia dinheiro, trabalhavamos nas obras. Lembro que eu comia muitos cogumelos, samambaia - as coisas da floresta, onde ficava a minha universidade. Era totalmente perdido, igual aos outros 140 milhões de russos. 

Mas ou menos assim foram os anos 90 na Rússia.

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