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вторник, 29 декабря 2015 г.

Império de cabeça para baixo




A mitologia antisoviética vulgar (à maneira dos nazistas ou dos EUA) ultimamente não aguenta críticas, por isso logicamente surge a demanda de nova expertise sobre a Rússia. Mencionamos alguns nomes da kremlinologia ocidental, que ofereceram as opiniões alternativas ao delírio de Hannah Arendt:

Stephen Kotkin. Magnetic Mountain: Stalinism as a Civilization
Terry Martin. The Affirmative Action Empire: Nations and Nationalism in the Soviet Union, 1923-1939.
Jochen Hellbeck. Revolution on my mind.
Claudio Nun Ingerflom. O cidadão impossível: as raízes russas do leninismo.
etc.


Não dizemos, que esses livros sejam pró-soviéticos ou pró Rússia, mas seus autores variaram um pouco as interpretações obscurantistas da época da Guerra Fria. 

Sem falar dos investigadores ocidentais, neste blog já apresentamos as ideias geniais dematemático russo Serguei Nefiódov. Além disso informamos a nossos leitores sobre as teorias de Vladimir Paperny (dialética de etatismo/liberalismo), de Alexandr Prójorov (dialética de movilização/estagnação).

Hoje oferecemos a vocês uma reflexão sobre um texto curioso, que analiza o fenômeno de autocolonização da Rússia. O autor em questão, Alexander Etkind é um culturólogo de origem soviética, que mora em Cambridge, beneficiado pelas contribuições das elites da Inglaterra e dos EUA. Na véspera da guerra civil na Ucrânia Alexander Etkind foi premiado por uma bolsa recorde na histórida de Cambridge (1 milhão de euros de HERA Consortium) com fim de realizar uma expertise das relações russo-ucranianas. De tal jeito as elites de Ocidente receberam de Etkind um novo pacote de códigos para crackear o disco duro da Rússia no teatro dos países do bloque "Intermarium". Em rigor, deveríamos dizer que Etkind traduziu para a língua do inimigo as ideias que flotam no ar dos jornais patrióticos russos durante os últimos 20 anos.


De um lado, Etikind continua "desmascarando" ivão-terrorismo, pedro-grandismo, stalinismo e, claro que, putin-ismo: seu texto está cheio de palavras como: anexação, ocupação, genocídio (sem nenhumas evidências factuais). Mas de outro lado, ele não esquece que os "bárbaros" russos vacinavam e alfabetizavam os povos da Sibéria, operavam o plebe da Prússia, fizeram crescer o nível de vida na Asia, etc. É como se Etkind quisesse provar que a experiência imperial da Rússia é o mesmo banho de sangue como no caso do colonialismo europeu (no contexto da "normalização" de história russa), mas ao mesmo tempo ele puxa as ideias de que o imperialismo russo é muito mais extravagante/absurdo/anacrônico do que a experiência ocidental (no contexto da satanização tradicional da Rússia).

Abaixo vou apresentar a lógica de Etkind, usando minhas próprias palavras e meus próprios exemplos:

1) A Rússia é um país que se autocoloniza e surge do resultado da autocolonização. 

É curioso que os russos não usem o termo "colonização" mas "o-svoi-enie" que se traduz como "desenvolvimento", que literalmente significa "apropriação das coisas que não pertencem a ninguém".

2) O sujeito da autocolonização são os grupos governantes. 

Se Etkind conhecesse Sergeui Nefiódov, ele poderia dizer que os grupos governantes da Rússia em etapas diferentes tiveram sotaques diferentes (normândico, bisantino, mongol, turco, polaco, holando-sueco, americano - em função da liderança tecnológica no mundo naquele período).

3) O objeto da autocolonização são os próprios territórios e povos ainda não "apropriados" ou "desenvolvidos". É importante salientar que estes territórios e povos não ficavam além-mar, o que quer dizer que não havia fronteiras "existenciais" entre as capitais e "autocolônias". Os "autocolonizados" não eram tão distantes para os "autocolonizadores" como os indígenas ou africanos eram para os europeus. Não havia fronteiras marítimas, nem de raça!

4) Os agentes de autocolonização eram o estado-exército, a igreja e também os civis: cossacos, desertores, sectários que fugiam do estadismo centralizador.

5) O motor econômico da autocolonização foi e segue sendo a dependência de monorrecursos, fossem eles peles, madeira ou trigo como na época pré-soviética, fossem eles gás e petróleo como na época pós-soviética. É engraçado que a medida tanto para as peles como para o petróleo seja um barril.

Embora a lógica de autocolonização pareça bastante simples, de fato ela tem muitos detalhes importantes.

Racismo cultural da elite russa

A particularidade da elite russa é que ela não era nem é muito russa, caracterizada pela presença das minorias étnicas: tártaros, gente de Cáucaso, polacos, alemães bálticos, russos pequenos (proto-ucranianos), judeus... O ingresso das elites "indígenas" ao grupo governante era uma forma imperial de integração dos povos "autocolonizados". Ao mesmo tempo de tal jeito o Império não deixa suceder à nação russa (isso é um lema constante dos nacionalistas russos). Os russos, como os demais povos da Rússia são objetos de autocolonização! Com isso, é muito importante que os russos sofram dos custos principais do Império (quando os tolos falam dos "sofrimentos" dos judeus no Império Russo, limitados um pouco na liberdade de movimento, eles se esquecem de dizer que no mesmo período uns 50% dos próprios russos eram escravos!).

Então vemos que na Rússia não há um povo opressor e povos oprimidos, senão um grupo governante multiétnico e um povo multiétnico governado por este grupo. Entre governadores e governados não havia nem mar nem distancia de raça, assim surgiu o problema de um marcador hierárquico. Este problema foi resulto na época de Pedro, o Grande, quando a elite foi forçada a se mudar para São Petersburgo, fazer a barba, vestir um terno europeu e aprender umas línguas européias (uma parte de elite que se revelou contra o czar em 1825 era tão desrussificada que durante seu juízo posterior ela precisaria dos intérpretes - falamos dos dezembristas). Assim, desde Pedro I começou uma duplificação da Rússia: em capital, São Petersburgo, a cidade menos russa, uma cópia de Amsterdã, vive a elite colonial, que fala francês e inglês, coleciona arte estrangeira, faz barba, veste à maneira européia e fora de São Petersburgo ficam as colonias povoadas pelos escravos, que produzem trigo para vender ao mercado europeu (desde XVIII). Este drama de isolamento da elite no seu próprio país foi vivido pelos mesmos intelectuais russos do século XIX, que até iniciaram o movimento do "populismo" (naródnichestvo em russo), coroado pela figura de Liev Tolstói. Lénine vai chamar Liev Tolstói o "espelho da revolução russa".

Gradiente Invertido ou um Império de cabeça para baixo


A.Etkind repete a idéia evidente de F.Braudel 
e C.Leví-Strauss, que o Ocidente se construiu do material de suas colônias. Ao longo do século XIX as metrópoles viraram os estados nacionais à custa de degradação das colonias. Isso se chama o gradiente imperial "normal", quando os Impérios vivem melhor de suas colônias. A Rússia é caracterizada pelo gradiente imperial "invertido". Na Rússia só os povos formadores do estado foram escravizados (russos grandes/russos, russos pequenos/ucranianos, russos brancos/bielorrussos). "Para 1861, escreve A.Etkind, - o nível de educação, de renda, <de expectativa de vida> de polacos, finlandeses, russos pequenos, russos da Sibéria, e possivelmente, de tártaros com judeus era mais alto do que de russos da parte central". Os russos da parte central eram o material do qual foi construído o Império Russo. Com isso os povos "autocolonizados" conseguiram viver melhor que o povo "autocolonizador". "Ao final do século XIX os impostos pagos pela povoação predominantemente russa, localizada em 31 estados, eram 2 vezes maior do que os impostos pagos pela povoação predominantemente não russa, localizada em 39 estados" (Mironov, 1999). Vamos marcar, que justo a parte central da Rússia, a parte mais pauperizada virou uma base do bolchevismo durante a guerra civil de 1918-1922.

Mercado interior vs exterior

A pauperização do Centro da Rússia, como custo da expansão, é um fenômeno da economia de trigo, que se formou após a conquista dos Mares Báltico e Negro no século XVIII. Antes do século XVIII a economia era mais primitiva e dependia das exportações de peles (esquilo, zibelina, etc.) e de madeira. Nesta situação o povo não foi visto pelo estado como um recurso e foi jogado à própria sorte. Se pode dizer que o povo foi supérfluo.

"Havia períodos, quando de acordo com as palavras de V.Kluchevsky "o estado se inchava, e o povo decaía". Também havia tempos quando decaía o estado. Ao estabelecer o negócio com Arkhangelsk em 1555, os ingleses estavam interessados pela madeira, cera e outras mercadorias de floresta; as peles formaram só uma pequena parte deste comércio (Bushkovitch 1980: 68). O rei da Inglaterra Jaime I valorizou tanto esta região, que em 1612-1613, quando as tropas da Polônia e cossacos tomaram Moscou, ele até analisava a possibilidade da colonização direita de Arkhangelsk (Dunning 1989; Kagarlitski 2003). Naquele então o negociante do rio Volga Kuzma Mínin salvou a Rússia, financiando a guerra <pela independência> das rendas de produção de sal: isso foi uma vitória da economia nova, na qual os recursos se produziam não para as exportações, senão para o consumo interior em massa".

Aqui também é oportuno dizer duas palavras sobre os "velhos crentes", sectários religiosos, que não aceitaram a Reforma da Igreja do czar Alexei Mijailovich (pai de Pedro, o Grande). Perseguidos, queimados vivos pelos Romanov, os velhos crentes para o século XIX ficaram marginalizados, eles não tiveram o acesso ao crédito estatal, tinham que pagar os impostos altos, etc. Assim, que eles formaram sua própria rede de negócios, orientada ao mercado interior (a diferencia dos exportadores Romanov). Segundo o historiador Alexander Pýzhikov os ultraconservadores velhos crentes, odiando aos Romanov e seu Império de São Petersburgo, até finanсiaram aos bolcheviques e podem ser considerados igual a certos generais do Exército Imperial como um dos elementos do projeto soviético.

Auto-psicanálise do Império Russo

Igual aos Impérios ocidentais o Império Russo financiou as missões antropológicas para entender melhor suas autocolonias. Mas a antropologia russa foi necessária apenas para estudar aos próximos russos e não aos distantes indígenas. Neste sentido os ministérios autocoloniais da Rússia foram o Ministério dos Assuntos Internos e Ministério de Terras Estatais. É importante que o primeiro dicionário da língua russa foi feito justo no marco duma investigação de seu próprio povo, organizada pelo estado (dicionário de Vladimir Dal). "August von Haxthausen, antropólogo prussiano (!), contratado pelo governo russo "...descobriu a comunidade de camponeses com suas "redistribuiões" regulares - redistribuições de terra entre as famílias de camponeses em função de suas necessidades. - escreve Alexandr Etkind. - Graças a estas redistribuições a terra fica baixo controle da comunidade e não de indivíduos. <...> Quando a elite russa vivia uma vida usual, baseada na propriedade privada e vícios sociais, os camponeses russos conservavam uma tradição nobre de república, oculta e desconhecida antes: a comunidade era "uma república livre e bem organizada", escreveu Haxthausen".

Contemporâneo de Haxthausen, emigrante político russo Alexandr Herzen considerou as comunidades democratas de camponeses como inicio e coração do socialismo russo, oposto ao Império de São Petersburgo. O conflito entre a comunidade de camponeses e Império vai se resolver mediante uma revolução, esperava Herzen: "É impossível destruir a comunidade de camponeses na Rússia, somente se o governo não vai decidir exiliar ou executar a varios milhões de pessoas". A tentativa de tal destruição de comunidade vai acontecer na época de Nikolai II mediante a reforma de Pyotr Stolypin (icone dos liberais russos do período pós soviético).

Alexandr Etkind não acha, que as comunidades de camponeses sejam só uma coisa russa, as comunidades são um controle remoto universal de Impérios, que costumam deixar uma parte secundária de gestões para os níveis mais baixos de pirâmide.

"As metrópoles estavam se tornando os estados nacionais, quando em suas colonias os Impérios não lidavam com os indvíduos, senão com os grupos organizados deles. Nos Impérios entres os indivíduos e estados existe um nível intermediário, que dá a origem e sentido à vida real - às práticas religiosas e cambio das gerações, procedimentos jurídicos e direitos de propriedade, cobrança de impostos e ajuda aos necessitados. No Império Russo tais grupos se chamavam as comunidades ou sociedades. Entre os judeus da Europa do Leste e da Rússia tais grupos se chamavam kahais. No Império Otomano eles se chamavam milletos, no Áustro-Húngaro - autonomias culturais".

Se para Haxthausen as comunidades de camponeses eram uma forma do comunismo natural, próprio à raça eslava, para muitos filósofos eurocentristas posteriores tal forma de agrupamento era um jeito de melhorar a eficiência de exploração (que no caso da Rússia pôde provir tanto dos mongóis, como dos Romanov, portadores da tradição colonial do Ocidente!).

O Império tinha interesse em que suas colonias internas se construíssem com base no princípio duma comunidade fechada, - escreve Alexandr Etkind. "Nas terras virgens e num ambiente hostil prosperava a gente, reunida pelas fortes relações não econômicas e também pela incomum ética de trabalho e pelas muito originais normas de vida coletiva". Etkind considera muito importante a influência da Igreja dos Irmãos Morávios sobre os russos ortodoxos, tártaros muçulmanos e calmucos budistas na região do rio Volga (veja a história da colônia alemã em Sarepta, perto de Tsarítsino (XVIII), o lugar que no século XX vivenciou um enfrentamento épcio entre os alemães e russos na batalha de Stalingrado).

Assim o coletivismo russo foi uma ferramenta de autocolonização, uma ferramenta prestada dos Impérios ocidentais e com uso da experiência de sectários protestantes! Alexandr Etkind formulou o aforismo: colonização = coletivização (como uma forma da administração imperial indireta, usada pelos Impérios por todo o mundo para evitar as explosões de violência e para frenar o nacionalismo). As comunidades de camponeses não são uma república, - deduz Etkind, porque não são associações voluntarias, que formam uma sociedade civil com uma solidaridade orgânica, "são pequenas prisões de povo", poderia dizer Etkind.

Hegemonia negativa, Orientalização das elites e Universalidade da Literatura Russa

O Império Russo não conseguiu dar para os povos autocolonizados nada positivo, - diz Etkind, - e ressalta que outras civilizações seja britânica, francesa, etc. também não conseguiram isso. É muito estranha esta afirmação e obviamente é errada no caso do" Império de cabeça para baixo" da URSS.

Ao mesmo tempo a nação imperial russa tem uma característica surpreendente de se assimilar aos povos conquistados, - reconhece Alexandr Etkind. Seu perfil imperial é único: humilde, responsivo e cosmpolita. Alexei Jomiakov escreveu nos anos 1840: "Ninguém americano nos EUA... não fala língua dos Peles Vermelhas... <...> O russo vê a todos os povos, delimitados nas fronteiras sem limites do Czarato de Norte, como seus irmãos, e até os Siberianos durante seus discursos de noite com frecuência usam a língua de seus vizinhos, Iakutos e Boratos. O cossaco arrojado de Cáucaso se casa com uma mulher dum aul Checheno, o camponês russo se casa com uma tártara ou mordovka, e a Rússia considera como sua gloria e alegria um bisneto do negro Hannibal <poeta nacional russo Púshkin>, quando os amantes de liberdade e pregadores de escravidão em América lhe negariam o direito da cidadania".
  
A assimilação também é uma característica de certas elites russas, que igual oo povo russo, se assimilavam às elites dos povos colonizados. Eu diria que as elites russas nas etapas de desenvolvimento se avatarizavam, mas continuavam construindo seu Império, sacrificando suas vidas igual ao povo russo, que suportava o peso principal do Império estranho.

Alexandr Etkind a pesar de sua visão critica do estranho imperialismo russo, reconhece o êxito da língua russa, como uma ferramenta de conscientização. "Quando os populistas russos, judeus-sionistas, ativistas muçulmanos se encontravam nas prisões de czar, eles discutiam a arte dos grandes escritores russos, de Púshkin a Tolstói. Olhando para trás a literatura russa parece uma ferramenta da hegemonia cultural extraordinariamente exitosa. Com seus clássicos, hereges e críticos a literatura russa conquistou mais admiradores entre os russos não russos e inimigos da Rússia do que outros empreendimentos do Império. Ao estandardizar a língua, ao criar um círculo comum dos significados e de tal jeito ao reunir seus leitores multilíngues, a literatura resultou um patrimônio muito valioso. Os czares e censores pouco entenderam e pouco valorizaram isso. Por isso o Império caiu, mas a literatura o sobreviveu".

Páthos anti-imperial de radicais e sectários

Tanto os ocidentalistas como os eslavófilos partiam da necessidade de superar o Império, inspirados nas idéias de Iluminismo, revolução americana, crítica da política britânica na Índia e antes de tudo, na rebelião polaca contra o Império Russo! Apoteose desta tendência foi a escola do historiador radical marxista Mijail Pokrovski (na etapa da chefia no partido de V.Lenine), quando, grosso modo, os líderes russos como Alexandr Névski ou Dmitri Donskoi se qualificavam como "inimigos de classe". Para a primeira fase da Revolução Russa o Império Russo foi uma "prisão dos povos".

É curioso que os radicais revolucionários também vissem os sectários religiosos (oponentes da Igreja Ortodoxa Russa) como um recurso da futura revolução. Mijail Bakúnin dizia que desde os tempos antigos o socialismo foi um modo de viver para os camponeses, sectários e ...gangues de ladrões. Os elementos anti-estatais se confundem com os elementos anti-imperiais. O anarquista Bakúnin foi um dos pais da Revolução Russa, quem inspirou o movimento dos populistas, intelectuais que dedicavam sua vida à educação do povo. Os populistas e seus seguidores socialistas-revolucionarios consideravam a "comunidade de camponeses" como um núcleo da futura sociedade de justiça. Contrariamente os liberais e social-demócratas (bolcheviques de Lenine também) achavam que a "comunidade" é um elemento arcaizador que deveria ser destruído. Nos termos de Alexandr Etkind Lenine poderia-se dizer que a decolonização dos povos da Rússia deve ser feita através da descoletivização. O governo do Império sem entender isso muito bem, compartía a visão dos liberais e social-democratas euro-centristas (na Europa a comunidade já foi destruida, os camponeses se atomizaram e foram embora para as cidades, onde se tornaram operários!). O filósofo Serguei Kara-Murza até chamou ao primeiro-ministro de Nikolai II Pyotr Stolypin "o pai da revolução russa", porque Stolypin mediante a pauperização dos camponeses e estimulação da saída de comunidades quis liquidar as comunidades de camponeses e criar uma nova burguesia de campo. Sua reforma contraria ao espírito de povo fracassou absolutamente e no contexto de I Guerra Mundial levou o país para 2 revoluções de 1917, que se acabarão com o triunfo de "comunidades de camponeses", modernizados até os "koljozes" no campo e "coletivos de operários" nas cidades.

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пятница, 1 мая 2015 г.

a churrasqueira «Kremlin»

Os kievanos que apóiam os bombardeios da artilharia pesada contra os civis no russófilo Leste da Ucrânia em mais um chilique de russofobia inventaram a churrasqueira «Kremlin».


A primeira churrasqueira Kremlin foi de 3 metros de comprimento! – graças a Deus que não de 2,2 quilômetros, como o Kremlin real. Mas os modelos novos são mais pequenos – para transportar em carro. O novo produto gerado pela criatividade ucraniana custa 50 dólares. O público-alvo devem ser os soldados dos EUA, que vieram à Ucrânia para preparar uma agressão contra a Rússia.

Duvidamos que esta recém lançada churrasqueira Kremlin tenha muito êxito entre os ucranianos – nos anos próximos eles não vão ter dinheiro para desfrutar de churrascos. Conforme o otimista FMI em 2015 as rendas vão cair por 15%.

A renda média anual hoje é menos de 5 mil dólares: depois de Maidan os ucranianos não fizeram parte da Europa, senão da África [1. ].

Possivelmente os autores da churrasqueira Kremlin foram inspirados pela performance de uma artista de Kiev, que no marco da “guerra híbrida” colocou um pedaço de carne sobre sua cabeça e assim posou com o Kremlin ao fundo [2. ].



Era difícil entender a mensagem da mulher, mas pelo menos agora tudo faz sentido: carne, Kremlin ... e churrasqueira.

Não haverá churrascos, como já dissemos. Mas ver o Kremlin em chamas – isso pode ser realizado. A queima de um Kremlin condicional – como um símbolo do poder – é o cume de cada ciclo da história russa. Depois de cada incêndio a Rússia renasce. A comparação da Rússia com a ave Phoenix já é um clichê nos textos sobre a Terceira Roma.

- Moscou foi queimado pelos mongóis no século XIII e a desintegrada e fraca Rússia virou um forte estado da Horda de Ouro.

- o Kremlin foi incinerado em meados de século XIV, o reconstruímos com pedra branca, depois o príncipe Dmitri do rio Don eliminou um exército dos mongóis no campo Kulikovo e deixou de pagar o tributo. Moscou estava digerindo a Horda de Ouro.

- o Kremlin foi destruído pelo incêndio de 1547 – no ano da coroação de Ivã, o Severo e a Rússia post Horda virou o Czarato Russo, que vai integrar o khanato de Casão e o de Astracão plus Siberia.

-  Ao início do século XVII Moscou e Kremlin foram sitiados pelas milícias russas, que bloquearam na capital da Rússia aos polacos junto com os cossacos ucrainoides, mercenários dos oligarcas polacos. Uma parte da elite de Moscou esteve pronta para beijar as botas do rei da Polônia Sigismundo III ou de seu filho – Vladislau IV. Um incêndio mais. No resultado o Czarato de Moscou virou o Império Russo, quando a Polônia desapareceu da grande política para sempre.

- Também aconteceram os incêndios durante o século XVIII – a alemã Caterina II até iniciou a demolição das muralhas do Kremlin com o objetivo de abrir o Grande Palacio de Kremlin para o rio Moskva (a maneira de São Petersburgo). Então o Kremlin quase foi destruído! Os Romanov quase acabaram com a Rússia, cedendo o controle sobre o país para os bancos estrangeiros. A mesma elite russa ao viver suas vidas em Paris esqueceu da língua russa...

- Mas Europa procura o controle absoluto: uma vez mais o Kremlin é queimado por Napoleão em 1812. A Rússia vive uma reação tradicionalista com Nikolai I e entra no conflito prolongado com Ocidente (a guerra quente da Criméia e a guerra fria do século XIX, conhecida como The Great Game).

- o Kremlin foi bombardeado pelos bolcheviques em 1917 e a Rússia, levada pelos Romanov para um beco sem saída se transforma na brilhante URSS.

- a Rússia Soviética se queima em 1993, quando os liberais atiraram o Conselho Supremo da Rússia, mas 20 anos depois a Rússia esta virando a União Eurasiática. 

Resumindo, não estamos contra a churrasqueira Kremlin. Não! Aquilo que não nos mata nos torna mais fortes.

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1. Na URSS alguns artistas-dissidentes foram reconhecidos como deficientes mentais ou perturbados sexualmente, e mandados para as clínicas especiais. Hoje é evidente que tal prática era bastante razoável: http://www.theguardian.com/uk-news/2015/apr/27/russian-dissident-vladimir-bukovsky-to-be-charged-over-child-abuse-images

воскресенье, 12 апреля 2015 г.

A Ucrânia é a mesma Rússia, só possessa pelo Ocidente

"Tempo de Dificuldades", uma constante da história russa.

Já passou um ano desde o início da guerra civil na Ucrânia, que evoca à memoria histórica dos russos o Tempo de Dificuldades do século XVII. Sofrendo de uma crise econômica e ideológica a Rússia ao final do século XVI caiu numa guerra civil total e esteve prestes de ser repartida entre a Polônia-Lituânia e a Suécia. Naquele tempo os cossacos («proto-ucranianos»), descontentes com o governo do tsar Boris Godunov, acompanharam os exércitos privados de oligarcas polacos em sua campanha contra a Rússia. É interessante que na primeira etapa o impostor Dmitri, o Falso I até foi bem recebido pelos russos, como um Dmitri “de Verdade” (como um filho legítimo do tsar-modelo Ivã IV, o Severo)!

Obviamente nos momentos da fraqueza do estado russo, suas periferias ficam vulneráveis para a manipulação dos inimigos e produzem as hordas dos cães selvagens, que levam a guerra para Moscou, ativando aos radicais políticos, elites contrariadas e grupos criminosos locais. O «Tempo de Dificuldades» se repetiu uma vez mais no início do século XX e está se repetindo agora mesmo on-line.

Sim, por um lado vemos uma transfiguração positiva da sociedade russa: os medíocres artistas de cinema viram os anjos da ajuda humanitária, os lavadores de autos viram os comandantes de tropas de elite – nossa sociedade, atomizada e humilhada durante os últimos 20 anos pela continua Reforma de Choque, depois da Criméia mostra uma surpreendente solidaridade e autoestima, produz aos verdadeiros heróis e lendas. Por outro lado também se manifestaram os nossos defeitos, se despertaram os nossos demônios. Nós continuamos no vácuo ideológico, preenchido pelo clericalismo medieval e antisovietismo vulgar do grupo governante, continuamos o curso neoliberal da econômia, quando a maioria do povo considera este curso fatal. A linguagem propagandistica do Kremlin é confusa e fraca.

Os calcanhares de Aquiles Russo

Sem dúvida a Criméia foi uma mudança radical do clima político na Rússia. A reintegração da Rússia com a Criméia colocou o grupo governante de Putin no mesmo barco com o povo. Agora não só os russos são um «povo errado» (conforme à russofobia ocidental, cuja história começa no século XI desde o Cisma da Igreja de 1054), agora o nosso líder nacional também perdeu sua coroa do “único europeu no país bárbaro”. Já não é um gerênte do capital estrangeiro, como Pinochet, mas quem é? O ditador argentino que quis reconquistar as Ilhas Malvinas, Leopoldo Galtieri? Ou um novo Lenin-Stalin, que pode re-sintetizar a grande Rússia numa forma moderna? Então, esperamos que o grupo governante e as elites também compartam o preço que pagamos por ter recuperado nossa subjetividade. Se não observamos este balanço, nos espera uma repetição das catástrofes do século XVII, dos anos 1917 e 1991, quando os grupos governantes perderam o controle sobre as elites e ao mesmo tempo perderam a confiança e respeito do povo.

Nova Ucrânia e Nova Rússia (Novorossiya)

Na dimenção global da guerra civil ucraniana vemos por um lado aos ucranianos pró-EUA e por outro lado aos ucranianos pró-Rússia.

Os pró-EUA acham que esta guerra é uma agressão da Rússia que quer liquidar a Ucrânia, porque esta Ucrânia é só um parasita intermediário do negócio entre a Rússia e a Alemanha. É lógico que esta Ucrânia parasita lute por sua sobrevivência, mobilizando seus recursos humanos com ajuda dos canais midiáticos e administrativos que ela controla. Esta Ucrânia afirma que a Rússia atual e seu negócio com a Alemanha é um nonsense, a Rússia atual deve ser destruída e substituida por uma Nova Ucrânia. Esta Ucrânia não quer tanto se associar com a UE, como ela quer destruir e substituir a Rússia, por isso ela se associa mais com os EUA.

Os pró-Rússia acham que esta guerra é uma agressão dos EUA contra a Rússia a fim de reconfigurar o mercado europeu de energia e congelar os projetos globais da Rússia (União Euroasiática, BRICS, OCX, etc.). É lógico que esta Ucrânia pró-Rússia se associe com a Rússia e tem medo da perda de controle sobre sua riqueza natural e industrial. Esta Ucrânia pró-Rússia afirma que as ambições da Ucrânia parasita são um nonsense, a Ucrânia atual deve ser reformatada e substituída por uma Nova Rússia.

A esta altura do campeonato vemos que os EUA financiam aos radicais neonazistas ucranianos, a bandeira dos EUA está colada sobre o escritório do SBU em Kiev (Serviço da Segurança Estatal), onde os consultores dos EUA ocupam um andar completo e tomam todas as decisões importantes para Kiev. Claro, que a «Ucrânia» atual é um protetorado dos EUA! Para os EUA «Ucrânia» é um “vírus trojan” que deve “crackear o disco duro” da Rússia e roubar seu dinheiro.

Ao mesmo tempo vemos que a Rússia apoia aos rebeldes do Leste, a bandeira da Rússia está colada sobre o prédio da OGA em Donetsk (Administração da RPD), os consultores do Kremlin também tomam todas as decisões importantes para as RPD e RPL. A Novorossiya atual é um protetorado da Rússia! A Novorossiya é um “vírus trojan” para “crackear o disco duro” da Ucrânia parasita e se livrar de suas comissões.

Ok, a situação esta clara ao nível global, mas na dimenção local, ao nivel molecular da movida vemos por um lado aos ucranianos russofóbicos e por outro lado - aos ucranianos russófilos. Se os primeiros lutam por uma Nova Ucrânia, purgada dos tarados elementos russos. Os segundos lutam por uma Nova Rússia, purgada dos tarados elementos ucranianos.

Washington financia a Nova Ucrânia só em parte, é possivel que a maior parte do financiamento das Forças Armadas da Ucrânia venha da sociedade da Ucrânia mesma (doações tanto voluntárias, como forçadas). E este mesmo fenômeno é característico para a Nova Rússia, que recebe a maior parte do financiamento não de Moscou, senão da sociedade russa.

Fator étnico e lingua

Fator étnico e lingua não são decisivos para esta guerra. Muitos russos étnicos lutam nas Forças Armadas da Ucrânia pró-EUA, como também muitos ucranianos étnicos lutam nas Forças Armadas da Novorossiya pró-Rússia. Há mais ucranianos étnicos nos governos da RPD e RPL que no governo da Ucrânia (que também tem aos ministros estrangeiros, criados nos tubos de ensaio da CIA – são representantes dos EUA, Lituânia, Geórgia). Ambas as partes ainda falam russo: um 83% dos cidadãos da «antiga» Ucrânia eram russo-falantes nativos em 2008 [1.] (os ministros estrangeiros falam russo também!).

Ou seja, não se enfrentam tanto as etnias ou línguas, como dois modelos de Futuro: uma Ucrânia derrussificada e pró-EUA e outra Ucrânia pró-Rússia. Os russos e ucranianos, que falam o idioma russo e lutam por uma Ucrânia pró-EUA, acham o “mito ucraniano” superior ao “mito russo” [2.], eles sendo falantes de russo querem que seus filhos num futuro próximo falem a língua ucraniana, eles estão a favor de uma ucranização e derrussificação forçadas. Mas isso não acontece na Criméia e Novorossiya, onde tem várias línguas estatais: russa, ucraniana, tártara (na Criméia), como também há ideias de introduzir a língua grega para a Novorossiya. Constamos que se enfrentam dois conceitos: assimilação forçada e um mosaico imperial. Enfrentamento esse que também se verificou na desintegração da Iugoslávia em locais como Krajina contra a Croácia Neo-Ustashe, na Republika Srpska contra a Bósnia Neo-Otomana e em Kosovo contra o Exército de Libertação de Kosovo (os três apoiados pelo Ocidente e a OTAN).

É lógico que na primeira etapa da crise se actualizasse o tema da federalização que poderia resolver as contradições. Por que não? A parte pró-EUA e a pró-Rússia se separam e vão embora cada uma para suas casas: já construídas (!) em forma das “euroregiões” [3.]. Mas o tema da federalização foi silenciada pelas elites governantes da Ucrânia: “a federalização deve ser feita desde baixo e não desde cima”. Que argumento mais ridículo (repetido por todos os presidentes da Ucrânia, menos Yanukovich) - como se a Ucrânia unitária não fosse feita desde cima! Como se a guerra civil não é suficiente “desde baixo”. Em lugar de uma separação pacífica a“comunidade mundial” recomenda ao esposos matar um ao outro, muito bom! Mas se pode entender isso: a tarefa não é colmatar diferenças, senão destruir e substituir a Rússia, como feito com a Iugoslávia, o Iraque e a Líbia anteriormente e como está tentando se fazer com a Síria.

Fator nacional vs multinacional

prefeito de Moscou conforme aos neonazistas
Os fatores étnico e linguístico não são suficientemente fortes, embora eles também estejam em jogo: a propaganda oficialista de Kiev costuma elogiar os ucranianos da Galícia (os menos russificados) como os ucranianos modelo [4.], a primeira lei tomada pela junta foi a lei sobre discriminação da língua russa. Mas o desafio principal deste conflito geoeconômico é nacionalização: uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL vs uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [5.], com a primeira sendo apresentada como uma espécie de barreira do Ocidente “civilizado” contra a “barbárie asiática” imputada à Rússia, uma retórica que em sua essência é a mesma da “Muralha do Cristandade Ocidental” usada pela Polônia ao longo de sua história para com seus inimigos meridionais e orientais [6.].

A propaganda ucraniana costuma falar em seu delírio sobre as tropas de chechenos, buriatos, cossacos... As hordas multinacionais da Rússia uma vez mais atacaram a pobre nação ucraniana! É oportuno recordar ao pai da Ucrânia Vladímir Lenin, que escreviu em junho de 1917: “O tsarismo maldito convertia os russos em carrascos do povo ucraniano...”. Os Lenins de hoje que destruem os monumentos aos Lenins de antes diríam em vez do “tsarismo” – “putinismo”. Seja “putinismo”, “URSSismo”, “tsarismo”, “hordismo”, sempre é um enfrentamento entre uma Ucrânia bonzinha/européia/correta/NACIONAL e uma Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL [7.]. Enfrentamento esse que em nada difere do enfrentamento entre a Eslovênia e a Croácia bonzinhas/européias/corretas/NACIONAIS e a Iugoslávia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL na década retrasada.

Nacionalismo russo entre EUA e EUA

É curiosa a situação na qual se encontram hoje os nacionalistas russos. Eles também odeiam a Rússia monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL e igual aos nacionalistas ucranianos querem assimilar as etnias diferentes de seu país. Uma parte deles inveja muito aos nacionalistas ucranianos, apoia aos ucranianos pró-EUA, porque eles querem destruir a Rússia de hoje, uma Rússia “errada” (conforme a eles). Ao mesmo tempo resulta que estes nacionalistas russos para destruir a Rússia multinacional sacrificam aos russos étnicos mesmos, que moram no Sudeste da Ucrânia [8.]. Outra parte dos nacionalistas russos apoia a Nova Rússia, que deve virar uma base para a revolução nacional na Rússia mesma, eles querem acabar com a Ucrânia como com um projeto anti-russo e espalhar a “primaveira russa” na mesma Rússia. Possivelmente muitos destes nacionalistas entendem que a “primaveira russa” na mesma Rússia não tenha muitos chances, eles vem que a Novorossiya está virando um protetorado da Rússia tão odiada, mas eles não podem tolerar as purgas étnicas contra os russos no Leste da Ucrânia.

Vemos que uns nacionaliatas russos apoiam o nacionalismo ucraniano, porque este é uma velha boa arma do Ocidente contra o “Império Russo”, quando os outros nacionalistas russos apoiam aos russos étnicos na Ucrânia, porque acreditam na conscientização nacional dos russos a base da luta pela liberação nacional da Novorossiya contra o chauvinismo ucraniano. Uns esperam a revolução nacional russa mediante a ajuda para Ucrânia, os outros a esperam mediante a luta contra a Ucrânia.

Contudo ambos nacionalismos: tanto russo (ucrainófilo e ucrainofóbico), como ucraniano odeiam o «Império Russo». Por isso teoricamente os EUA poderiam financiar ambos! Agora os EUA mantem o nacionalismo ucraniano, mas há idéias de “distribuição de pão e biscoitos” para os nacionalistas russos também. A confederação da Ucrânia e ajuda total ao estado nacional dos russos da Novorossiya é uma receita do jornal conservador “The American Thinker” [9.]: o Ocidente deveria abandonar o projeto “Ucrânia”, porque é uma piada de Deus, o Ocidente deveria crear uma república nacional russa em Novorossiya, um modelo a seguir para a mesma Rússia (tipo a Alemanha Ocidental para a Oriental, a Coréia do Sul para a do Norte, o Iêmen do Sul para o do Norte, Taiwan para a China)! Embora esta oferta seja exótica ela tem sua lógica, e tecnicamente é factível...

Caramba! Certos nacionalistas russos, inimigos do «Império Russo» até se sentem esquecidos pelos EUA e roubados pelos nacionalistas ucranianos. Um dos líderes dos radicais neonazis russos Dmitri Diómushkin diz que o nome “Pravi Sektor” (trademark) foi roubado dele. O redator do jornal nacionalista glamour mais popular da Rússia “Sputnik e Pogrom” Egor Prosvirnin quis abrir uma filial de seu jornal em Kiev, mas também foi roubado pelos ucranianos: afirma que lhe roubaram a idéia e o nome “Petr e Mazepa”. Os redatores de “Petr e Mazepa” reconhecem o fato de roubo e oferecem seus serviços aos EUA – de um bocal de nacionalismo russo numa Ucrânia pró-EUA. Por agora a idéia de uma Nova Rússia pró-EUA parece bizarra, mas se o projeto da “Ucrânia” falha, una Nova Rússia pró-EUA vai virar atual! De todas as formas se a Rússia «monstruosa/asiática/errada/MULTINACIONAL» não conseguir gerar um novo projeto combinatório mais viável do que as aventuras sanguinárias dos EUA e seus lacaios da UE, é muito possível que os selvagens cães liberais e nacionalistas cheguem à guerra civil para Moscou, como já foi feito no século XVII.

Edição de Eduardo Consolo dos Santos

1. http://www.gallup.com/poll/109228/Russian-Language-Enjoying-Boost-PostSoviet-States.aspx?utm_source=Russian%20Language&utm_medium=search&utm_campaign=tiles

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/06/maidan-ou-horda.html

3. Euro-região Donbass: Lugansk, Donetsk (Ucrânia) + Rostov, Voronezh (Rússia); euro-região Dnepr: Chernigov (Ucrânia) + Briansk (Rússia) + Gomel (Bielorrússia); euro-região Slobozhanshina: Kharkov (Ucrânia) + Belgorod (Rússia); euro-região Karpaty: 19 regiões da Ucrânia, Polônia, Eslováquia, Hungria e Romênia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Euro-regi%C3%A3o

4. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/03/dividir-ucrania-para-conquistar-russia.html

5. http://www.globalresearch.ca/ukraine-military-high-command-confirms-no-russian-invasion-or-regular-troops-presence-of-nato-forces-in-donbass/5431369

6. http://en.wikipedia.org/wiki/Antemurale_myth

7. http://guiademoscou.blogspot.ru/2015/02/eterno-retorno-de-stalinismo.html

8. http://www.pco.org.br/internacional/lider-neonazista-diz-que-os-moradores-de-donbass-deveriam-ser-deportados/apib,o.html

9. http://www.americanthinker.com/articles/2015/04/ukraine_a_contrarian_approach.html#ixzz3WBhvkGA1

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суббота, 4 апреля 2015 г.

Moscou: o destino mais econômico e mais seguro em 2015

Moscou é uma das cidades mais seguras para o turismo na Europa. Pelo menos nossa capital não costuma aparecer nas listas das cidades-berços de trombadinhas. Os clientes do "Guia de Moscou – Private Tours” quase sempre admiram a segurança de Moscou, quando fazemos os city-tours de noite: andamos tranquilos pelos parques periféricos e vemos por todas partes os casais de namorados - ninguém mostra nenhuma preocupação com a segurança, uma coisa impossível para a maior parte dos países de LA e para muitos países de Europa.

Vamos dar uns exemplos pessoais: em 2006 perdemos nossa câmera de fotos Contax g2. Esta câmera analógica de $1000 era nosso único capital - então no dia seguinte (depois da festa), quando descobrimos que perdemos ficamos muito tristes. Fomos para a suposta área da perca e posteamos uns 5 anúncios – os donos de cães que passeiam pela manhã eram nossa única esperança. Em umas 4 horas a pessoa que encontrou a câmera nos ligou e neste mesmo dia tivemos nossa câmera recuperada.

Outro exemplo ainda mais "terrível". Nossa família não tinha carro, então não havia «culto ao carro» e quando compramos o primeiro carro em 2010 sempre esquecíamos fechar os vidros, geralmente os vidros ficavam quase fechados, então não havia problemas, mas uma vez quando chovia muito e nosso pára-brisa ficou embaçado, abaixamos  todos os vidros e depois de chegar para nosso predio, estacionamos o carro entre outros 2 e saímos correndo. Passaram uns 3 dias, que não usávamos o carro. Então um dia voltamos para casa andando e vimos nosso carro totalmente aberto! Foram embora os outros 2 carros, que nos cobriam antes, e nosso carro ficou sozinho e 100% desprotegido com todos os vidrios abaixados! Caramba! Pois não nos roubaram nada: nem pen-drive que estava dentro! Então, é verdade que Moscou graças ao nível muito alto de vida é uma das cidades mais seguras do mundo.

Ao mesmo tempo nossa capital é bastante vulnerável para o terrorismo (igual a qualquer capital européia). Estamos relativamente perto das zonas de instabilidade criadas pelos EUA, conforme a sua ideia de caos controlados: Kosovo, Ucrânia, Geórgia, Afeganistão, etc. O Global Terrorism Index em 2014 colocou a Rússia em posto № 11 (entre 124 países). Não tenham medo, meus amigos, estas estatísticas são bastante questionáveis. Atenção: elas não tem a ver com a Ucrânia: em 2011 (antes da guerra civil na Ucrânia) a Rússia já tinha o posto № 10. As causas destas alertas antiterroristas são os enfrentamentos no Cáucaso, onde passa uma das rotas de tráfico de heroína, produzida pelos EUA no Afeganistão. Obviamente este tráfico alimenta aos terroristas e saboteadores no Cáucaso. No Cáucaso, meus amigos, não em Moscou. O Cáucaso fica 2000 quilômetros da capital russa. Também é um dos destinos mais interessantes do mundo, mas agora estamos falando de Moscou.

Resumindo, queremos repetir que embora a Terceira Roma seja muito segura para o turismo, isso não significa que você tem que relaxar-se completamente. O turismo está crescendo na capital russa e não estou dizendo que aqui não haja ladrões, tem sim, embora muito menos que em São Petersburgo ou em outras cidades europeias.

Também é interessante que sendo uma das cidades mais seguras, Moscou é uma das cidades mais econômicas de Europa: os serviços de Moscou são mais econômicos do que os de Lisboa, Madrid e Barcelona: entre as 55 cidades europeias temos o posto № 20 conforme à agência estadunidense PriceoftravelQuando os tours completos para Moscou em 2015 foram considerados os mais econômicos entre todos os destinos európios (falamos não só sobre os serviços da cidade, senão também do custo de avião)*. Esperamos que a devaluação do rublo abra ainda mais nosso belo Moscou ao mundo. Bem-vindo a Moscou!

*Os aeroportos de Moscou são os mais econômicos, para voar de Nova York, Atlanta e Toronto sem falar da Europa, onde aeroportos iguais aos nossos não tem (pela barateria).

среда, 4 февраля 2015 г.

2GM: refresquemos a memoria

De vez em quando todos oimos falar as coisas tipo:


Que diabo é que celebramos a Vitória na Segunda Guerra Mundial em Moscou?


Os alunos americanos já sabem que na Segunda Guerra os EUA guerrearam contra a Alemanhã Nazista e contra a URSS comunista, só acabaram com os nazistas em 1945 e com os comunistas em 1991.

Meu Deus! Os EUA acabam com os tiranos cada ano! Por que falamos tanto da 2GM. Basta!


Estas bobagens podem ser indiscutíveis nos EUA, mas hoje elas também viram uma norma entre as elites periféricas da Europa (países como Polônia, cujos cidadãos não se consideram da "primeira classe", onde as elites preparam seus povos para a missão da bucha de canhões). Refresquemos a memoria, por favor.

Ocidente é culpado na tragédia

Em 1936 o Japão e a Alemanha assinam o Pacto Anti-Komintern, dirigido contra a URSS. O Japão e a Alemanha consideram a URSS o alvo principal de sua expansão neocolonial. Londres e Paris fazem a vista grossa sobre a militarização da Alemanha (violando o Tratado de Versalhes de 1919).

Claro, que a URSS alerta intenta criar um sistema de segurança na Europa. No dia 2 de Maio de 1935 a URSS assina o Tratado de Amizade, Cooperação e Ajuda Mútua com a França e a Checoslováquia (os objetos potenciais da agressão germânica).

Desde o abril de 1935 até 1938 a URSS oferece à Inglaterra e a França combinar um Tratado Trilateral, mas não recebe nenhuma resposta concreta até quando ambos os países ocidentais façam um tratado ...com Hitler (Acordo de Munique). "Obsequiamos a Hitler a Europa de Leste para que nos deixe em paz".

Londres e Paris observam com calma a intervenção da Alemanha na guerra civil da Espanha, a introdução das tropas alemãs na zona desmilitarizada da Renânia, o Anschluss da Áustria.


O dia 30 de setembro de 1938 é uma das páginas mais vergonhosas na história do Ocidente: foi assinado o Acordo de Munique (na historiografia russa "Conspiração de Munique"). Londres e Paris bendizeram Hitler para anexar os Sudetos da Checoslováquia.


Em 1939, já bendito pelas potencias mais fortes da Europa, Hitler decide destruir o estado da Checoslováquia. A França não reage, embora ela tenha as obrigações de aliado ante a Checoslováquia [1]!

Em agosto de 1939, Moscou outra vez intenta assinar um Acordo Trilateral com a França e Inglaterra, mas Paris e Londres não querem tomar nenhuma responsabilidade [2].

Obviamente os grupos governantes do Ocidente não viram nada ruim na agressão da Alemanha Nazista contra a URSS.

Como disse Churchil: "O Munique e muitas outras coisas convenceram o governo soviético que nem Inglaterra, nem França não iriam combater, até quando não fossem atacados, e até neste caso elas seriam inúteis".

A URSS ganha tempo, vai resistir sozinha

Em 23 de agosto de 1939 a URSS, o último de todos, assinou com a Alemanha Nazista o Pacto de Não Agressão [3]. O pacto Mólotov-Ribbentrop foi assinado nas condições da agressão da Japão (no auge dos combates no rio Khalkhin Gol) [4]. O objetivo do pacto é ganhar o tempo e se preparar por conta do inimigo.


Sublinhemos outra vez: a URSS não foi primeiro que assinou um pacto com a Alemanha:

Em 1935 a Polônia assinou o Pacto Beck-Ribbentrop;

Em 1935 a Inglaterra assinou o Pacto Hoare-Ribbentrop;

Em 1938 a França assinou o Pacto Bonnet-Ribbentrop. Este pacto foi dramático para os pequenos países da Europa Continental: se a França tem medo de Hitler, naturalmente a Hungria e a Romênia começam a se reorientar para Berlim;

Em 1938 a Dinamarca;

Em 1939 a Letônia e a Estônia assinaram os Acordos da Paz e Amizade com a Alemanha Nazista;

Em 1939 a URSS, o último de todos, assinou o Pacto Mólotov-Ribbentrop.

A histeria ao redor dos protocolos secretos do Pacto Mólotov-Ribbentrop (sobre o delineamento banal das esferas de influência) útimamente virou um pretexto para demonizar a URSS como um país agressor igual à Alemanha e Japão. Então, se a Rússia é sucessora da URSS, ela também deve pagar as indemnizações à Letônia, Lituânia, Estônia, Polônia, etc. Seria oportuno, se a Rússia fosse marginalizada e expulsada da ONU, - deduzem os "intelectuais" manipuladores.

O caso da Polônia

A URSS em certo sentido decidiu os destinos da Polônia e os Países Bálticos (para mudar a frente de suas fronteiras o máximo possível). Mas antes a Inglaterra e a França decidiram o destino da Checoslováquia em 1938! [5].

Contudo o Pacto Mólotov-Ribbentrop não pressionou o gatilho da guerra. A Diretiva de Hitler sobre a agressão contra a Polônia Fall Weiss ("Caso Branco") aparece já em três de abril de 1939 - antes do Pacto Mólotov-Ribbentrop.

Quando as tropas da URSS entraram na Bielorrússia Ocidental e na Ucrânia Ocidental a Polônia como tal já deixou de existir, seu governo fugiu do país! Não se pode falar da nenhuma "punhalada nas costas".

Também a desavergonhada elite da Polônia deve lembrar, que a Polônia em princípio não poderia se opor à Alemanha (até a França não pôde fazê-lo), a Polônia igualmente seria ocupada! A questão foi se Hitler obteve só uma parte da Polônia ou todo o país.

Além disso, o Pacto Mólotov-Ribbentrop não interferia à Inglaterra e França ajudar à Polônia, que tinha com eles os acordos respectivos. A Polônia atual, vassala dos EUA deve dirigir suas reclamações para a Inglaterra e a França.

Às vezes dizem que a URSS deveria ajudar à Polônia e a França. Mas a Inglaterra e a França mesmas evadiram as assinaturas do respectivo acordo com a URSS. A Polônia "vitimada" diretamente excluiu qualquer cooperação com a URSS. Não vamos lembrar que para 1938 a Inglaterra, a França, a Polônia já assinaram os pactos de não agressão com Hitler. A Alemanha denunciou seu pacto com a Polônia quatro meses antes do ataque: os aliados tinham bastante tempo para ajudar à Polônia.

Resumindo há de reconhecer que a Inglaterra e a França para o prazer de Hitler sacrificaram não só a Checoslováquia, mas a Polônia também. A França sonhava em dirigir a Hitler contra a URSS. Quanto à Inglaterra, ela também não estava contra a ocupação germânica da França. Como resultado de tal política dos maiores países europeus a Rússia ficou sozinha contra toda a Europa continental, reunida por um país, igual à situação de 1812.

Início da guerra

Em 17 de setembro de 1939 na situação da agressão da Alemanha contra a Polônia, quando o estado polaco quebrou, o Exército Vermelho entrou nos territórios da Ucrânia Ocidental e Bielorrússia Ocidental (terras russas ocupadas pela Polônia no resultado da guerra entre a Polônia e a URSS em 1920-1921).

A Inglaterra e França declaram guerra à Alemanha, mas não tomam nenhuma medida, esperando que a Alemanha continue seu vector oriental.

A URSS se prepara para resistir sozinha. Para mudar a linha da frente de Leningrado a URSS oferece à Finlândia uma troca de terras. A Finlândia recusa e no resultado da Guerra de Inverno em 1939-1940 a Finlândia satisfaz todas as pretensões da URSS.

Em 1940 a URSS se reintegrou com os bálticos (Lituânia, Letônia, Estónia). Os exércitos destes três estados juntos tinham 420 mil soldados, todos eles vão guerrear pela URSS. Se não fosse feito o "delineamento banal das esferas de influência", estes soldados guerreariam contra.

P.S.

Os conspirólogos que deliram publicamente sobre a suposta amizade entre Stalin e Hitler, esquecem facilmente que a URSS ainda em 1936 lutou contra os nazistas alemães e os fascistas italianos na Espanha (quando todo o establishment ocidental estava presente em Berlin, orgasmando com Hitler durante os jogos olímpicos, boicotados pela URSS, naturalmente). Ao mesmo tempo, a partir de 1937 a URSS começou a apoiar a China contra a invasão do Japão.

Notas

1. A URSS conforme ao Tratado de Amizade, Cooperação e Ajuda Mútua, assinado com a França e a Checoslováquia em 1935, deveria atuar só depois da reação da França.

2. A Checoslováquia antecipando a agressao da Alemanha enviou aproximadamente 80 toneladas de seu ouro para a Inglaterra, mas em marzo de 1939 depois de ter ocupado por compelto a Checoslováquia Hitler pediu que este ouro fosse devolto. O chefe do Banco da Inglaterra Montagu Norman e ministro de finansas John Simon fizeram o que pediu Hitler.

3. Depois de que a Inglaterra e a França em 1935-1938 ignoraram os intentos soviéticos de criar um sistema de seguridade na Europa.

4. O Japão declarou um protesta à Alemanha, interpretando o Pacto com a URSS como uma traição. O resultado foi o cambio da direção de expansão nipónica - para o Sul e não contra a URSS. Assim, graças ao Pacto Mólotov-Ribbentrop a URSS liquidou a segunda frente da guerra contra a Rússia.

5. No protocolo segredo do Acordo Halifax-Rachinski de 1939 entre a Inglaterra e a Polônia foi escrito, quando a Inglaterra e a Polônia podem atacar o terceiro país (Alemanha ou "outro país"). Neste protocolo mesmo a Inglaterra de fato obsequiou à Polônia o porto de Danzig (em polonês Gdańsk), cujo direto extraterritorial foi colocado sob a proteção da Liga das Nações. Há milhões de exemplos da intervenção das potências nos assuntos dos terceiros países.

Baseado no manual do historiador russo Vladislav Tsigankov


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вторник, 29 июля 2014 г.

As guerras civis não se acabam

As guerras civis não se acabam. Pode se dizer que a guerra civil russa de 1918 a 1922 se prolongou até o período das purgas dos anos 30 e logo se transformou na Grande Guerra Patriótica (uma parte dos brancos voltou, apoiando os nazistas). Com a queda da URSS o movimento branco foi reabilitado e virou bastante atual para a nova ideologia da Rússia neoliberal. Não obstante, esperamos que o povo russo consiga sintetizar os extremos dos brancos e vermelhos, embora seja muito complicado.

O conflito no Sudeste da Ucrânia não é menos perigoso do que a guerra civil do início de século XX.


Que perspectivas tem a guerra civil na Ucrânia?


Opcão A) Novoróssia [1.]

A encarnação da ideia do novo estado chamado Novoróssia. Para isso a rebelião de Donetsk e Lugansk tem que se expandir até as cidades chave como Odessa, Dnepropetrosk e Kharkov, onde a oposição política pró-Rússia foi exterminada pela inteligência de Kiev. Ao mesmo tempo vemos que até a liberdade para Donetsk e Lugansk custa muito. Para garantir a independência das repúblicas por agora autoproclamadas é necessâria a ajuda da Rússia: não se pode guerrear contra a artilharia pesada e os aviões de Kiev com os AK-47.

Então para realizar o sono da Novoróssia:

- precisamos de ajuda decisiva da Rússia: aviões, tanques, sistemas de DAA.
- precisamos da queda do governo pouco legítimo de Kiev, aliás, precisamos de um novo "Maidan" no contexto da degradação da economia ucraniana pela causa da "euro-integração" e destruição do claster industrial no Leste. O extermínio das povoações pacíficas no Leste da Ucrânia com o exército, mandado por Kiev, deve reduzir a legitimidade do governo fantoche de Kiev aos olhos das elites europeias.

Opção B) Prolongamento do conflito

Ela pode ser benéfica para o governo de Kiev, como justificativa do declínio nos padrões de vida. Também a prolongação é benéfica para a Rússia, porque de tal jeito a Rússia desapaixona aos radicais de Kiev na relação de uma possível agressão contra a Crimeia recém-reintegrada a Rússia.

Opção C) Traição da Novoróssia e reconhecimento da Crimeia

O rechaço da ideia da Novoróssia pode ser feito por Moscou a troca do status neutro da Ucránia e reconhecimento da Crimeia como parte da Rússia. Em certo sentido o projeto da Novoróssia é também perigoso para Moscou, não esqueçamos que o termo "a primavera russa" tem as origens estadunidenses (as demais primaveras dos últimos anos beneficiaram só aos EUA, nesse sentido o Kremlin tem medo da Novoróssia que não somente reconquista os territórios pro-Rússia de Kiev infectado pelo neonazismo, senão também pode virar uma base para a futura reconquista da Rússia dos oligarcas que seguem roubando o país [2.]). Faz pouco tempo "uma das torres" do Kremlin mandou a Novoróssia a um politólogo muito famoso na Rússia para difamar os heróis da resistência anti-Kiev e para semear as dúvidas entre os milicianos: assim, uma parte da elite russa manifestou seu medo de que a Novoróssia pode virar um "Maidan russo". Esse gesto de uma das torres do Kremlin foi muito animador para a quinta coluna na Rússia igual que para as elites ocidentais [3].

Opção D) Traição da Novoróssia e uma guerra pela Crimeia

Ultimamente na Rússia costumamos lembrar das palavras de Churchill dirigidas a Chamberlain depois do Munique: "Deveis escolher entre a vergonha e a guerra: escolhestes a vergonha e tereis a guerra". Assim o plano C) "Traição da Novoróssia" não leva diretamente ao reconhecimento da Crimeia, porque as palavras dos lideres da Ucrânia não custam nada, porque eles não mandam no seu país, ali manda o Serviço da Segurança, sobre a oficina da qual esta vibrando a bandeira dos EUA.

A agressão da Ucrânia contra a Crimeia não pode ser ignorada pela Rússia como o projeto da Novoróssia, obviamente essa guerra aberta dos EUA contra a Rússia vai minar a economia russa e as posições do grupo governante em Kremlin.


É muito perigosa a etnização do conflito:


Na etnização do conflito estão interessados só os radicais nacionalistas da Ucrânia e uma parte dos radicais nacionalistas russos. Não é produtiva a pratica de chamar aos militares ucranianos "ucros": não todos de eles são "ucranianos puros" (uma minoria russofóbica da Galícia, cuja consciência foi desenhada ainda pelos polacos e austríacos entre os séculos XIV a XX), muitos dos militares ucranianos e dos radicais neonazistas ucranianos são russos. A maioria esmagadora do povo da Ucrânia fala russo, por isso a etnização do conflito é perigosa, ela pode levar a criação da nação ucraniana, que nunca existiu! Por isso a guerra civil na Ucrânia trabalha antes de tudo para os EUA e também é muito desejada pelo nacionalismo ucraniano.

Se antes do conflito os nacionalistas ucranianos na realidade sonhavam apenas com a separação da Galícia do resto da Ucrânia pró-Rússia, agora eles sonham com o controle sobre toda a Ucrânia e com a conquista das regiões do sul da Rússia, criando assim a "Grande Ucrânia" tão sonhada por eles (ou seja, uma Ucrânia do Vístula ao Don e do Dnieper ao Kuban, extensão essa idealizada pelo georgiano filonazista Mikhail Tsulukidze na obra "Die Ukraine", escrita em 1939)! Por isso, a guerra civil na Ucrânia não deve ser prolongada e não deve ser cruel.

O estilo gentil da reintegração da Crimeia deve ser o estandarte das forças pró-Rússia.

É necessária a desnacionalização do conflito na Ucrânia. Os nacionalistas de ambos os lados trabalham nos interesses dos EUA. Tanto os radicais da direita ucraniana, como os da direita russa acham que a vassalagem dos EUA é melhor do que o protetorado oligárquico de Moscou. "Se a elite de Moscou investe e conserva seu dinheiro no Ocidente, manda a suas famílias a viver no Ocidente, então para que precisamos de tal elite intermediadora? Para melhorar o nível de vida na Rússia temos que trabalhar com Ocidente direito, sem intermediadores-cleptomaníacos do Kremlin!" Por isso a vassalagem aos EUA é preferível aos olhos desses elementos. Por isso os nacionalistas ucranianos estão a favor da Maidan russofóbico e os nacionalistas russos estão a favor de Maidan em Moscou e ao mesmo tempo a favor dos direitos dos russos na Ucrânia e por todas partes.

Entretanto é óbvio o absurdo dessa situação quando os nacionalistas russos e os ucranianos se matam no Leste da Ucrânia lutando por relações de vassalagem com os EUA, cimentando seus nacionalismos étnicos com o sangue derramado!


Em busca da reconciliação


Todos nós nos damos conta da guerra de propagandas. Segundo a média ucraniana 47 ativistas pró-Rússia se autoincendiaram em Odessa e não foram queimados vivos pelos radicais neonazistas, muita gente morreu na praça central de Lugansk não no resultado de um bombardeio de avião do exército ucraniano senão porque se explodiu um ar acondicionado, etc. A média russa também não é 100% pura: por exemplo, faz pouco mostraram a uma mulher que afirmava ver como os radicais da Guardia Nacional da Ucrânia crucificaram a uma criança em Slaviansk (todos viram que a mulher era muito estressada e quase louca, mas o canal não deu nenhum comentârio, como se as afirmações da mulher fossem "Sapienti Sat"). Não comentamos aqui as bobagens legendárias da porta-voz de Departamento de Estado dos EUA Jen Pskai.

Mas queremos repetir que o estilo da Rússia deve ser sumamente gentil e impecâvel. A propaganda deve ser baseada nos princípios extra-étnicos: não se trata dos ucranianos ocidentais, fanáticos de colaboracionista de Hitler Stefan Bandera, que guerream contra os imperialistas russos. Se trata de um conflito interino entre os oligarcas de Donetsk e os de Dnepropetrovsk, amplificado pelos EUA até uma guerra civil pelos projetos de futuro desse territorio.

É necessário insistir que os ucranianos e os russos se não são um só povo, pelo menos são povos irmãos e não faz nenhum sentido a aniquilação mútua nos interesses dos oligarcas e os EUA. Os milicianos guerreiam pela independência da gente pró-Rússia, que historicamente não tem a ver com a "Ucrânia", eles guerreiam contra os oligarcas (seus exércitos privados, Guarda Nacional, formada pelos fanáticos neonazistas e o Exército Regular, que virou um refém coletivo da junta de Kiev).

A propaganda coerente pode ajudar a gente entender o sentido dessa guerra, mas os resultados dela dependem apenas do Kremlin e da Casa Branca.

Achamos que uma "revolução desde arriva" no Kremlin poderia neutralizar esse conflito na Ucrânia tão desvantajoso para a Rússia. O grupo governante deve passar para o lado do povo, chegou a hora de purgar as elites. Assim tanto os nacionalistas ucranianos como os russos perderiam seus argumentos. Enquanto no centro do "mundo russo" se encontra o iate de Abramovich, não faz sentido sonhar com o renascimento russo.

1. A Novorossiya, aliás, a Nova Rússia, é uma região do norte do Mar Negro, conquistada pela Rússia durante as guerras contra a Turquia no final do século XVIII, no reinado de Catarina a Grande (r. 1762 – 1796). Até agora são territórios da Ucrânia menos infectados pelo neonazismo ucraniano, mais pró-Rússia, são regiões mais industrializadas, que geram a maior parte do PIB da Ucrânia e ao mesmo tempo são as regiões mais marginalizadas e satanizadas pelas elites de Kiev durante os últimos 20 anos.

2. http://guiademoscou.blogspot.ru/2014/05/neonazistas-legitimados-na-ucrania.html

3. http://globalvoicesonline.org/2014/07/09/russias-armchair-warrior-turns-on-ukraines-rebel-leader/